ALTERAÇÃO DO ENDEREÇO

domingo, 9 de janeiro de 2011

- " Portugal e a Globalização"

Como os portugueses mudaram o Mundo.

Contrariamente ao que a generalidade das pessoas atualmente pensa, a globalização não é uma criação do Séc.XX. Ela começou quando o português Vasco da Gama chegou à Índia, em Maio de 1498, em sequência de um plano sabiamente elaborado e executado com coragem e determinação.

Este foi o verdadeiro ponto de inflexão para a Era Moderna e a génese do primeiro grande império oceânico que se estendeu pelos quatro continentes, num modelo copiado por todos os outros impérios que se seguiram até aos dias de hoje, sendo o atual império dos EUA aquele que, embora passados quatro séculos, mais se aproxima do modelo original criado pelos portugueses.

Todos os impérios até ao Séc.XV se caracterizaram por serem de tipo continental, como o Alexandrino e o Mongol, ou centrados estrategicamente numa zona marítima, como o Romano ou o Islâmico (desde a Península Ibérica à Índia). Mesmo os impérios chinês, egípcio ou persa (que se estendia da Índia à Grécia), todos eles correspondiam ao conceito de extensão continental contígua.

Os portugueses inovaram e criaram um império em rede no qual, periodicamente, uma Armada de poder incontestável demonstrava a quem pertencia a soberania, sendo esta uma forma inteligente de compensar os reduzidos efetivos disponíveis. Não nos esqueçamos que Portugal tinha, nessa época, pouco mais do que um milhão de habitantes. As decisões tomadas em Portugal entre 1412, quando se começou a discutir a conquista de Ceuta e 1517, quando se desistiu da conquista de Jedá, na Arábia Saudita, tiveram enormes consequências geopolíticas criando um conceito completamente novo de “grande potência”.

Com a vitória em importantes batalhas travadas contra os otomanos na região do Índico, os portugueses estabeleceram um império que ia das costas de África até ao Japão, onde se desenvolvia um comércio rendoso para todas as partes envolvidas que, embora dominado pelo poder monárquico, tinha uma enorme expressão no setor privado português e local.

A história dos impérios que se lhe seguiram pouco de novo nos trouxe:.

Os ingleses, depois de receberem Bombaim dos portugueses, como parte do dote de D. Catarina de Bragança, viram a oportunidade de entrar no negócio das especiarias, até então dominado pelos portugueses, e aproveitando a janela que a história lhes abria pensaram em criar um império.

Já tinham o exemplo dos portugueses que seguiram incondicionalmente e, com o decorrer do tempo, conforme os portugueses abandonavam feitorias por falta de efetivos e por razões de estratégia, procuraram aliar ao modelo português o conceito clássico de império continental. Para eles foi mais fácil, graças à grande quantidade de efetivos de que dispunham, mas o tempo veio demonstrar que nem esse modelo era sustentável.
O comportamento dos ingleses em relação aos portugueses foi razoavelmente civilizado pois que, na maior parte dos casos se limitaram a ocupar locais que os portugueses abandonaram. Excepção feita aquilo que deve ser a maior vergonha da diplomacia britânica: o “Mapa Cor-de-Rosa”.


Os holandeses
, que vieram pouco depois, tiveram como única motivação o comércio, salvo a tentativa poética de criarem colónias no Brasil e em Angola, às quais os brasileiros rapidamente puseram cobro.

O império português existiu cerca de 500 anos, desde 1498 a 1974. O império inglês, graças ao abandono a que foram votados os territórios portugueses durante a dinastia dos Filipes, existiu pouco mais de 300 anos, desde 1641 até à década de 60 do séc.XX.

Quanto à presença dos holandeses na história mundial, só podemos classificá-la como uma presença de substituição, pois não trouxe qualquer contribuição para o progresso da humanidade.

A ascensão do império português correspondeu ao início de uma onda de Kondratieff, referente aos movimentos ascendentes e descendentes do capitalismo mundial identificados pelo economista russo acima referido. Através da análise quantitativa o economista russo provou que a expansão portuguesa foi um processo evolutivo de aprendizagem em que se completou uma das etapas de construção do sistema mundial:

aquela que correspondeu ao início do processo de globalização.

A.Norton


6 comentários:

ana p roque disse...

Outros tempos,a maioria dos portugueses nem se dá conta do que fomos.

Fomos grandes,demos origem a muita coisa neste mundo,agora,somos pequenos demais.Tão pequenos,que vivemos da esmola dos outros sendo obrigados a fazer o que eles querem.Estamos a perder identidade,já foi a moeda,aos poucos até a língua está a ser modificada na forma escrita,e vamos sendo vendidos ás parcelas.

Boa semana.

G.D. News disse...

Não sabia que em tempos de crise o povo da terrinha estava com a auto estima tão baixa, devem se espelhar no passado para dar a volta por cima, sem nostalgia é claro...

Arnaldo Norton disse...

Amiga Ana !
Precisamente por a maioria não se dar conta é que eu me empenho em recordar aquilo de que os portugueses foram capazes, tentando
contribuir para o abanão que se tornou indispensável dar nas estruturas politica e social deste país.
A dimensão de um país hoje mede-se pela forma como consegue inovar e, nesse aspeto, tem-se feito muito. Infelizmente, o poder público não consegue acompanhar as iniciativas privadas por não ter dirigentes à altura.Os que têm capacidades não qerem confundir-se com os medíocres que estão no poder.Este é o grande drama ! ...
Quanto à língua lamento não estar de acordo consigo pois sou acérrimo defensor do Acordo Ortográfico.
Outro assunto para terminar: não consigo entrar no seu blogue;já lhe enviei um mail acerca disso.Espero que o seu PC não tenha apanhado uma virose.
Obrigado pelo seu comentário.
Boa semana para si, também, e um abraço.

Arnaldo Norton disse...

G.D. News,agradeço o seu comentário.
Na resposta que dei ao comentário da Ana está parte da explicação para o que Vc menciona. O dilema em Portugal, neste momento, é precisamente a auto estima estar muito em baixo. A solução está muito bem expressa por si quando diz que
"devem se espelhar no passado para dar a volta por cima".É aí que está a necessária motivação.
Agradeço o seu comentário.

Canojones disse...

Os portugueses, através dos séculos, atravessaram já crises profundas e saíram reforçados de todas elas. Esta é mais uma, endógena e também com causas externas. Iremos, como no passado, "sacudir a poeira e dar a volta por cima". Calma, pessoal - o lixo será posto no caixote e a vassoura irá rapidamente limpar o caminho!

Arnaldo Norton disse...

Foi precisamente por isso que eu escolhi este tema. Convém que as novas gerações saibam que já tivemos várias crises semelhantes e que, como tu muito bem dizes, mais uma vez iremos "sacudir a poeira e dar a volta por cima".