ALTERAÇÃO DO ENDEREÇO

terça-feira, 5 de novembro de 2013

-"As fantasias acerca da Gallécia do Sul"



Tem-se verificado, em certas páginas do Facebook, algumas declarações por parte de galegos, com o apoio de alguns portugueses, que não hesitam em usar frases tais como: “Portugal é a Gallécia do sul”, “Portugal foi feito por galegos”, “o galaico-português não existe, é galego”, “ e mais idênticas fantasias.
Embora seja difícil acabar com estas manifestações “patrioteiras” espero que os textos e mapas que se seguem façam com que os que os lêem reflitam sobre a falta de rigor daquilo que afirmam e que sejam mais cuidadosos no futuro.


Historicamente é ridículo exaltar o episódico reino suevo esquecendo que, anteriormente, já havia povos na Península com os os seus costumes e com a sua língua. Além de que, os visigodos absorveram os suevos e todos os outros povos, impondo a sua lei que só a eles reconhecia a nobreza e regalia de usar arma e de guerrear.
Portanto, será bom que se perceba que a reconquista foi feita, a partir de Covadonga, comandada pela nobreza visigoda.

Suevos, Visigodos e Mouros
Os vestígios visigóticos em Portugal e no resto da península incluem várias igrejas e descobertas arqueológicas crescentes, mas destaca-se também a notável quantidade de nomes próprios e apelidos que deixaram nestas e noutras línguas românicas. Os visigodos foram o único povo a fundar cidades na Europa ocidental após a queda do Império Romano e antes do pontuar dos carolíngios. Contudo o maior legado dos visigodos foi o direito visigótico, com o Liber iudiciorum, código legal que formou a base da legislação usada na generalidade da Ibéria cristã medieval durante séculos após o seu reinado, até ao século XV, já no fim da Idade Média.




Até conquistar o domínio sobre toda a península ibérica, os visigodos enfrentaram suevos, alanos e vândalos, grupos de guerreiros germânicos que haviam ocupado a região desde antes de sua chegada. A unidade do reino teria sido completa já durante o reinado de Leovigildo.

Além disso, durante o século VIII, os árabes dominaram toda a península ibérica a não ser as Astúrias. Esse fato foi fatal para os muçulmanos, uma vez que a Cruzada da Reconquista foi feita por cristãos da região.

Mapa das Astúrias
Com a reconquista dos territórios pelos cristãos, descendentes dos godos, que se refugiaram na região das Astúrias, no norte da península, o nome al-Andalus foi-se adequando ao cada vez menor território sob ocupação árabe-muçulmana,


Território muçulmanos no ano 1000


A Península Ibérica em 1210

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

-" Australiana analisa o povo português "

Investigadora australiana faz análise do povo português e mostra alguns dos seus hábitos.
Investigadora australiana faz análise do povo português e mostra alguns dos seus hábitos 

                       


Os portugueses falam bem inglês, percebem o espanhol, têm Sol e bom vinho, tratam bem das suas cidades mas subestimam as potencialidades do país.

 Estas são algumas das conclusões de Erin B Taylor, uma investigadora australiana do Instituto de Ciências Sociais, que publicou recentemente  um artigo sobre Portugal num site dedicado à antropologia.
 
No seu texto, publicado recentemente no site Popanth, Erin Taylor, que vive em Portugal há mais de um ano, faz uma análise pessoal e divertida do povo português e de alguns hábitos nacionais.  
A investigadora afirma, por exemplo, que os portugueses “vivem em casas pequenas mas adoram cães grandes”, ao contrário da Austrália onde, mesmo com casas grandes, as pessoas preferem cães pequenos. Erin especula que isto talvez aconteça porque os portugueses levam mais vezes os seus animais de estimação a passear na rua.
Erin salienta, no artigo, que embora os portugueses estejam constantemente a avisar que falar português não é o mesmo que falar espanhol, é possível falar com um português em espanhol. “Parece que os espanhóis não têm esta capacidade”, avisa a investigadora, “os portugueses conseguem compreendê-los (aos espanhóis) mas eles não percebem os portugueses”.
 
Modestos e tímidos
Num outro parágrafo, a investigadora garante que a maior parte dos portugueses fala inglês melhor do que parece. “Não se admire se descobrir, ao fim de umas semanas, que o senhor do café fala um inglês perfeito, mesmo que peça desculpa por não falar a sua língua”, diz Erin. Um fenómeno que a investigadora atribui ao facto dos portugueses serem “modestos e tímidos”. 

Sobre o vestuário, a autora do artigo considera que os portugueses gostam de roupa elegante mas “pouco ostensiva”, pelo que “os homens normalmente vestem calças com polos e as mulheres saias com tops casuais mas bonitos”.
 
Erin defende ainda que todo o país se revela extremamente cuidado com “calçadas de pedra”, “bonitos azulejos que indicam os nomes das ruas”, e modernos passeios nas zonas ribeirinhas. Comparando com outros países, a investigadora diz que os portugueses são “incrivelmente dedicados” às suas cidades.  

Erin elogia ainda a qualidade dos vinhos e da rede de transportes públicos, “bem desenhada e esteticamente agradável”, o sol que persiste ao longo do Verão e o facto das pessoas serem “educadas e prestáveis”. 
 
Apesar de tudo isto, diz a investigadora, os portugueses tendem a “subestimar o seu país. “Dizem que estão sempre em crise, que a burocracia é um pesadelo e que é tudo muito caro”, afirma Erin.
Isso faz com que, conclui a australiana, “muitos portugueses queiram fugir para outro país, enquanto todos os outros parecem querer vir para cá”. 


Fonte: "boas noticias"

sábado, 5 de outubro de 2013

- A revolução "3D print" avança para "4D"

Máquinas que se auto-reparam, estruturas que se adaptam às circunstâncias, móveis que procedem à sua própria montagem, objectos que mudam de forma, materiais que mudam o seu comportamento consoante o tempo … A revolução industrial “3D Print” está a passar a outra dimensão e a tornar-se “4D Print”, incorporando a quarta dimensão, o tempo.
Ainda a ‘milagrosa’ revolução industrial da “3D Print” está nos primórdios, ainda mal começou, ainda os seus efeitos não se fazem sentir e ainda a imensa maioria nem sequer ouviu falar dela, mas já se pergunta o que vem depois da 3D Print. Pois, será a… 4D Print!
Se a 3D Print já era difícil de imaginar, com esta evolução é um outro mundo que se nos apresenta, um mundo em que até os móveis (atenção Paços de Ferreira) serão capazes de se montar a si mesmos!

Isto que parece ser uma louca fantasia de alguns cientistas já tem o apoio das Forças Armadas dos EUA concretizado com um financiamento de 855.000 dólares

Será bom que a indústria civil não adormeça ! ...

video

Adaptado  do IE

sábado, 7 de setembro de 2013

-" No dia da Independência do Brasil ..."

... quero enviar a todos os irmãos brasileiros os meus parabéns e desejar que se esforcem para esclarecer os mitos e os enganos que deturpam a opinião que têm sobre os portugueses, do que a questão que se segue é um típico exemplo:

Como seria o Brasil hoje, se tivesse sido povoado e não explorado?
  • Publicado por Simone Lessa 
  • Gostaria muito de saber o que pensam os amigos do site sobre a questão do Brasil ao invés de ter sido colonizado com exploração, tivesse sido povoado, como os EUA, por exemplo.
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Eis o "vírus" que há anos infeta a opinião dos brasileiros mal informados acerca dos portugueses ! ...Digo "mal informados", e creio que com razão, conforme se depreende dos comentários de brasileiros que a seguir se reproduzem.
ANorton

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 Resposta de Andréia Martins
Olá, bom esta é uma boa questão para pensarmos, pessoalmente não gosto muito destes conceitos ou "títulos", colonia de exploração ou de povoamento. Se pararmos para pensar, toda a colonição daquela época era inevitavelmente de exploração, a sociedade experimentava o mercantilismo, o expansionismo, em minha opinião mais comercial que territorial. Se pensarmos em termos de América e rotularmos Estados Unidos como colônia de povoamento, devemos então lembrar que apenas o norte dos atuais Estados Unidos era colônia de povoamento;nos estados do sul o sistema era de exploração como aqui. Então poderíamos concluir que no norte não havia muito a ser explorado, por isso o desinteresse pela exploração lá. Também podemos cogitar que a Inglaterra da época não tinha tanta experiência em colonizar como tinha Portugal com vários exemplos de colonias "bem sucedidas". Lembre, conceito de colônia e lucro andavam juntos. Sendo assim poderíamos concluir dizendo que o fato de parte dos Estados Unidos da América ter se desenvolvido como colônia de exploração se deve a falta de expêriência Inglesa em produzir colônias.

Resposta de Guilherme Sarmento Filho

Sinceramente Simone Lessa, acho uma crítica enraizada no senso comum, e gostaria de referir aqui o livro do Sergio Buarque de Hollanda "Raízes do Brasil". Como gosta de afirmar meu mestre, o professor  Cesar Ornellas, "nem tanto a terra nem tanto ao mar"... Primeiramente a existência de uma estrutura de exploração comercial das riquezas naturais fazia parte da própria lógica do mercantilismo e foi posta em prática por todas as nações europeias, inclusive nos EUA, onde somente foi amenizada nas colônias do norte por questões estratégicas, como por exemplo o fato da região apresentar clima parecido com a da sua metrópole, trazendo como consequência o desinteresse em produzir o mesmo tipo de produto, para não criar concorrência. Em segundo lugar, o fato da exploração em si não significa inexistência de povoamento, muito pelo contrário, em diversas ocasiões foi mesmo estratégia para a manutenção do domínio régio, e no caso especifico de Portugal, como sugere o próprio Sergio Buarque, ou até mesmo Darcy Ribeiro, mas interessante no sentido de que, obviamente além da violência da dizimação por doenças e guerras "justas", uma miscigenação - bem ao gosto da mentalidade naturalista portuguesa da época e que pode ser vista também como uma violência dependendo do ponto de vista -, que não somente aculturou como também integrou os povos invadidos - indígenas e africanos -, ao sistema cultural dos invasores, influenciando por outro lado esse mesmo sistema invasor enormemente até ao ponto do que viemos depois a identificar como sendo genuinamente brasileiro, que é essa salada de fruta gostosa toda. Diferentemente, por exemplo, do que se configurou nos EUA, onde, além da exploração, o povoamento se fez com características de segregação racial. No Brasil colonial, residiram não somente comerciantes falidos ou bandidos como pretende o senso comum, mas toda uma variedade que ia desde o negro africano, o índio e o caboclo e mameluco, ao reinol português, nobre de sangue, e os luso-brasileiros, "homens bons", principais da terra que detinham o poder local e que podiam ser tanto brancos como miscigenados. Não podemos nos esquecer que essa gente toda, ao longo do cotidiano, criou sentimento de pertença com a terra, numa apropriação do lugar que, se se considerava parte integrante do império português, ao menos era o "seu" pedaço de império português e aqui foi que quiseram desenvolver suas famílias e construir suas riquezas.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

-" Catarina de Bragança: a princesa que "refinou" a Inglaterra"


Quando alguns Nobres portugueses chegaram à conclusão de que o negócio da venda da coroa de Portugal aos Filipes, tinha deixado de ser rendoso e tinha atingido a falência, resolveram mudar de rei.
Infelizmente, esqueceram-se de tomar providências quanto a uma prevísivel reação do rei deposto que, por um conjunto de circuntâncias, era, também, rei de Castela e de mais uns quantos territórios.
A guerra foi uma consequência lógica e o novo rei de Portugal, que precisava de aliados, encontrou a solução no casamento de uma das suas filhas com o rei Carlos II de Inglaterra.
A negociação do casamento foi difícil !
Carlos II tinha motivos para desejar mas, também, para temer tal casamento: desejava-o, porque a princesa era bonita e o dote poderia encher os seus falidos cofres; mas, também, receava que isso pudesse reacender a guerra com Espanha.
Resistiu até o dote da princesa ser irrecusável: foi o maior dote de que há memória no Ocidente! Portugal ficou falido, o rei português ganhou um aliado para a guerra com Espanha,  e a Inglaterra ganhou um capital que se transformou no mais rentável investimento da sua história: o império britânico!
Hoje, diríamos que Carlos II deu o “golpe do baú” !

A cerimónia do casmento realizou-se em Maio de 1662.
Asim, começou a parte infeliz da vida de Catarina de Bragança, uma princesa nascida e criada no seio de uma família com cultura, educação e hábitos tradidicionais portugueses que, por sua infelicidade, foi desterrada para uma corte que, contráriamente ao que alguns escritores e cineastas de pacotilha nos querem fazer crer, era rude e atrazada em relação à restante Europa.

Catarina, teve um papel importantíssimo na modernização da Inglaterra e na alteração da filosofia de vida dos ingleses pelo que,  embora não suficientemente, ainda hoje é admirada e homenageada.
Provocou uma autêntica revolução na corte de Inglaterra, apesar de ter sido sempre hostilizada por ser diferente mas nunca desistiu da sua maneira de ser, nem consentiu que as damas portuguesas do seu séquito o fizessem.
Tinha uma personalidade tão forte que conseguiu que aqueles (principalmente aquelas) que a criticavam, em breve, passassem a imitá-la.
E assim, se derem grandes alterações na corte inglesa:

O conhecimento da laranja
Catarina adorava laranjas e nunca deixou de as comer graças aos cestos delas que a mãe lhe enviava.
O costume do “CHÁ DAS 5”
Costume que levou de casa e que continuou a seguir organizando reunões com amigas e inimigas. Este hábito generalizou-se de tal maneira que, ainda hoje, há quem pense que o costume de tomar chá a meio da tarde é de origem britãnica.
A compota de laranja
Que os ingleses chamam de “marmelade”, usando, erradamente, o termo português marmelada, porque a marmelada portuguesa já tinha sido introduzida na Inglaterra em 1495.
Catarina guardava a compota de laranjas normais para si e suas amigas e a de laranjas amargas para as inimigas, principalmente, para as amantes do rei.
Ifluenciou o modo de vestir
Introduziu a saia curta. Naquele tempo, saia curta era acima do tornozelo e Catarina endandalizou a corte inglesa por mostrar os pés, o que era considerado de mau-gosto e que não admira devido aos pés enormes das inglesas. Como ela tinha pés pequeninos, isso arranjou-lhe mais inimigas.
Introduziu o hábito de vestir roupa masculina para montar.
O uso do garfo para comer
Na Inglaterra, mesmo na corte, comiam com as mãos, embora o garfo já fosse conhecido, mas só para trinchar ou servir. Catarina estava habituada a usá-lo para comer e, em breve, todos faziam o mesmo.
Introdução da porcelana
Estranhou comerem em pratos de ouro ou de prata e perguntou porque não comiam em pratos de porcelana como se fazia, já há muitos anos, em Portugal. A partir de aí, o uso de louça de porcelana generalizou-se.
Música
Do séquito que levou de Portugal fazia parte uma orquestra de músicos portugueses e foi por sua mão que se ouviu a primeira ópera  em Inglaterra.
Mobiliário
Catarina também levou consigo alguns móveis, entre os quais preciosos contadores indo-portugueses que nunca tinham sido vistos em Inglaterra.
O nascimento do “Império Britânico”
Como já se disse, o dote de Catarina foi grandioso pela quantia em dinheiro mas, muito mais importante para o futuro, por incluir  a cidade de Tânger, no Norte de África e a ilha de Bombaim, na Índia.
Traíndo os Tratados que tinham assumido e com a desculpa de que o rei de Portugal era espanhol, os ingleses conseguiaram, apesar do controle da Marinha Portuguesa, navegar até à Índia onde criaram um entreposto em Guzarate.
Em 1670, depois de receber Bombaim dos portugueses, o rei Carlos II autorizou a Companhia das Índias Orientais a adquirir territórios.
Nasceu, assim, o Império Britãnico !   

Hoje, há pouca gente que saiba a importância que a raínha Catarina teve para os ingleses e o carinho que eles tiveram por ela. A sua popularidade estendeu-se até à América, onde um dos cinco bairros de Nova Iorque (Queens) foi batizado em sua homenagem.
Em 1998, a associação “Friends of Queen Catherina” fez uma coleta de fundos para lhe erguer uma estátua; não o conseguiu, devido à oposição de alguns movimentos cívicos que acusaram Catarina de ser uma das promotoras da escravidão.
Mais uma vez, a ignorância venceu ! ...

Autoria de Arnaldo Norton


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

-" A cidadania dos Goeses "

Os Goeses são indianos ou portugueses?
Num interessante atigo publicado no jornal diário Goês Herald, o advogado goês Radharao F. Gracias discute em que circunstâncias os goeses podem ser considerados cidadãos indianos ou portugueses.
Goa é um caso único, afirma Gracias, onde os que nasceram antes de 19 Dezembro de 1961 e seus descendentes são eligíveis para a cidadania portuguesa. Em vista das circunstâncias especiais como Goa tornou-se parte de Índia, a lei indiana Citizenship Order 1962 deve ser emendada para permitir aos goeses beneficiarem da Lei da Nacionalidade Portuguesa simultaneamente com os benefícios do artigo 5 da Constituição da Índia, conclui Gracias.

Published in the Goan daily Herald,  20.1.2013

sábado, 17 de agosto de 2013

-"Presidente ou Presidenta ?... (2)




Agora a opinião da professora portuguesa. É, mais ou menos, igual à do seu colega brasileiro, mas acrescenta uma conclusão: « a "feminização do termo" era de cunho popular e, muitas vezes, usada de forma irónica ou pejorativa». Não me parece que seja isso que D. Dilma quer ! ...




Lúcia Vaz Pedro
do Jornal de Notícias (Porto, Portugal)
19 de maio de 2013
A utilização da palavra “presidenta” não é uma novidade trazida pela senhora Dilma Rousseff.
Na verdade, alguns dicionários editados em 1944 (o de Augusto Moreno) e em 1953 (o de Cândido de Figueiredo) registam essa palavra, embora fosse de cunho popular e, muitas vezes, usada de forma irónica ou pejorativa. Tal como “presidenta”, também surgem os femininos “giganta” (de gigante), “hóspeda” (de hóspede). Há, pois, uma tendência generalizada para “feminizar” os nomes/substantivos provenientes do particípio presente latino que não variava em género: amans, amantis (amante, que ama); legens, legentis (lente, que lê);audiens, audientis (ouvinte, que ouve). Assim, assistimos, nos dias de hoje, a um uso formal de “presidenta”, embora a sua prática não seja consensual, podendo também dizer-se “o presidente”/”a presidente”.

Por outro lado, verifica-se a existência de alguns casos excecionais – infante/infanta, elefante/elefanta, governante/governanta, mestre/mestra, monge/monja, parente/parenta. Existem outros finalizados em -nte, normalmente originários de particípios presentes e de adjetivos uniformes latinos, que mantêm a mesma forma para o masculino e o feminino, como, por exemplo, “o doente”/ “a doente”, “o tenente”/ “a tenente”, “o docente”/ “a docente”.  :::


sábado, 10 de agosto de 2013

-" Presidente ou Presidenta ?...(1)"


Para sanar a dúvida,  publica-se a resposta de dois conceituados professores de Língua Portuguesa: Lúcia Vaz Pedro, de Portugal, e Diogo Arrais, do Brasil.


Hoje a do brasileiro:
Diogo Arrais
na revista Exame (Brasil)
26 de julho de 2013
Com a vinda do papa Francisco ao Brasil, uma polêmica voltou à tona: qual é a forma correta: “presidente” ou “presidenta”? Existem as duas formas. Sim! As duas formas são registradas pela Academia Brasileira de Letras (noVocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), pelo respeitadíssimo Dicionário Houaiss, pelo Aurélio e tantos outros.
Em um concurso público, por exemplo, o candidato pode fazer uso da forma “presidenta” e não perderá nota referente à Língua padrão. Por quê? Justamente porque a grafia é secular, tem o aval da Academia, dos dicionários e do uso popular.
Apesar disso, muitos preferem o uso de “a presidente”, pelo facto de nomes de dois gêneros terminados em-ente não apresentarem flexão de gênero, finalizando-os em -a. Alguns exemplos: crente, gerente, docente, discente, servente. Para os que assim creem, o artigo definido é o bastante para a variação em gênero.
É também interessante notar a existência de “presidenta”, desde 1899, pelo Dicionário de Cândido de Figueiredo:
Presidenta, f. (neol.) mulher que preside; mulher de um presidente. (Fem. de presidente.)”
Língua é uso, povo, e reflete uma série de aspectos sociais. Há, no Brasil, por questões democráticas, uma tendência ao uso do feminino de diversos termos: a “chefa”, a “gerenta”, a “presidenta”.
A chegada de uma mulher ao poder é símbolo da Democracia; talvez, por isso, o Planalto faça uso de “presidenta”, nos atos e comunicações oficiais. O uso (ratifico!) não corresponde a uma invenção de Dilma Rousseff.
Por questões eufônicas, prefiro a forma “a presidente”, assim como alguns jornalistas, escritores e autoridades. É somente uma questão sonora e pessoal.

sábado, 27 de julho de 2013

-"Lusofonia será uma designação correta ?"

Há quem questione a designação de Lusofonia atribuindo-lhe um significado que, na realidade, não tem.
Fala-se na Lusitânia, no seu povo, nos seus limites, fala-se na cor da pele de alguns lusófonos, mas não se consegue discutir o termo de forma pragmática. Nem se consegue chegar a uma conclusão !

Outra coisa não seria de esperar, visto o objeto do debate ser  um termo tão abrangente e, ao mesmo tempo, tão diáfano e romântico.
Se, por um lado, considerando a etimologia do termo, mais de metade dos portugueses e todos os que não nasceram em Portugal não se podem sentir abrangidos por ele, por outro, não podemos esquecer que as palavras tomam o sentido que se lhes atribui.
Assim e recorrendo aos dicionários, encontramos vários significados:

- a Porto Editora diz-nos que lusofonia “é o conjunto de falantes de português” ou o “conjunto de países que têm o português como língua materna ou como língua oficial”: uma definição demasiado simplista e redutora;
- o dicionário Priberam diz-nos que lusofonia é o “conjunto político-cultural dos falantes de português” e a “divulgação da língua portuguesa no mundo”: significados que já nos dizem mais qualquer coisa embora insuficiente;
- a wikipedia dá-nos uma definição mais completa ao afirmar que lusofonia é o conjunto de identidades culturais existentes em países, regiões, estados ou cidades falantes da língua portuguesa.
e por diversas pessoas e comunidades em todo o mundo”.

Com todo o respeito que os autores destas definições me merecem, lamento mas nenhuma delas me satisfaz !
Será que os descendentes de portugueses que vivem na Malásia, na China, na Índia, no Sri Lanka, na Guiné Equatorial, na Indonésia, nas Antilhas, etc., etc. e que persistem em manter a sua ascendência portuguesa e que, apesar de não falarem português, continuam a falar os dialetos que lá se formaram, não devem ser incluídos na lusofonia?
Defendo que incluí-los na lusofonia será uma questão de honra e o mínimo que por eles se pode fazer.

Mas porque é que o termo incomoda ? A Lusitânia já não existe; entre os poucos resultantes da amálgama de lusitanos, celtas, suevos, alanos, visigodos, vândalos e outros, que foram empurrados para o Norte da Península pela invasão berbére e que, mais tarde, vieram a misturar-se com os que ficaram na sua terra e absorveram forte influência muçulmana, já não há nenhum vestígio lusitano. Isto, no séc.XI !...
Cinco séculos mais tarde, a imitação dos clássicos ressuscitou o termo, ligando-o à noção de heroísmo e valentia de um povo que já nada tem ou nunca teve a ver com os lusitanos.
Camões poderia chamar à sua obra “Konisíadas” ou “Portugalisíadas” que o significado seria, exatamente, o mesmo.
O termo Lusofonia não tem nada a ver com lusitanos a não ser etimologicamente.

Considerando tudo o que acima foi dito, para mim...


 “Lusofonia é
um conceito de partilha e valorização de culturas que estão ou estiveram ligadas à cultura e à língua portuguesas.”

sábado, 20 de julho de 2013

Jogos da Lusofonia em Goa, Novembro de 2013

Goa, que foi território do ex-EstadoPortuguês da Índia

A terceira edição dos Jogos da Lusofonia, o maior evento multidesportivo de língua portuguesa, terá lugar em Goa, Índia de 2 a 10 de Novembro de 2013. Keshav Chandra, secretário do Desporto de Goa, apresentou na última Assembleia-Geral da Associação de Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa realizada em Julho de 2012 em Mafra, Portugal, o plano de organização dos Jogos em Goa.

Os 3º Jogos da Lusofonia, o  maior evento multidesportivo de língua portuguesa, serão realizados em Goa, Índia de 2 a 10 de Novembro de 2013, incluindo 9 modalidades desportivas: Atletismo, Basquetebol, Voleibol de Praia, Voleibol, Futebol, Judo, Ténis de Mesa, Taekwondo e Wushu.
Keshav Chandra, Secretário do Desporto de Goa, apresentou na última Assembleia-Geral de ACOLOP (Associação de Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa) realizada em 6 de Julho de 2012 em Mafra, Portugal, o plano de organização dos Jogos, nomeadamente: o programa das provas; os projectos das instalações desportivas, e os projectos de alojamento, alimentação e transportes. Keshav Chandra, informou ainda que, a Associação Olímpica de Goa tem o apoio do Governo de Goa e que todo o plano de preparação está a ser muito bem executado. O Ministro Chefe de Goa Manohar Parrikar, como Presidente da Comissão Organizadora, já reuniu com as Federações das diferentes modalidades desportivas presentes nos jogos, tendo analisado e discutido os pormenores das competições e exigências técnicas internacionais. Os planos e orçamentos de construção e remodelação das instalações desportivas já foram aprovados pelo governo, estando previsto em 2013 a conclusão das obras. Keshav Chandra apresentou assim um conjunto de garantias de que a próxima edição dos Jogos da Lusofonia em Goa será um sucesso e que tudo estará preparado para receber o evento.
Em face destas informações a  Assembleia Geral aprovou uma moção de confiança à organização dos Jogos da Lusofonia em Goa.
A reunião da ACOLOP em Mafra contou com a presença dos Comités de Angola, Brasil, Cabo Verde, Goa, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Sri-Lanka e Timor. Na Assembleia Geral, que teve lugar no Convento de Mafra, foi decidido também que Moçambique será o palco dos Jogos da Lusofonia em 2017. A Assembleia geral decidiu por unanimidade que Moçambique reúne todas as condições necessárias para organizar os Jogos da Lusofonia e para assegurar o seu sucesso.

http://www.youtube.com/watch?v=-gBqFWAjMJ0

quarta-feira, 10 de julho de 2013

-"O Diário de Vasco da Gama"

"O início da Globalização"

Diário de Vasco da Gama incluído no Registo da Memória do Mundo da UNESCO


Da Agência Lusa, da Rádio ONU e da RTP (Portugal)
22 de junho de 2013


O diário da primeira viagem de Vasco da Gama à Índia foi um dos 54 documentos inscritos na terça-feira no Registo da Memória do Mundo, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).



Selo da República Portuguesa de 1969 com as naus São Rafael e São Gabriel (esta em primeiro plano) e a caravela Bérrio, da frota de Vasco da Gama à Índia.

A aprovação da lista, pela diretora-geral da UNESCO, a búlgara Irina Bokova, foi feita na sequência de recomendações do Comité Consultivo Internacional do Programa Memória do Mundo em uma reunião realizada em Gwangju, na Coreia do Sul. A UNESCO sustentou a escolha deste importante documento da História dos Descobrimentos Portugueses, reconhecendo o “testemunho da viagem pioneira à Índia, um dos momentos-chave que mudou o rumo da história do mundo”.
A cópia mais antiga, e a única que se conhece, do texto original do Roteiro da Primeira Viagem de Vasco da Gama à Índia, 1497-1499encontra-se na Biblioteca Pública Municipal do Porto desde 1834, proveniente do Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra.
A Faculdade de Letras da Universidade do Porto disponibiliza o documento fac-similado em linha, na coleção Gâmica da Biblioteca Digital, acrescentada de uma leitura crítica do investigador José Marques.
O original do diário da viagem de Vasco da Gama à Índia, em 1497, é atribuído a Álvaro Velho, do Barreiro, e esteve exposto naquela biblioteca em 2008.
É o sexto documento português a entrar na lista da UNESCO 
e vai figurar ao lado da Carta de Pero Vaz de Caminha, de 1500, sobre a viagem de Pedro Álvares Cabral ao Brasil.


terça-feira, 2 de julho de 2013

-" O que significam as estrelas na bandeira do Brasil "



Será que a maioria dos brasileiros sabe o que significam as estrelas na bandeira do seu país ?






( faça zoom para ver o Estado que cada estrela representa )



segunda-feira, 24 de junho de 2013

-"No Brasil continua a usar-se a terrível Talidomida"



Autoria de
: Ute Pferdehirt

Tradução e adaptação : Arnaldo Norton

Na edição “online” do jornal alemão “Die Zeit”, de 24 do corrente, encontrei uma notícia sobre as vítimas da talidomida, aquele terrível medicamento que provocou malformações em milhares de bebés por todo o Mundo.
http://www.zeit.de/2013/24/contergan-opfer).
Procurando saber mais, encontrei o Blogue de Klaus Hart, um alemão radicado no Brasil, que publicou em 6.12.2012 uma entrevista com Cláudia Maximino, uma das vítimas http://www.hart-brasilientexte.de/2012/12/06/brasiliens-endloser-conterganskandal-neuer-dokumentarfilm-uber-thalidomidfolgen-bis-heute/ ).


Cláudia, de 45 anos, não tem pernas, só tem um braço deformado, é licenciada em administração de empresas e dirige a Associação Brasileira das Vítimas da Talidomida.

Passo a transcrever um excerto da entrevista :


"A Organização Mundial de Saúde calcula que no Brasil há mais de mil vítimas da talidomida; nós estamos convencidos que o número de vítimas é muito maior visto a talidomina ser prescrita e tomada no Brasil há mais de 50 anos.Mas o mais inacreditável neste caso é que, ainda hoje, há médicos a receitarem a talidomida a mulheres sem fazerem o teste de gravidez e sem as informarem dos riscos que correm ao tomarem aquele medicamento.Parece absurdo mas existe uma nova geração de médicos que desconhece os efeitos da talidomida e nunca ouviu falar nos escândalos e debates à volta deste medicamento. Em todo o Mundo foi debatido o caso da talidomida ; no meu país, devido à má qualidade da comunicação social e ao baixo nível cultural há pessoas que nunca ouviram falar nisso, inclusive no seio da classe médica.Dá mesmo vontade de chorar ! ..."

Eu posso acrescentar que os direitos de produção da talidomida foram comprados, em 1957, ao laboratório alemão Grünenthal, por três empresas farmacêuticas brasileiras que a lançaram no mercado com as designações comercias de SEDALIS, SEDIM e SLEEPY.


"
talidomida (C13H10N2O4) é uma substância usualmente utilizada como medicamento sedativoanti-inflamatório e hipnótico. Devido a seus efeitos teratogénicos, tal substância deve ser evitada durante a gravidez e em mulheres que podem engravidar, pois causa má-formação ou ausência de membros no feto.
(Wikipédia) 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Talidomida

sábado, 15 de junho de 2013

-" A origem da BUNDA ?..."

Um amigo meu, brasileiro, creio eu que depois de aturadas investigações e gostosos estudos no terreno, teve a gentileza de me enviar o resultado duma pesquisa efetuada sobre a origem do termo “BUNDA”.
Pela fluência e humor do texto e pela importância de que tal pesquisa se reveste e considerando o princípio segundo o qual devemos estar identificados com tudo aquilo com que lidamos, não posso deixar de o partilhar com os meus amigos, certo de que irei contribuir para enriquecer o seu conhecimento acerca de tão importante atributo feminino.


CAROS AMIGOS, VOCÊS TODOS SABEM QUE NO BRASIL BUNDA É UMA PAIXÃO NACIONAL.
A GATA PASSA E LOGO SE OLHA PARA ELA, A BUNDA.

MAS VOCÊS SABEM A ORIGEM DO TERMO  BUNDA ???

Os responsáveis pela bunda, como é conhecida na atualidade, referindo-me ao conceito contemporâneo de bunda, ou seja,a bunda como ela é, são os africanos.
Mais especificamente, os angolanos.
Para ser ainda mais preciso, as angolanas.
Foram elas, angolanas que, ao chegarem ao Brasil, durante as trevas da escravatura, revolucionaram tudo o que se sabia sobre bunda até então.

Foi assim !...

Naquela época, a palavra bunda não existia.
Os portugueses, quando queriam falar a respeito das nádegas de uma mulher, diziam exatamente isso, nádegas. Ou região glútea, tanto faz.

Aí, os escravos angolanos chegaram ao Brasil. Só que eles não eram conhecidos como angolanos. Eram os bantos, chamados bundos, que falavam o idioma "ambundo". Ou "quimbundo". A língua bunda, enfim.
Os bundos, esses, em especial as mulheres bundas, possuíam a tal região glútea muito mais sólida, avantajada, globosa.

Os portugueses, que não eram tolos, logo deitaram os olhares para as nádegas das bundas. Quando alguma delas passava diante de um grupo de portugueses, vinham logo os comentários:   -“Que bunda ! ...”

Em pouco tempo, a palavra bunda, antes designação de uma língua e de um povo, passou a ser sinónimo de nádegas.

E assim nasceu a Bunda tal como a conhecemos hoje .....
Fonte: "Águias da Estrada"