ALTERAÇÃO DO ENDEREÇO

sábado, 27 de julho de 2013

-"Lusofonia será uma designação correta ?"

Há quem questione a designação de Lusofonia atribuindo-lhe um significado que, na realidade, não tem.
Fala-se na Lusitânia, no seu povo, nos seus limites, fala-se na cor da pele de alguns lusófonos, mas não se consegue discutir o termo de forma pragmática. Nem se consegue chegar a uma conclusão !

Outra coisa não seria de esperar, visto o objeto do debate ser  um termo tão abrangente e, ao mesmo tempo, tão diáfano e romântico.
Se, por um lado, considerando a etimologia do termo, mais de metade dos portugueses e todos os que não nasceram em Portugal não se podem sentir abrangidos por ele, por outro, não podemos esquecer que as palavras tomam o sentido que se lhes atribui.
Assim e recorrendo aos dicionários, encontramos vários significados:

- a Porto Editora diz-nos que lusofonia “é o conjunto de falantes de português” ou o “conjunto de países que têm o português como língua materna ou como língua oficial”: uma definição demasiado simplista e redutora;
- o dicionário Priberam diz-nos que lusofonia é o “conjunto político-cultural dos falantes de português” e a “divulgação da língua portuguesa no mundo”: significados que já nos dizem mais qualquer coisa embora insuficiente;
- a wikipedia dá-nos uma definição mais completa ao afirmar que lusofonia é o conjunto de identidades culturais existentes em países, regiões, estados ou cidades falantes da língua portuguesa.
e por diversas pessoas e comunidades em todo o mundo”.

Com todo o respeito que os autores destas definições me merecem, lamento mas nenhuma delas me satisfaz !
Será que os descendentes de portugueses que vivem na Malásia, na China, na Índia, no Sri Lanka, na Guiné Equatorial, na Indonésia, nas Antilhas, etc., etc. e que persistem em manter a sua ascendência portuguesa e que, apesar de não falarem português, continuam a falar os dialetos que lá se formaram, não devem ser incluídos na lusofonia?
Defendo que incluí-los na lusofonia será uma questão de honra e o mínimo que por eles se pode fazer.

Mas porque é que o termo incomoda ? A Lusitânia já não existe; entre os poucos resultantes da amálgama de lusitanos, celtas, suevos, alanos, visigodos, vândalos e outros, que foram empurrados para o Norte da Península pela invasão berbére e que, mais tarde, vieram a misturar-se com os que ficaram na sua terra e absorveram forte influência muçulmana, já não há nenhum vestígio lusitano. Isto, no séc.XI !...
Cinco séculos mais tarde, a imitação dos clássicos ressuscitou o termo, ligando-o à noção de heroísmo e valentia de um povo que já nada tem ou nunca teve a ver com os lusitanos.
Camões poderia chamar à sua obra “Konisíadas” ou “Portugalisíadas” que o significado seria, exatamente, o mesmo.
O termo Lusofonia não tem nada a ver com lusitanos a não ser etimologicamente.

Considerando tudo o que acima foi dito, para mim...


 “Lusofonia é
um conceito de partilha e valorização de culturas que estão ou estiveram ligadas à cultura e à língua portuguesas.”

2 comentários:

Canojones disse...

Caro Norton: perfeitamente em sintonia contigo. Temos que ter presente que o território da então Lusitânia entrava por terras que hoje fazem parte da Espanha. Penso que teremos que encontrar uma designação mais apropriada de modo a abranger o conceito por ti definido.

Arnaldo Norton disse...

Caro amigo Canojones !
Agradeço o teu apoio e permito-me esperar que divulges este conceito, visto concordadres com ele, podendo assim aguardar outras reações que possam enriquecer a discussão.
Um abraço.