ALTERAÇÃO DO ENDEREÇO

sábado, 25 de outubro de 2008

A 5ª COLUNA DA LUSOFONIA

A 5ª coluna da lusofonia é, indubitavelmente, a Comunicação Social.Com os seus órgãos e os seus agentes, a Comunicação Social, salvo raras e honrosas excepções, é um factor de clivagem dentro das sociedades lusófonas e entre uns e outros. Ela actua em todos os sectores, desde a Literatura à Televisão, passando pela Imprensa e pela Rádio.Actuando de forma consciente uns, por seguidismo outros, os elementos desta 5ª coluna movimentam-se, principalmente, nos dois Países que mais responsabilidade têm na preservação da Lusofonia.O modo de actuar é bem insidioso, assumindo a forma de afirmações, insinuações e um mau tratamento despudorado da Língua. Despudorado, porque ao mau tratamento que se dá à Língua, embora a maioria o faça por ignorância e má formação profissional, os responsáveis com boa formação assistem impávidos aos erros que se cometem. Não me acredito que eles não detectem o erro quando um jornalista começa uma oração no pretérito perfeito e a termina no presente-do-indicativo; ou que substitua o condicional pelo indicativo ou que deixe de usar os verbos no futuro.Sei que alguns “democratas” irão dizer que isso são alterações que a Língua vai sofrendo e que são um sinal de vitalidade. Se isso é vitalidade, prefiro, então, a modorra das terras do interior onde ainda consigo ouvir português bem falado.Na realidade, para ouvir um português bem falado não tenho necessidade de me refugiar no interior de Portugal. Posso fazê-lo sempre que vou ao Brasil porque, doa a quem doer, no Brasil fala-se português melhor do que em Portugal. Estou a referir-me, logicamente, à classe média que é onde a Língua faz escola, na falta imperdoável e ridícula duma instituição que a normalize. Agora, que houve o Acordo Ortográfico, será uma boa altura para colmatar essa brecha, até porque a falta dele deixa de ser desculpa.
Os exemplos são infindáveis, mas irei mencionar apenas alguns que tiveram como palco da tragédia instituições que prestam Serviço Público ou que, pelo menos, deveriam prestar. Basta debruçarmo-nos sobre a RDP e a RTP.
Na RDP, temos a realizadora Madalena Balsa que apresenta excelentes programas mas que ao entrevistar uma escritora portuguesa que reside no estrangeiro e escreve em inglês, lamentou ela não ter sido traduzida “própriamente para português, foi traduzida para brasileiro”!...;
-temos a realizadora Ana Aranha, que além de nos presentear com alguns excelentes trabalhos, há pouco tempo nos apresentou um programa no aniversário da queda da cadeira de Salazar, para o qual convidou só figuras de “esquerda” e onde o Snr.Fernando Rosas, com a falta de isenção que lhe é habitual, afirmou que quando se deu o 25 de Abril Portugal tinha a guerra em África perdida. Ora, qualquer pessoa razoavelmente informada sabe que isso não é verdade. Para fazer essa afirmação tão peremptória será que ele esteve lá ou será que assistiu aos noticiários em Argel ou refúgios semelhantes?;
- temos os locutores, quase sem excepção, a dizerem Flórida em vez de Florida ( por coerência deveriam dizer New York e London em vez de Nova Iorque e Londres).
Na RTP, temos o Snr. Júlio Isidro a mencionar as letras das canções em “brasileiro”, temos o Snr. Francisco José Viegas a dizer, de Manaus, que “não há dúvida que aqui fala-se outra Língua” e, para fechar com chave-de-ouro, registo a “brilhante” e “educativa” actuação, neste palco de desgraças, do autor do programa “Cuidado com a Língua” (mais propriamente se deveria chamar Cuidado com o Autor) que, no programa da semana passada, ao dissertar sobre o vocábulo Cuba teve a ideia peregrina de afirmar que Colon deu á ilha de Cuba este nome porque era o nome que os indígenas usavam.
Mas o fenómeno, como acima disse, é comum a ambos os lados do Atlântico. Para as Rádios e Televisões do Brasil, é como se Portugal não existisse. Não transmitem música portuguesa, não exibem programas portugueses e quase parece que evitam falar de Portugal. Visto as Televisões estarem dominadas por descendentes de italianos este posicionamento não me surpreende. Temos bem perto de nós o exemplo da TV Record.
O que é isto, meus senhores?!...Isto não é só ignorância; é a forma típica de actuação de uma 5ªcoluna

1 comentário:

arroba disse...

O verdadeiro poder está actualmente nas mãos de grupos económicos à escala mundial e de empresas globais cujo peso nos negócios do mundo inteiro indicia ser mais importante do que o dos governos e dos Estados.
Na nova guerra ideológica, que nos é imposta pela globalização, os mídia são utilizados como poderosa arma de combate. A informação – devido à sua explosão e fácil multiplicação, encontra-se literalmente contaminada, envenenada por todo o tipo de mentiras, poluída pelos boatos, pela deformação, pela distorção, pela manipulação.
Temos como um dos exemplos o “Serviço Público de Televisão – RTP” uma dos mais flagrantes situações que numa análise de contexto histórico - social, envolve e implica não só as instituições humanas como todos os textos ( daí produzidos) e, ou, contextos que são transversais a todos os vectores da nossa sociedade portuguesa.
Os meios de comunicação de massa (imprensa rádio, emissoras de televisão, internet) fundem- se cada vez mais, em conjunturas que se reproduzem, para constituir grupos de comunicação de vocação mundial. Empresas gigantes, como a News Corps, a Viacom, a AOL Time Warner, a General Electric, a Microsoft, a Bertelsmann, a United Global Com, a Disney, a Telefónica, a RTL Group, a France Telecom ( em Portugal a PT Contact e a Sonae) etc., dispõem, actualmente, de gigantescas possibilidades de expansão devido ao avanço da tecnologia. A "revolução digital" rompeu as fronteiras que antes separavam as três formas tradicionais de comunicação: o som, a escrita e a imagem. Permitiu o surgimento e o avanço da internet, que representa um quarto modo de comunicar, uma nova maneira de expressar, de informar, de distrair
Em 1940, num filme célebre, Orson Welles criticava o "superpoder" do Citizen Kane (na realidade, William Randolph Hearst, o magnata da imprensa do início do século 20). Entretanto, comparado ao poder que os grandes grupos mundiais detêm actualmente, o poder de Kane seria insignificante. Dono de alguns jornais num único país, Kane dispunha de um poder nanico (o que não impede que fosse eficiente em escala local e nacional) -veja-se na Itália, por exemplo, a super potência, na área de comunicações, o grupo Fininvest, de Silvio Berlusconi, ou na França, os grupos Lagardère e Dassault - diante dos arqui-poderes dos mega-grupos dos mídia nos nossos tempos.
Em Portugal, como seria de esperar, seguimos tristemente o exemplo: programas sem qualidade, feitos por “profissionais” que não utilizam códigos deontológicos, apenas visam servir os interesses de “meia-dúzia” – os que estão momentaneamente eleitos para servir a “causa comum”, (mas que não o fazem) optam por encher os bolsos precavendo o futuro individual, antes que o próximo governo “mude” a sua cor politica. Liquidam o erário público.
Na verdadeira essência, importa não a Língua Portuguesa, não a semântica, a sintaxe, mas sim a mensagem imediata e , sobretudo , muitas vezes subliminar, com que o espectador inteiramente desatento e a maior parte das vezes iletrado, é apanhado desprevenido. O facilitismo, a arte do “desenrasca”.
Que interessa a análise do discurso, se a prática social de produção de textos, imagens, conteúdos em geral, visa apenas o lucro e as audiências fáceis? Já para não falar da ausência de rigor histórico…
Perante tal panorama….nem Júlio Isidoro, nem Manuela Moura Guedes ( e a sua imagem delirante), Francisco Viegas, ( ao serviço do interesse de minorias indefinidas) Miguel Sousa Tavares ( este último, agora dedicado a luta contra os contentores do Porto de Lisboa) e tantos, mas tantos outros e outras personagens deste país, que eu costumo dizer á beira –mar abandonado, nada mais nos resta senão clamar, e…”quanto do teu sal são lágrimas de Portugal…
Aguardando a vinda do “Desejado”…. Mas não do Magalhães, que esse anda às voltas na tumba!!! Já nem o Sócrates nos vale com a sua filosofia de pacotilha!!!!

Cumprimentos
A Arroba das Palavras