ALTERAÇÃO DO ENDEREÇO

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terça-feira, 5 de novembro de 2013

-"As fantasias acerca da Gallécia do Sul"



Tem-se verificado, em certas páginas do Facebook, algumas declarações por parte de galegos, com o apoio de alguns portugueses, que não hesitam em usar frases tais como: “Portugal é a Gallécia do sul”, “Portugal foi feito por galegos”, “o galaico-português não existe, é galego”, “ e mais idênticas fantasias.
Embora seja difícil acabar com estas manifestações “patrioteiras” espero que os textos e mapas que se seguem façam com que os que os lêem reflitam sobre a falta de rigor daquilo que afirmam e que sejam mais cuidadosos no futuro.


Historicamente é ridículo exaltar o episódico reino suevo esquecendo que, anteriormente, já havia povos na Península com os os seus costumes e com a sua língua. Além de que, os visigodos absorveram os suevos e todos os outros povos, impondo a sua lei que só a eles reconhecia a nobreza e regalia de usar arma e de guerrear.
Portanto, será bom que se perceba que a reconquista foi feita, a partir de Covadonga, comandada pela nobreza visigoda.

Suevos, Visigodos e Mouros
Os vestígios visigóticos em Portugal e no resto da península incluem várias igrejas e descobertas arqueológicas crescentes, mas destaca-se também a notável quantidade de nomes próprios e apelidos que deixaram nestas e noutras línguas românicas. Os visigodos foram o único povo a fundar cidades na Europa ocidental após a queda do Império Romano e antes do pontuar dos carolíngios. Contudo o maior legado dos visigodos foi o direito visigótico, com o Liber iudiciorum, código legal que formou a base da legislação usada na generalidade da Ibéria cristã medieval durante séculos após o seu reinado, até ao século XV, já no fim da Idade Média.




Até conquistar o domínio sobre toda a península ibérica, os visigodos enfrentaram suevos, alanos e vândalos, grupos de guerreiros germânicos que haviam ocupado a região desde antes de sua chegada. A unidade do reino teria sido completa já durante o reinado de Leovigildo.

Além disso, durante o século VIII, os árabes dominaram toda a península ibérica a não ser as Astúrias. Esse fato foi fatal para os muçulmanos, uma vez que a Cruzada da Reconquista foi feita por cristãos da região.

Mapa das Astúrias
Com a reconquista dos territórios pelos cristãos, descendentes dos godos, que se refugiaram na região das Astúrias, no norte da península, o nome al-Andalus foi-se adequando ao cada vez menor território sob ocupação árabe-muçulmana,


Território muçulmanos no ano 1000


A Península Ibérica em 1210

sábado, 7 de setembro de 2013

-" No dia da Independência do Brasil ..."

... quero enviar a todos os irmãos brasileiros os meus parabéns e desejar que se esforcem para esclarecer os mitos e os enganos que deturpam a opinião que têm sobre os portugueses, do que a questão que se segue é um típico exemplo:

Como seria o Brasil hoje, se tivesse sido povoado e não explorado?
  • Publicado por Simone Lessa 
  • Gostaria muito de saber o que pensam os amigos do site sobre a questão do Brasil ao invés de ter sido colonizado com exploração, tivesse sido povoado, como os EUA, por exemplo.
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Eis o "vírus" que há anos infeta a opinião dos brasileiros mal informados acerca dos portugueses ! ...Digo "mal informados", e creio que com razão, conforme se depreende dos comentários de brasileiros que a seguir se reproduzem.
ANorton

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 Resposta de Andréia Martins
Olá, bom esta é uma boa questão para pensarmos, pessoalmente não gosto muito destes conceitos ou "títulos", colonia de exploração ou de povoamento. Se pararmos para pensar, toda a colonição daquela época era inevitavelmente de exploração, a sociedade experimentava o mercantilismo, o expansionismo, em minha opinião mais comercial que territorial. Se pensarmos em termos de América e rotularmos Estados Unidos como colônia de povoamento, devemos então lembrar que apenas o norte dos atuais Estados Unidos era colônia de povoamento;nos estados do sul o sistema era de exploração como aqui. Então poderíamos concluir que no norte não havia muito a ser explorado, por isso o desinteresse pela exploração lá. Também podemos cogitar que a Inglaterra da época não tinha tanta experiência em colonizar como tinha Portugal com vários exemplos de colonias "bem sucedidas". Lembre, conceito de colônia e lucro andavam juntos. Sendo assim poderíamos concluir dizendo que o fato de parte dos Estados Unidos da América ter se desenvolvido como colônia de exploração se deve a falta de expêriência Inglesa em produzir colônias.

Resposta de Guilherme Sarmento Filho

Sinceramente Simone Lessa, acho uma crítica enraizada no senso comum, e gostaria de referir aqui o livro do Sergio Buarque de Hollanda "Raízes do Brasil". Como gosta de afirmar meu mestre, o professor  Cesar Ornellas, "nem tanto a terra nem tanto ao mar"... Primeiramente a existência de uma estrutura de exploração comercial das riquezas naturais fazia parte da própria lógica do mercantilismo e foi posta em prática por todas as nações europeias, inclusive nos EUA, onde somente foi amenizada nas colônias do norte por questões estratégicas, como por exemplo o fato da região apresentar clima parecido com a da sua metrópole, trazendo como consequência o desinteresse em produzir o mesmo tipo de produto, para não criar concorrência. Em segundo lugar, o fato da exploração em si não significa inexistência de povoamento, muito pelo contrário, em diversas ocasiões foi mesmo estratégia para a manutenção do domínio régio, e no caso especifico de Portugal, como sugere o próprio Sergio Buarque, ou até mesmo Darcy Ribeiro, mas interessante no sentido de que, obviamente além da violência da dizimação por doenças e guerras "justas", uma miscigenação - bem ao gosto da mentalidade naturalista portuguesa da época e que pode ser vista também como uma violência dependendo do ponto de vista -, que não somente aculturou como também integrou os povos invadidos - indígenas e africanos -, ao sistema cultural dos invasores, influenciando por outro lado esse mesmo sistema invasor enormemente até ao ponto do que viemos depois a identificar como sendo genuinamente brasileiro, que é essa salada de fruta gostosa toda. Diferentemente, por exemplo, do que se configurou nos EUA, onde, além da exploração, o povoamento se fez com características de segregação racial. No Brasil colonial, residiram não somente comerciantes falidos ou bandidos como pretende o senso comum, mas toda uma variedade que ia desde o negro africano, o índio e o caboclo e mameluco, ao reinol português, nobre de sangue, e os luso-brasileiros, "homens bons", principais da terra que detinham o poder local e que podiam ser tanto brancos como miscigenados. Não podemos nos esquecer que essa gente toda, ao longo do cotidiano, criou sentimento de pertença com a terra, numa apropriação do lugar que, se se considerava parte integrante do império português, ao menos era o "seu" pedaço de império português e aqui foi que quiseram desenvolver suas famílias e construir suas riquezas.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

-" Catarina de Bragança: a princesa que "refinou" a Inglaterra"


Quando alguns Nobres portugueses chegaram à conclusão de que o negócio da venda da coroa de Portugal aos Filipes, tinha deixado de ser rendoso e tinha atingido a falência, resolveram mudar de rei.
Infelizmente, esqueceram-se de tomar providências quanto a uma prevísivel reação do rei deposto que, por um conjunto de circuntâncias, era, também, rei de Castela e de mais uns quantos territórios.
A guerra foi uma consequência lógica e o novo rei de Portugal, que precisava de aliados, encontrou a solução no casamento de uma das suas filhas com o rei Carlos II de Inglaterra.
A negociação do casamento foi difícil !
Carlos II tinha motivos para desejar mas, também, para temer tal casamento: desejava-o, porque a princesa era bonita e o dote poderia encher os seus falidos cofres; mas, também, receava que isso pudesse reacender a guerra com Espanha.
Resistiu até o dote da princesa ser irrecusável: foi o maior dote de que há memória no Ocidente! Portugal ficou falido, o rei português ganhou um aliado para a guerra com Espanha,  e a Inglaterra ganhou um capital que se transformou no mais rentável investimento da sua história: o império britânico!
Hoje, diríamos que Carlos II deu o “golpe do baú” !

A cerimónia do casmento realizou-se em Maio de 1662.
Asim, começou a parte infeliz da vida de Catarina de Bragança, uma princesa nascida e criada no seio de uma família com cultura, educação e hábitos tradidicionais portugueses que, por sua infelicidade, foi desterrada para uma corte que, contráriamente ao que alguns escritores e cineastas de pacotilha nos querem fazer crer, era rude e atrazada em relação à restante Europa.

Catarina, teve um papel importantíssimo na modernização da Inglaterra e na alteração da filosofia de vida dos ingleses pelo que,  embora não suficientemente, ainda hoje é admirada e homenageada.
Provocou uma autêntica revolução na corte de Inglaterra, apesar de ter sido sempre hostilizada por ser diferente mas nunca desistiu da sua maneira de ser, nem consentiu que as damas portuguesas do seu séquito o fizessem.
Tinha uma personalidade tão forte que conseguiu que aqueles (principalmente aquelas) que a criticavam, em breve, passassem a imitá-la.
E assim, se derem grandes alterações na corte inglesa:

O conhecimento da laranja
Catarina adorava laranjas e nunca deixou de as comer graças aos cestos delas que a mãe lhe enviava.
O costume do “CHÁ DAS 5”
Costume que levou de casa e que continuou a seguir organizando reunões com amigas e inimigas. Este hábito generalizou-se de tal maneira que, ainda hoje, há quem pense que o costume de tomar chá a meio da tarde é de origem britãnica.
A compota de laranja
Que os ingleses chamam de “marmelade”, usando, erradamente, o termo português marmelada, porque a marmelada portuguesa já tinha sido introduzida na Inglaterra em 1495.
Catarina guardava a compota de laranjas normais para si e suas amigas e a de laranjas amargas para as inimigas, principalmente, para as amantes do rei.
Ifluenciou o modo de vestir
Introduziu a saia curta. Naquele tempo, saia curta era acima do tornozelo e Catarina endandalizou a corte inglesa por mostrar os pés, o que era considerado de mau-gosto e que não admira devido aos pés enormes das inglesas. Como ela tinha pés pequeninos, isso arranjou-lhe mais inimigas.
Introduziu o hábito de vestir roupa masculina para montar.
O uso do garfo para comer
Na Inglaterra, mesmo na corte, comiam com as mãos, embora o garfo já fosse conhecido, mas só para trinchar ou servir. Catarina estava habituada a usá-lo para comer e, em breve, todos faziam o mesmo.
Introdução da porcelana
Estranhou comerem em pratos de ouro ou de prata e perguntou porque não comiam em pratos de porcelana como se fazia, já há muitos anos, em Portugal. A partir de aí, o uso de louça de porcelana generalizou-se.
Música
Do séquito que levou de Portugal fazia parte uma orquestra de músicos portugueses e foi por sua mão que se ouviu a primeira ópera  em Inglaterra.
Mobiliário
Catarina também levou consigo alguns móveis, entre os quais preciosos contadores indo-portugueses que nunca tinham sido vistos em Inglaterra.
O nascimento do “Império Britânico”
Como já se disse, o dote de Catarina foi grandioso pela quantia em dinheiro mas, muito mais importante para o futuro, por incluir  a cidade de Tânger, no Norte de África e a ilha de Bombaim, na Índia.
Traíndo os Tratados que tinham assumido e com a desculpa de que o rei de Portugal era espanhol, os ingleses conseguiaram, apesar do controle da Marinha Portuguesa, navegar até à Índia onde criaram um entreposto em Guzarate.
Em 1670, depois de receber Bombaim dos portugueses, o rei Carlos II autorizou a Companhia das Índias Orientais a adquirir territórios.
Nasceu, assim, o Império Britãnico !   

Hoje, há pouca gente que saiba a importância que a raínha Catarina teve para os ingleses e o carinho que eles tiveram por ela. A sua popularidade estendeu-se até à América, onde um dos cinco bairros de Nova Iorque (Queens) foi batizado em sua homenagem.
Em 1998, a associação “Friends of Queen Catherina” fez uma coleta de fundos para lhe erguer uma estátua; não o conseguiu, devido à oposição de alguns movimentos cívicos que acusaram Catarina de ser uma das promotoras da escravidão.
Mais uma vez, a ignorância venceu ! ...

Autoria de Arnaldo Norton


sábado, 15 de junho de 2013

-" A origem da BUNDA ?..."

Um amigo meu, brasileiro, creio eu que depois de aturadas investigações e gostosos estudos no terreno, teve a gentileza de me enviar o resultado duma pesquisa efetuada sobre a origem do termo “BUNDA”.
Pela fluência e humor do texto e pela importância de que tal pesquisa se reveste e considerando o princípio segundo o qual devemos estar identificados com tudo aquilo com que lidamos, não posso deixar de o partilhar com os meus amigos, certo de que irei contribuir para enriquecer o seu conhecimento acerca de tão importante atributo feminino.


CAROS AMIGOS, VOCÊS TODOS SABEM QUE NO BRASIL BUNDA É UMA PAIXÃO NACIONAL.
A GATA PASSA E LOGO SE OLHA PARA ELA, A BUNDA.

MAS VOCÊS SABEM A ORIGEM DO TERMO  BUNDA ???

Os responsáveis pela bunda, como é conhecida na atualidade, referindo-me ao conceito contemporâneo de bunda, ou seja,a bunda como ela é, são os africanos.
Mais especificamente, os angolanos.
Para ser ainda mais preciso, as angolanas.
Foram elas, angolanas que, ao chegarem ao Brasil, durante as trevas da escravatura, revolucionaram tudo o que se sabia sobre bunda até então.

Foi assim !...

Naquela época, a palavra bunda não existia.
Os portugueses, quando queriam falar a respeito das nádegas de uma mulher, diziam exatamente isso, nádegas. Ou região glútea, tanto faz.

Aí, os escravos angolanos chegaram ao Brasil. Só que eles não eram conhecidos como angolanos. Eram os bantos, chamados bundos, que falavam o idioma "ambundo". Ou "quimbundo". A língua bunda, enfim.
Os bundos, esses, em especial as mulheres bundas, possuíam a tal região glútea muito mais sólida, avantajada, globosa.

Os portugueses, que não eram tolos, logo deitaram os olhares para as nádegas das bundas. Quando alguma delas passava diante de um grupo de portugueses, vinham logo os comentários:   -“Que bunda ! ...”

Em pouco tempo, a palavra bunda, antes designação de uma língua e de um povo, passou a ser sinónimo de nádegas.

E assim nasceu a Bunda tal como a conhecemos hoje .....
Fonte: "Águias da Estrada"



sábado, 18 de agosto de 2012

-"São Luís do Maranhão"

O meu amigo Canojones, encontrou nos seus arquivos o excelente artigo que se segue e teve a amabilidade de mo enviar com a seguinte mensagem:

"Pelo seu valor de clarividência histórica, reencaminho mensagem dum amigo brasileiro descendente de portugueses açorianos - um lutador pela reposição da Verdade Histórica, um pouco (?) arredada dos manuais brasileiros."

São Luís

O caderno Turismo da Folha de S. Paulo de 5/1/98 publica uma reportagem da Agência Folha de São Luís sobre a capital do Maranhão. No breve retrospecto histórico (6 cm de coluna), o jornalista diz que São Luís é a única capital brasileira fundada pelos  franceses, que queriam criar "a França Equinocial, um pedaço da França nos trópicos" e que "só que, para infelicidade de muitos maranhenses, os franceses foram expulsos pelos portugueses em 1615."
Em poucas linhas, o jornalista demonstra a ausência de auto-estima nacional pela nossa origem. Como, infelizmente, isso não é privilégio dele, é preciso contestar e protestar.

A presença dos franceses no Brasil, como corsários, começou no início do século XVI. Em 1555, o almirante Nicolau Durand de Villegagnon, com 600 homens, pretende fundar a França Antártica. Instala-se na baía de Guanabara, e funda o forte Coligny de onde foi expulso pelos portugueses (Estácio de Sá) em 1567, doze anos depois. (Estácio de Sá só fundou o Rio de Janeiro em 1565). Diríamos, por isso, que o Rio de Janeiro foi fundado pelos franceses?

Entre 1574 e 1585 os franceses seinstalaram na Paraíba. Expulsos, foram para o Rio Grande do Norte, de ondeforam expulsos por Jerônimo de Albuquerque em 1599. Os francesesnão desistem e vão para o Maranhão onde, em 1594, já haviam estado Charles des Vaux e Jacques Riffault.
Sua presença no Maranhão durou apenas três anos (8/9/1612—3/11/1615) e deles só ficou mesmo o nome de São Luís dado à cidade e que foi preservado pelos portugueses talvez por se referir a um santo católico, embora rei de França. Não há nada a lamentar na sua expulsão. Pelo contrário, graças ao esforço luso em manter  este enorme território é que temos hoje o Brasil íntegro. Só temos que nos orgulhar e louvar o esforço e a tenacidade de figuras como a de Jerônimo de Albuquerque Maranhão — o mameluco — de seu pai, Jerônimo de Albuquerque e de Alexandre de Moura, entre outros.
Vale a pena ler a história da época da colonização do Brasil.

                                                                      Roldão Simas Filho
                                                             Brasília, 6 de janeiro de 1998


sexta-feira, 20 de julho de 2012

-"Morreu JOSÉ HERMANO SARAIVA"

PORTUGAL ESTÁ MAIS POBRE !

Perdeu um grande historiador, um político, um diplomata e um dos maiores comunicadores portugueses da atualidade. Partiu fisicamente mas continuará a viver na sua obra e na recordação dos belos momentos que nos proporcionou.







quinta-feira, 28 de junho de 2012

-"A ditadura do Capital"

"Austeridade a mais pode "repetir" o que se passou na Alemanha pré-nazi

Quem o diz é Ewald Nowotny, governador do Banco da Áustria e membro do conselho de governadores do BCE, que traça um paralelo com as políticas de austeridade na Alemanha no começo dos anos 30, ambiente que facilitou a chegada ao poder de Adolfo Hitler.

Surpreendentemente, um membro do conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE) alerta para os perigos de políticas de excessiva austeridade fazendo um paralelo histórico com o que se passou na Alemanha no princípio dos anos 1930, depois da eclosão da Grande Depressão nos Estados Unidos.
Numa conferência, Nowotny recordou que as políticas de austeridade excessivas seguidas pelo então chanceler Heinrich Bruning, um especialista em finanças, na parte final da República de Weimar, produziram uma situação de crise profunda, desemprego em massa, e agravamento da situação política interna que criou as condições para a subida do nazismo ao poder.
O filme desta degradação política durou pouco mais de dois anos, e pode-se resumir da seguinte forma:
Em março de 1930, o presidente Paul von Hindenburg nomeou Bruning chanceler, mesmo sem maioria parlamentar de apoio, passando a governar por decretos de emergência, nomeadamente aplicando uma receita de austeridade extrema, no meio de uma Grande Depressão então global. Desemprego em massa criando franjas de miséria, empobrecimento da classe média com radicalização política de diversos segmentos, movimentos nos grandes grupos empresariais e financeiros e grande turbulência política levaram à queda de Bruning em maio de 1932.
A partir dessa altura sucederam-se vários governos e duas eleições legislativas nesse ano, em julho e novembro, em que o partido de Hitler se afirma como principal força política, com mais de 30% de votos. A 30 de janeiro de 1933, Hitler é nomeado chanceler."

COMENTÁRIO DO EDITOR

As consequências centrais (sem considerarmos as colaterais) do que acima foi descrito já todos conhecemos: o Holocausto, o uso de armas nucleares em combate e cerca de CEM MILHÕES de mortos. no que foi considerado o conflito mais letal da história da humanidade!
Na Alemanha, depois do período de hiperinflação de 1921 a 1924, seguiu-se um período de crescimento até 1929, que ficou conhecido como "goldener Zwanziger" (os dourados anos vinte), após o que a bolha rebentou e o povo ficou sujeito às condições humilhantes da austeridade que lhes foi imposta. Com austeridade que os arrastava para a miséria e recordando o sofrimento da década anterior, em que houve pessoas que morreram à fome e que os afortunados que podiam ir às compras tinham de levar o dinheiro numa mala de viagem (tal era a inflação), não admira que tenham apoiado uma "marioneta" psicótica como Hitler.
Será bom que os europeus estudem melhor a história ! ... Que aprendam com o passado e que tenham sempre presente que podem cair numa situação idêntica à dos alemães nos dourados anos vinte. E os alemães também ! ...

ANorton





domingo, 10 de junho de 2012

-"DIA DE PORTUGAL"

Neste DIA DE PORTUGAL e, principalmente, neste momento, parece-me muito adequado recordar o que foi e é Portugal

(clicar na imagem para ampliar)
Zona Azul:
principais explorações marítimas, rotas e áreas de influência; Vermelho: territórios do Império; Cinza: explorações e áreas de influência económica; Laranja: áreas de influência e comércio ; Rosa: reivindicações de soberania; Verde: feitorias;

Nos séculos XV e XVII, como resultado de pioneirismo na Era dos Descobrimentos, Portugal expandiu a influência ocidental e estabeleceu um Império que incluía possessões na África, Ásia, Oceania e América do Sul, tornando-se a potência económica, política e militar mais global e importante de todo o mundo. O Império Português foi o primeiro império global da história e também o mais duradouro dos impérios europeus, abrangendo quase 600 anos de existência, desde a conquista de Ceuta em 1415, até à transferência de soberania de Macau para a China em 1999.
Portugal é, atualmente, um país desenvolvido com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) considerado como muito elevado. O país é considerado como tendo boa qualidade de vida, tem um dos melhores sistemas de saúde do planeta e é também uma das nações mais globalizadas e pacíficas do mundo.
É membro-fundador da ONU, da União Europeia, da NATO, da OCDE e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Portugal também participa em missões de paz da ONU.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

-" A MENTIRA DO TIRADENTES "

Há muito tempo que considero uma ofensa à inteligência do povo brasileiro a forma como os sucessivos governos têm utilizado a enganosa figura do Tiradentes. Durante a minha estadia no Brasil tentei, várias vezes, desmistificar este logro e, para minha surpresa, verifiquei que, a grande maioria das pessoas, mesmo algumas com adequada instrução, não acreditava que o Tiradentes tinha sido um falso herói que os republicanos criaram.
Infelizmente, os poucos estudos sérios que se fizeram sobre o assunto foram sempre ignorados. Correndo o risco de que o mesmo aconteça,  publico um artigo selecionado por um historiador brasileiro, sobre o assunto, deixando a sua assimilação à capacidade de discernimento do leitor.

                                          “O MARTÍRIO DE TIRADENTES:
                      UMA FARSA CRIADA POR LÍDERES DA INCONFIDÊNCIA MINEIRA
                                                                                                      por Guilhobel Aurélio Camargo

          Ele estava muito bem vivo, um ano depois, em Paris. O feriado de 21 de abril é fruto de uma história fabricada que criou Tiradentes como bode expiatório, que levaria a culpa pelo movimento da Inconfidência Mineira. Quem morreu no lugar dele foi um ladrão chamado Isidro Gouveia.

A mentira que criou o feriado de 21 de abril: Tiradentes foi sentenciado à morte e foi enforcado no dia 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro, no local chamado Campo da Lampadosa, que hoje é conhecido como a Praça Tiradentes. Com a Proclamação da República, precisava ser criada uma nova identidade nacional. Pensou-se em eternizar Marechal Deodoro, mas o escolhido foi Tiradentes. Ele era de Minas Gerais, estado que tinha na época a maior força republicana e era um pólo comercial muito forte. Jogaram ao povo uma imagem de Tiradentes parecida com a de Cristo e era o que bastava: um “Cristo da Multidão”. Transformaram-no em herói nacional cuja figura e história “construída” agradavam tanto à elite quanto ao povo.
A vida dele em poucas palavras: Tiradentes nasceu em 1746 na Fazenda do Pombal, entre São José e São João Del Rei (MG). Era filho de um pequeno fazendeiro. Ficou órfão de mãe aos nove anos e perdeu o pai aos 11. Não chegou a concluir o curso primário. Foi morar com seu padrinho, Sebastião Ferreira Dantas, um cirurgião que lhe deu ensinamentos de Medicina e Odontologia. Ainda jovem, ficou conhecido pela habilidade com que arrancava os dentes estragados das pessoas. Daí veio o apelido de Tira-Dentes. Em 1780, tornou-se um soldado e, um ano à frente, foi promovido a alferes. Nesta mesma época, envolveu-se na Inconfidência Mineira contra a Coroa portuguesa, que explorava o ouro encontrado em Minas Gerais. Tiradentes foi iniciado na Maçonaria pelo poeta e juiz Cruz e Silva, amigo de vários inconfidentes. Tiradentes teria salvado a vida de Cruz e Silva, não se sabe em que circunstâncias.

Tiradentes, Maçonaria e a Inconfidência Mineira:
Como era um simples alferes (patente igual à de tenente), não lideraria coronéis, padres e desembargadores, que eram os verdadeiros líderes do movimento. Semi-alfabetizado, é muito provável que nunca esteve plenamente a par dos planos e objetivos do movimento. Em todos os movimentos libertários acontecidos no Brasil, durante os  séculos XVIII e XIX, era comum o "dedo da Maçonaria". E Tiradentes foi maçon, mas estava longe de acompanhar os maçons envolvidos na Inconfidência, porque esses eram cultos, e em sua grande parte, estudantes que haviam recentemente regressado, "formados” da cidade de Coimbra, em Portugal. Uma das evidências documentais da participação da Maçonaria são as cartas de denúncia existentes nos autos da Devassa, informando que maçons estavam envolvidos nos conluios.
Os maçons brasileiros foram encorajados na tentativa de libertação, pela história dos Estados Unidos da América, onde saíram vitoriosos - mesmo em luta desigual - os maçons norte-americanos George Washington, Benjamin Franklin e Thomas Jefferson. Também é possível comprovar a participação da Maçonaria na Inconfidência Mineira, sob o pavilhão e o dístico maçônico do Libertas Quae Sera Tamen, que adorna o triângulo perfeito, com este fragmento de Virgílio (Éclogas, I, 27). Tiradentes era um dos poucos inconfidentes que não tinha família. Tinha apenas uma filha ilegítima e traçava planos para casar-se com a sobrinha de um padre chamado Rolim, por motivos econômicos. Ele era, então, de todo o grupo, aquele considerado como uma “codorna no chão”, o mais frágil dos inconfidentes. Sem família e sem dinheiro, querendo abocanhar as riquezas do padre. Era o de menor preparo cultural e poucos amigos. Portanto, a melhor escolha para desempenhar o papel de um bode expiatório que livraria da morte os verdadeiros chefes.
E foi assim que foi armada a traição, em 15 de março de 1789, com o Silvério dos Reis indo ao Palácio do governador e denunciando o Tiradentes. Ele foi preso no Rio de Janeiro, na Cadeia Velha e seu julgamento prolongou-se por dois anos. Durante todo o processo, ele admitiu voluntariamente ser o líder do movimento, porque tinha a promessa que livrariam a sua cabeça na hipótese de uma condenação por pena de morte. Em 21 de abril de 1792, com ajuda de companheiros da Maçonaria, foi trocado por um ladrão, o carpinteiro Isidro Gouveia. O ladrão havia sido condenado à morte em 1790 e assumiu a identidade de Tiradentes, em troca de ajuda financeira à sua família, oferecida a ele pela Maçonaria. Gouveia foi conduzido ao cadafalso e testemunhas que presenciaram a sua morte se diziam surpresas porque ele aparentava ter bem menos que seus 45 anos. No livro, de 1811, de autoria de Hipólito da Costa ("Narrativa da Perseguição") é documentada a diferença física de Tiradentes com o que foi executado em 21 de abril de 1792. O escritor Martim Francisco Ribeiro de Andrada III escreveu no livro "Contribuindo", de 1921: "Ninguém, por ocasião do suplício, lhe viu o rosto, e até hoje se discute se ele era feio ou bonito...".
O corpo do ladrão Gouveia foi esquartejado e os pedaços espalhados pela estrada até Vila Rica (MG), cidade onde o movimento se desenvolveu. A cabeça não foi encontrada, uma vez que sumiram com ela para não ser descoberta a farsa. Os demais inconfidentes foram condenados ao exílio ou absolvidos.

A descoberta da farsa:
Em 1969, o historiador carioca Marcos Correa estava em Lisboa quando viu fotocópias de uma lista de presença da galeria da Assembléia Nacional francesa de 1793. Correa pesquisava sobre José Bonifácio de Andrada e Silva e acabou encontrando a assinatura que era o objeto de suas pesquisas. Próximo à assinatura de José Bonifácio, também aparecia a de um certo Antônio Xavier da Silva. Correa era funcionário do Banco do Brasil, se formara em grafotécnica e, por um acaso do destino, havia estudado muito a assinatura de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Concluiu que as semelhanças eram impressionantes. Tiradentes teria embarcado incógnito, com a ajuda dos irmãos maçons, na nau Golfinho, em agosto de 1792, com destino a Lisboa. Junto com Tiradentes seguiu sua namorada, conhecida como Perpétua Mineira e os filhos do ladrão morto Isidro Gouveia. Em uma carta que foi encontrada na Torre do Tombo, em Lisboa, existe a narração do autor, desembargador Simão Sardinha, na qual diz ter-se encontrado, na Rua do Ouro, em dezembro do ano de 1792, com alguém muito parecido com Tiradentes, a quem conhecera no Brasil, e que ao reconhecê-lo saiu correndo. Há relatos que 14 anos depois, em 1806, Tiradentes teria voltado ao Brasil quando abriu uma botica na casa da namorada Perpétua Mineira, na rua dos Latoeiros (hoje Gonçalves Dias) e que morreu em 1818. Em 1822, Tiradentes foi reconhecido como mártir da Inconfidência Mineira e, em 1865, proclamado Patrono Cívico da nação brasileira.

Fonte: material enviado pelo meu amigo CANOJONES

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

-" 500 anos depois a China retribui a visita "

Não quero deixar 2011 acabar sem registar o acontecimento mais importante do ano para Portugal, para a Europa e para a China e que terá, certamente, repercussão em todo o Mundo.
Hoje, a China fechou o Circulo da Globalização iniciado em 1498 com a chegada de Vasco da Gama à Índia e com a chegada à China de Tomé Pires em 1517.
Hoje, ao adquirir 21% do capital da empresa portuguesa EDP, uma das maiores no setor da energia a nível mundial, a China chegou à Europa e escolheu Portugal como porta de entrada, retribuindo a visita que lhe foi feita 500 anos atrás.  
Os chineses foram sempre conhecidos pelas suas sábias decisões e a conservação de Macau como uma plataforma estratégica de cooperação com Portugal está a começar a dar os seus frutos. Os chineses sabem que podem beneficiar muito da posição da Lusofonia e não deixarão de a aproveitar. Oxalá os portugueses saibam aproveitar a colaboração da maior potência económica e financeira mundial.
Face à avidez dos financeiros alemães e à falta de solidariedade dos restantes europeus, Portugal, ao abrir as portas à China, deu um sério aviso à Europa de que é europeu mas não só ! …   

sábado, 12 de novembro de 2011

- " 20 anos após o massacre"

Esquecer é desprezar as vítimas e aceitar os assassinos !  Enquanto a Indonésia não assumir todas as culpas e colaborar na denúncia dos acontecimentos, não merece ter lugar entre as nações civilizadas.

-" 20 anos do massacre de Santa Cruz, em Timor "


 Faz hoje 20 anos que ocorreu o massacre no cemitério de Santa Cruz, em Díli, capital de Timor-Leste. No dia 12 de Novembro de 1991, o exército indonésio envergonhava a humanidade assassinando dezenas de pessoas inocentes.  
Recordar, transc
revendo
o relato dessa atrocidade cometida pelo exército da Indonésia contra um do redutos da Lusofonia no Extremo-Oriente, é o mínimo que nós, lusófonos, podemos fazer.


“ À chegada às portas do cemitério...alguns dos manifestantes subiram para cima do muro, exibiram os cartazes aos jornalistas e depois ficaram ali todos , quase sem saber o que fazer.

...Um camião do exército apareceu ao fundo da rua...Do interior começaram a saltar soldados vestidos de verde e com tiras vermelhas no capacete.

... Do lado direito apareceram mais soldados, estes com uniformes castanho--escuros e com as M16 em posição de fogo.

... Começaram as rajadas cerradas. Os timorenses das primeiras filas tombaram logo ali, os outros voltaram as costas num pânico de fuga e começaram igualmente a cair.

...Os corpos rolavam na rua... As armas calaram-se ao fim de um bom bocado...

No ar ergeu-se o coro da multidão refugiada no cemitério, a rezar Avé Maria em português."

In: “A Ilha das Trevas” de José Rodrigues dos Santos

Ainda hoje, os timorenses continuam a aguardar que o Governo indonésio lhes indique os locais onde o exército indonésio sepultou os seus mortos. Os portugueses, bem como os timorenses, nunca se calarão, ato que deveria ser seguido por todos os países da CPLP .

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

-" O discurso de um ladrão 500 anos depois "

O jornalista César Príncipe, num excelente artigo, corporiza o inglês Francis Drake, ladrão dos mares e de cidades costeiras, para explicar as causas dos recentes motins e roubos em Inglaterra.
De facto, ninguém mais apropriado para analisar as causas dos roubos do que um pirata especialista em  assassínios, violações e roubos, credenciado pelo governo do seu país, e para acentuar a inevitabilidade de um país que institucionalizou o roubo sentir o efeito disso no seu próprio seio.

Antes da análise do pirata Francis Drake, um vídeo com os acontecimentos a que ele se refere.




Discurso de Francis Drake
por César Príncipe [*]

Sou Francis Drake. Nasci robusto e prometedor no ano de 1540, em Devon. Faleci de gloriosa disenteria em 1596, no Panamá. Fui vice-almirante de Isabel I, que me concedeu Carta de Corso e me alçou à Dignidade de Cavaleiro. Sou Sir Francis Drake. Assaltei, saqueei, incendiei, matei e violei, com gula predatória e talante diplomático, desde a Europa às Américas, da África à Ásia. Não poupei Portugal, o mais velho aliado: investi da Metrópole às Colónias. Por esse mundo de realezas e tribos, aterrorizei cidades, vilas e aldeias. Vasculhei e pilhei barcos e portos, palácios e templos, celeiros e plantações. Dediquei-me ao nobilitante tráfico de escravos. Enchi a Coroa de tesouros e ornei a cabeça de louros. Sou um dos nomes fundadores e inspiradores do Império Britânico, um referente da Nova Globalização: o corso de porta-avião e assalto humanitário. Vim, hoje, ao Palácio de Westminster, ao Parlamento, para enaltecer a epopeia dos mares e esclarecer a crise que grassa em terra. É idêntico o desígnio que nos move. Mudou a estilística. Antes exibia-se a Carta de Corso. Agora brande-se a Carta dos Direitos Humanos sempre que se aborda um petroleiro ou um fundo soberano. Há que atender, contudo, à presente circunstância: somos uma colónia de uma antiga colónia. Também mudou a rainha. Reina outra Isabel, a II. God Save the Queen. Sou Francis Drake. Não pedi a palavra ao speaker, ao presidente, a John Bercow. Até onde sabemos, eu, a rainha e o povo britânico, a Excelentíssima e Gentil Esposa do Presidente, Sally Bercow, também não pediu autorização para irromper nua (velada por um lençol) à janela do apartamento (pago pelos cidadãos), defronte do Palácio de Westminster, deixando-se entrever a um tablóide londrino e à comunidade internacional. [1] Também anunciou a firme disposição de participar no Celebrity Big Brother. Não será Francis Drake, uma legenda eterna da Grã-Bretanha, a submeter-se ao regimento da Câmara dos Comuns.

Senhores Políticos, Senhores Polícias, Senhores Juízes, Senhores Jornalistas, súbditos de Isabel,

Ocorreram, em diversas cidades reais, actos que os negociantes da comunicação e as autoridades governamentais e policiais prontamente qualificaram como tumultos, distúrbios, delitos, actos criminosos, vandalismo, gangsterismo. Ora, o que se passou constitui, para além do óbvio, uma bênção dos céus. Poucas sociedades se poderão orgulhar de ter uma juventude tão brava e com tanta iniciativa, crianças tão audazes e auto-determinadas. Não desperdicemos esta geração combatente. A estranheza e o sobressalto apenas se explicam por desconhecimento da nossa conduta secular e pelo facto de estarmos habituados a manter a paz em casa e a guerra no estrangeiro. De supetão, legiões de ingleses saltaram para as ruas e, durante alguns dias, paralisaram o braço da Lei porque se sentiram iraquianos, afegãos, somalis, líbios. V. Excias. não compreendem o que custa ser iraquiano em Londres, afegão em Manchester, somali em Bristol, líbio em Salford. Eu, Francis Drake, entendo todos os roubos, todos os incêndios, todos os desacatos dos angry young men / das angry young women. [2] Nada de relevante relativamente às pilhagens, destruições e massacres que, dentro das melhores tradições e basilares princípios, levamos a cabo pela esfera terráquea. Não passam de danos colaterais face aos saques e aos escombros que provocamos no Mapa das Matérias-Primas e nos Pontos de Mira Estratégicos. Neste preciso instante. No momento da rebelião caseira. Mas como reagimos entre paredes? Prendemos infantes de 11 anos. Condenamos a quatro anos meros incitadores. Duplicamos as penas. Abarrotamos os cárceres de incriminados e suspeitos. Proclamamos que os desordeiros jamais ocuparão a Praça de Trasfalgar-Tahrir nem pisarão os corredores do Ceptro e os redutos da Libra.

Excelências,

Eles, os filhos da Albion e da Commonwealth, limitam-se a seguir, com espontaneidade, o profissionalismo de Tony Blair e David Cameron. Respondem com a mesma linguagem mas com pobreza de meios. Com uma desculpa. Somente aspiram a uma modesta parte do PIB planetário. Quem sabe: apenas ambicionarão de forma injusta e arbitrária o que é seu, o que é justo e lógico. Porventura um emprego. Talvez uma morada. Por certo boa saúde fora das clínicas de sangue azul e boa educação fora de Oxford e Cambridge. Dêem-lhes as armas de Terra, Mar e Ar e sereis vós os julgados. Não se iludam os estadistas do provisório e os cientistas do acessório: a sublevação não se deve ao BlackBerry Messenger nem ao Twitter. Já no séc. XI havia tumultos em Londres e se ergueu a Torre que foi Casa Real e Centro de Execuções. Sou Francis Drake. Ouçam-me. A ira dos amotinados não se contém com canhões de água, bombas de gás, balas de borracha, gradeamentos e bastões, estigmas de manchettes. Não chegam 16 mil agentes da Scotland Yard em Londres nem tropas de prevenção em Glasgow. A intifada inglesa revelou a fúria acumulada, o fracasso das instituições, a perversão do modelo. Resolver-se-á a crise económico-financeira, a crise social, educacional e familiar com a reposição dos contentores de lixo, dos vidros das montras, o reabastecimento das lojas, uma série de purgas de bairro, uma campanha de placards com os rostos dos suspeitos? Sou Francis Drake. Conheço as águas. A tormenta apaziguou. É assim no Atlântico, no Índico, no Pacífico. É assim até à próxima.

Senhores Deputados, Senhoras Deputadas,

Por enquanto, podereis dormir sem sedativos e sem gorilas à cabeceira. A ordem regressou aos televisores. Repousai nos privilégios de casta e de castelo. Tranquilizai a City , o lugar da Terra onde se concentra mais dinheiro sujo, cofre-forte da guerra, da especulação, da corrupção, da escravidão, do tráfico. God Save the Queen . A NATO e as Monarquias do Golfo não armaram os rebeldes. Os insurrectos não assaltaram a Bastilha do Tamisa, a Tower, onde esteve clausurada Isabel, a I, antes de reinar 45 anos e me confiar missões de mar alto e investidas de litoral. Espero que Isabel II, reinante há 58 anos, não passe pela descortesia de assistir das varandas de Buckingham ao clamor das turbas, ao avanço dos operários- chips , dos estudantes- chats , dos polícias humilhados pelos governantes, dos loiros tornados negros, da embaixadora dos Jogos Olímpicos denunciada pela mãe. É que os brigadistas de Tottenham desconfiam de Cameron, embora este, em jovem, se divertisse a escacar lojas e restaurantes ao lado de Boris Johnson, colega, actual mayor . Cameron só admite que se estilhacem vitrinas e se lese o património por graça, por praxe, como exuberância de pedigree. Jamais por desespero, protesto, repúdio, rompimento dos limites psico-emocionais, alarme de sobrevivência. Boris, esse que respeitabilidade colherá no seio dos jovens irritados? Dirá aos ingleses em polvorosa o que disse aos gregos em transe: a melhor ajuda é deixá-los sozinhos. [2] Que esperança tendes para dar a tanta descrença?

Meritíssimos Juízes,

Os governantes entregam os vândalos ao vosso cuidado, exortando as instâncias de fim de linha a ditar sentenças céleres, implacáveis, memoráveis, que não se enredem em jurisprudências. Até concordaria se não fosse levado a algumas reservas, no sentido de poupar o ido Império à desmoralização geral ou ao perigoso culto da anti-violência. É indispensável o mínimo de moral para impor o máximo de imoralidade. Que vemos nos casos em que o Estado e os seus protegidos cometem crimes de alta parada? A Justiça é lenta, vacilante, persuadida a conter-se. Recordemos David Kelly, biólogo, ligado ao Ministério da Defesa, perito em desarmamento da ONU. Pôs em causa o fabrico e o armazenamento de armas de destruição em massa por parte do Iraque. Foi ostracizado e vítima de aparente suicídio . Que tem feito a Justiça para apurar esta suposta interrupção voluntária da existência? Norman Baker, deputado sem temor, empreendeu uma investigação por conta própria e concluiu: Um suicídio pode ser encenado para esconder as pistas dos assassinos. Todos os indícios me levam a crer que foi isso que aconteceu no caso do Dr. Kelly. [3] E como actuou Tony Blair, uma das criaturas mais sinistras da última década, no caso da super-corrupção, envolvendo a BAE Systems, a maior empresa europeia de equipamentos militares e de segurança e a família real saudita? O Serious Fraud Office/SFO foi aconselhado a congelar a investigação em 2006 e a Câmara dos Lordes, Corte Suprema da Justiça, desautorizou vários tribunais que se pronunciaram pelo andamento do processo. Havia biliões em jogo. Um ano depois, o rei saudita desembarcou em Londres com a comitiva, acomodada em seis aviões e 84 limusinas, deslocou-se de carruagem puxada a cavalos brancos, recebeu as honras da Guarda Real, brindou com a rainha, saudado por Gordon Brown e David Cameron.

Meritíssimos,

A Corte Suprema foi célere a abortar a Justiça. Foi implacável para com a Verdade. Foi memorável a rever a História dos Gangues Aristocráticos.

Só mais um reparo à morosidade da Justiça no que toca aos Grandes Burocratas e aos Grandes Magnatas: há semanas fomos notificados de outro aparente suicídio. [4] Desta vez, coube morrer misteriosamente a Sean Hoare, jornalista da News Corporation, de Rubert Murdock, que havia denunciado a prática de escutas ilegais e subornos policiais, que arrastaram o News of the World para o encerramento. David Cameron sempre manteve íntimas relações com quadros deste universo. Cameron não instiga os magistrados a redobrar diligências e a atropelar jurisprudências?

Senhores Jornalistas e Senhores Comentadores,

Reservo o final da oração aos chiens de garde do sistema. Sem dúvida que os bandos juvenis não foram cavalheiros de coco nem cavaleiros de penacho. Excederam-se. Provocaram danos no espaço cívico e na fazenda privada. São reprováveis tais desmandos. Mas não serão reprováveis os desmandos nacionais e internacionais de Blair, Cameron e Murdock? Que força vos impede de chamar criminosos e vândalos a estas e outras entidades? O que vos solta a língua e a pen para diabolizar os gangues periféricos? A Polícia abateu um cidadão. As arruaças causaram quatro mortes. Breivik, o terrorista norueguês, averbou 77 vítimas (69 mortais). Muitos de vós tratam o carrasco neo-nazi com complacência e prudência: assassino fotogénico, lobo solitário, autor confesso do ataque, fanático, islamofóbico, perturbado mental. Muitos de vós, demasiados, quase todos, tratam Kadhafi e Assad como ditadores e Mubarak como ex-presidente e ex-faraó e Abbdullah ibn Abdul Aziz Al Saud como Sua Majestade e guardião de dois lugares sagrados. [5]

A Ti, Isabel I, já não a bordo do Golden Hinal e do Elizabeth, que capitaneei ao Teu Serviço, mas das bancadas verdes de Isabel II, renovo o juramento de lealdade e frontalidade. Sei que não eras mulher de um só homem, que, por amor da grandeza anglo-saxónica, expuseste os frutos do Éden, não à janela como a esposa do speaker, mas no sigiloso e tumultuoso leito, conciliando as prazeres de uma estadia com os deveres de Estado. No entanto, viveste em aparente suicídio da volúpia, fabricando uma imagem de rainha santa, blindada por tecidos preciosos, ajaezada de rendas e cintilações. Os povos apreciam devassos com resplendor. Não descuraste sequer a pedra sepulcral:

AQUI JAZ ISABEL, QUE VIVEU E MORREU VIRGEM.

Saberás, pela própria experiência, que a Tua auréola de castidade serviu para atenuar a carga dos meus deboches e estupros e a sobrecarga dos veneráveis cortesãos e dos bispos de Cantuária. Nunca tive pejo em identificar-me Fui pirata a sério. Reconheço, pelo menos, 70 filhos em locais com indicadores estatísticos. Mas quantos marinheiros e missionários fabriquei e abandonei em povoações exóticas, mercê de cobrições furtivas? Deus os terá numerado com o ferrete da compaixão. São milhares os meus descendentes. Alguns terão organizado as manifestações de Agosto. Alguns terão organizado a repressão. Quem sabe se David Cameron nasceu de uma rixa de alcova com uma camareira da rainha? Tenho uma virtude: continuo pirata. Desprezo quem me incensa ou branqueia. Há dias surpreendi um site de História a arrebatar-me o título de Sir do Corso e da Armada Invencível, emprestando-me uma aura de cartógrafo curioso:

DEDICOU-SE À EXPLORAÇÃO GEOGRÁFICA.

Senhores Deputados, Senhoras Deputadas,


Sois indignos de Francis Drake.
-------------
1. Pose para o Evening Standard (05/02/2011). Sally Bercow argumentou com a necessidade de pôr na agenda o erotismo do poder. Celebrity Big Brother / programa voyeur / TVFive.
2. Angry young men / angry young women /jovens irritados. Grupo literário, que se evidenciou a partir de 1950, com o denominador comum da indignação sociocultural/cólera criativa e que incluiu, entre outros, Alan Sillitoe, Bill Hopkins, John Wain, John Osborne, John Braine, Kingsley Amis, Shelagh Delaney, Doris Lessing.
3. Declaração de Boris Johnson, The Daily Telegraph (19/06/2011).
4. Norman Baker, deputado liberal-democrata, Daily Mail (20/09/2007).
5. Sean Hoare, encontrado morto na residência (18/07/2011).
6. Meca e Medina.

[*] Escritor/Jornalista. Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

Fonte: esta matéria foi enviada pelo nosso amigo Canojones




segunda-feira, 9 de maio de 2011

-"Mensagem de Portugal para a Finlândia"

O vídeo que está no Youtube, está na versão em inglês e já foi visto  cerca de  47.000 vezes. No entanto, como há quem gostaria de o ver traduzido, publico, junto com a versão  original, a que foi transmitida pela estação SIC TV.
Este vídeo foi apresentado pelo presidente da câmara de Cascais numa conferência internacional no Estoril e foi aplaudido de pé.
Numa altura em que uma parte dos finlandeses está decidida a votar contra o auxilio financeiro a Portugal, parece ser acertado, através deste vídeo, mostrar aos finlandeses menos informados aquilo que foi e é Portugal. Ao mesmo tempo, recordar aos finlandeses aquilo que Portugal fez pela Finlândia, quando por lá grassava a fome e a miséria.

Entretanto, chegou a resposta da Finlândia, que se pode ver a seguir: um vídeo que demonstra mediocridade, ignorância e ordinarice; para constatar isso basta ler o texto que o acompanha no Youtube no qual agradecem a Portugal pelas sardinhas.

A versão original



A tradução



A resposta

quarta-feira, 20 de abril de 2011

-" União ou Divisão europeia "


OU O DESPERTAR DO ORGULHO NACIONAL?!

José JPeralta


1. A entrada dos especialistas do FMI, em Portugal, precisa ser recebida com certo repúdio, a
um governo entreguista. Temos de nos envergonhar de nosso governo e não do país.

É um país de muita grandeza. A pequenez é de alguns cidadãos golpistas.
Vamos espalhar por todo o país um cartaz, hoje, que proclame: Viva Portugal!

O maior jornal do Brasil, a “Folha de São Paulo”, publica, uma fotografia de um homem, no Porto, amordaçado e com uma placa que diz: “Tenho vergonha deste país”.
Estão confundindo o Governo, com a Nação!

Lastimável! Estão fazendo o jogo do inimigo. Vergonha do País ?! Nunca!
A culpa é do governo que desgovernou e traiu a nação. O país pede respeito e nunca ódio dos seus. Está na hora de despertar. Está na hora de abrirmos  a boca, os ouvidos e o coração.


2. A União Europeia é apenas mais uma ilusão que se esvai. Dá a ideia de que tudo não passou de uma grande negociata. Enganou o mundo com o altruísmo de mentira!
Emprestaram dinheiro a rodos, como se se tratasse de um ato solidário, equilibrando a governança do bem-estar comunitário. Mas não passou de um golpe certeiro para dominar políticos fracos e golpistas.
Da fantasiada UNIÃO EUROPEIA, chegamos à DIVISÃO EUROPEIA. Um descalabro muito caro.
O nome comunidade foi só força de expressão para ludibriar os incautos e impor as políticas entreguistas de seus apaniguados. Começou com Mário Soares, que foi negociador plenipotenciário, subserviente aos interesses das nações controladoras do bloco. Portugal foi traído. A hora da cobrança chegou, com o país esfacelado, como “eles” queriam (?!).

Amigo, não cruze os braços. Faça a sua parte. Rejeite os entreguistas. Tenha orgulho de seu país, que alguns lhe ocultaram! Redescubra-o!
Colabore numa campanha pela Restauração do seu País! Pela Restauração do Orgulho de Portugal!
Lembre-se: Portugal é maior do que a crise e do que os entreguistas.
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