ALTERAÇÃO DO ENDEREÇO

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domingo, 17 de junho de 2012

-"O assassinato dos idiomas"

A UNESCO, departamento da ONU para a Educação, Ciência e Cultura, num estudo que realizou, aponta a pressão exercida naturalmente pelas línguas dominantes e a repressão política como principais responsáveis pelo possível extermínio de cerca da metade dos 6.500 idiomas falados em todo o mundo.
Alerta, também, para o facto de o desaparecimento de uma língua acarretar a perda definitiva de uma parte insubstituível do conhecimento humano pois  quando uma língua morre leva consigo a cultura do povo que a falava.

Na Austrália, nos últimos 100 anos, foram extintas centenas de línguas aborígenes e outras tantas estão em processo de desaparecimento devido às políticas de assimilação cultural.
No continente asiático, as 2.200 línguas lá faladas correm, igualmente, sério risco de desaparecerem.
Na região do Pacífico, onde se concentra um terço de todas as línguas faladas no mundo, o fenómeno é idêntico
Nos Estados Unidos, pelo menos 150 línguas indígenas, que conseguiram sobreviver à chegada dos europeus, estão agora ameaçadas de extinção.
No Brasil, acontece o mesmo com muitas línguas ainda faladas pelos índios que resistem à assimilação.
Na África, 550 línguas das 1.400 existentes poderão desaparecer em breve.
As 230 línguas faladas na Europa ou estão em processo de diluição ou travam uma luta tenaz contra os que as querem extinguir.
Mas não são apenas as línguas minoritárias que estão ameaçadas de desaparecimento.
O dialeto, modalidade regional de uma língua caracterizada por certas peculiaridades fonéticas, gramaticais ou léxicas, também segue o mesmo rumo em muitos países.

Na Europa Central, riquíssima em dialetos, poucos são os que ainda são usados.

Os idiomas francês, espanhol, chinês e russo sufocaram as línguas minoritárias em seus países sem, contudo, terem conseguido fazê-las desaparecer.
Das lutas pela preservação do seu idioma e da sua identidade são dignas de destaque a que os irlandeses travaram após a selvagem ocupação inglesa que proibiu o uso do galês e a que os povos de Espanha vêm travando contra a criminosa tentativa de anulação ou adulteração dos seus idiomas pela dissimulada infiltração da língua castelhana.  
 

terça-feira, 5 de junho de 2012

-"A importância da CPLP"

No mapa publicado abaixo pode se ver a importância estratégica da CPLP e as potencialidades, tanto no campo político como comercial, que ela encerra. Dirigida por políticos inteligentes e concretizada por empresários eficientes, a CPLP poderá ter papel importante no cenário mundial.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

-" PETIÇÃO RENDA BÁSICA "

Amanhã, 21 de Abril de 2012, vai realizar-se em Zurique, na Suíça, a Sessão Solene que dará início à recolha de assinaturas na Petição Renda Básica, cujo objetivo é recolher 100.000 assinaturas para que o assunto possa adquirir outro nível de discussão.   
Já há muito que este tema é discutido como sendo a mais apropriada solução para resolver os graves problemas sócio-económicos com que o mundo começa a debater-se.
Para esclarecimento dos leitores repetimos o artigo e o vídeo que publicamos, neste blogue, em 7 de Agosto de 2011.
  

"Com a crise financeira que assola o Ocidente, reacendeu-se, na Europa, o debate acerca da introdução da Renda Básica de Cidadania, como sendo uma ideia que poderá modificar as condições de vida de toda a humanidade.
Em inglês designa-se por “Universal Basic Income”, em francês por “Revenu de Base” e em alemão por “Grundeinkommen”.
Esta forma de rendimento foi referida pela primeira vez, que se saiba, em 1795 por Thomas Paine, no panfleto “Agrarian Justice”, de sua autoria, inspirado na filosofia do igualitarismo.
A única experiência de Renda Básica no mundo é a do estado americano do Alasca, desde 1982..
No Brasil, a instituição da Renda Básica foi aprovada pelo Senado em 2004. O primeiro Município a aprovar a lei foi o de Santo António do Pinhal–São Paulo, em 2009.
Infelizmente, a lei ainda não saiu do papel mas existe, já há alguns anos, uma experiência-piloto em Quatinga Velho.
Os atuais defensores da Renda Básica de Cidadania pretendem que ela seja atribuida sem condicionalismos, considerando que todo o ser humano tem direito a dispor de condições que lhe permitam viver dignamente, desde o berço até à sepultura;
- ou seja: qualquer pessoa, só pela razão de existir, terá direito à Renda Básica, que será igual para todos, independentemente da sua posição social e de outros rendimentos de que disponha.
O vídeo que se segue, presta mais esclarecimentos."



 ( para ver as legendas em português faça clique no lado esquerdo da barra inferior do vídeo)

domingo, 11 de março de 2012

- " O CARNAVAL E A INDIGNAÇÂO DE UMA BRASILEIRA"

O vídeo que se segue transmite a indignação de uma comentadora brasileira na TV de Paraíba. O texto, complementa a informação que ela deu sobre a origem do Carnaval.


O Carnaval é uma festa que teve origem na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C. Através dessa festa os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção. Passou a ser uma comemoração adotada pela Igreja Católica em 590 d.C.
O período do carnaval era marcado pelo "adeus à carne" (em latim "carne vale") dando origem ao termo "carnaval". Durante o período do carnaval havia uma grande concentração de festejos populares e cada cidade brincava a seu modo, de acordo com seus costumes.
O costume de se brincar no período do Carnaval foi introduzido no Brasil pelos portugueses, no século XVI, com o nome de Entrudo, seguindo o hábito de há séculos em Portugal.
O carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias,  apareceu no século XIX, sendo a cidade de Paris o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo.
AN

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

-" Um exemplo a seguir "

Cabo Verde perto de atingir um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio

O arquipélago baixou o índice da pobreza para metade em 10 anos



Dados revelados no Dia Mundial de Erradicação da Pobreza pelo Coordenador do Programa Nacional de Luta contra a Pobreza, mostram que Cabo verde está a apenas 2% de atingir as metas traçadas pela ONU.

Para a redução da pobreza contribuíram, nos últimos dez anos, a construção e reabilitação de cerca de mil casas, o acesso a água potável e a saneamento básico dado a cerca de 80 mil pessoas, mais de 10 mil pessoas alfabetizadas e perto de 30 mil euros investidos na melhoria de vida das populações mais pobres.


O vídeo que se segue é uma homenagem ao meu amigo Lima, um extraordinário enfermeiro cabo-verdiano, infelizmente já desaparecido, que conheci em Angola, como testemunho da minha admiração.
Admiração extensiva a todo o povo de Cabo Verde.

domingo, 7 de agosto de 2011

-" Renda Básica de Cidadania "

Com a crise financeira que assola o Ocidente, reacendeu-se, na Europa, o debate acerca da introdução da Renda Básica de Cidadania, como sendo uma ideia que poderá modificar as condições de vida de toda a humanidade.
Em inglês designa-se por “Universal Basic Income”, em francês por “Revenu de Base” e em alemão por “Grundeinkommen”.
Esta forma de rendimento foi referida pela primeira vez, que se saiba, em 1795 por Thomas Paine, no panfleto “Agrarian Justice”, de sua autoria, inspirado na filosofia do igualitarismo.
A única experiência de Renda Básica no mundo é a do estado americano do Alasca, desde 1982..
No Brasil, a instituição da Renda Básica foi aprovada pelo Senado em 2004. O primeiro Município a aprovar a lei foi o de Santo António do Pinhal–São Paulo, em 2009.
Infelizmente, a lei ainda não saiu do papel mas existe, já há alguns anos, uma experiência-piloto em Quatinga Velho.
Os atuais defensores da Renda Básica de Cidadania pretendem que ela seja atribuida sem condicionalismos, considerando que todo o ser humano tem direito a dispor de condições que lhe permitam viver dignamente, desde o berço até à sepultura;
- ou seja: qualquer pessoa, só pela razão de existir, terá direito à Renda Básica, que será igual para todos, independentemente da sua posição social e de outros rendimentos de que disponha.
O vídeo que se segue, presta mais esclarecimentos


sábado, 14 de maio de 2011

-" Livraria Lello & Irmão, na Cidade do Porto "

É uma das mais belas, se não a mais bela livraria do Mundo. e está em atividade desde 1906. É uma construção preciosa que interpreta a filosofia cultural de um povo.
Foi edificada, para a finalidade, segundo projeto de Xavier Esteves, insigne engenheiro da época.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

-" O avanço do Islão na Europa "

Muitos europeus conscientes estão preocupados com o progressivo aumento do número de muçulmanos na Europa e com o efeito que a islamização pode trazer aos seus hábitos de vida, às suas crenças e ao seu bem-estar.
Mas poucos estão consciente que este é só mais um capítulo da islamização da Europa iniciada com a expansão para Ocidente do Império Otomano que estendeu, no Séc. XVI, o seu domínio até às fronteiras da Áustria e da Polónia, incluindo todos os territórios compreendidos entre o Mar Adriático e o Mar Negro e a Grécia. Com recuos e avanços, este domínio permaneceu na zona dos Balcãs até à I Guerra Mundial.
( para aumentar clique na imagem)

Com a derrota dos turcos, o Império Otomano desmoronou-se, mas deixou para trás grande quantidade de seguidores do Islão que perfazem 90% da população da Bósnia-Herzegovina, 12% da Bulgária, 10% da Albânia, 1% da Grécia e toda a costa romena do Mar Negro, ao que se tem de juntar a parte europeia da Turquia.
Atualmente, a enorme emigração para os países do Ocidente, constitui uma invasão consentida que aumenta, grandemente, a quantidade de muçulmanos na Europa.
Os receios dos europeus, a xenofobia de alguns e o comportamento de certas comunidades islâmicas, contribuem para que a Europa seja, neste momento, um local de grandes tensões sociais.
O vídeo que se segue, a ser um documento autêntico, mostra uma desnecessária manifestação pública de fé, realizada em Viena e, por muitos, considerada como uma provocação. Se não for autêntico, é uma repugnante manifestação de xenofobia.     
A.Norton

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

- "Artigo do Embaixador Britânico em Portugal"

Artigo do Embaixador Alex Ellis, ao deixar Portugal publicado no jornal “Expresso” em 18 de Dezembro de 2010

Coisas que nunca deverão mudar em Portugal

Portugueses: 2010 tem sido um ano difícil para muitos; incerteza, mudanças, ansiedade sobre o futuro. O espírito do momento e de pessimismo, não de alegria. Mas o ânimo certo para entrar na época natalícia deve ser diferente. Por isso permitam-me, em vésperas da minha partida pela segunda vez deste pequeno jardim, eleger dez coisas que espero bem que nunca mudem em Portugal.

1. A ligação intergeracional. Portugal é um país em que os jovens e os velhos conversam normalmente dentro do contexto familiar. O estatuto de avô é altíssimo na sociedade portuguesa e ainda bem. Os portugueses respeitam a primeira e a terceira idade, para o benefício de todos.

2. O lugar central da comida na vida diária. O almoço conta, não uma sandes comida com pressa e mal digerida, mas uma sopa, um prato quente etc, tudo comido à mesa e em companhia. Também aqui se reforça uma ligação com a família.
3. A variedade da paisagem
. Não conheço outro pais onde seja possível ver tanta coisa num dia só, desde a imponência do rio Douro até à beleza das planícies do Alentejo, passando pelos planaltos e pela serra da Beira Interior.
4. A tolerância.
Nunca vivi num país que aceita tão bem os estrangeiros. Não é por acaso que Portugal é considerado um dos países mais abertos aos emigrantes pelo estudo internacional MIPEX.
5. O café e os cafés
. Os lugares são simples, acolhedores e agradáveis; a bebida é um pequeno prazer diário, especialmente quando acompanhado por um pastel de nata quente.
6. A inocência. É difícil descrever esta ideia em poucas palavras sem parecer paternalista; mas vi no meu primeiro fim de semana em Portugal, numa festa popular em Vila Real, adolescentes a dançar danças tradicionais com uma alegria e abertura que têm, na sua raiz, uma certa inocência.
7. Um profundo espírito de independência. Olhando para o mapa ibérico parece estranho que Portugal continue a ser um país independente. Mas é e não é por acaso. No fundo de cada português há um espírito profundamente autónomo e independentista.
8. As mulheres. O Adido de Defesa na Embaixada há quinze anos deu-me um conselho precioso: "Jovem, se quiser uma coisa para ser mesmo bem feita neste país, dê a tarefa a uma mulher". Concordei tanto que me casei com uma portuguesa.
9. A curiosidade sobre, e o conhecimento, do mundo. A influência de "lá" é evidente cá, na comida, nas artes, nos nomes. Portugal é um pais ligado, e que quer continuar ligado, aos outros continentes do mundo.

10. Que o dinheiro não é a coisa mais importante no mundo. As coisas boas de Portugal não são caras. Antes pelo contrário: não há nada melhor do que sair da praia ao fim da tarde e comer um peixe grelhado, acompanhado por um simples copo de vinho.



terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

- "Casamento / Alambamento em Angola"

Casamento tradicional é abençoado com dólares

Até aos anos 80,o alambamento resumia-se a uma celebração para as famílias dos futuros casais e as coisas impostas pela família da noiva resumiam-se a uma pequena “cesta básica”. Uma muda de pano para a mãe ou tia da rapariga, um garrafão de vinho para os pais e os tios. Mas no Norte de Angola, o alambamento sempre teve um dote mais pesado.
Nos dias de hoje, o alambamento é uma “fortuna”. Algumas famílias exigem ao noivo valores exorbitantes. Zambrotta dos Santos sabia de antemão que tinha de pagar uma multa, pelo facto da rapariga com quem pretendia casar se encontrar grávida e disse, considerar-se felizardo pelo facto da família da mulher não ter feito grandes exigências no alambamento: “foi uma cerimónia informal, porque as famílias já se conheciam. Mas como eu engravidei a moça antes do pedido e na região do pai dela se exigia este ritual, então só tive de cumprir o que já estava estabelecido para não quebrar as regras”.
O alambamento é a oficialização do casamento tradicional entre duas pessoas. O antropólogo Afonso Teca disse que a sua concretização só é possível depois da resposta dos familiares da noiva, após uma carta do rapaz. A carta, por exemplo, na região da Damba, província do Uíge, deve fazer-se acompanhar de uma garrafa de whisky e 250 dólares. O whisky é uma bebida importada e o dólar uma moeda estrangeira, mas há quem chame a isto “tradicional”.
Afonso Teca diz que “só depois da resposta é que o rapaz e a família se apresentam em casa da moça com os bens exigidos para a realização do acto”, disse.
Na Damba são exigidos 450 a 500 dólares para o dote, dois fatos, duas peças de pano do Congo, dois garrafões de vinho, dez grades de cerveja (importada) igual número de grades de gasosas, dois pares de sapatos, dois pares de chinelas, duas garrafas de whisky. Tudo muito tradicional.
O dote também pode incluir um garrafão de maruvu, cola e gengibre, duas galinhas, um petromax e dois lenços de cabeça e de bolso. Este alembamento pode também variar de família para família. Neste caso particular as galinhas simbolizam a fertilidade da mulher.
Na região de Sanza Pombo, província do Uíge, na lista podem constar caixas de fósforos, armas de caça, porcos, cabritos e outros bens. Neste município, diz o antropólogo, as famílias são mais exigentes.
“Existem famílias que chegam a pedir mil dólares e o valor pode estar relacionado com as qualidades da noiva”. Este negócio das listas faz pensar que os pais estão a vender a filha. Mas Afonso Teca descansa os mais preocupados com o negócio: “o alambamento é uma simbologia que exprime respeito e admiração e quando o homem não oficializa a sua relação com o alambamento nem sempre a mulher é respeitada dentro de sua casa”.
Afonso Teca revela uma boa notícia: “Hoje muitas famílias já não pedem nada ao moço, o que não quer dizer que o rapaz perca admiração diante da família da mulher”.

O dólar na carta

A exigência do dólar na carta do alambamento deve-se à desvalorização da moeda nacional, que pelos vistos prejudica a tradição. O antropólogo Afonso Teca disse que em muitos pedidos, nem sempre o rapaz paga o dote por completo para permitir que a família da rapariga se desloque à casa do rapaz para analisar as condições sociais em que vive a sua filha.
Dado o tempo que pode levar até à gravidez, se a moeda for o kwanza pode nessa altura ser um valor baixo. Daí a opção pelo dólar, que até à era Mardoff tinha sempre muito valor. “Tradicionalmente o dote não era pago por completo, isto para permitir que a família da moça se deslocasse à casa do rapaz e visse as condições em que a filha vivia e a recepção que lhe era oferecida”, disse. Afonso Teca afirmou ainda que os bens exigidos ao noivo são “símbolos culturais”.

Alembamento em Luanda

Na província de Luanda o pedido depende exclusivamente da rapariga. Para a composição da lista ela também participa na discussão da família. Francisca Pinha tem 69 anos, é natural de Luanda e contou ao Jornal de Angola, que a tradição de Luanda é mais simples do que nas outras províncias.
Francisca Pinha conta que antigamente apesar do pedido ser um acto de valorização da mulher, muitas famílias acabavam por rejeitar o acto. “Havia homens que desrespeitavam e batiam na mulher. E quando a mulher reivindicava ele obrigava os pais da moça a devolver as coisas”, disse.
Esta situação fez com que muitas famílias deixassem de realizar o acto de pedido com bens: “na minha família durante muito tempo nós não realizávamos pedido devido a estes abusos”, explicou.
Na tradição de Luanda, ao homem são exigidos três pares de panos, dez grades de cerveja e gasosa, um garrafão de vinho, um fato para o pai da moça, um par de sapatos, uma camisa branca com gravata, whisky, amarula, aguardente, martini, chinelas ou sandálias para a mãe, dois lenços, o anel de noivado e um dote no valor de 500 dólares.
Francisca Pinha disse que a não realização do pedido nunca representou maldição para o casal, uma vez que o acto em si depende exclusivamente do futuro casal. “Embora seja tradição, se os jovens não quiserem não podem ser obrigados, nós desejamos a felicidade dos nossos filhos”, concluiu

In "Jornal de Angola" de 01Fevereiro2011



quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

- “ O fanatismo do Islão”

Declarações de uma socióloga árabe-americana.
Wafa Sultan, socióloga árabe-americana, deu ao canal de televisão Al Yazeera do Qatar, em 2006, a seguinte entrevista.
Infelizmente, parece que nada adiantou porque, enquanto a instrução e a educação forem um pelouro exclusivo de fanáticos ignorantes, a civilização muçulmana que já foi um dos motores da humanidade, não poderá recuperar do atraso em que esses fanáticos a fizeram mergulhar.
O discurso é em árabe e a legendagem é em castelhano. A seguir ao vídeo encontra-se a tradução para português.

:

"Wafa Sultan:
“O confronto que está ocorrendo no Mundo não é um confronto entre religiões mas sim um confronto entre civilizações.
É o confronto entre duas Eras.
É o confronto :
- entre uma mentalidade da Idade Média e uma mentalidade do Séc. XXI;
- entre a civilização e o atraso;
- entre o civilizado e o primitivo;
- entre a barbárie e o racional;
- entre a liberdade e a opressão;
- entre a democracia e a ditadura;
- entre os direitor humanos e aviolação desses direitos;
- entre os que tratam as mulheres como animais e os que as tratam como seres
humanos;
O que vemos hoje não é um confronto entre civilizações porque entre civilizações não há confronto; há competição.
Entrevistador:
- Pelo que disse entendo que o que acontece hoje é um confronto entre a cultura do Ocidente e o atraso e ignorância dos muçulmanos?
Wafa Sultan:
Sim, é isso que quero dizer.
Entrevistador:
Quem lançou o conceito de confronto entre civilizaçõe? Não foi Samuel Hunttington? Não foi Bin Laden?
Gostaria de discutir este assunto ! ….
Wafa Sultan:
Foram os muçulmanos os primeiros a utilizar essa expressão. Foram eles que iniciaram o confronto entre civilizações.
O Profeta do Islão disse: foi-me dada a missão de combater até que todos creiam em Alá e no seu mensageiro !
Quando os muçulmanos dividiram as pessoas entre muçulmanos e não-muçulmanos iniciaram a luta contra os que não tinham a mesma crença e deram origem ao confronto e à guerra.
Para terminar esta guerra eles têm de rever os seus livros islâmicos e os seus programas de ensino que apelam a combater o infiel.
O meu colega disse que nunca ofendeu as crenças dos outros; mas que civilização o autoriza a designar os que têm outra crença por: “al dimma” ( súbditos de segunda classe ); “o povo do livro”; “palhaços e porcos”; “aqueles que provocam a ira de Alá” ?....
Quem lhe disse que eles são “o povo do livro”?... Não são o povo do livro ; são um povo de muitos livros . Todos os de temas científicos são usados por Vocês ! …. São o fruto do pensamento livre e creativo !
Com que direito lhes chama “aqueles que provocam a ira de Alá” ? Ou “aqueles que se afastaram do caminho” ? E depois vem dizer que a sua religião não lhe permite ofender as outras crenças ?
Eu não sou cristã, muçulmana ou judia; sou um ser humano normal. Não creio no sobrenatural, porém respeito o direito de outros crerem nisso.
Sacerdote islâmico:
És herege ? Se és herege não adianta contestar o que dizes porque blasfemaste contra o Islão, o Profeta e o Corão.
Wafa Sultan:
Isso são assuntos pessoais que não lhe dizem respeito. Pode assentar a sua fé em pedras mas não me as atire. É livre de adorar o que quiser mas as crenças dos outros não lhe dizem respeito. Quer creiam que o Messias é Deus, filho de Maria ou que satanás é Deus, filho de Maria, deixe cada um ter a sua crença.
Os judeus sobreviveram à tragédia do holocausto e conseguiram que o Mundo os respeitasse pelos seus conhecimentos e não pelo terror. A humanidade deve-lhes a maioria das descobertas cientificas dos Séc XIX e XX. Os judeus, pela comparticipação que deram à ciência e pelo seu trabalho, fizeram com que os 15 milhões espalhados pelo Mundo recuperassem os seus direitos.
Não vimos nenhum judeu a fazer explodir um restaurante alemão ! Não vimos nenhum judeu a destruir uma igreja ! Não vimos nenhum judeu matando gente numa manifestação de protesto !
Os muçulmanos destruíram 3 estátuas de Buda.
Não vimos nenhum budista incendiando mesquitas ou embaixadas ou assassinando muçulmanos!
Só os muçulmanos defendem a sua fé incendiando igrejas, matando gente e destruindo embaixadas.
Este caminho não leva a nada. Os muçulmanos devem perguntar-se o que podem fazer pela humanidade antes de exigirem que a humanidade os respeite."

Tradução e adaptação de A.Norton

sábado, 22 de janeiro de 2011

- " Uma tragédia num paraíso "

Tragédia na Região Serrana do Rio de Janeiro
J. Jorge Peralta
1. O Brasil possui verdadeiros paraísos, onde vivem e convivem pessoas “privilegiadas” de diversos níveis sociais e sócio-culturais. Um dos destaques é a região serrana do Rio de Janeiro, onde se situa o emblemático pico do Dedo de Deus. Um dos exlibris do Brasil.
Petrópolis foi um refúgio da Família Imperial do Brasil e de muita gente de destaque nas artes, nas ciências e na política. Santos Dumont aí morou. A Família de Tom Jobim, grande compositor, tem um sítio, na região que sofreu com a tragédia. Esta é apenas uma pequena amostra das belezas do Brasil; mas é uma delas.

2. Alegra-nos dar boas notícias, mas dói ver o sofrimento dos irmãos, vítimas de tragédias. Tragédias no Paraíso é algo assustador, pelo paradoxo.
Agora está sendo a vez do Brasil, com destaque para a belíssima região serrana do Estado do Rio de Janeiro. Uma calamidade. Chuva torrencial, na madrugada do dia 12, trouxe destruição, tragédias e mortes. A tromba de água foi implacável. Deixou poucas alternativas de escapar, por onde passou.
Três cidades, Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis, foram as regiões mais atingidas. Três regiões serranas de grande beleza, que abriga gente simples e casas e hotéis de alto luxo.
A tragédia não destruiu as cidades, mas fez grandes estragos.
A tragédia a todos tratou por igual, no sofrimento, na morte e na destruição. Deixou destroços, lama e dor. Uma realidade cruel...

3. Estamos diante da maior tragédia natural da História do Brasil que já contabiliza a trágica estatística de mais de 600 mortos. Precisamos refletir sobre as lições dos fatos, procurando causas e possíveis soluções para que tragédias como esta não se repitam.
Estamos diante de uma questão urbana a ser tratada com ousadia.
A vida merece mais cuidados. Em grande parte, esta tragédia era evitável...
Às famílias enlutadas, damos nossas sentidas condolências. Fazemos votos que, no que depende das pessoas, e do cuidado humano, fatos dolorosos destas dimensões nunca mais se repitam no nosso país, nem em nenhum outro.
Se as pessoas ainda são o maior patrimônio de uma nação, cuidemos delas, de sua educação, de sua segurança e do meio ambiente...

Para saber mais, clique:
http://tribunalusofona.blogspot.com/2011/01/uma-tragedia.html

sábado, 18 de dezembro de 2010

-" Abandonar os "Mais Velhos ".

Soube, há dias, por um diretor hospitalar, que um dos grandes problemas que tem é o abandono, pelas famílias, dos idosos a quem é dada alta após internamento hospitalar.
Algumas famílias negam-se a recebê-los e têm o descaramento de afirmar “a Segurança Social que resolva”.
Este fenómeno está a ser cada vez mais comum no Ocidente e é uma vergonha para o mundo civilizado.
Não quero entrar em análise das causas, que até podem ser muito bem fundamentadas mas que nada justificam. Preocupa-me, sim, essas atitudes serem animalescas e muito semelhantes às que eram tomadas nos primórdios da era da humanidade.
E quero levantar aqui uma questão jurídica que é fundamental:

se é crime abandonar um ser humano no início da sua vida, por que é que não é crime abandoná-lo no fim dela ?! …

Deixo esta questão aos políticos, governantes, deputados e outros responsáveis que exercem os seus cargos não a pensar governarem-se mas a pensar no bem comum, para encontrarem um processo de punir criminalmente quem cometa tais crimes de “lesa humanidade”.

É claro que, na generalidade, eles não devem estar muito preocupados com isso, porque com as variadas pensões de reforma que recebem não virão a ter problemas destes.

A.Norton

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

-" Cidade Maravilhosa "

Uma Violência fora de Lugar! Mas o Rio continua Lindo...

J. Jorge Peralta

Uma luta campal, a guerra ao tráfico, foi deslocada de seu eixo natural, para um lugar em que nunca poderia ter chegado...
O Governo do Rio de Janeiro está agindo, como certos médicos que procuram sanar os efeitos da doença e esquecem de sanar as causas. Conclusão: a doença vai se tornando crônica. As causas vão se agravando e consolidando.

Mobilizam-se pesadas forças policiais, juntamente com um arsenal bem treinado e poderoso das forças armadas. Os morros tremem; treme o Rio de Janeiro; o Mundo fica embasbacado com um cenário de guerra e violência, naquela que consta nos anais do Ocidente, como a Capital mais bela do mundo: a Cidade Maravilhosa.


O Paralelo de violência com Cabul, no Afeganistão, feito pela imprensa, foi espontâneo e triste. O Rio não merece tanta violência. Tantas mortes de criminosos ou de inocentes...

O Rio de Janeiro, engalanado pela Bahia de Guanabara, pelo Morro da Urca, pelo Corcovado, pelas belíssimas praias de Copacabana e Leblon e outras mais.
O Rio da Garota de Ipanema, de Vinícius de Moraes, e de tantas beldades e grandes intelectuais;
o Rio de tão majestosos carnavais, e de tantas belezas naturais, não merece ser palco de tantas e tão sórdidas violências, embora localizadas..


Decididamente, o palco de tanta violência está fora de lugar.
O Rio não produz, nem refina cocaína e outras drogas, nem produz fuzis de tão alto poder mortífero. Tudo isso se produz nos países vizinhos: na Bolívia, na Colômbia e no Peru.
Por onde entram os fuzis e a pesada munição? Pelas fronteiras com os vizinhos.
Tudo passa pelas amplas fronteiras do Brasil com seus vizinhos.
O Brasil tem 16.886 Km de fronteiras terrestres com seus vizinhos e uma ampla “fronteira” marítima de 7.367 Km.

É por aí que entra a droga e pesados armamentos. É aí que se garante a segurança do país onde os redutos de droga e violência são meros intermediários de um negócio que gerencia anualmente muitas dezenas de bilhões de dólares.


A violência do Rio é então uma questão de ganância internacional que vitima a cidade. O Rio é a vítima visual.
Vamos então seguir a lógica pragmática: vamos combater o narcotráfico nas fronteiras, longe de nossas populações pacíficas.

Depois desta mudança de rumo, podemos ver o Rio sorrir. Podemos então voltar a cantar:

“Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil...”

No entanto, atenção: apesar da violência local e ocasional, o Rio continua lindo...

Nota: Para completar, escute: Cidade Maravilhosa: