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sábado, 7 de setembro de 2013

-" No dia da Independência do Brasil ..."

... quero enviar a todos os irmãos brasileiros os meus parabéns e desejar que se esforcem para esclarecer os mitos e os enganos que deturpam a opinião que têm sobre os portugueses, do que a questão que se segue é um típico exemplo:

Como seria o Brasil hoje, se tivesse sido povoado e não explorado?
  • Publicado por Simone Lessa 
  • Gostaria muito de saber o que pensam os amigos do site sobre a questão do Brasil ao invés de ter sido colonizado com exploração, tivesse sido povoado, como os EUA, por exemplo.
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Eis o "vírus" que há anos infeta a opinião dos brasileiros mal informados acerca dos portugueses ! ...Digo "mal informados", e creio que com razão, conforme se depreende dos comentários de brasileiros que a seguir se reproduzem.
ANorton

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 Resposta de Andréia Martins
Olá, bom esta é uma boa questão para pensarmos, pessoalmente não gosto muito destes conceitos ou "títulos", colonia de exploração ou de povoamento. Se pararmos para pensar, toda a colonição daquela época era inevitavelmente de exploração, a sociedade experimentava o mercantilismo, o expansionismo, em minha opinião mais comercial que territorial. Se pensarmos em termos de América e rotularmos Estados Unidos como colônia de povoamento, devemos então lembrar que apenas o norte dos atuais Estados Unidos era colônia de povoamento;nos estados do sul o sistema era de exploração como aqui. Então poderíamos concluir que no norte não havia muito a ser explorado, por isso o desinteresse pela exploração lá. Também podemos cogitar que a Inglaterra da época não tinha tanta experiência em colonizar como tinha Portugal com vários exemplos de colonias "bem sucedidas". Lembre, conceito de colônia e lucro andavam juntos. Sendo assim poderíamos concluir dizendo que o fato de parte dos Estados Unidos da América ter se desenvolvido como colônia de exploração se deve a falta de expêriência Inglesa em produzir colônias.

Resposta de Guilherme Sarmento Filho

Sinceramente Simone Lessa, acho uma crítica enraizada no senso comum, e gostaria de referir aqui o livro do Sergio Buarque de Hollanda "Raízes do Brasil". Como gosta de afirmar meu mestre, o professor  Cesar Ornellas, "nem tanto a terra nem tanto ao mar"... Primeiramente a existência de uma estrutura de exploração comercial das riquezas naturais fazia parte da própria lógica do mercantilismo e foi posta em prática por todas as nações europeias, inclusive nos EUA, onde somente foi amenizada nas colônias do norte por questões estratégicas, como por exemplo o fato da região apresentar clima parecido com a da sua metrópole, trazendo como consequência o desinteresse em produzir o mesmo tipo de produto, para não criar concorrência. Em segundo lugar, o fato da exploração em si não significa inexistência de povoamento, muito pelo contrário, em diversas ocasiões foi mesmo estratégia para a manutenção do domínio régio, e no caso especifico de Portugal, como sugere o próprio Sergio Buarque, ou até mesmo Darcy Ribeiro, mas interessante no sentido de que, obviamente além da violência da dizimação por doenças e guerras "justas", uma miscigenação - bem ao gosto da mentalidade naturalista portuguesa da época e que pode ser vista também como uma violência dependendo do ponto de vista -, que não somente aculturou como também integrou os povos invadidos - indígenas e africanos -, ao sistema cultural dos invasores, influenciando por outro lado esse mesmo sistema invasor enormemente até ao ponto do que viemos depois a identificar como sendo genuinamente brasileiro, que é essa salada de fruta gostosa toda. Diferentemente, por exemplo, do que se configurou nos EUA, onde, além da exploração, o povoamento se fez com características de segregação racial. No Brasil colonial, residiram não somente comerciantes falidos ou bandidos como pretende o senso comum, mas toda uma variedade que ia desde o negro africano, o índio e o caboclo e mameluco, ao reinol português, nobre de sangue, e os luso-brasileiros, "homens bons", principais da terra que detinham o poder local e que podiam ser tanto brancos como miscigenados. Não podemos nos esquecer que essa gente toda, ao longo do cotidiano, criou sentimento de pertença com a terra, numa apropriação do lugar que, se se considerava parte integrante do império português, ao menos era o "seu" pedaço de império português e aqui foi que quiseram desenvolver suas famílias e construir suas riquezas.

sábado, 8 de setembro de 2012

-"AQUELE ABRAÇO": Ano Portugal - Brasil / Brasil - Portugal

( Leitores: 1.935 )

Até Junho, aquele abraço: É ano de Portugal no Brasil e ano do Brasil em Portugal


Um concerto com estrelas dos dois lados do Atlântico, Mariza e Roberta Sá, em Brasília, abre oficialmente, esta sexta-feira, um “abraço” que vai prolongar-se até Junho de 2013. Celebra-se o Ano de Portugal no Brasil e o Ano do Brasil em Portugal com eventos mil.

O Ano de Portugal no Brasil, arranca já esta sexta-feira, Dia da Independência brasileira, com uma cerimónia oficial em Brasília (no Teatro Nacional Cláudio Santoro), em que participa o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, e um espectáculo que junta estrelas dos dois lados do Atlântico, Mariza e Roberta Sá, acompanhadas pela Orquestra Sinfónica Nacional.
As programações culturais vão decorrer em simultâneo nos dois países, estando prevista a apresentação de eventos em mais de 30 cidades brasileiras, cobrindo todas as regiões do país. Quando Miguel Horta e Costa, comissário-geral das comemorações do Ano de Portugal no Brasil, apresentou o evento, em linhas gerais, em Lisboa, em Julho, anunciou que o lema da representação nacional é "Portugal Agora", centrando-se na modernidade e na inovação, nas áreas da cultura, economia e desenvolvimento empresarial, na tecnologia, ciência, educação e desporto.

Já a organização do Ano do Brasil em Portugal - numa programação repleta de música, teatro, exposições ou gastronomia - quer levar o público a uma viagem pelas diversas manifestações da cultura brasileira, e para além das grandes cidades. O ano verde e amarelo por terras lusas terá o seu primeiro grande momento popular nos espectáculos de abertura, dias 22 e 23 de Setembro, no Terreiro do Paço, em Lisboa: o primeiro dia será marcado pelos concertos de Ney Matogrosso e do Monobloco. O "abraço" musical prossegue dia 23 com os portugueses Carminho, Paulo Gonzo e BOSS AC e os brasileiros Martinho da Vila, Zeca Baleiro e Zé Ricardo, que cantarão o repertório próprio e algumas músicas em conjunto.

Portugal @ Brasil

O Portugal contemporâneo vai dar-se a conhecer através de centenas de artistas das áreas da música, artes plásticas, dança, cinema, artes performativas, fotografia, arquitectura e design. Lema do projecto: "Portugal Agora".
Depois de Brasília, outras cidades receberão espectáculos de abertura nos próximos dias: a 9, em Belo Horizonte, Mariza junta-se a Milton Nascimento; no Rio, dia 12, o "show" repete-se, seguindo-se apresentações cariocas dos The Gift dias 14 e 15.
O programa cultural luso inclui ainda digressões da orquestra da Gulbenkian pelo Brasil (São Paulo e Rio de Janeiro) ou da Companhia Nacional de Bailado (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador).
Nas artes plásticas, serão realizadas exposições de pintura de Maria Helena Vieira da Silva e de escultura de Rui Chafes, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e uma exposição de pintura, desenho e obra cerâmica dos irmãos Columbano e Rafael Bordalo Pinheiro, no Museu Nacional de Belas Artes, na mesma cidade. Vão também realizar-se exposições de Vasco Araújo e Joana Vasconcelos e, na área do design, uma dedicada ao trabalho de Fernando Brízio.
No Festival de Cinema do Rio de Janeiro, serão exibidos o filme "Tabu", de Miguel Gomes, uma retrospectiva de João Pedro Rodrigues e um programa de curtas-metragens de Manoel de Oliveira. Na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo será a vez da exibição do novo filme de Manoel de Oliveira, "O Gebo e a Sombra", e de filmes de jovens realizadores portugueses como João Salaviza, Gonçalo Tocha e Gabriel Abrantes, recentemente premiados com o Leopardo de Ouro, o Urso de Ouro e a Palma de Ouro.

Fonte: Lusa



terça-feira, 3 de julho de 2012

-"Unesco declara Rio como Patrimônio Cultural da Humanidade

Parabéns Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro foi escolhido no domingo, 1º de julho, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), como Patrimônio Cultural da Humanidade. Com isto, a cidade se torna a primeira do mundo a deter o título na categoria Paisagem Cultural.A escolha se deu durante a 36ª Reunião do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco (36ª WHC), que ocorreem São Petersburgo, na Rússia.
O discurso de apresentação da candidatura do Rio a Patrimônio da Humanidade foi feito, em português, pela ministra da Cultura, Ana de Hollanda, que encontra-seem São Petersburgo, acompanhada do presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Luiz Fernando de Almeida.
Compõem, atualmente, o Comitê da Unesco, as delegações da Argélia, do Camboja, da Colômbia, Estônia, Etiópia, França, Alemanha, Índia, do Iraque, Japão, da Malásia, do Mali, México, Catar, da Rússia, do Senegal, da Sérvia, África do Sul, Suíça, Tailândia e dos Emirados Árabes Unidos.A candidatura do Rio de Janeiro está inscrita na categoria Paisagem Cultural e foi entregue em setembro de 2009 à Unesco. Nela, consta um dossiê completo da candidatura, justificando sua importância e seu valor universal, que está, principalmente, na soma da beleza natural da cidade com a intervenção humana. Em janeiro do ano passado, o Centro do Patrimônio Mundial da Unesco, sediado em Paris, decidiu pela inclusão da candidatura do Rio de Janeiro na agenda da 36ª WHC.
Ao justificar a candidatura do Rio, o Iphan lembra que a cidade é reconhecida como uma das cidades mais belas do mundo e encontra na relação entre homem e natureza a âncora para a sua candidatura. O instituto também destaca os ícones da beleza natural da cidade como o Pão de Açúcar e a entrada da Baía de Guanabara.
A primeira cidade do mundo
Belezas naturais e harmonia com o homem fizeram do Rio a primeira cidade do mundo a receber o título de Patrimônio Mundial como Paisagem Cultural, concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).Por meio da assessoria de imprensa do Iphan, Ana de Hollanda declarou que “o resultado é consequência de um estudo minucioso em que se avaliou a forma criativa com que o habitante se adaptou à topografia excepcionalmente bela e irregular da cidade, inventando modos inéditos de usufruir a vida”.
De acordo com o Iphan, a partir de agora, os locais da cidade valorizados com o título da Unesco serão alvo de ações integradas visando à preservação de sua paisagem cultural. São eles o Pão de Açúcar, o Corcovado, a Floresta da Tijuca, o Aterro do Flamengo, o Jardim Botânico e a famosa Praia de Copacabana, além da entrada da Baía de Guanabara. Os bens cariocas que agora são patrimônio mundial incluem ainda o Forte e o Morro do Leme, o Forte de Copacabana e o Arpoador, o Parque do Flamengo e a Enseada de Botafogo.
Em setembro de 2009, o Iphan entregou à Unesco o dossiê completo da candidatura do Rio, justificando seu valor universal pela interação da sua beleza natural com a intervenção humana.
O conceito de paisagem cultural foi adotado pela agência das Nações Unidas em 1992 e incorporado como uma nova tipologia de reconhecimento dos bens culturais, conforme a Convenção de 1972, que instituiu a Lista do Patrimônio Mundial.
Até o momento, os sítios reconhecidos mundialmente como paisagem cultural relacionavam-se a áreas rurais, a sistemas agrícolas tradicionais, a jardins históricos e a outros locais de cunho simbólico, religioso e afetivo. “O reconhecimento do Rio de Janeiro culminará uma nova visão e abordagem sobre os bens culturais inscritos na Lista do Patrimônio Mundial”, avalia o Iphan.
O Brasil tem, além do Rio, 18 bens culturais e naturais na lista de 911 bens reconhecidos pela Unesco. Eis a lista:
Culturais
- Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Ouro Preto, Minas Gerais (1980)
- Centro Histórico de Olinda, Pernambuco (1982)
- Ruínas de São Miguel das Missões, Rio Grande do Sul (1983)
- Santuário do Bom Jesus de Matosinhos em Congonhas, Minas (1985)
- Centro Histórico de Salvador, Bahia (1985)
- Conjunto Urbanístico de Brasília, Distrito Federal (1987)
- Centro Histórico de São Luís, Maranhão (1997)
- Centro Histórico de Diamantina, Minas (1999)
- Centro Histórico de Goiás, Goiás (2001)
- Praça de São Francisco em São Cristovão, Sergipe (2010)

Naturais
- Parque Nacional do Iguaçu, Paraná (1986)
- Costa do Descobrimento, Bahia e Espírito Santo (1997)
- Parque Nacional Serra da Capivara, Piauí (1998)
- Reserva Mata Atlântica, São Paulo e Paraná (1999)
- Parque Nacional do Jaú, Amazonas (2000)
- Pantanal Mato-Grossense, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (2000)
- Reservas do Cerrado: Parque Nacional dos Veadeiros e das Emas, Goiás (2001)
- Parque Nacional de Fernando de Noronha, Pernambuco

Fonte: Mundo Lusíada (Brasil)

domingo, 17 de junho de 2012

-"O assassinato dos idiomas"

A UNESCO, departamento da ONU para a Educação, Ciência e Cultura, num estudo que realizou, aponta a pressão exercida naturalmente pelas línguas dominantes e a repressão política como principais responsáveis pelo possível extermínio de cerca da metade dos 6.500 idiomas falados em todo o mundo.
Alerta, também, para o facto de o desaparecimento de uma língua acarretar a perda definitiva de uma parte insubstituível do conhecimento humano pois  quando uma língua morre leva consigo a cultura do povo que a falava.

Na Austrália, nos últimos 100 anos, foram extintas centenas de línguas aborígenes e outras tantas estão em processo de desaparecimento devido às políticas de assimilação cultural.
No continente asiático, as 2.200 línguas lá faladas correm, igualmente, sério risco de desaparecerem.
Na região do Pacífico, onde se concentra um terço de todas as línguas faladas no mundo, o fenómeno é idêntico
Nos Estados Unidos, pelo menos 150 línguas indígenas, que conseguiram sobreviver à chegada dos europeus, estão agora ameaçadas de extinção.
No Brasil, acontece o mesmo com muitas línguas ainda faladas pelos índios que resistem à assimilação.
Na África, 550 línguas das 1.400 existentes poderão desaparecer em breve.
As 230 línguas faladas na Europa ou estão em processo de diluição ou travam uma luta tenaz contra os que as querem extinguir.
Mas não são apenas as línguas minoritárias que estão ameaçadas de desaparecimento.
O dialeto, modalidade regional de uma língua caracterizada por certas peculiaridades fonéticas, gramaticais ou léxicas, também segue o mesmo rumo em muitos países.

Na Europa Central, riquíssima em dialetos, poucos são os que ainda são usados.

Os idiomas francês, espanhol, chinês e russo sufocaram as línguas minoritárias em seus países sem, contudo, terem conseguido fazê-las desaparecer.
Das lutas pela preservação do seu idioma e da sua identidade são dignas de destaque a que os irlandeses travaram após a selvagem ocupação inglesa que proibiu o uso do galês e a que os povos de Espanha vêm travando contra a criminosa tentativa de anulação ou adulteração dos seus idiomas pela dissimulada infiltração da língua castelhana.