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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

-"A maioria dos alemães apoia Portugal"

Tradução da carta que a cidadã alemã Ute Pferdhirt enviou à redação do Jornal “O Público” no dia 11 do mês passado


Exmos.Senhores !

Esta carta vai escrita em alemão porque, embora eu possa ler, não consigo falar ou escrever português.
Ontem, li o excelente artigo de Manuel Carvalho “Foi Você que pediu o FMI ?” publicado no Vosso jornal  http://www.publico.pt/economia/noticia/foi-voce-que-pediu-o-fmi-1580105 .
e hoje recebi da “Central Federal Alemã para Formação Política” uma Newsletter com um artigo versando o mesmo tema http://www.nachdenkseiten.de/?p=15789#top .
Levo isto ao Vosso conhecimento para que, caso assim o entendam, possam facultar aos Vossos leitores o link para o referido artigo, porque pretendo que, pelo menos eles, fiquem a saber que a maioria dos alemães

- considera um enorme erro as medidas de austeridade que o MFI impôs à população portuguesa;
- espera que o seu apoio possa ser mais um argumento para uma próxima manifestação de protesto;
- deseja que o governo português abrande as medidas de austeridade

e, por último, mas não menos importante, que se saiba que os alemães não são a Angela Merkel e que na sua grande maioria repudiam as medidas que estão a ser impostas a países como Portugal .


Nota:
tradução e publicação com o acordo da autora


sexta-feira, 20 de julho de 2012

-"Morreu JOSÉ HERMANO SARAIVA"

PORTUGAL ESTÁ MAIS POBRE !

Perdeu um grande historiador, um político, um diplomata e um dos maiores comunicadores portugueses da atualidade. Partiu fisicamente mas continuará a viver na sua obra e na recordação dos belos momentos que nos proporcionou.







quinta-feira, 12 de julho de 2012

-"Mundo lusófono pode ser potência global"

Durante um jantar com empresários num hotel do Rio de  Janeiro,  o  primeiro-ministro  português  considerou  que
"o mundo lusófono tem tudo para se constituir uma potência global e afirmou haver entusiasmo dos presidentes do Brasil, Angola e Moçambique com a ideia de uma “aliança de prosperidade recíproca”.
Imaginem só o potencial humano, empresarial, político, económico, social e cultural que temos aqui em reserva. Tive, por isso, oportunidade, há alguns meses já de falar, com a presidente Dilma, com o presidente Eduardo dos Santos, com o presidente Guebuza, entre outros, e todos nós, entusiasmados, concordamos sobre as inúmeras vantagens de estabelecer uma aliança de prosperidade recíproca para os nossos empresários e cidadãos, assente numa sólida relação política, social e empresarial.
Os países de língua portuguesa têm disponibilidade de capitais, de recursos, de conhecimentos técnicos e humanos únicos em muitos setores de atividade, ou seja, têm todos os ingredientes para construírem um “grande mercado”.
Passos Coelho apontou ainda que cada país lusófono “é uma porta de entrada para uma comunidade maior” e defendeu que, tendo os portugueses sido “pioneiros da globalização”, não faz sentido que desperdicem “os maiores proveitos da atual globalização”.
Em particular quanto às relações com o Brasil, o primeiro-ministro advogou que está sendo construída “uma verdadeira aliança estratégica”, assinalando que escolheu o Brasil para a sua primeira visita fora da Europa, assim como Dilma Rousseff escolheu Portugal para a sua primeira visita fora do continente americano.".
Fonte: Lusa

quinta-feira, 28 de junho de 2012

-"A ditadura do Capital"

"Austeridade a mais pode "repetir" o que se passou na Alemanha pré-nazi

Quem o diz é Ewald Nowotny, governador do Banco da Áustria e membro do conselho de governadores do BCE, que traça um paralelo com as políticas de austeridade na Alemanha no começo dos anos 30, ambiente que facilitou a chegada ao poder de Adolfo Hitler.

Surpreendentemente, um membro do conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE) alerta para os perigos de políticas de excessiva austeridade fazendo um paralelo histórico com o que se passou na Alemanha no princípio dos anos 1930, depois da eclosão da Grande Depressão nos Estados Unidos.
Numa conferência, Nowotny recordou que as políticas de austeridade excessivas seguidas pelo então chanceler Heinrich Bruning, um especialista em finanças, na parte final da República de Weimar, produziram uma situação de crise profunda, desemprego em massa, e agravamento da situação política interna que criou as condições para a subida do nazismo ao poder.
O filme desta degradação política durou pouco mais de dois anos, e pode-se resumir da seguinte forma:
Em março de 1930, o presidente Paul von Hindenburg nomeou Bruning chanceler, mesmo sem maioria parlamentar de apoio, passando a governar por decretos de emergência, nomeadamente aplicando uma receita de austeridade extrema, no meio de uma Grande Depressão então global. Desemprego em massa criando franjas de miséria, empobrecimento da classe média com radicalização política de diversos segmentos, movimentos nos grandes grupos empresariais e financeiros e grande turbulência política levaram à queda de Bruning em maio de 1932.
A partir dessa altura sucederam-se vários governos e duas eleições legislativas nesse ano, em julho e novembro, em que o partido de Hitler se afirma como principal força política, com mais de 30% de votos. A 30 de janeiro de 1933, Hitler é nomeado chanceler."

COMENTÁRIO DO EDITOR

As consequências centrais (sem considerarmos as colaterais) do que acima foi descrito já todos conhecemos: o Holocausto, o uso de armas nucleares em combate e cerca de CEM MILHÕES de mortos. no que foi considerado o conflito mais letal da história da humanidade!
Na Alemanha, depois do período de hiperinflação de 1921 a 1924, seguiu-se um período de crescimento até 1929, que ficou conhecido como "goldener Zwanziger" (os dourados anos vinte), após o que a bolha rebentou e o povo ficou sujeito às condições humilhantes da austeridade que lhes foi imposta. Com austeridade que os arrastava para a miséria e recordando o sofrimento da década anterior, em que houve pessoas que morreram à fome e que os afortunados que podiam ir às compras tinham de levar o dinheiro numa mala de viagem (tal era a inflação), não admira que tenham apoiado uma "marioneta" psicótica como Hitler.
Será bom que os europeus estudem melhor a história ! ... Que aprendam com o passado e que tenham sempre presente que podem cair numa situação idêntica à dos alemães nos dourados anos vinte. E os alemães também ! ...

ANorton





domingo, 17 de junho de 2012

-"O assassinato dos idiomas"

A UNESCO, departamento da ONU para a Educação, Ciência e Cultura, num estudo que realizou, aponta a pressão exercida naturalmente pelas línguas dominantes e a repressão política como principais responsáveis pelo possível extermínio de cerca da metade dos 6.500 idiomas falados em todo o mundo.
Alerta, também, para o facto de o desaparecimento de uma língua acarretar a perda definitiva de uma parte insubstituível do conhecimento humano pois  quando uma língua morre leva consigo a cultura do povo que a falava.

Na Austrália, nos últimos 100 anos, foram extintas centenas de línguas aborígenes e outras tantas estão em processo de desaparecimento devido às políticas de assimilação cultural.
No continente asiático, as 2.200 línguas lá faladas correm, igualmente, sério risco de desaparecerem.
Na região do Pacífico, onde se concentra um terço de todas as línguas faladas no mundo, o fenómeno é idêntico
Nos Estados Unidos, pelo menos 150 línguas indígenas, que conseguiram sobreviver à chegada dos europeus, estão agora ameaçadas de extinção.
No Brasil, acontece o mesmo com muitas línguas ainda faladas pelos índios que resistem à assimilação.
Na África, 550 línguas das 1.400 existentes poderão desaparecer em breve.
As 230 línguas faladas na Europa ou estão em processo de diluição ou travam uma luta tenaz contra os que as querem extinguir.
Mas não são apenas as línguas minoritárias que estão ameaçadas de desaparecimento.
O dialeto, modalidade regional de uma língua caracterizada por certas peculiaridades fonéticas, gramaticais ou léxicas, também segue o mesmo rumo em muitos países.

Na Europa Central, riquíssima em dialetos, poucos são os que ainda são usados.

Os idiomas francês, espanhol, chinês e russo sufocaram as línguas minoritárias em seus países sem, contudo, terem conseguido fazê-las desaparecer.
Das lutas pela preservação do seu idioma e da sua identidade são dignas de destaque a que os irlandeses travaram após a selvagem ocupação inglesa que proibiu o uso do galês e a que os povos de Espanha vêm travando contra a criminosa tentativa de anulação ou adulteração dos seus idiomas pela dissimulada infiltração da língua castelhana.  
 

terça-feira, 5 de junho de 2012

-"A importância da CPLP"

No mapa publicado abaixo pode se ver a importância estratégica da CPLP e as potencialidades, tanto no campo político como comercial, que ela encerra. Dirigida por políticos inteligentes e concretizada por empresários eficientes, a CPLP poderá ter papel importante no cenário mundial.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

-" O estudante que processou o "Facebook "

Vejam este vídeo atentamente e tenham cuidado com o que escrevem  e com as fotos e vídeos que publicam !

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

-" Um exemplo a seguir "

Cabo Verde perto de atingir um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio

O arquipélago baixou o índice da pobreza para metade em 10 anos



Dados revelados no Dia Mundial de Erradicação da Pobreza pelo Coordenador do Programa Nacional de Luta contra a Pobreza, mostram que Cabo verde está a apenas 2% de atingir as metas traçadas pela ONU.

Para a redução da pobreza contribuíram, nos últimos dez anos, a construção e reabilitação de cerca de mil casas, o acesso a água potável e a saneamento básico dado a cerca de 80 mil pessoas, mais de 10 mil pessoas alfabetizadas e perto de 30 mil euros investidos na melhoria de vida das populações mais pobres.


O vídeo que se segue é uma homenagem ao meu amigo Lima, um extraordinário enfermeiro cabo-verdiano, infelizmente já desaparecido, que conheci em Angola, como testemunho da minha admiração.
Admiração extensiva a todo o povo de Cabo Verde.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

-" A infantilidade de Àngela Merkel "


No dia 25 do mês passado, à noite, a Senhora Merkel deu uma entrevista à estação de televisão pública alemã, na qual defendeu a perda de soberania e o julgamento no Tribunal Europeu de Justiça  dos países que não cumpram os critérios de estabilidade.
Logo, no dia seguinte, a eurodeputada portuguesa Edite Estrela comentou da seguinte forma as afirmações de Ângela Merkel:

«Acho que há aqui uma falta de visão estratégica e até alguma infantilidade na análise dos problemas com que estamos confrontados».

«Acho lamentável que no actual contexto difícil que a união europeia atravessa que Angela Merkel só pense em multas, sanções, castigos e só faça ameaças em vez de serem tomadas as decisões que se impõem».

«A senhora Merkel está a acordar tarde e mal para a crise das dívidas soberanas e já deveria ter percebido que se tivessem sido tomadas, em Fevereiro de 2010, as medidas de ajuda à Grécia, medidas essas que depois acabaram por ter de tomar por força dos acontecimentos e a reboque das pressões dos mercados, provavelmente estaríamos todos agora em melhores condições»

«No que diz respeito ao desrespeito dos critérios do Pacto de Estabilidade e Crescimento, a Alemanha e a França foram precisamente os primeiros países a desrespeitar».
“Os alemães são dos principais beneficiados da moeda única e do mercado interno e não devem esquecer que nos momentos difíceis da Alemanha, a Europa foi solidária principalmente quando pagou a reunificação alemã.

«Sou a favor da disciplina orçamental, sou a favor do cumprimento dos critérios do pacto de estabilidade e crescimento, mas estamos agora a viver momentos excepcionais. Ou seja há uma crise global que não havia até 2008 quando a Alemanha e a França desrespeitaram o PEC»

Concordo, inteiramente, com os comentários de Edite Estrela e embora haja mais a dizer o princípal foi dito.




quinta-feira, 25 de agosto de 2011

-" O discurso de um ladrão 500 anos depois "

O jornalista César Príncipe, num excelente artigo, corporiza o inglês Francis Drake, ladrão dos mares e de cidades costeiras, para explicar as causas dos recentes motins e roubos em Inglaterra.
De facto, ninguém mais apropriado para analisar as causas dos roubos do que um pirata especialista em  assassínios, violações e roubos, credenciado pelo governo do seu país, e para acentuar a inevitabilidade de um país que institucionalizou o roubo sentir o efeito disso no seu próprio seio.

Antes da análise do pirata Francis Drake, um vídeo com os acontecimentos a que ele se refere.




Discurso de Francis Drake
por César Príncipe [*]

Sou Francis Drake. Nasci robusto e prometedor no ano de 1540, em Devon. Faleci de gloriosa disenteria em 1596, no Panamá. Fui vice-almirante de Isabel I, que me concedeu Carta de Corso e me alçou à Dignidade de Cavaleiro. Sou Sir Francis Drake. Assaltei, saqueei, incendiei, matei e violei, com gula predatória e talante diplomático, desde a Europa às Américas, da África à Ásia. Não poupei Portugal, o mais velho aliado: investi da Metrópole às Colónias. Por esse mundo de realezas e tribos, aterrorizei cidades, vilas e aldeias. Vasculhei e pilhei barcos e portos, palácios e templos, celeiros e plantações. Dediquei-me ao nobilitante tráfico de escravos. Enchi a Coroa de tesouros e ornei a cabeça de louros. Sou um dos nomes fundadores e inspiradores do Império Britânico, um referente da Nova Globalização: o corso de porta-avião e assalto humanitário. Vim, hoje, ao Palácio de Westminster, ao Parlamento, para enaltecer a epopeia dos mares e esclarecer a crise que grassa em terra. É idêntico o desígnio que nos move. Mudou a estilística. Antes exibia-se a Carta de Corso. Agora brande-se a Carta dos Direitos Humanos sempre que se aborda um petroleiro ou um fundo soberano. Há que atender, contudo, à presente circunstância: somos uma colónia de uma antiga colónia. Também mudou a rainha. Reina outra Isabel, a II. God Save the Queen. Sou Francis Drake. Não pedi a palavra ao speaker, ao presidente, a John Bercow. Até onde sabemos, eu, a rainha e o povo britânico, a Excelentíssima e Gentil Esposa do Presidente, Sally Bercow, também não pediu autorização para irromper nua (velada por um lençol) à janela do apartamento (pago pelos cidadãos), defronte do Palácio de Westminster, deixando-se entrever a um tablóide londrino e à comunidade internacional. [1] Também anunciou a firme disposição de participar no Celebrity Big Brother. Não será Francis Drake, uma legenda eterna da Grã-Bretanha, a submeter-se ao regimento da Câmara dos Comuns.

Senhores Políticos, Senhores Polícias, Senhores Juízes, Senhores Jornalistas, súbditos de Isabel,

Ocorreram, em diversas cidades reais, actos que os negociantes da comunicação e as autoridades governamentais e policiais prontamente qualificaram como tumultos, distúrbios, delitos, actos criminosos, vandalismo, gangsterismo. Ora, o que se passou constitui, para além do óbvio, uma bênção dos céus. Poucas sociedades se poderão orgulhar de ter uma juventude tão brava e com tanta iniciativa, crianças tão audazes e auto-determinadas. Não desperdicemos esta geração combatente. A estranheza e o sobressalto apenas se explicam por desconhecimento da nossa conduta secular e pelo facto de estarmos habituados a manter a paz em casa e a guerra no estrangeiro. De supetão, legiões de ingleses saltaram para as ruas e, durante alguns dias, paralisaram o braço da Lei porque se sentiram iraquianos, afegãos, somalis, líbios. V. Excias. não compreendem o que custa ser iraquiano em Londres, afegão em Manchester, somali em Bristol, líbio em Salford. Eu, Francis Drake, entendo todos os roubos, todos os incêndios, todos os desacatos dos angry young men / das angry young women. [2] Nada de relevante relativamente às pilhagens, destruições e massacres que, dentro das melhores tradições e basilares princípios, levamos a cabo pela esfera terráquea. Não passam de danos colaterais face aos saques e aos escombros que provocamos no Mapa das Matérias-Primas e nos Pontos de Mira Estratégicos. Neste preciso instante. No momento da rebelião caseira. Mas como reagimos entre paredes? Prendemos infantes de 11 anos. Condenamos a quatro anos meros incitadores. Duplicamos as penas. Abarrotamos os cárceres de incriminados e suspeitos. Proclamamos que os desordeiros jamais ocuparão a Praça de Trasfalgar-Tahrir nem pisarão os corredores do Ceptro e os redutos da Libra.

Excelências,

Eles, os filhos da Albion e da Commonwealth, limitam-se a seguir, com espontaneidade, o profissionalismo de Tony Blair e David Cameron. Respondem com a mesma linguagem mas com pobreza de meios. Com uma desculpa. Somente aspiram a uma modesta parte do PIB planetário. Quem sabe: apenas ambicionarão de forma injusta e arbitrária o que é seu, o que é justo e lógico. Porventura um emprego. Talvez uma morada. Por certo boa saúde fora das clínicas de sangue azul e boa educação fora de Oxford e Cambridge. Dêem-lhes as armas de Terra, Mar e Ar e sereis vós os julgados. Não se iludam os estadistas do provisório e os cientistas do acessório: a sublevação não se deve ao BlackBerry Messenger nem ao Twitter. Já no séc. XI havia tumultos em Londres e se ergueu a Torre que foi Casa Real e Centro de Execuções. Sou Francis Drake. Ouçam-me. A ira dos amotinados não se contém com canhões de água, bombas de gás, balas de borracha, gradeamentos e bastões, estigmas de manchettes. Não chegam 16 mil agentes da Scotland Yard em Londres nem tropas de prevenção em Glasgow. A intifada inglesa revelou a fúria acumulada, o fracasso das instituições, a perversão do modelo. Resolver-se-á a crise económico-financeira, a crise social, educacional e familiar com a reposição dos contentores de lixo, dos vidros das montras, o reabastecimento das lojas, uma série de purgas de bairro, uma campanha de placards com os rostos dos suspeitos? Sou Francis Drake. Conheço as águas. A tormenta apaziguou. É assim no Atlântico, no Índico, no Pacífico. É assim até à próxima.

Senhores Deputados, Senhoras Deputadas,

Por enquanto, podereis dormir sem sedativos e sem gorilas à cabeceira. A ordem regressou aos televisores. Repousai nos privilégios de casta e de castelo. Tranquilizai a City , o lugar da Terra onde se concentra mais dinheiro sujo, cofre-forte da guerra, da especulação, da corrupção, da escravidão, do tráfico. God Save the Queen . A NATO e as Monarquias do Golfo não armaram os rebeldes. Os insurrectos não assaltaram a Bastilha do Tamisa, a Tower, onde esteve clausurada Isabel, a I, antes de reinar 45 anos e me confiar missões de mar alto e investidas de litoral. Espero que Isabel II, reinante há 58 anos, não passe pela descortesia de assistir das varandas de Buckingham ao clamor das turbas, ao avanço dos operários- chips , dos estudantes- chats , dos polícias humilhados pelos governantes, dos loiros tornados negros, da embaixadora dos Jogos Olímpicos denunciada pela mãe. É que os brigadistas de Tottenham desconfiam de Cameron, embora este, em jovem, se divertisse a escacar lojas e restaurantes ao lado de Boris Johnson, colega, actual mayor . Cameron só admite que se estilhacem vitrinas e se lese o património por graça, por praxe, como exuberância de pedigree. Jamais por desespero, protesto, repúdio, rompimento dos limites psico-emocionais, alarme de sobrevivência. Boris, esse que respeitabilidade colherá no seio dos jovens irritados? Dirá aos ingleses em polvorosa o que disse aos gregos em transe: a melhor ajuda é deixá-los sozinhos. [2] Que esperança tendes para dar a tanta descrença?

Meritíssimos Juízes,

Os governantes entregam os vândalos ao vosso cuidado, exortando as instâncias de fim de linha a ditar sentenças céleres, implacáveis, memoráveis, que não se enredem em jurisprudências. Até concordaria se não fosse levado a algumas reservas, no sentido de poupar o ido Império à desmoralização geral ou ao perigoso culto da anti-violência. É indispensável o mínimo de moral para impor o máximo de imoralidade. Que vemos nos casos em que o Estado e os seus protegidos cometem crimes de alta parada? A Justiça é lenta, vacilante, persuadida a conter-se. Recordemos David Kelly, biólogo, ligado ao Ministério da Defesa, perito em desarmamento da ONU. Pôs em causa o fabrico e o armazenamento de armas de destruição em massa por parte do Iraque. Foi ostracizado e vítima de aparente suicídio . Que tem feito a Justiça para apurar esta suposta interrupção voluntária da existência? Norman Baker, deputado sem temor, empreendeu uma investigação por conta própria e concluiu: Um suicídio pode ser encenado para esconder as pistas dos assassinos. Todos os indícios me levam a crer que foi isso que aconteceu no caso do Dr. Kelly. [3] E como actuou Tony Blair, uma das criaturas mais sinistras da última década, no caso da super-corrupção, envolvendo a BAE Systems, a maior empresa europeia de equipamentos militares e de segurança e a família real saudita? O Serious Fraud Office/SFO foi aconselhado a congelar a investigação em 2006 e a Câmara dos Lordes, Corte Suprema da Justiça, desautorizou vários tribunais que se pronunciaram pelo andamento do processo. Havia biliões em jogo. Um ano depois, o rei saudita desembarcou em Londres com a comitiva, acomodada em seis aviões e 84 limusinas, deslocou-se de carruagem puxada a cavalos brancos, recebeu as honras da Guarda Real, brindou com a rainha, saudado por Gordon Brown e David Cameron.

Meritíssimos,

A Corte Suprema foi célere a abortar a Justiça. Foi implacável para com a Verdade. Foi memorável a rever a História dos Gangues Aristocráticos.

Só mais um reparo à morosidade da Justiça no que toca aos Grandes Burocratas e aos Grandes Magnatas: há semanas fomos notificados de outro aparente suicídio. [4] Desta vez, coube morrer misteriosamente a Sean Hoare, jornalista da News Corporation, de Rubert Murdock, que havia denunciado a prática de escutas ilegais e subornos policiais, que arrastaram o News of the World para o encerramento. David Cameron sempre manteve íntimas relações com quadros deste universo. Cameron não instiga os magistrados a redobrar diligências e a atropelar jurisprudências?

Senhores Jornalistas e Senhores Comentadores,

Reservo o final da oração aos chiens de garde do sistema. Sem dúvida que os bandos juvenis não foram cavalheiros de coco nem cavaleiros de penacho. Excederam-se. Provocaram danos no espaço cívico e na fazenda privada. São reprováveis tais desmandos. Mas não serão reprováveis os desmandos nacionais e internacionais de Blair, Cameron e Murdock? Que força vos impede de chamar criminosos e vândalos a estas e outras entidades? O que vos solta a língua e a pen para diabolizar os gangues periféricos? A Polícia abateu um cidadão. As arruaças causaram quatro mortes. Breivik, o terrorista norueguês, averbou 77 vítimas (69 mortais). Muitos de vós tratam o carrasco neo-nazi com complacência e prudência: assassino fotogénico, lobo solitário, autor confesso do ataque, fanático, islamofóbico, perturbado mental. Muitos de vós, demasiados, quase todos, tratam Kadhafi e Assad como ditadores e Mubarak como ex-presidente e ex-faraó e Abbdullah ibn Abdul Aziz Al Saud como Sua Majestade e guardião de dois lugares sagrados. [5]

A Ti, Isabel I, já não a bordo do Golden Hinal e do Elizabeth, que capitaneei ao Teu Serviço, mas das bancadas verdes de Isabel II, renovo o juramento de lealdade e frontalidade. Sei que não eras mulher de um só homem, que, por amor da grandeza anglo-saxónica, expuseste os frutos do Éden, não à janela como a esposa do speaker, mas no sigiloso e tumultuoso leito, conciliando as prazeres de uma estadia com os deveres de Estado. No entanto, viveste em aparente suicídio da volúpia, fabricando uma imagem de rainha santa, blindada por tecidos preciosos, ajaezada de rendas e cintilações. Os povos apreciam devassos com resplendor. Não descuraste sequer a pedra sepulcral:

AQUI JAZ ISABEL, QUE VIVEU E MORREU VIRGEM.

Saberás, pela própria experiência, que a Tua auréola de castidade serviu para atenuar a carga dos meus deboches e estupros e a sobrecarga dos veneráveis cortesãos e dos bispos de Cantuária. Nunca tive pejo em identificar-me Fui pirata a sério. Reconheço, pelo menos, 70 filhos em locais com indicadores estatísticos. Mas quantos marinheiros e missionários fabriquei e abandonei em povoações exóticas, mercê de cobrições furtivas? Deus os terá numerado com o ferrete da compaixão. São milhares os meus descendentes. Alguns terão organizado as manifestações de Agosto. Alguns terão organizado a repressão. Quem sabe se David Cameron nasceu de uma rixa de alcova com uma camareira da rainha? Tenho uma virtude: continuo pirata. Desprezo quem me incensa ou branqueia. Há dias surpreendi um site de História a arrebatar-me o título de Sir do Corso e da Armada Invencível, emprestando-me uma aura de cartógrafo curioso:

DEDICOU-SE À EXPLORAÇÃO GEOGRÁFICA.

Senhores Deputados, Senhoras Deputadas,


Sois indignos de Francis Drake.
-------------
1. Pose para o Evening Standard (05/02/2011). Sally Bercow argumentou com a necessidade de pôr na agenda o erotismo do poder. Celebrity Big Brother / programa voyeur / TVFive.
2. Angry young men / angry young women /jovens irritados. Grupo literário, que se evidenciou a partir de 1950, com o denominador comum da indignação sociocultural/cólera criativa e que incluiu, entre outros, Alan Sillitoe, Bill Hopkins, John Wain, John Osborne, John Braine, Kingsley Amis, Shelagh Delaney, Doris Lessing.
3. Declaração de Boris Johnson, The Daily Telegraph (19/06/2011).
4. Norman Baker, deputado liberal-democrata, Daily Mail (20/09/2007).
5. Sean Hoare, encontrado morto na residência (18/07/2011).
6. Meca e Medina.

[*] Escritor/Jornalista. Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

Fonte: esta matéria foi enviada pelo nosso amigo Canojones




domingo, 7 de agosto de 2011

-" Renda Básica de Cidadania "

Com a crise financeira que assola o Ocidente, reacendeu-se, na Europa, o debate acerca da introdução da Renda Básica de Cidadania, como sendo uma ideia que poderá modificar as condições de vida de toda a humanidade.
Em inglês designa-se por “Universal Basic Income”, em francês por “Revenu de Base” e em alemão por “Grundeinkommen”.
Esta forma de rendimento foi referida pela primeira vez, que se saiba, em 1795 por Thomas Paine, no panfleto “Agrarian Justice”, de sua autoria, inspirado na filosofia do igualitarismo.
A única experiência de Renda Básica no mundo é a do estado americano do Alasca, desde 1982..
No Brasil, a instituição da Renda Básica foi aprovada pelo Senado em 2004. O primeiro Município a aprovar a lei foi o de Santo António do Pinhal–São Paulo, em 2009.
Infelizmente, a lei ainda não saiu do papel mas existe, já há alguns anos, uma experiência-piloto em Quatinga Velho.
Os atuais defensores da Renda Básica de Cidadania pretendem que ela seja atribuida sem condicionalismos, considerando que todo o ser humano tem direito a dispor de condições que lhe permitam viver dignamente, desde o berço até à sepultura;
- ou seja: qualquer pessoa, só pela razão de existir, terá direito à Renda Básica, que será igual para todos, independentemente da sua posição social e de outros rendimentos de que disponha.
O vídeo que se segue, presta mais esclarecimentos


quarta-feira, 20 de julho de 2011

-" Os Piratas da Somália "


QUEM SÃO OS PIRATAS DA SOMÁLIA? -
Uma situação tão escandalosa como esta deve ser denunciada tanto quanto possível ! A todos os que estão conscientes do problema peço que reeencaminhem este vídeo para todos os vossos amigos. Para verem as legendas em português basta clicar na seta do lado direito da caixa de idiomas no roda-pé.


http://dotsub.com/view/8446e7d0-e5b4-496a-a6d2-38767e3b520a

terça-feira, 24 de maio de 2011

-" A quinta vítima "


A agência de "rating" Fitch coloca a dívida da Bélgica em vigilância negativa
Eis uma notícia fresquinha veículada hoje pela TSF, rádio e internet.
"A agência Fitch colocou a dívida belga em vigilância negativa devido à ausência de um executivo
sólido, uma situação que se mantém há um ano.
A divida da Bélgica é a terceira mais alta da Zona Euro, representa mais de 96 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), ficando apenas atrás da Grécia e da Itália."

Mais um candidato a 5ª vítima !  Eles ainda estão indecisos, ainda estão a observar bem  o grupo das vítima para decidirem qual a que vai ter a honra de ser comida no próximo banquete.
Já se aceitam apostas para o concurso organizado pelo FMI e pela UE ! ...  Quem será a 5ª Vítima? ...  Será a Espanha ? ... Será a Itália ? ...Ou será a Bélgica ?

Quem estiver interessado pode enviar as apostas para a Agência de Rating Fitch que garante que elas serão tratadas com a máxima honestidade !


sábado, 21 de maio de 2011

-" O que se esconde por detrás da ajuda europeia a Portugal "


Interpelação à Chanceler Angela Merkel feita no Parlamento Federal alemão, por Jürgen Trittin, chefe do grupo parlamentar da coligação “Aliança 90 / Os Verdes”, em 12 do corrente, no Parlamento alemão:

“… Achamos que é correto ajudar Portugal porque é uma necessidade e um elementar princípio de solidariedade no seio da União Europeia. Se nós não o fizéssemos seria mau para Portugal mas também para nós. Nós, deixaríamos de lucrar com a nossa liquidez ( sim, porque se trata duma transferência de liquidez ) e Portugal, em meados de Junho, já estaria a pagar, pelo menos, 10% de juros.
Se considerarmos o grau de dificuldade e de dureza das medidas implicadas no auxílio financeiro a Portugal, teremos de concluir que elas são leves se as compararmos ao esforço que juros de 10% representariam.
Concordo que se deve sobrecarregar os custos do refinanciamento porque é um risco que este Parlamento e o Governo terão de correr. Mas eu gostaria que me explicasse por que razão nós concedemos o crédito a Portugal ao juro de 6%  se obtemos o dinheiro no mercado ao juro de 2,7 % ?! …
Queremos ajudar Portugal, Senhora Chanceler Federal, ou queremos lucrar com a ajuda?... Ou será que queremos esbulhar os portugueses ?”

Depois de ler o texto anterior, geram-se em mim duas reações curiosas:
- uma, é de satisfação, por ser mais uma oportunidade de divulgar que a política vergonhosa que a chanceler alemã tem seguido não coincide com a do povo alemão (o que para mim  é muito agradável);
- e outra, esta nebulosa, que se forma com todo o palavreado que os políticos portugueses têm debitado sobre o assunto.
Desta última resulta, inevitavelmente, uma questão:
 
  por que será que nenhum político ou economista português  denunciou esta
  pouca-vergonha?
Terá sido ignorância ou desonestidade ? … Ou será que os “patrões” não deixaram ? …

FONTES:O texto original, em alemão,de onde foram retirados os extratos, foi-me enviado, da Alemanha, pela minha amiga Ute Pferdehirt.
A tradução foi minha e os comentários de minha autoria.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

-"Os «Deolinda» e o Movimento «Geração-à-rasca» na TV alemã"

Abaixo encontram a ligação para um vídeo exibido há dias na TV alemã ZDF, que me foi enviado, da Alemanha, pela minha amiga Ute Pferdehirt.
A autora da reportagem, em roda-pé, afirma : "com boa instrução mas desempregados - uma dura realidade que atinge a nova geração em Portugal. Através das redes sociais, os jovens conseguiram convocar uma grande manifestação contra a falta de prespetivas de futuro".
Mais adiante explica o papel que os Deolinda tiveram na origem do protesto. O resto compreende-se por si.
 
http://www.zdf.de/ZDFmediathek/beitrag/video/1336062/Die-verlorene-Generation-Portugals

segunda-feira, 9 de maio de 2011

-"Mensagem de Portugal para a Finlândia"

O vídeo que está no Youtube, está na versão em inglês e já foi visto  cerca de  47.000 vezes. No entanto, como há quem gostaria de o ver traduzido, publico, junto com a versão  original, a que foi transmitida pela estação SIC TV.
Este vídeo foi apresentado pelo presidente da câmara de Cascais numa conferência internacional no Estoril e foi aplaudido de pé.
Numa altura em que uma parte dos finlandeses está decidida a votar contra o auxilio financeiro a Portugal, parece ser acertado, através deste vídeo, mostrar aos finlandeses menos informados aquilo que foi e é Portugal. Ao mesmo tempo, recordar aos finlandeses aquilo que Portugal fez pela Finlândia, quando por lá grassava a fome e a miséria.

Entretanto, chegou a resposta da Finlândia, que se pode ver a seguir: um vídeo que demonstra mediocridade, ignorância e ordinarice; para constatar isso basta ler o texto que o acompanha no Youtube no qual agradecem a Portugal pelas sardinhas.

A versão original



A tradução



A resposta

quarta-feira, 20 de abril de 2011

-" União ou Divisão europeia "


OU O DESPERTAR DO ORGULHO NACIONAL?!

José JPeralta


1. A entrada dos especialistas do FMI, em Portugal, precisa ser recebida com certo repúdio, a
um governo entreguista. Temos de nos envergonhar de nosso governo e não do país.

É um país de muita grandeza. A pequenez é de alguns cidadãos golpistas.
Vamos espalhar por todo o país um cartaz, hoje, que proclame: Viva Portugal!

O maior jornal do Brasil, a “Folha de São Paulo”, publica, uma fotografia de um homem, no Porto, amordaçado e com uma placa que diz: “Tenho vergonha deste país”.
Estão confundindo o Governo, com a Nação!

Lastimável! Estão fazendo o jogo do inimigo. Vergonha do País ?! Nunca!
A culpa é do governo que desgovernou e traiu a nação. O país pede respeito e nunca ódio dos seus. Está na hora de despertar. Está na hora de abrirmos  a boca, os ouvidos e o coração.


2. A União Europeia é apenas mais uma ilusão que se esvai. Dá a ideia de que tudo não passou de uma grande negociata. Enganou o mundo com o altruísmo de mentira!
Emprestaram dinheiro a rodos, como se se tratasse de um ato solidário, equilibrando a governança do bem-estar comunitário. Mas não passou de um golpe certeiro para dominar políticos fracos e golpistas.
Da fantasiada UNIÃO EUROPEIA, chegamos à DIVISÃO EUROPEIA. Um descalabro muito caro.
O nome comunidade foi só força de expressão para ludibriar os incautos e impor as políticas entreguistas de seus apaniguados. Começou com Mário Soares, que foi negociador plenipotenciário, subserviente aos interesses das nações controladoras do bloco. Portugal foi traído. A hora da cobrança chegou, com o país esfacelado, como “eles” queriam (?!).

Amigo, não cruze os braços. Faça a sua parte. Rejeite os entreguistas. Tenha orgulho de seu país, que alguns lhe ocultaram! Redescubra-o!
Colabore numa campanha pela Restauração do seu País! Pela Restauração do Orgulho de Portugal!
Lembre-se: Portugal é maior do que a crise e do que os entreguistas.
Leia mais:

sexta-feira, 15 de abril de 2011

-" A máquina nazi do Partido Socialista Português"

A impressionante e desavergonhada máquina nazi, tipo Goebbels II do novo Hitler europeu do PS


Medina Carreira


Bom, dado o que está em causa é tão só o futuro dos nossos filhos e a própria sobrevivência da democracia em Portugal, não me parece exagerado perder algum tempo a desmontar a máquina de propaganda dos bandidos que se apoderaram do nosso país. Já sei que alguns de vós estão fartos de ouvir falar disto e não querem saber, que sou deprimente, etc, mas é importante perceberem que o que nos vai acontecer é, sobretudo, nossa responsabilidade porque não quisemos saber durante demasiado tempo e agora estamos com um pé dentro do abismo e já não há possibilidade de escapar.
Estou convencido que aquilo a que assistimos nos últimos dias é uma verdadeira operação militar e um crime contra a pátria (mais um). Como sabem há muito que ando nos mercados (quantos dos analistas que dizem disparates nas TVs alguma vez estiveram nos ditos mercados?) e acompanho com especial preocupação (o meu Pai diria obsessão) a situação portuguesa há vários anos. Algumas verdades inconvenientes não batem certo com a "narrativa" socialista há muito preparada e agora posta em marcha pela comunicação social como uma verdadeira operação de PsyOps, montada pelo círculo íntimo do bandido e executada pelos jornalistas e comentadores "amigos" e dependentes das prebendas do poder (quase todos infelizmente, dado o estado do "jornalismo" que temos).

Ora acredito que o plano de operações desta gente não deve andar muito longe disto:
Narrativa: Se Portugal aprovasse o PECIV não haveria nenhum resgate.

Verdade: Portugal já está ligado à máquina há mais de 1 ano (O BCE todos os dias salva a banca nacional de ter que fechar as portas dando-lhe liquidez e compra obrigações Portuguesas que mais ninguém quer - senão já teríamos taxas de juro nos 20% ou mais). Ora esta situação não se podia continuar a arrastar, como é óbvio. Portugal tem que fazer o rollover de muitos milhares de milhões em dívida já daqui a umas semanas só para poder pagar salários! Sócrates sabe perfeitamente que isso é impossível e que estávamos no fim da corda. O resto é calculismo político e teatro. Como sempre fez.

Narrativa: Sócrates estava a defender Portugal e com ele não entrava cá o FMI.

Verdade: Portugal é que tem de se defender deste criminoso louco que levou o país para a ruína (há muito antecipada como todos sabem). A diabolização do FMI é mais uma táctica do spin doctors de Sócrates. O FMI fará sempre parte de qualquer resgate, seja o do mecanismo do EFSF (que é o que está em vigor e foi usado pela Irlanda e pela Grécia), seja o do ESM (que está ainda em discussão entre os 27 e não se sabe quando, nem se, nem como irá ser aprovado).

Narrativa: Estava tudo a correr tão bem e Portugal estava fora de perigo mas vieram estes "irresponsáveis" estragar tudo.

Verdade: Perguntem aos contabilistas do BCE e da Comissão que cá estiveram a ver as contas quanto é que é o real buraco nas contas do Estado e vão cair para o lado (a seu tempo isto tudo se saberá). Alguém sinceramente fica surpreendido por descobrir que as finanças públicas estão todas marteladas e que os papéis que os socráticos enviam para Bruxelas para mostrar que são bons alunos não têm credibilidade nenhuma? E acham que lá em Bruxelas são todos parvos e não começam a desconfiar de tanto oásis em Portugal? Recordo que uma das razões pela qual a  Grécia não contou com muita solidariedade alemã foi por ter martelado as contas sistematicamente,  minando toda a confiança. Acham que a Goldman Sachs só fez swaps contabilísticos com Atenas? E todos sabemos que o Eng.º relativo é um tipo rigoroso,estudioso e duma ética e honestidade à prova de bala, certo?

Narrativa: Os mercados castigaram Portugal devido à crise política desencadeada pela oposição. Agora, com muita pena do incansável patriota Sócrates, vem aí o resgate que seria desnecessário.

Verdade: É óbvio que os mercados não gostaram de ver o PEC chumbado (e que não tinha que ser votado, muito menos agora, mas isso leva-nos a outro ponto), mas o que eles querem saber é se a oposição vai ou nãocumprir as metas acordadas à socapa por Sócrates em Bruxelas(deliberadamente feito como se fosse uma operação secreta porque esse aspecto era peça essencial da sua encenação). E já todos cá dentro e lá fora sabem que o PSD e CDS vão viabilizar as medidas de austeridade e muito mais. É impressionante como a máquina do governo conseguiu passar a mensagem lá para fora que a oposição não aceitava mais austeridade. Essa desinformação deliberada é que prejudica o país lá fora porque cria inquietação artificial sobre as metas da austeridade. Mesmo assim os mercados não tiveram nenhuma reacção intempestiva porque o que os preocupa é apenas as metas. Mais nada. O resto é folclore para consumo interno. E, tal como a queda do governo e o resgate iminente não foram surpresa para mim, também não o foram para os mercados, que já contavam com isto há muito (basta ver um gráfico dos CDS sobre Portugal nos últimos 2 anos, e especialmente nos últimos meses). Porque é que os media não dizem que a bolsa lisboeta subiu mais de 1% no dia a seguir à queda? Simples, porque não convém para a narrativa que querem vender ao nosso povo facilmente manipulável (julgam eles depois de 6 anos a fazê-lo impunemente). 

Bom, há sempre mais pontos da narrativa para desmascarar mas não sei se isto é útil para alguém ou se já é óbvio para todos. E como é 6ª.feira e estou a ficar irritado só a escrever sobre este assunto termino por aqui.
Se quiserem que eu vá escrevendo mais digam, porque isto dá muito trabalho.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

-" As hienas conseguiram apanhar Portugal "

O bando criminoso de especuladores da alta finança conseguiu obrigar Portugal a pedir apoio ao FMI !... 

Depois de terem enredado os Bancos portugueses na sua perversa teia, o Bando do Dinheiro tirou-lhes o tapete e obrigou-os a virarem-se contra o próprio Governo, ignorando as enormes quantias que dele receberam e os benefícios fiscais que usufruíram. Sem nenhuma vergonha e destruindo qualquer base de negociação com o FMI, os responsáveis dos principais Bancos portugueses cometeram a enormidade de discutirem o assunto na praça pública.
Se houvesse, ainda, alguma dúvida sobre quem manda no Mundo, ela ficaria agora dissipada. Mário Soares disse, há dias, no Porto, que a "alta finança"põe, facilmente, qualquer governo de joelhos e ele, como poucos, deve saber isso. Aliás os acontecimentos dão-lhe razão!

As hienas, duma maneira ou de outra, já apanharam a Islândia, a Grécia, a Irlanda e, agora, Portugal; qual será o país que se segue ?...
No gráfico, abaixo, podem ver a posição das dívidas soberanas há um ano atrás.


                                                               
                                                                      (clique na imagem para aumentar)


É lógico que, até hoje, alguma coisa se modificou (de certeza para pior) mas, depois de vermos o gráfico, creio que há algumas perguntas que se impõem: se há um ano atrás a média das dívidas 
era de 84% por que é que a Comissão Europeia não fez nada?...Por que razão deixou os países irem à falência uns atrás dos outros?...Quem beneficiava com isso?...
Parece-me que a resposta a estas perguntas pode ser encontrada no vídeo que podem ver a seguir. Apesar de ter a duração de treze minutos aconselho que o vejam.


terça-feira, 15 de março de 2011

-" Angola: 15 de Março de 1961"

Os massacres que deram origem à guerra

Faz hoje 50 anos que em Angola se manifestou uma das maiores formas de selvajaria, que rivaliza com os maiores atos de primitivismo da história da humanidade.
Mais trágica se torna essa manifestação por ter sido encorajada e subsidiada pelas igrejas evangélicas dos EUA, apoiadas pelo seu governo em obediência aos interesses dos capitalistas sem escrúpulos que pretendiam apoderar-se dos recursos de Angola, visando, essencialmente, os diamantes, o petróleo e as pirites.
Quero crer que os mandantes desses atos, com a inocência e ignorância que sempre caraterizou os EUA, tenham ficado surpreendidos e até horrorizados ao verem os atos de selvajaria a que deram origem. Mas, além de não contarem com a selvajaria dos executantes, os estrategas dessas ações cometeram o erro de não considerarem o chamamento do sangue e o forte espírito de justiça que existe em todos os portugueses.
Esses erros, fizeram com que a sublevação, que poderia ter o apoio de muitos portugueses, gerasse um sentimento de indignação que influenciou a forma como a guerra decorreu. Além de que, fez com que muitos se deixassem arrastar para a guerra para defenderem os valores da nossa civilização. Conheci alguns, com cursos superiores, que tinham residência no estrangeiro, que podiam evitar de irem para a guerra mas que acharam ser seu dever impedir o triunfo do primitivismo e da selvajaria.
Curiosamente, muitos consideravam a independência das colónias como algo inevitável, necessário e aconselhável, a que estariam dispostos a dar o seu apoio. Os massacres de 15 de Março alteraram, completamente, a situação.
Recordando esta data trágica, transcrevo os relatos dos acontecimentos feitos por três pessoas que os observaram e que vêm publicados no livro “Angola 61” da autoria de Dalila Cabrita Mateus e de Álvaro Mateus.

“O relato de Franco Nogueira
O relato dos ataques do 15 de Março de 1961 feito pelo embaixador Franco Nogueira é uma boa síntese dos factos. Retirada alguma adjectivação, de modo a manter a necessária objectividade, aqui vai o que escreveu:
«...De 14 para 15 de Março de 1961 [...] são atacadas Sto. Antônio do Zaire, S. Salvador do Congo, Maquela do Zombo, que se podem considerar quase raianas. Mas são igualmente acometidas Ambrizete, Negaje, Mucaba, Sanza-Pombo. Toda a Baixa de Cassange está em alvoroço. E [os atacantes] estão às portas de Carmona» - conta Franco Nogueira. E prossegue:
«Em menos de 48 horas, pelos distritos do Zaire e do Uije é a devastação maldita. Plantações e casas solitárias são saqueadas e incendiadas. Aldeias são arrasadas.
É posto cerco a vilas e pequenas
povaçôes, cortando-lhe os abastecimentos.Vias e meios de comunicação ficam destruídos.E a cidade de Carmona apenas consegue resistir graças ao heroismo dos seus habitantes(…).
Não se faz distinção de etnias, nem de sexo, nem de idades tão-pouco. É terror maciço e cru. Além dos praticados na Baixa de Cassange e contra as vilas fronteiriças, parecem ser parti­cularmente violentos os massacres nas regiões de Nambuan-gongo, Quicabo e Quitexe.
Como nos tempos remotos das grandes barbáries, são assas­sinados homens, mulheres, velhos e crianças, autoridades admi­nistrativas, agentes da ordem, brancos, negros e mestiços. Ou fuzilados, ou queimados dentro das casas e cubatas, ou esquar­tejados e degolados, ou serrados vivos. [...].
[...] Os que ficam ainda, aquém do terror que alastra, pro­curam na fuga a salvação. Amontoam-se nos transportes públicos que regurgitam muito para além das lotações e aos milhares tentam dirigir-se para Luanda. [...] E os itinerários não estão protegidos. Há cortes de picadas. Não se sabe que situação existe na próxima localidade. E nas pistas por que tomam ou nas povoações por que passam apenas encontram corpos chaci­nados. E ruína, mais ruína.
[...] Entretanto, começam a afluir a Luanda os fugitivos: são chusmas em tropel, feridos, esfarrapados, cobertos de pó e terra encarnada, mutilados à beira da morte por míngua de cuidados [...].
São divulgados os cálculos provisórios das autoridades: devem ter sido assassinados, entre os elementos da população, cinco ou seis mil pessoas; e abatidos dois a três mil [atacantes].
[...] De repente está criado um clima de suspeita, de ódio entre raças: os brancos vêem em cada negro um possível terro­rista; os negros vêem em cada branco um homem que se quer vingar e que agora mata sem hesitar. Deste modo, e além das atrocidades dos assaltantes, assumem gravidade o ataque pre­ventivo e a retaliação indiscriminada de brancos sobre negros e destes sobre aqueles.»26

O relato da angolana Ana Inglês.
Ao longo do caminho vimos enorme morticínio de pessoas brancas e pretas, sem braços, sem pernas, sem olhos. E acrescenta
«Cheguei ao Pire com o meu pai e encontrámos aquilo num enorme rebuliço, porque os que estavam nas matas tinham ata­cado Quitexe, Balongongo e Aldeia Viçosa. Já havia pretos e brancos mortos, morticínios terríveis.»28
Nos arquivos de Salazar encontra-se um documento, simultaneamente terrífico e comovente. A carta de uma menina, que relata a forma como seus pais foram mortos em Quitexe e como tomou conhecimento do facto. Ali se escreve:
O dia 16 de Março de 1961 calhou nas férias da Páscoa. Tínha­mos acordado há pouco tempo. Eu e a minha prima íamos come­çar a arrumar a casa, trabalho que fazíamos sempre que havia tempo. O meu primo foi à janela e viu um táxi, onde lhe pareceu ver a tia. A irmã da minha mãe saiu do carro a chorar. Ficámos todos aflitos e levámo-la para dentro. Só conseguiu dizer: - Mataram os pais dela. Desatei a chorar.
Levei tempo, talvez meses, a convencer-me da verdade.
O ataque a Quitexe realizou-se no dia 15 de Março, pela manhã. O meu pai era um homem bastante alto e forte. Pouca gente se atreveria a lutar com ele. Prepararam-lhe uma embos­cada, ao pé de uma porta. Quando ia atravessá-la, deram-lhe uma catanada no nariz. Amparou a parte magoada, mas ao atra­vessar outra porta, segunda catanada no pescoço, que o matou.
A mãe morreu à porta de casa. Creio que ouviu barulho e que veio ver o que era. O meu irmão não sei, creio que morreu abraçado à mãe e que foram assim enterrados. Que mal podia fazer uma criança só com 6 anos ?”

Segue-se um vídeo com cenas dos massacres.