ALTERAÇÃO DO ENDEREÇO

domingo, 16 de novembro de 2008

Saudades do futuro




Saudades do futuro

Um futuro que nunca terei
Um passado que não existe
Memória que não queria
Pensar
Sequer sentir
Porque não sou presente
Apenas ponte
Entre o ontem e o amanhã
E porque o amanhã
Não existe
Caminho não sei para onde
E o caminhar faz-se
No entanto
De pequenos nadas
Que são parte de um tudo
Que não sei onde começa
Que não sei onde acaba
Apenas saudades
De um futuro
Já perdido à partida

Maria João Nunes

E SE OBAMA FOSSE AFRICANO ?

Há tempos um amigo perguntou-me qual a utilidade dos blogues. Neste clarividente texto encontra-se a resposta.

"Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África. Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos. Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo. Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto. E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana? 1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular. 2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia. 3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor. 4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?). 5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos. 6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores. Inconclusivas conclusões Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte. Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos. A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa. Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público. No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo. Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia."

Jornal "SAVANA" – 14 de Novembro de 2008
Publicada por Ana Margarida Esteves no blogue "Nova Águia"

sábado, 15 de novembro de 2008

O NÚCLEO DO PORTO da Liga dos Combatentes

( continuação )

No texto publicado em 6 do corrente fazia-se referência ao magnífico edifício onde o Núcleo do Porto da Liga dos Combatentes está instalado. É um edifício cuja fachada principal é quase todo de cantaria de granito que hoje não mostra as barbaridades que ao longo dos anos lhe foram feitas.




quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O MASSACRE DE SANTA CRUZ

No dia 12 de Novembro de 1991,precisamente há 17 anos,deu-se o massacre no cemitério de Santa Cruz, em Díli.
Recordar, transcrevendo o relato dessa atrocidade cometida contra o reduto da Lusofonia no Extremo-Oriente, é o mínimo que nós, lusófonos, podemos fazer.
“ À chegada às portas do cemitério... alguns dos manifestantes subiram para cima do muro, exibiram os cartazes aos jornalistas e depois ficaram ali todos, quase sem saber o que fazer.
... Um camião do exército apareceu ao fundo da rua... Do interior começaram a saltar soldados vestidos de verde e com tiras vermelhas no capacete.
... Do lado direito apareceram mais soldados, estes com uniformes castanho-escuros e com as M16 em posição de fogo.
... Começaram as rajadas cerradas. Os timorenses das primeiras filas tombaram logo ali, os outros voltaram as costas num pânico de fuga e começaram igualmente a cair.
...Os corpos rolavam na rua... As armas calaram-se ao fim de um bom bocado...
No ar ergeu-se o coro da multidão refugiada no cemitério, a rezar Avé Maria em português."

In: “A Ilha das Trevas” de José Rodrigues dos Santos

quinta-feira, 6 de novembro de 2008


NÚCLEO DO PORTO
DA
LIGA DOS COMBATENTES


O Núcleo do Porto da Liga dos Combatentes está instalado num magnífico edifício mandado construir, nos começos da segunda metade do Século XIX, pelo 1º Visconde de Pereira Machado para sua residência.
Situado no ângulo sudoeste das Ruas Formosa e da Alegria , é uma construção grandiosa que marcou uma época de desenvolvimento económico da cidade do Porto.
A fachada principal, quase toda de cantaria de granito e encimada por um frontão com o brasão dos Pereira Machado, denota uma harmonia e equilibrio arquitectónicos notáveis. Aparentando, pela fachada principal, possuir apenas dois pisos, na realidade é composto por três pisos.
A entrada de honra é feita pela Rua Formosa, através dum átrio com aspecto austero mas muito harmonioso

Originariamente, no piso térreo situavam-se os serviços do “palácio”, com cozinha, sala de refeições, economato e salas que se presume terem sido destinadas a alojamento de hóspedes da família.
O acesso ao 2º piso é feito por uma escadaria de granito, cuja galeria é considerada, pelo extraordinário trabalho decorativo em gesso, a mais importante da cidade do Porto.


No 2º piso situava-se o andar nobre, com salas cujos tectos artisticamente trabalhados em gesso, apresentam, ainda hoje depois de recuperados, motivos de caça, de música, etc. De entre todas, destaca-se o “salão nobre”, hoje sala principal do Museu.

No 3º piso situavam-se os aposentos da família e uma pequena capela ou oratório.
Fazendo parte da propriedade, no terreno anexo ( hoje silo-auto e supermercado ) existiam as cavalariças, cocheiras e picadeiro.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Na torre sineira
O relógio batia as horas
No meu cinzeiro
Batiam as beatas mortas
Enquanto outras beatas
Pelas trindades corriam
A bater nas outras portas

De lenços negros e xailes
Traçados no coração
Esfumando os caminhos
Cegas e sem razão
Endoidecendo na dor
Pela perda do batel
Onde ia o Zé Capitão
Arrastou consigo
Ao mar, sangue
Suor e lágrimas
Deixando mortas
Exangues
Nos corações apátridas.
E na torre sineira,
O Sino dobra…..triste………
Enovelado no fumo
Da beata que jaz morta
Maria João Nunes
Publicado no blogue "A Arroba das Palavras"

sábado, 25 de outubro de 2008

A 5ª COLUNA DA LUSOFONIA

A 5ª coluna da lusofonia é, indubitavelmente, a Comunicação Social.Com os seus órgãos e os seus agentes, a Comunicação Social, salvo raras e honrosas excepções, é um factor de clivagem dentro das sociedades lusófonas e entre uns e outros. Ela actua em todos os sectores, desde a Literatura à Televisão, passando pela Imprensa e pela Rádio.Actuando de forma consciente uns, por seguidismo outros, os elementos desta 5ª coluna movimentam-se, principalmente, nos dois Países que mais responsabilidade têm na preservação da Lusofonia.O modo de actuar é bem insidioso, assumindo a forma de afirmações, insinuações e um mau tratamento despudorado da Língua. Despudorado, porque ao mau tratamento que se dá à Língua, embora a maioria o faça por ignorância e má formação profissional, os responsáveis com boa formação assistem impávidos aos erros que se cometem. Não me acredito que eles não detectem o erro quando um jornalista começa uma oração no pretérito perfeito e a termina no presente-do-indicativo; ou que substitua o condicional pelo indicativo ou que deixe de usar os verbos no futuro.Sei que alguns “democratas” irão dizer que isso são alterações que a Língua vai sofrendo e que são um sinal de vitalidade. Se isso é vitalidade, prefiro, então, a modorra das terras do interior onde ainda consigo ouvir português bem falado.Na realidade, para ouvir um português bem falado não tenho necessidade de me refugiar no interior de Portugal. Posso fazê-lo sempre que vou ao Brasil porque, doa a quem doer, no Brasil fala-se português melhor do que em Portugal. Estou a referir-me, logicamente, à classe média que é onde a Língua faz escola, na falta imperdoável e ridícula duma instituição que a normalize. Agora, que houve o Acordo Ortográfico, será uma boa altura para colmatar essa brecha, até porque a falta dele deixa de ser desculpa.
Os exemplos são infindáveis, mas irei mencionar apenas alguns que tiveram como palco da tragédia instituições que prestam Serviço Público ou que, pelo menos, deveriam prestar. Basta debruçarmo-nos sobre a RDP e a RTP.
Na RDP, temos a realizadora Madalena Balsa que apresenta excelentes programas mas que ao entrevistar uma escritora portuguesa que reside no estrangeiro e escreve em inglês, lamentou ela não ter sido traduzida “própriamente para português, foi traduzida para brasileiro”!...;
-temos a realizadora Ana Aranha, que além de nos presentear com alguns excelentes trabalhos, há pouco tempo nos apresentou um programa no aniversário da queda da cadeira de Salazar, para o qual convidou só figuras de “esquerda” e onde o Snr.Fernando Rosas, com a falta de isenção que lhe é habitual, afirmou que quando se deu o 25 de Abril Portugal tinha a guerra em África perdida. Ora, qualquer pessoa razoavelmente informada sabe que isso não é verdade. Para fazer essa afirmação tão peremptória será que ele esteve lá ou será que assistiu aos noticiários em Argel ou refúgios semelhantes?;
- temos os locutores, quase sem excepção, a dizerem Flórida em vez de Florida ( por coerência deveriam dizer New York e London em vez de Nova Iorque e Londres).
Na RTP, temos o Snr. Júlio Isidro a mencionar as letras das canções em “brasileiro”, temos o Snr. Francisco José Viegas a dizer, de Manaus, que “não há dúvida que aqui fala-se outra Língua” e, para fechar com chave-de-ouro, registo a “brilhante” e “educativa” actuação, neste palco de desgraças, do autor do programa “Cuidado com a Língua” (mais propriamente se deveria chamar Cuidado com o Autor) que, no programa da semana passada, ao dissertar sobre o vocábulo Cuba teve a ideia peregrina de afirmar que Colon deu á ilha de Cuba este nome porque era o nome que os indígenas usavam.
Mas o fenómeno, como acima disse, é comum a ambos os lados do Atlântico. Para as Rádios e Televisões do Brasil, é como se Portugal não existisse. Não transmitem música portuguesa, não exibem programas portugueses e quase parece que evitam falar de Portugal. Visto as Televisões estarem dominadas por descendentes de italianos este posicionamento não me surpreende. Temos bem perto de nós o exemplo da TV Record.
O que é isto, meus senhores?!...Isto não é só ignorância; é a forma típica de actuação de uma 5ªcoluna

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Corpo sem memória

Todos os meus versos começam em ti
Para acabarem em secreto esquecimento
Num chão de folhas caídasMadeira outrora reflorida
Com pomos vermelhos de cristal
Sepultados no ventre da terra
Onde bate o coração do silêncio
Onde te vou perdendo
Seremos apenas saudade
Entre nós a distância do brilho
Das estrelas
Velas mirrando nas
Madrugadas sentidas
Vigilantes apenas os espelhos
Que me atiram para dentro de mim
Perdida em becos quotidianos
E os olhos morrendo
Na busca incessante
do corpo sem memória.

Maria João Nunes

Publicada no blogue "A Arroba das Palavras"
Fiel amigo

Em conversa descontraída, troca de palavras e confidências, alguém me chamou a atenção para uma situação rotineira. Contudo, descobri que, apesar da rotina apresentava-se como um factor importante...Afinal de que estará ela a falar??
Bem ... - estou a falar de algo que quase todos tem em casa!Descobri, pasmada, que ele é o meu melhor amigo! Fascinada por tal constactação deixo-vos aqui os factos:
Quando chego a casa , lá está ele sempre fiel, esperando-me com o seu ar macio e tentador...
Como é bom deitar-me em cima ....nem reclama com o meu peso, antes pelo contrário, adapta-se ao meu corpo , num formato ergonómico que muito me delicia.
É companheiro amigo nas noites de chuva, atentamente envolve-me quando assisto a um filme e posso chorar no seu ombro, agarrar-me às suas costas, de imediato sinto-me a pessoa mais confortavel e protegida deste mundo ( no outro ainda não experimentei)!
Se rio, se choro, se resmungo, ele deixa-me aninhar nos seus braços, discreto com as conversas que tenho, mesmo ali....em cima dele, nada revelando , tem um poder de discrição enorme.
Poderia ficar aqui momentos esquecidos a falar-vos dele...
Mas...ali está convidativo e tentador a chamar-me- já são horas do aconchego - diz (piscando o olho).
Deixo-vos.... e vou refastelar-me no meu sofá!!!

Maria João Nunes

Publicada no blogue "A Arroba das Palavras"

domingo, 19 de outubro de 2008

ACERCA DA PETIÇÃO PARA REGRESSO DOS MORTOS EM COMBATE

Eis um resumo dos comentários que têm acompanhado as assinatura na referida petição.
A maioria dos ex-combatentes o lerá com as lágrimas nos olhos mas sentindo estar a prestar homenagem aos seus camaradas falecidos.

- Nenhum homem fica para trás!!!

- "Se serviste a Pátria e ela te foi ingrata, tu fizeste o que devias, ela o que costuma."
( Padre António Vieira).

- Já cá deviam estar à muito tempo -É o mínimo que podemos fazer pelos que foram deixados para trás - Que a consciência dos vivos respeite a memória dos mortos - Não os esquecemos e a Pátria tambem não.Só os politicos têm fraca memória. - Era uma obrigação do Governo.
Eu pensei que todos regressaram a Portugal!!!
- Em França, nos cemitérios onde estão enterrados os combatentes da I GM está escrito num
muro, tal como nas unidades da Legião Estrangeira: "Eles são filhos da França não pelo sangue doado, mas pelo sangue derramado.” E mantém os cemitérios num estado de conservação extraordinário. Por cá, essa súcia de "heróis" que fugiu ao dever de camaradagem para com os jovens da sua geração, hoje não pode sentir a sua falta nem o que palavras como honra, valor, abnegação, espírito de sacrifício, solidariedade e destemor físico valem, porque vergonhosamente e cobardemente lhe viraram as costas. - É triste ter de se recorrer a uma petição para que o Estado respeite aqueles que por ele deram a vida.Talvez fosse necessário fazer o mesmo em relação ao País. - Nunca é tarde de mais para honrar quem o merece
-É um dever a pátria honrar os seus mortos. Foi vergonhoso que Vasco Gonçalves,Mário Soares
e Almeida Santos não tivessem respeitado nem mortos nem vivos. -Vamos em frente com esta nobre missão nacional. -O que fizeram pela solução do problema os Militares do 25 de Abril e os governos que se lheseguiram, até ao actual? Apenas desonra, desrespeito, esquecimento e abandono. -Que terra esta...que seus abnegados Filhos renega..!?
-Acho de inteira justiça que os que cai­ram pela Pátria ,repousem o sono eterno na Pátria. Muito baixo está o Paí­s que abandona os seus filhos. -Também sou ex-combatente do Ultramar e ainda hoje guardo a memória dos meus camaradas caídos em combate. HAJA RESPEITO
- Queremos os nossos herois perto da familia para finalmente repousarem em paz! - Já deviam cá estar todos todos os que lá ficaram!!! - Nunca é tarde para reparar uma injustiça
- É obrigação de qualquer Estado, no mínimo, entregar os mortos em combate à família.
- Honrar os que tombaram defendendo a Pátria é um dever! ... Dar-lhes sepultura digna é mais
que obrigação! - Seja feita justiça aos Combatentes que morreram pela Pátria. Entregar os seus corpos aos familiares é o mínimo que se possa fazer em sua honra. - Quem esquece os que tombaram em sua defesa também não respeita os seus vivos. - Uma vergonha este abandono dos nossos combatentes. - Acção meritória.Pena que os governos portugueses nada tivessem feito até agora! - Os familiares precisam de ter os seus mortos junto de si, é como uma parte do seu corpo que lhes pertence e que ao recuperá-la os tranquiliza. - Inteira justiça para um desprezo inqualificavel. - Da mais elementar justiça, que, quem deu a vida pelo país, tenha o reconhecimento dos seus cidadãos.
- Que o país, sem complexos, saiba honrar quem por ele deu a vida! - Nunca fui militar, mas são os que merecem o respeito de todos nós! -É um dever do militar servir a Pátria. è um dever da Pátria estimar o Combatente. - Porque sou também um ex-combatente, felizmente Vivo!
- Depois de tanto desprezo e até humilhação e chacota, por parte dos governos do após 25
de Abril, rogo que no mínimo para um País dito civilizado, deem seguimento a esta justa causa.
- UMA ATITUDE LOUVAVEL E MERECIDA PARA COM OS NOSSOS CAMARADAS MORTOS
E DEIXADOS PARA TRAZ PELOS GOVERNOS DE ENTAO A ESTA DATA, PARA MIM UMA
VERGONHA QUE EM NADA SE PODE COMPARAR AO CARINHO COM QUE O CANADA
TRATA OS SEUS MILITARES E FAMILIAS.

NOTA: os textos foram transcritos conforme foram publicado, sem quaisquer alterações.
PETIÇÃO PARA RESGATE para Portugal dos militares mortos na Guerra do Ultramar / Guerra Colonial

Exmo. Sr. Presidente da Assembleia da República Portuguesa!
As cidadãs e cidadãos abaixo assinados pretendem que o Estado Português cumpra o dever patriótico de trasladar para Portugal – para as suas terras de origem, de onde partiram para a Guerra do Ultramar / Guerra Colonial - os restos mortais dos Combatentes que morreram ao serviço da Pátria e ficaram enterrados em campas espalhadas pelos antigos territórios ultramarinos.
Assim, e ao abrigo do Decreto-Lei nº. 43/90, de 10 de Agosto, com as alterações que lhe foram introduzidas pela Lei nº. 6/93, de 1 de Março, pela Lei nº 15/2003, de 4 de Junho e pela Lei nº. 45/2007 de 24 de Agosto, subscrevemos o requerimento, proposto pelo "Movimento Cívico de Antigos Combatentes", a enviar à Assembleia da República para:
1 – Que seja decretada a trasladação para Portugal dos restos mortais dos militares mortos e abandonados em terras africanas, em cumprimento do mais elementar desígnio das nações civilizadas e para dignificar a memória dos que morreram ao serviço da Pátria.
Leia desenvolvimento e assine em: http://www.petitiononline.com/mcac/petition.html

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

8 DE OUTUBRO - Dia do Nordestino


O Nordestino é originário das misturas de diversos povos: o branco, representado pelo colonizador português, os invasores estrangeiros e imigrantes diversos; o índio, povo nativo da região, que faziam parte de diversas tribos; e o negro africano, trazido na condição de escravo para trabalhar nas lavouras canavieiras, na industrialização do açúcar, nas fazendas e nas mais diversas atividades braçais. Essa miscigenação fez surgir os mestiços, resultados da união de raças diferentes, dando origem a três variedades: o mulato (preto + branco), o caboclo(branco+ índio) e o cafuzo (índio+preto).
O resultado da mistura de todos esses povos, aliados às características da terra, do clima e às condicionantes econômicas, acabou formando a população nordestina atual e conferindo a ela um sentido de luta e o desejo e a certeza de vencer.Apesar, muitas vezes, das adversidades do tempo e da terra, o nordestino conserva os costumes, tradições e história, através do artesanato, artes plásticas, arquitetura, música e preservação dos seus monumentos históricos. É visível seu apego às tradições mais remotas e a um folclore belíssimo e bastante variado, de acordo com os contrastes existentes nos vários Estados da região Nordeste.

Ele jamais esquece a terra onde nasceu. Às vezes, devido às adversidades do tempo ou a situações econômicas desfavoráveis, são obrigados a emigrar para outras regiões do país. Mas sempre que podem e as condições de vida mudam, voltam para os seus familiares e amigos e para a "terra querida".
Alguns tipos de pessoas são muito comuns no nordeste. Os mais conhecidos nacionalmente de acordo com as habilidades adquiridas são: os sertanejos, os vaqueiros, os repentistas e os jangadeiros.
O sertanejo é exemplo de bravura e possui uma das mais expressivas culturas artesanais do país. Está sempre preocupado com a seca, uma vez que, com maior ou menor intensidade, ela sempre ocorre. É conhecido como trabalhador, amigo sincero e leal, respeitador, mas é também um homem destemido, que "não leva desaforo prá casa". É conhecido como "cabra macho" e é a representação imediata da coragem, força e resistência. Sua valentia é contada em prosa e verso. Os vaqueiros são trabalhadores que, montados em seu cavalo, cuidam do gado. Para protegerem-se dos arbustos e espinhos da vegetação local usam uma vestimenta característica: chapéu de couro, gibão de couro curtido, calças-perneiras justas e luvas.
Os violeiros ou repentistas são cantadores de viola que têm muita habilidade para compor versos de improviso. São muito respeitados e admirados em todo o Estado. Algumas de suas cantorias são verdadeiras obras primas de nossa literatura.
Os Jangadeiros são trabalhadores típicos do litoral. Passam a maior parte do tempo em alto mar à procura do peixe, que serve de alimento para a família e é a fonte de renda para o seu sustento. Geralmente moram em casas simples, construídas perto da praia.

Mas o nordeste também é povoado de outras pessoas típicas, como as rendeiras, os agricultores, os "coronéis" (em extinção), os beatos, os retirantes, os matutos, os canavieiros, etc . São ainda nordestinas algumas figuras das mais expressivas tais como Joaquim Nabuco, Rui Barbosa, Gilberto Freire, Manuel Bandeira, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, José de Alencar, Jorge Amado, Ariano Suassuna, Luiz da Câmara Cascudo, Luiz Gonzaga, Fagner, Zé Ramalho, Caetano Veloso, Elba Ramalho, Chico César, André Vidal de Negreiros, Augusto dos Anjos, José Américo de Almeida, Raquel de Queiroz, Celso Furtado, João Cabral de Melo Neto, Zé da Luz, Patativa do Assaré, Sivuca, Capiba, Jessier Quirino e muitos outros expoentes que enriquecem ou enriqueceram o cenário brasileiro e, até, internacional.
Enfim, "o nordestino é, antes de tudo, um forte", já dizia Euclides da Cunha. Mas faltou também dizer que é um povo resistente, que vence todo tipo de dificuldade, faz piadas e ri, muitas vezes, de sua própria desgraça, mas não se entrega. Também é mulherengo e não rejeita uma boa dose de cachaça. Continua compondo suas canções e tudo é motivo de festas. As oportunidades, aliás, não faltam. Festas quando as chuvas caem no sertão, trazendo fartura e prenúncio de dias melhores; festas nos rituais de cantorias nas safras; festas nas celebrações de noivado e casamentos nas roças; festas de padroeiras, etc. Até dia de eleição é motivo de festa.

Autor: Marcos França
Cultura Nordestina «www.culturapopular.com.br»

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O EXEMPLO DO REI DO CONGO

JOSÉ EDUARDO AGUALUSA
Participei recentemente num encontro sobre a situação da língua portuguesa no mundo, que decorreu em Bruxelas, nas instalações do Parlamento Europeu. O encontro organizado pelo eurodeputado português José Ribeiro e Castro contou com a presença de dois dos mais entusiastas divulgadores das culturas lusófonas nos países baixos: Eddy Stols, professor catedrático da Universidade de Lovaina, e Harrie Lemmens, o tradutor para neerlandês de José Saramago, Lobo Antunes, Eça de Queirós, Mia Couto, João Ubaldo Ribeiro e tantos outros.
Na sua intervenção Lemmens recordou os esforços do Rei do Congo, Dom Afonso, para promover o ensino do Português nos seus domínios:
"No dia 25 de Agosto de 1526, Dom Afonso fez novamente um apelo a el-rei, agora Dom João III, para lhe mandar mais professores (a carta mostra o valor que o rei congolês dava ao ensino e a modéstia com que pede ajuda): 'Senhor, temos muita necessidade de três ou quatro bons mestres de gramáticas, para acabarem de confirmar nossa gente, aqueles que já nisso são principados; porque para ensinar a ler e escrever muitos temos, vossos naturais e nossos, que o sabem e fazem, mas para lhes mostrar e declarar as coisas da santa fé e explanar os casos duvidosos que os outros homens geralmente não sabem, o que é muito necessário.' Ficou três anos sem receber resposta. Só numa carta de 1529 el-rei Dom João III, além de tentar convencer mais uma vez o colega congolês que devia abrir o seu país ao comércio, pois era o que todos os países modernos faziam (a globalização!), louvou a maneira como se dava aulas às crianças no reino de Dom Afonso, 'noite e dia', nas suas palavras. Até a própria rainha se ocupava das raparigas. Na mesma carta, porém, escreveu que não queria mandar mais do que quatro professores, porque no Congo havia pessoas suficientes capazes de fazê-lo. Como vêem, aproveitou a modéstia de Dom Afonso para reduzir as despesas."
À data da independência de Angola, mais de quatrocentos anos depois, ainda os apelos de Dom Afonso não tinham sido completamente atendidos.De então para cá muita coisa mudou. Em trinta anos de independência o governo angolano fez mais pela afirmação da língua portuguesa - quer de forma deliberada quer inadvertidamente - do que todos os anteriores governos coloniais. O triunfo militar sobre a UNITA, e agora o seu esmagamento nas urnas, assinalam também a vitória definitiva da língua portuguesa e do projecto cultural que nela se exprime. É parte, talvez, daquilo que alguns intelectuais na oposição, como o activista cívico Luís Araújo, chamam endocolonialismo. Importa reconhecer, contudo, que muitos outros países, por exemplo nas Américas, se construíram sobre modelos semelhantes.
Para além do futuro incerto das línguas africanas de Angola, este triunfo absoluto implica uma outra ameaça de que quase não se fala.Devido à fragilidade do sistema de ensino básico a maioria das crianças angolanas estão a trocar a língua materna dos seus progenitores por um idioma empobrecido. Dito de outra forma, os pais dos milhões de crianças angolanas que hoje só se comunicam em português serviam-se de um quimbundo, de um umbundo ou de um quicongo mais rico do que aquele português que os seus filhos hoje falam.Esta erosão de pensamento, pois perder palavras é perder pensamento, da mesma forma que perder línguas é perder mundos, só poderá ser corrigida com um fortíssimo investimento no ensino do idioma português.
Espero que os dirigentes angolanos saibam seguir o exemplo do rei congolês, Dom Afonso, e que comecem a procurar desde já professores de língua portuguesa, e formadores de professores, onde quer que eles existam, seja em Portugal ou no Brasil.
Espero, por outro lado, que os dirigentes portugueses não sigam o exemplo de Dom João III, e saibam corresponder a tais expectativas.
Fonte:Revista Pública

domingo, 5 de outubro de 2008

Portugal ratifica acordos de cooperação militar com o Brasil

O Governo português decidiu hoje ratificar o acordo de cooperação com o Brasil no domínio da defesa.O acordo foi assinado no Porto em Outubro de 2005 e prevê a colaboração dos dois países nos domínios da pesquisa, aquisição de produtos, serviços e apoio logístico.
Este acordo entre Portugal e o Brasil pretende ainda aumentar a partilha de conhecimentos e experiências adquiridos nos campos de operações, utilização de equipamentos militares de origem nacional e estrangeira no cumprimento de operações internacionais de manutenção de paz e nas áreas da ciência e tecnologia."A cooperação desenvolver-se-á através de visitas mútuas de delegações de alto nível a entidades civis e militares; reuniões de pessoal, técnicas e entre instituições de defesa equivalentes; e intercâmbio de instrutores e estudantes de instituições militares", lê-se no comunicado do Conselho De Ministros.O Governo adianta ainda que a cooperação far-se-á através da participação em cursos ou estágios, eventos culturais e desportivos, assim como por via de uma "facilitação das iniciativas comerciais em assuntos de defesa".
Fonte: Jornal de Notícias
ACADEMIA GALEGA DA LÍNGUA PORTUGUESA

Sessom Inaugural da Academia Galega da Língua Portuguesa no dia 6 de Outubro.
Evento contará com representantes do Brasil, Portugal e Moçambique, além da própria Galiza.
Após a constituiçom formal no passado dia 20 de Setembro da Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP) e a eleiçom da sua primeira Comissom Executiva, cujo presidente é o catedrático José-Martinho Montero Santalha, a instituiçom académica apresentará-se publicamente em Santiago de Compostela no dia 6 de Outubro, com a Sessom Inaugural das suas actividades.
Um instrumento para o trabalho é o reconhecimento da Galiza lusófona.
A AGLP é uma entidade privada que se define como «instituição científica e cultural ao serviço do Povo galego», pretende «Promover o estudo da Língua da Galiza para que o processo da sua normalizaçãoe naturalização seja congruente com os usos que vigoram no conjunto da Lusofonia».No texto que faz parte do «Editorial» do primeiro número do Boletim da AGLP, da nova instituiçom académica manifestam a sua esperança em «contribuir para a construção da Comunidade lusófona da Galiza», embora «as dificuldades que acompanham as propostas, as atividades e as atuações».Dessa maneira, dizem iniciar a caminhada sabendo que podem ser «um dos fatores que contribuam a conscientizar os cidadãos da Galiza na sua condição de lusófonos, junto com os de Portugal, Brasil, Angola,Moçambique, Guiné Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, Timor Lorosae e todos os territórios e pessoas que se estimam unidos pela comum língua portuguesa».Ainda, assinalam os fins que se proponhem atingir como Academia: «promover o processo da normalização e naturalização do Português na Galiza de modo congruente com os usos que vigoram na Lusofonia; colaborar com outras entidades lusófonas com fins semelhantes; e assessorar os poderes públicos e quaisquer outras instituições interessadas na implementação do Português nos territórios e comunidades da Lusofonia».
Sessom inaugural com um amplo e simbólico programa de actividades(ver mais em: http://www.pglingua.org/ )
Fonte: "Nova-Águia"