Convém que os africanos analisem o que se tem passado na Austrália, país normalmente favorável ao investimento estrangeiro, onde a entrada de capitais chineses começou a provocar uma onda de desconfiança quando, depois de terem adquirido 9% de uma mina de minério de ferro, os chineses tentam obter o controle de outras minas, de vias-férreas de exportação e dos portos da Austrália Ocidental. Os australianos têm boas razões para se sentirem receosos, na eventualidade das instituições estatais chinesas passarem a ter o controlo da gestão dessas empresas. Caso isso venha a ocorrer, não tardará que as exportações para a China passem a ser efectuadas a preços prejudiciais para a Austrália.
Mas a situação em África também começa a ser preocupante !!... Já em 2007 o Presidente Thabo Mbeki da África do Sul lançou um aviso a todo o continente africano para que não se envolvesse em novas relações de timbre colonial com a China. Foram poucos os que escutaram as palavras de Mbeki !!.. Agora, começam a aparecer as consequências. Os zambianos e os congoleses manifestaram preocupação relativamente a investimentos chineses em minas existentes de cobre e cobalto, algumas das quais encontram-se vedadas ao público e que funcionam sob a alçada de gestores e força laboral provenientes da China, em detrimento da mão-de-obra local.Em 2007, a China e a República Democrática do Congo assinaram um acordo no montante de 8 mil milhões de dólares, destinado à construção de infra-estruturas diversas a troco de matérias-primas. Questiona-se, entretanto, o preço a que serão exportados os minerais congoleses no âmbito do referido acordo.No Sudão, país que recebe ajuda militar da China, não obstante as atrocidades cometidas na região de Darfur, o governo chinês despendeu biliões de dólares em furos de petróleo e em oleodutos para explorar as vastas reservas que se encontram no subsolo daquela região sudanesa.
