ALTERAÇÃO DO ENDEREÇO

domingo, 11 de julho de 2010

-" Pseudopotência "

Esta é a face real do Brasil sem pó na cara nem falácias molusculares.


PSEUDOPOTÊNCIA

Luiz Eduardo Rocha Paiva
General-de-Brigada, professor emérito e ex-comandante da
Escola de Comando e Estado-Maior do Exército;
Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil.


“Entre outros males, estar desarmado significa ser desprezível” (“o
Príncipe” – Maquiavel)

O desfecho da iniciativa diplomática brasileira no Oriente Médio demonstrou os limites do poder de um país cuja ação na cena internacional só é relevante nos temas da área econômica.
Essa limitação revela uma fraqueza que será ainda mais evidente quando entrarem em choque interesses nacionais e os dos países que efetivamente conduzem os destinos do mundo, em função da projeção desses últimos, seja em nosso entorno estratégico, seja diretamente sobre o nosso patrimônio.

Somos uma potência com pés de barro, cuja expressão mundial depende principalmente da exportação de commodities com baixo valor agregado, da prestação de serviços por algumas empresas e instituições e do atrativo mercado interno. Relevância econômica, mas não militar. Há um desequilíbrio interno fruto da indigência bélica; da debilidade nas áreas de educação, indústrias de valor estratégico, ciência, tecnologia e inovação; da crise de valores morais; e da falta de civismo. Desse quadro, emergem graves vulnerabilidades para enfrentar os conflitos que se avizinham.

O mundo ficou pequeno e a América do Sul (AS) é um dos principais palcos de projeção da China, a ser seguida da Índia e da Rússia. O Brasil terá sua liderança regional ameaçada não só por esses novos competidores, pois os EUA intensificarão a presença na AS, a fim de não perder espaços estratégicos para poderosos rivais arrivistas.
A China passa a ser diretamente interessada na exploração dos recursos da AS – agrícolas, minerais, hídricos, e outros – incluindo, logicamente, os da Amazônia. Será menos arriscado China, Rússia e Índia unirem-se aos EUA e UE para impor limites à soberania na Amazônia e em outras regiões, visando condições vantajosas no aproveitamento de seus recursos, do que entrarem em conflito entre si.
Atrás da projeção político-econômica virá a militar, inicialmente pela cooperação, evoluindo para dissuasão e, possivelmente, para o emprego direto quando os interesses se tornarem importantes ou vitais. O Brasil e os vizinhos são os atores mais fracos e é desse lado que a corda arrebenta.
A história é uma sábia mestra e a da China no século XIX, fatiada em sua soberania e patrimônio e vilipendiada pelas potências da época, mostra o que pode acontecer aqui, pois a China era, então, a nova fronteira como hoje é a AS. Os “impérios” de ontem são as mesmas potências de hoje, com algumas novas presenças como a da Índia.

A perda do Acre pela Bolívia em 1903 é um alerta ao Brasil por sua política irresponsável na Amazônia, pois as semelhanças entre o evento do passado e o presente amazônico são preocupantes, particularmente no tocante às terras indígenas (TI). A Bolívia no Acre, por dificuldade, e o Brasil na Amazônia, por omissão, exemplificam vazios de poder pela fraca presença do Estado e de população nacional em regiões ricas e cobiçadas. O Acre, vazio de bolivianos, era povoado por seringalistas e seringueiros brasileiros, respectivamente líderes e liderados, sem nenhuma ligação afetiva com a Bolívia.
No Brasil, ONGs internacionais lideram os indígenas e procuram conscientizá-los de serem povos e nações não brasileiras, no que contam com o apoio da comunidade mundial. Portanto, enquanto no século XIX uma crescente população brasileira estava segregada na Bolívia, hoje o mesmo acontece com a crescente população indígena do Brasil, ambas sob lideranças sem nenhum compromisso com os países hospedeiros e sim com atores externos. Ao delegarem autoridade e responsabilidades a ONGs ligadas a nações e atores alienígenas, os governos brasileiros autolimitaram sua soberania como fez a Bolívia ao arrendar o Acre ao Bolivian Syndicate.
Décadas de erros estratégicos enfraqueceram a soberania boliviana no Acre, direito não consumado, pois aqueles brasileiros revoltaram-se e o separaram da Bolívia, que aceitou vendê-lo ao Brasil.

A Amazônia brasileira nos pertence por direito, mas só a ocupação e integração farão a posse efetiva. Em poucas décadas, haverá grandes populações indígenas desnacionalizadas e segregadas, ocupando imensas terras e dispostas a requerer autonomia com base na Declaração de Direitos dos Povos Indígenas, aprovada na ONU com apoio do Brasil. Se não atendidas, evocarão a Resolução que instituiu, em 2005, a Responsabilidade de Proteger, nome novo do antigo Dever de Ingerência.
Hoje, há uma forte pressão para transformar TIs em territórios administrados por índios, inclusive com polícia indígena, iniciativa que reúne atores externos e internos, estes uma quinta coluna cuja atuação atende a objetivos alienígenas. Um sem-número de TIs, com maior autonomia que os estados da Federação, comprometerão a governabilidade e a integridade territorial num país que, muitos não percebem, ainda está em formação, pois não foi totalmente integrado.

Não é que a história se repita, mas situações semelhantes em momentos distintos costumam ter desfechos parecidos, para o bem ou para o mal, se as decisões estratégicas adotadas forem similares. Do militar e do diplomata espera-se percepção estratégica capaz de identificar possíveis ameaças, embora longínquas no tempo, antes que se tornem prováveis, pois aí será tarde demais. Cabe a eles, também, a coragem de assessorar o Estado com franqueza, defendendo o interesse nacional mesmo com o risco de afrontar políticas imediatistas de governos de ocasião, que comprometam interesses vitais da Nação. Política exterior é diplomacia e defesa, e nenhuma das duas se improvisa.

No início dos anos 1990, quem alertou para a ameaça à soberania, quando a criação da reserva ianomâmi iniciou o processo de balcanização da Amazônia, foi considerado um visionário. Governos sem visão prospectiva e aptidão para avaliar riscos desprezaram a ameaça e fizeram o jogo das grandes potências, aceitando imposições que vêm criando paulatinamente, por meio de uma exitosa estratégia de ações sucessivas, as condições objetivas para a perda de soberania. Por importantes que sejam outras ameaças internacionais, esta é a mais grave. O resultado será desonroso para o país se sua liderança continuar adotando decisões utópico-internacionalistas-entreguistas, calcadas num discurso politicamente correto, mas moralmente covarde, pois não confessa que se troca soberania por interesses imediatistas ou ideológicos apátridas, camuflados sob bandeiras como a defesa dos direitos de minorias e a preservação do meio ambiente.

Assim, não se trata apenas de fraqueza militar, mas também da ausência de lideranças competentes e de estadistas que tracem políticas e estratégias capazes de limitar ou neutralizar vulnerabilidades. Ao contrário, vêm tomando decisões desastrosas, cujo resultado será a contestação e limitação de nossa soberania na Amazônia, pela via indireta, que dispensará ou reduzirá significativamente a necessidade de emprego do poder militar. Eis o resultado de não ocupar, não povoar, não desenvolver, não defender e não preservar a Amazônia, bem como de segregar ao invés de integrar o indígena aos seus irmãos brasileiros.

É lamentável a sociedade esclarecida, seus representantes e lideranças, em setores decisórios do Estado e em muitas de suas instituições, aceitarem passivamente ou reagirem timidamente à mutilação do país, avalizada por sucessivos governos. Convém ressaltar que esse cenário foi construído, desde o início dos anos 1990, a partir da ascensão ao poder da esquerda, cujos discursos demagógicos e ilusórios de defesa dos bens materiais da Nação, do meio ambiente e dos direitos humanos, de revisão da história e de mudança de valores escondem o propósito real de viabilizar a estratégia gramcista de tomada do poder, pela desagregação da sociedade nacional e o esfacelamento do Estado. É uma esquerda pseudonacionalista – internacionalista de fato – e pseudopatriota – populista de fato, que despreza a história, os feitos, as tradições e os verdadeiros heróis nacionais. Não ama a Nação, mas sim sua ideologia, e não tem uma Pátria, mas sim um partido.

Para merecer e manter um patrimônio imensamente rico como o brasileiro, onde se inclui a nossa Amazônia, é preciso não um pseudonacionalismo de bravatas, demagógico e xenófobo, mas um patriotismo real e sincero, respaldado numa vontade nacional firme, altiva e corajosa para assumir os riscos dos conflitos que virão e, ainda, lideranças legítimas, confiáveis e efetivamente comprometidas com a Nação. Sem tais atributos, países, ainda que sejam fortes e ricos, não passam de pseudopotências.

sábado, 10 de julho de 2010

-" Júlio Teixeira disse ... "

O texto que se segue é o comentário que o nosso amigo Júlio Teixeira, do Brasil, colocou no texto " O Brasil é um ótimo país ", publicado há dias neste blogue. A intenção ao trazer o comentário para a página principal , não é minimizar ninguém, mas sim dar destaque a algumas frases que nos arrancam uma boa gargalhada e que nos fazem pensar na razão pela qual alguns pretendem que exista o, ridiculamente chamado, " português do Brasil ".

Eis o comentário:

"Este país moderno e fabuloso da era Lula tem ótimas noticias inclusive na língua...
Uma fantástica coletânea dos eleitores do molusco!!!

PÉROLAS DO ÚLTIMO ENEM - EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO.

'O sero mano tem uma missão....'
(A minha, por exemplo, é ter que ler isso!)
'O Euninho já provocou secas e enchentes calamitosas..'
(Levei uns minutos para identificar o El Niño...)
'O problema ainda é maior se tratando da camada Diozanio!'
(Eu não sabia que a camada tinha esse nome bonito)
'Enquanto isso os Zoutros... tudo baixo nive...'
(Seja sempre você mesmo!!)
'A situação tende a piorar: o madereiros da Amazônia destroem a Mata Atlântica da região.'
(E além de tudo, viajam pra caramba, hein?)
'O que é de interesse coletivo de todos nem sempre interessa a ninguém individualmente.'
(Entendeu ....?)
'Não preserve apenas o meio ambiente e sim todo ele.'
(Faz sentido)
'O grande problema do Rio Amazonas é a pesca dos peixes' .
(Achei que fosse a pesca dos pássaros.)
'É um problema de muita gravidez.'
(Com certeza...se seu pai usasse camisinha, não leríamos isso!)
'A AIDS é transmitida pelo mosquito AIDES EGIPSIO.'
(Sem comentários)
'Já está muito de difíciu de achar os pandas na Amazônia' .
(Que pena. Também ursos e elefantes sumiram de lá)
'A natureza brasileira tem 500 anos e já esta quase se acabando'.
(Foi trazida nas caravelas, certo ?)
'O cerumano no mesmo tempo que constrói, também destroi, pois nos temos que nos unir para realizarmos parcerias juntos.' .
(Não conte comigo!)
'Na verdade, nem todo desmatamento é tão ruim. Por exemplo, o do Aeds Egipte seria um bom beneficácio para o Brasil' .
(Vamos trocar as fumaças pelas moto-serras)
'Vamos mostrar que somos semelhantemente iguais uns aos outros'.
(Com algumas diferenças básicas!!)
"... menos desmatamentos, mais florestas arborizadas.'
(Concordo! De florestas não arborizadas, basta o Saara!)
'... provocando assim a desolamento de grandes expecies raras.'
(Vocês não sabiam que os animais têm depressão?)
'Nesta terra ensi plantando tudo dá.'
(Isto deve ser o português arcaico que Caminha escrevia....)
'Isso tudo é devido ao raios ultra-violentos que recebemos todo dia.'
(Meu Deus... Haja pára-raio!)
'Tudo isso colaborou com a estinção do micro-leão dourado.'
(Quem teria sido o fabricante? Compaq ? Apple? IBM?)
'Imaginem a bandeira do Brasil. O azul representa o céu , o verde representa as matas, e o amarelo o ouro. O ouro já foi roubado e as matas estão quase se indo. No dia em que roubarem nosso céu, ficaremos sem bandeira..'
(Caraca! Ainda bem que temos aquela faixinha onde está escrito 'Ordem e Progresso'.)
'Ultimamente não se fala em outro assunto anonser sobre os araras azuls que ficam sob voando as matas.'
(Talvez por terem complexo de urubus!)
... são formados pelas bacias esferográficas.'
(Imaginem as bacias da BIC.)
'Eu concordo em gênero e número igual.'
(Eu discordo!)
'Precisa-se começar uma reciclagem mental dos humanos, fazer uma verdadeira lavagem celebral em relação ao desmatamento, poluição e depredação de si próprio.'
(Putz, que isso?)
'O serigueiro tira borracha das árvores, mas não nunca derrubam as seringas.'
(Esse deve ter tomado uma na veia)
'A concentização é um fato esperansoso para todo território mundial..'
(Haja coração!)
'Vamos deixar de sermos egoistas e pensarmos um pouco mais em nos mesmos.'
(Que maravilha!) "

9/7/10

sexta-feira, 9 de julho de 2010

-" O Brasil é um ótimo país "

Comentários de uma holandesa sobre o Brasil

Circula na internet um texto com o título acima mencionado que foi publicado no blogue CMI Brasil. O texto é, manifestamente, tendencioso, roçando o fanatismo e um nacionalismo quase infantil, que logo mereceu, da parte de alguns brasileiros mais esclarecidos, comentários desfavoráveis ( como se pode ver mais adiante ).
Além disso, demonstra uma enorme ignorância sobre o que é a Europa. Ao seu autor deveria ser ensinado que a Europa não é só a Holanda de costumes duvidosos e a Inglaterra que come peixe embrulhado em papel de jornal, mas que existem outros países, com outros costumes !
Existe, por exemplo, Portugal, onde nada do que se afirma no texto se aplica.
Senão, vejamos ! . . .
Quanto ao facto de na Holanda os resultados das eleições demorarem “horrores” e de haver uma única operadora de telefones, pode-se contrapor que, em Portugal, o processo eleitoral está todo informatizado sendo os resultados divulgados 4 a 5 horas depois do encerramento das urnas e que existem várias operadoras de redes de comunicações, tanto fixas como móveis.
Outra afirmação disparatada é a de que nos EUA e na Europa ninguém tem o hábito de enrolar a sanduíche em um guardanapo ou de lavar as mãos antes de comer.
Em Portugal, se se pega na sanduíche sem guardanapo é porque se tem as mãos limpas, porque existe o hábito de lavar as mãos antes de comer. Nas padarias, pegam no pão com a mão embrulhada num saco de plástico e a carne não é para comer crua.
“Se pedir mesa de não-fumante, o garçom se ri na sua cara porque não existe” : outra afirmação digna de dó porque, em Portugal, é proibido fumar em locais públicos, a não ser que tenham instalação adequada para fumadores.

Como se pode ver, o autor não foi feliz nas intrujices que quis inpingir aos seus leitores, mas conseguiu ultrapassar a sua ignorância com a estupidez e tacanhice da seguinte afirmação:
“Vocês têm uma língua que apesar de não se parecer nada com a língua portuguesa, é chamada de língua portuguesa, enquanto as empresas de software lhe chamam português do Brasil, porque não conseguem se comunicar com os usuários brasileiros através da língua portuguesa”

Que é que ele pretende com isto ? Disfarçar a sua ignorância num falso nacionalismo ?
É verdade que muitos fabricantes fazem isso, não porque o desejem mas porque nacionalismos serôdios e ignorantes o impõem, sem se aperceberem do ridículo da situação. E ele é tal, que a minha impressora em “português do Brasil” diz-me que “a impressão começou” e em “português de Portugal” diz-me que “a impressão foi iniciada”. Bonito, não é ? ! . . . Infelizmente há quem não tenha noção do ridículo ! …

Mas, como disse acima, já houve mais quem criticasse. Dos comentários no blogue CMI Brasil destaco os que seguem:

Falsa holandesa, falsos dados, falso nacionalismo
Kodai 15/03/2005 19:18
jakmatador@yahoo.com.br
Esse texto não assinado, fornece dados muito vagos...
"uma holandesa"...Que holandesa? Quando? Onde podemos verificar esse depoiemnto? O que ela entende de Brasil pra falar?

Antropos Consulting? Quem ouviu falar disso?
97% das crianças em escolas? Não vemos isso nos sinais..Além do mais escolas sem reprovação que dão diploma na oitava série para semi-analfabetos.

E muitas outras besteiras do texto pseudo-nacionalista, de quem acha que amar o Brasil é tapar o sol com a peneira e fazer ufanismos, como fazia a ditadura militar e suas musiquinhas de Dom e Ravel.

"Eu te amo meu Brasil..."

A falsidade do texto é fácil se verificar pesquisando no google, que se trata apenas de mais um SPAM. Tanto que existem versões diferentes do texto.

Estas questões demonstram as assimetrias existentes no espaço da Lusofonia. Para as eliminar foi criada a CPLP que é a grande responsável por elas ainda existirem.
Para terminar um pensamento que me parece bem adequado a este caso :
" Quem não sabe o que é, não é ninguém ! ..."





domingo, 4 de julho de 2010

-" Teste de português "

Um interessante e educativo teste composto por 45 frases.

http://www.anossaescola.com/tarouca/recursos/Escolhamultipla2.htm

Cuidado, porque com menos de 80% aconselham que se volte para a escolinha ! ...


sexta-feira, 2 de julho de 2010

-" Telefonica versus PT "

A HISTÓRIA REPETE-SE

Portugal está, novamente, em “pé-de-guerra”, para se defender dos ataques que os espanhóis lhe estão a mover no Brasil.
A “guerra” que a empresa espanhola Telefonica está a mover à portuguesa PT pelo controle da brasileira “Vivo”, não surpreende quem conhece os espanhóis. Quando a PT se aliou à Telefónica para criar uma rede móvel no Brasil, logo ficou patente que tal casamento não iria durar muito.
Enquanto a tecnologia da PT foi útil para a Telefónica se instalar no mercado de redes móveis no Brasil, tudo correu muito bem. Depois da Vivo instalada, a Telefónica lembrou-se de que seria interessante juntar à sua rede fixa brasileira uma rede móvel. Então, à boa maneira espanhola, há que tratar de espetar o punhal nas costas do parceiro: lança-se uma OPA hostil e oferece-se aos acionista uma montanha de Euros.
Só que os espanhóis esqueceram-se de que não é só o adúltero capital que conta e o punhal encontrou um osso no seu caminho.
A Telefónica sabia que para comprar os acionista bastaria encontrar o valor correto e acreditava que o Governo português não iria invocar a “golden share”por ser uma medida reprovada por Bruxelas. Porém, esqueceu-se de que os portugueses, que ao longo dos séculos sempre souberam encontrar maneira de frenar a gula espanhola, desta vez também o poderiam fazer.
Foi o que aconteceu, mas não apelando à “golden share” mas sim ao Código Comercial Português que, segundo a opinião de larga maioria, a EU não pode contestar.

À margem desta polémica (ou talvez não), o Presidente Lula afirmou, há dias, com brilhante clarividência, e conforme seria de esperar dum responsável e honesto membro da CPLP, que o Brasil gostaria de ver ampliada a contribuição dos portugueses no desenvolvimento das telecomunicações móveis no Brasil.
Para um observador atento, esta afirmação do presidente Lula só pode representar um aceno no sentido da PT se aliar à OI, de capital, maioritariamente, brasileiro, o que seria a solução ideal, tanto para Portugal como para o Brasil.

Esperemos que o pecado da gula seja castigado e que os esforços que brasileiros e portugueses sempre desenvolveram para manter as suas coisas em família sejam premiados.


quarta-feira, 30 de junho de 2010

- "VPV versus Saramago"

O texto publicado abaixo só serve para confirmar várias coisas:
- que o autor de “Achtung Baby”(ver texto publicado neste blogue em 27 do corrente) sabia
muito bem o que queria denunciar;
- que a instrução não é diretamente proporcional à inteligência;
- que um indivíduo instruído não é, obrigatoriamente, inteligente (veja-se a verborreia de PVP)
- que um indivíduo sem instrução pode ser inteligente (veja-se a obra de Saramago).

Do referido texto, por entre tantas pérolas, ainda podemos retirar um silogismo, resquício da brilhante instrução de que o autor beneficiou, que é o seguinte:
- “Saramago está entre as pessoas que nenhum indivíduo inteligente ouve”;
- “Saramago vendeu milhões de livros”;
- logo, quem comprou os livros de Saramago não é inteligente ! …

Coitada da Comunicação Social portuguesa !


"Saramago - texto de Vasco Pulido Valente

O problema com o furor que provocaram os comentários de Saramago sobre a Bíblia (mais precisamente sobre o Antigo Testamento) é que não devia ter existido furor algum. Saramago não disse mais do que se dizia nas folhas anticlericais do século XIX ou nas tabernas republicanas no tempo de Afonso Costa. São ideias de trolha ou de tipógrafo semianalfabeto, zangado com os padres por razões de política e de inveja. Já não vêm a propósito. Claro que Saramago tem 80 e tal anos ,coisa que não costuma acompanhar uma cabeça clara, e que, ainda por cima, não estudou o que devia estudar, muito provavelmente contra a vontade dele. Mas, se há desculpa para Saramago, não há desculpa para o país, que se resolveu escandalizar inutilmente com meia dúzia de patetices.
Claro que Saramago ganhou o Prémio Nobel, como vários "camaradas" que não valiam nada, e vendeu milhões de livros, como muita gente acéfala e feliz que não sabia, ou sabe, distinguir a mão esquerda da mão direita. E claro que o saloiice portuguesa delirou com a façanha. Só que daí não se segue que seja obrigatório levar a criatura a sério. Não assiste a Saramago a mais remota autoridade para dar a sua opinião sobre a Bíblia ou sobre qualquer outro assunto, excepto sobre os produtos que ele fabrica, à maneira latino-americana, de acordo com o tradição epigonal indígena. Depois do que fez no PREC, Saramago está mesmo entre as pessoas que nenhum indivíduo inteligente em princípio ouve.
O regime de liberdade, aliás relativa, em que vivemos permite ao primeiro transeunte evacuar o espírito de toda a espécie de tralha. É um privilégio que devemos intransigentemente defender. O Estado autoriza Saramago a contribuir para o dislate nacional, mas não encomendou a ninguém? principalmente a dignitários da Igreja como o bispo do Porto - a tarefa de honrar o dislate com a sua preocupação e a sua crítica. Nem por caridade cristã. D. Manuel Clemente conhece com certeza a dificuldade de explicar a mediocridade a um medíocre e a impossibilidade prática de suprir, sobre o tarde, certos dotes de nascença e de educação. O que, finalmente, espanta neste ridículo episódio não é Saramago, de quem - suponho - não se esperava melhor. É a extraordinária importância que lhe deram criaturas com bom senso e a escolaridade obrigatória."

domingo, 27 de junho de 2010

-" Vasco Pulido Valente na blogosfera "

Encontrei no blogue "Achtung Baby ", publicado em Janeiro de 2006, o excelente trabalho que, com a maior satisfação, passo a divulgar.

"A chegada de Vasco Pulido Valente à blogosfera portuguesa.

18:00 - A agitação começou quando foi anunciado que, nesta segunda-feira, Vasco Pulido Valente, historiador e pessimista profissional, iria começar a escrever na blogosfera. Os populares sairam à rua em expectativa e alguma euforia.

18:21 - A maior concentração verificou-se junto ao Instituto Superior Técnico de Lisboa, por causa do rumor que seria num dos supercomputadores do IST que Vasco Pulido Valente escreveria o seu primeiro post.

18:25 - No Brasil, a agitação também era grande. Foram instalados ecrãs gigantes nas praias do Rio, para que se pudesse acompanhar em directo o momento do primeiro post. Na foto em baixo, o blogueiro Alexandre Soares Silva lança-se ao areal, na tentativa de arranjar um local para instalar o laptop.


18:35 - À medida que a realidade de um primeiro post de Vasco Pulido Valente se torna iminente, os portugueses que saíram mais tarde do trabalho correm para casa. A confusão nas ruas leva alguns a recorrer aos lares dos amigos próximos, já que se torna impossível o regresso atempado a casa. Na foto de baixo, dois membros do Aspirina B ajudam um companheiro a não perder o grande momento.


18:50 - O relógio marcava a hora oficial prevista para o primeiro post de Vasco Pulido Valente. Mas, no ecrã, o inesperado:


INTERNAL SERVER ERROR


18:52 - O país teme o pior.


18:55 - Vasco Pulido Valente não desiste.
Três pequenas linhas para um homem - um texto gigante para a blogosfera.
Nascia uma lenda blogosférica, nascia: «vpv».

18:56 - Esquerdistas, conservadores, liberais, grandes masturbadores; o entusiasmo é geral. Nunca um pessimista trouxe tanta alegria - a blogosfera portuguesa vai ao delírio


19:05 - Em apenas dez minutos mais dois posts. No Contra-a-Corrente, Acidental, Arte da Fuga e Glória Fácil, chora-se de emoção frente ao ecrã do computador.

Uma emoção sentida em comunhão por todos nós. Uma emoção que marca para sempre esta segunda-feira - o dia em que todos os bloggers foram 'vpv'.

O dia em que a blogosfera voltou a acreditar."


terça-feira, 22 de junho de 2010

-" Saramago "

Um Lutador ou um Provocador
J. Jorge Peralta

“Defendeste a pátria? Cumpriste o teu dever.
A Pátria foi ingrata?! Fez o que costuma fazer.”
(P. Antônio Vieira)

1. Um Homem Paradoxal
O aguilhão de Saramago talvez nos faça falta. Poderemos não concordar com ele, em algumas de suas diatribes polêmicas, no entanto, não podemos negar sua coerência de homem livre. Por outro lado, ele carregou consigo um grande mérito: Suas posições políticas, como cidadão, não interferiram em sua obra: não fez literatura partidária.
Politicamente, no entanto, teve atitudes, para muitos, abomináveis. Ninguém é perfeito... Até dos seus erros podemos tirar ensinamento.
Saramago com sua vida e obra, com seus defeitos e virtudes, estará no Panteão da Lusofonia, quer queiramos quer não.
No Panteão da Lusofonia não cabem ódios nem rancores. Saramago não colocou ódios ou rancores na sua obra. O tempo o absolverá de seus erros políticos. Restará sua obra. Esta o elevará.
Acredito que está na hora de Portugal redescobrir Saramago, sem preconceitos, como um de seus filhos amados, apesar dos pesares.
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( Ler o texto completo em «http://rosadosventos2.blogspot.com/ »

domingo, 20 de junho de 2010

-" José Saramago aos 86 anos "

Dizem-me que as entrevistas valeram a pena. Eu, como de costume, duvido, talvez porque já esteja cansado de me ouvir. O que para outros ainda lhes poderá parecer novidade, tornou-se para mim, com o decorrer do tempo, em caldo requentado. Ou pior, amarga-me a boca a certeza de que umas quantas coisas sensatas que tenha dito durante a vida não terão, no fim de contas, nenhuma importância. E porque haveriam de tê-la? Que significado terá o zumbido das abelhas no interior da colmeia? Serve-lhes para se comunicarem umas com as outras? Ou é um simples efeito da natureza, a mera consequência de estar vivo, sem prévia consciência nem intenção, como uma macieira dá maçãs sem ter que preocupar-se se alguém virá ou não comê-las? E nós? Falamos pela mesma razão que transpiramos? Apenas porque sim? O suor evapora-se, lava-se, desaparece, mais tarde ou mais cedo chegará às nuvens. E as palavras? Aonde vão? Quantas permanecem? Por quanto tempo? E, finalmente, para quê? São perguntas ociosas, bem o sei, próprias de quem cumpre 86 anos. Ou talvez não tão ociosas assim se penso que meu avô Jerónimo, nas suas últimas horas, se foi despedir das árvores que havia plantado, abraçando-as e chorando porque sabia que não voltaria a vê-las. A lição é boa. Abraço-me pois às palavras que escrevi, desejo-lhes longa vida e recomeço a escrita no ponto em que tinha parado. Não há outra resposta.

( Texto enviado por Bárbara Lima (Brasil)


sábado, 19 de junho de 2010

-" Morreu José Saramago "

A Lusofonia está de luto e o Mundo está mais pobre.


sexta-feira, 18 de junho de 2010

Esta verdade...

http://recantodasletras.uol.com.br/audios/cronicas/31783

quarta-feira, 16 de junho de 2010

-" A redenção de António Barreto "

Fiquei agradavelmente surpreendido ao ler o artigo de António Barreto que a seguir transcrevo. É com satisfação que verifico que a posição pouco esclarecida e irresponsavel que ele, durante anos, teve em relação à descolonização, está agora a passar por um processo de esclarecimento e de redenção. Só que eu acredito muito pouco em coincidências e não posso deixar de considerar estranho que só agora António Barreto tenha tido conhecimento do livro ( editado em 2007 ) a que se refere e, coisa curiosa, só em Abril deste ano se lembrou de reclamar o julgamento de Rosa Coutinho e quejandos. Infelizmente, o "almirante vermelho" já não pode ser julgado na Terra e espero que as penas do inferno nunca lhe sejam leves.
Mas, António Barreto pode ainda fazer muito por esta causa ! ... Pode, por exemplo, reforçar tudo o que afirmou no seu discurso no Dia de Portugal ! ...
É que, entre os vivos, ainda há muitos responsáveis pela criminosa descolonização ! ...
O livro que Leonor Figueiredo escreveu com o título de "Ficheiros Secretos da Descolonização de Angola", revela mais alguns nomes de responsáveis que duvido que António Barreto desconheça. Só espero que, neste caso, não demore, também, três anos até ter conhecimento do livro.






Portugal País de homens sem HONRA e sem Vergonha que nunca julgou Rosa Coutinho e outros seus iguais.

domingo, 13 de Abril de 2008
"Angola é nossa !"

Holocausto em Angola' não é um livro de história. É um testemunho. O seu autor viu tudo, soube de tudo.
Só hoje me chegou às mãos um livro editado em 2007, Holocausto em Angola, da autoria de Américo Cardoso Botelho (Edições Vega). O subtítulo diz: 'Memórias de entre o cárcere e o cemitério'. O livro é surpreendente. Chocante. Para mim, foi.. E creio que o será para toda a gente, mesmo os que 'já sabiam'. Só o não será para os que sempre souberam tudo. O autor foi funcionário da Diamang, tendo chegado a Angola a 9 de Novembro de 1975, dois dias antes da proclamação da independência pelo MPLA. Passou três anos na cadeia, entre 1977 e 1980. Nunca foi julgado ou condenado. Aproveitou o papel dos maços de tabaco para tomar notas e escrever as memórias, que agora edita. Não é um livro de história, nem de análise política. É um testemunho. Ele viu tudo, soube de tudo. O que ali se lê é repugnante. Os assassínios, as prisões e a tortura que se praticaram até à independência, com a conivência, a cumplicidade, a ajuda e o incitamento das autoridades portuguesas. E os massacres, as torturas, as execuções e os assassinatos que se cometeram após a independência e que antecederam a guerra civil que viria a durar mais de vinte anos, fazendo centenas de milhares de mortos. O livro, de extensas 600 páginas, não pode ser resumido. Mas sobre ele algo se pode dizer.
O horror em Angola começou ainda durante a presença portuguesa. Em 1975, meses antes da independência, já se faziam 'julgamentos populares', perante a passividade das autoridades. Num caso relatado pelo autor, eram milhares os espectadores reunidos num estádio de futebol. Sete pessoas foram acusadas de crimes e traições, sumariamente julgadas, condenadas e executadas a tiro diante de toda a gente. As forças militares portuguesas e os serviços de ordem e segurança estavam ausentes. Ou presentes como espectadores.

A impotência ou a passividade cúmplice são uma coisa. A acção deliberada, outra. O que fizeram as autoridades portuguesas durante a transição foi crime de traição e crime contra a humanidade. O livro revela os actos do Alto-Comissário Almirante Rosa Coutinho, o modo como serviu o MPLA, tudo fez para derrotar os outros movimentos e se aliou explicitamente ao PCP, à União Soviética e a Cuba. Terá sido mesmo um dos autores dos planos de intervenção, em Angola, de dezenas de milhares de militares cubanos e de quantidades imensas de armamento soviético. O livro publica, em fac simile, uma carta do Alto-Comissário (em papel timbrado do antigo gabinete do Governador-geral) dirigida, em Dezembro de 1974, ao então Presidente do MPLA, Agostinho Neto, futuro presidente da República.
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(Ler o artigo completo e a carta do Alto-Comissário em Rosa-dos-Ventos Editor
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quinta-feira, 10 de junho de 2010

-" O Palácio de D. Ana Joaquina, em Luanda "

No ano passado, informaram-me que o Palácio de D. Ana Joaquina tinha sido demolido, o que, para mim, foi uma triste notícia, pois o edifício era dos mais emblemáticos de Luanda. Felizmente, recebi há dias o desmentido e a confirmação de que o Palácio continua de pé, depois de dura batalha que, para bem de Angola, foi ganha por entidades conscientes do valor histórico do espólio arquitetóneo de Luanda.

Anterior a 1755, esta majestosa residência da rua Direita, bem característica do barroco colonial português, foi propriedade de D. Ana Joaquina dos Santos Silva. Essa opulenta mestiça que viveu até quase aos cem anos e se finou numa viagem a Portugal, nos finais do séc. XIX, talvez tenha herdado o sobrado de seus pais.
Certo é que detinha um imenso poderio económico e grande peso político. Era proprietária de um chorudo negócio de escravos, duma verdadeira frota de navios e senhora de um império agrícola. Gozava de notória influência política junto de variadas tribos do interior, influência essa que se estendia até à Lunda, para Leste, e até ao Bailundo e Namibe, para Sul. A ela recorreram, várias vezes, os Governadores-Gerais para servir de medianeira em conflitos com potentados do sertão.
Um viajante italiano da época, Tito Omborri, refere-se-lhe assim na sua obra “ Viaggi nell’Africa Ocidentale “: -“ o seu poder apoia-se nos sobas mais poderosos e na vassalagem de todas as populações que a chamam de sua raínha, porque conhece as diferentes línguas e detém em sua casa o empóreo do seu comércio … é obedecida pelas tribos mais longínquas; ninguém ousa contrariar a sua vontade e o próprio Governo de Luanda acha-se sem força para a defrontar…”.
No interior chamavam-lhe “ Dembo Ulála “ e em Luanda era conhecida pela Baronesa do Bungo, já que a sua grande casa se situava no bairro do mesmo nome, que se estendia até á actual Estação do Caminho de Ferro.
O Palácio de D. Ana Joaquina é e terá sido a maior das “Casas-Grandes” de Luanda. O edifício, no seu conjunto, terá resultado da construção de uma nova ala entre as outras duas contíguas e já existentes anteriormente, sendo a mais antiga a do lado SW. Teve na sua frente um vasto terraço, que foi sacrificado cerca de 1950, pela necessidade de alargar a rua Direita. Correm lendas de subterrâneos que ligavam o casarão à praia, por onde sairiam, após a lei da abolição, os escravos que D.Ana Joaquina continuava a negociar clandestinamente.
Apesar de necessitado de urgente restauro, o edifício mantém a sua traça original, com excepção das balaustradas das sacadas, que já não são as de madeira, do séc. XVIII, mas as colocadas no séc.XIX, em ferro.

Texto compilado a partir da obra “Luanda de outros tempos” de José Almeida Santos.



terça-feira, 1 de junho de 2010

- "O Mundo sem engenheiros"

Sem engenheiros eletrotécnicos
Sem engenheiros mecânicos
Sem engenheiros civis
Sem engenheiros de telecomunicações
Sem engenheiros informáticos
Sem engenheiros aeronáuticos
Simplesmente sem engenheiros

Ahhh ... que sossegoooo ! ! ! !


Enviado pelo nosso prezado amigo "frlima"