ALTERAÇÃO DO ENDEREÇO

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

"O porquê do português ser a nova língua dos negócios"


Imagem que ilustra a capa desta edição da revista Monocle dedicada à 'Geração Lusofonia'

A revista internacional 'Monocle' dedica a edição de Outubro ao mundo lusófono e, passando por todos os países de língua portuguesa, propõe-se mostrar «o porquê de o português ser a nova língua do poder e dos negócios». Com o título 'Geração Lusofonia' e mais de dez artigos sobre política, economia, cultura e design em português, a última edição da revista mensal «diz 'olá' ao mundo», foca uma comunidade que «faz negócios com um ritmo único» e questiona se não será este o momento de «libertar o [seu] enorme potencial». «Sentimos que o mundo lusófono é muitas vezes ignorado pelos outros (...) e era altura de alguém reparar», disse à Lusa o editor de internacional da revista, Steve Bloomfield, que assina o artigo de abertura da edição de Outubro. Uma entrevista com o ministro das Relações Exteriores brasileiro, António Patriota, uma reportagem no atelier de Álvaro Siza Vieira no Porto, um artigo sobre os portugueses que estão a trocar Lisboa por Luanda e outro sobre a arquitectura portuguesa de Maputo são apenas alguns dos temas em destaque. Nas páginas da revista há ainda espaço para questionar se não será tempo de reconhecer o potencial dos Açores, já que «Portugal não sabe o que fazer com ele», e para contar como a «melhor cortiça do mundo» fornece produtores de vinho «icónicos», designers de moda e até a NASA. Descreve a rivalidade entre Rio de Janeiro e São Paulo nas telenovelas, enumera as 20 melhores estrelas de língua portuguesa, revela o segredo dos centros comerciais de São Paulo e descreve negócios que vão das antigas conservas de peixe portuguesas às brasileiras ‘Havaianas’. «Não fomos a todos, mas escrevemos sobre cada um dos países lusófonos e ainda sobre comunidades» na diáspora, como as de Goa, Macau e França, explicou Bloomfield. Embora Portugal tenha «problemas económicos sérios» neste momento, a comunidade lusófona inclui «países que estão a crescer economicamente e onde estão a acontecer coisas fantásticas», lembrou. O jornalista, que esteve em Lisboa e visitou a sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), reconheceu que já há tentativas de juntar os países para trabalharem juntos e que «algum do trabalho da CPLP é fascinante e incrivelmente ambicioso», mas defendeu que ainda há oportunidades a explorar. «A maior vantagem que vocês têm é que toda a gente adora os brasileiros e os portugueses. Têm muita empatia [soft power], são populares em todo o mundo e podem mesmo tirar partido dessa boa vontade», afirmou. Antecipando que a comunidade poderá vir a ser muito influente no mundo, o editor aguarda com expectativa os próximos desenvolvimentos. «Vamos ver o que acontece no Brasil com o mundial e os Jogos Olímpicos - isso será uma enorme oportunidade para os outros países lusófonos se promoverem -; vamos ver o que acontece com a recuperação económica portuguesa (...) e vamos ver se Angola se torna uma verdadeira democracia aberta». No artigo de abertura, Bloomfield citou o chefe da diplomacia brasileira quando diz que «há muitas histórias positivas a sair do mundo lusófono» e deixou um desafio: «É hora de o resto do mundo começar a aprender um pouco de português».

Lusa/SOL

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

-" O « melhor recanto de Espanha » é português ! ..."

( Leitores: 1.245 )

"O Melhor Recanto de Espanha 2012" é um monumento português. A Igreja de Santa Maria Madalena, em Olivença, arrebatou o 1.º lugar numa votação online, mas a distinção reacende as dúvidas sobre a perda do território.



A igreja de Santa Maria Madalena, em Olivença, monumento do séc.XVI em estilo manuelino

















A Igreja de Santa Maria Madalena, em Olivença, único lugar de culto espanhol de estilo manuelino, foi eleita "O Melhor Recanto de Espanha 2012" num passatempo promovido pela Repsol. A votação decorreu na Internet e os resultados da final foram divulgados ontem à noite.
Datada do início do século XVI, a igreja destronou a Lagoa da Cigana (Castilla La Mancha), que ficou em 2.º lugar, e o Forau de Aiguallut (Aragão), o terceiro mais votado.
Rica em azulejos e em motivos decorativos marítimos que remetem para a época dos Descobrimentos portugueses, a Igreja de Santa Maria Madalena (Extremadura) é visitada diariamente por centenas de turistas.
A votação volta a trazer à atualidade uma questão antiga em relação a Olivença. A localidade foi anexada por Espanha em 1801, mas Portugal não aceitou de bom grado a perda do território, o que ainda se mantém. A eleição foi hoje considerada pelo presidente da Associação Amigos de Olivença "um paradoxo" que deve levar à devolução da região ao território português.
"Eu, como presidente da Associação Amigos de Olivença, considero que o desenrolar deste concurso repousa sobre um grande paradoxo inicial: que a Estremadura espanhola tenha como símbolo seu a Igreja de Olivença, uma igreja tipicamente portuguesa, uma jóia da arquitetura portuguesa do século XVI que é a segunda igreja mais representativa do estilo manuelino a seguir ao mosteiro dos Jerónimos", afirmou à Lusa Fernando Castanhinha.

Vitória graças "ao esforço da população oliventina"

"Depois de 200 anos de ocupação espanhola de Olivença, de alienação cultural, de tentativa de apagar a língua portuguesa, é paradoxal que o representante deste concurso espanhol seja uma obra tipicamente portuguesa, que não tem absolutamente nada de espanhol", disse.
A vitória no concurso é atribuída pelo presidente desta associação ao "esforço da população oliventina" como forma de "reforçar a sua visibilidade dentro do Estado espanhol", mas Fernando Castanhinha acha que isso deve provocar uma reação do Estado português.
"Mais do que ficarmos todos contentes por a Igreja de Olivença se tornar símbolo de Espanha, o que temos de exigir é que, já que o território de Olivença é considerado pelo Estado português e por uma parte da opinião pública como um território ilegalmente ocupado por Espanha, que seja devolvido.
Ainda na fase em que decorriam as votações, o presidente do Ayuntamineto de Olivenza, Bernardino Píriz, mostrou-se satisfeito com a projeção que Olivença estava a conquistar, por considerar que , em caso de vitória, a distinção valer uma referência a Olivença no "Guia Repsol", situação que Bernardino Píriz considerou "equivaler a uma estrela do Guia Michellin".
Lusa

sábado, 8 de setembro de 2012

-"AQUELE ABRAÇO": Ano Portugal - Brasil / Brasil - Portugal

( Leitores: 1.935 )

Até Junho, aquele abraço: É ano de Portugal no Brasil e ano do Brasil em Portugal


Um concerto com estrelas dos dois lados do Atlântico, Mariza e Roberta Sá, em Brasília, abre oficialmente, esta sexta-feira, um “abraço” que vai prolongar-se até Junho de 2013. Celebra-se o Ano de Portugal no Brasil e o Ano do Brasil em Portugal com eventos mil.

O Ano de Portugal no Brasil, arranca já esta sexta-feira, Dia da Independência brasileira, com uma cerimónia oficial em Brasília (no Teatro Nacional Cláudio Santoro), em que participa o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, e um espectáculo que junta estrelas dos dois lados do Atlântico, Mariza e Roberta Sá, acompanhadas pela Orquestra Sinfónica Nacional.
As programações culturais vão decorrer em simultâneo nos dois países, estando prevista a apresentação de eventos em mais de 30 cidades brasileiras, cobrindo todas as regiões do país. Quando Miguel Horta e Costa, comissário-geral das comemorações do Ano de Portugal no Brasil, apresentou o evento, em linhas gerais, em Lisboa, em Julho, anunciou que o lema da representação nacional é "Portugal Agora", centrando-se na modernidade e na inovação, nas áreas da cultura, economia e desenvolvimento empresarial, na tecnologia, ciência, educação e desporto.

Já a organização do Ano do Brasil em Portugal - numa programação repleta de música, teatro, exposições ou gastronomia - quer levar o público a uma viagem pelas diversas manifestações da cultura brasileira, e para além das grandes cidades. O ano verde e amarelo por terras lusas terá o seu primeiro grande momento popular nos espectáculos de abertura, dias 22 e 23 de Setembro, no Terreiro do Paço, em Lisboa: o primeiro dia será marcado pelos concertos de Ney Matogrosso e do Monobloco. O "abraço" musical prossegue dia 23 com os portugueses Carminho, Paulo Gonzo e BOSS AC e os brasileiros Martinho da Vila, Zeca Baleiro e Zé Ricardo, que cantarão o repertório próprio e algumas músicas em conjunto.

Portugal @ Brasil

O Portugal contemporâneo vai dar-se a conhecer através de centenas de artistas das áreas da música, artes plásticas, dança, cinema, artes performativas, fotografia, arquitectura e design. Lema do projecto: "Portugal Agora".
Depois de Brasília, outras cidades receberão espectáculos de abertura nos próximos dias: a 9, em Belo Horizonte, Mariza junta-se a Milton Nascimento; no Rio, dia 12, o "show" repete-se, seguindo-se apresentações cariocas dos The Gift dias 14 e 15.
O programa cultural luso inclui ainda digressões da orquestra da Gulbenkian pelo Brasil (São Paulo e Rio de Janeiro) ou da Companhia Nacional de Bailado (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador).
Nas artes plásticas, serão realizadas exposições de pintura de Maria Helena Vieira da Silva e de escultura de Rui Chafes, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e uma exposição de pintura, desenho e obra cerâmica dos irmãos Columbano e Rafael Bordalo Pinheiro, no Museu Nacional de Belas Artes, na mesma cidade. Vão também realizar-se exposições de Vasco Araújo e Joana Vasconcelos e, na área do design, uma dedicada ao trabalho de Fernando Brízio.
No Festival de Cinema do Rio de Janeiro, serão exibidos o filme "Tabu", de Miguel Gomes, uma retrospectiva de João Pedro Rodrigues e um programa de curtas-metragens de Manoel de Oliveira. Na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo será a vez da exibição do novo filme de Manoel de Oliveira, "O Gebo e a Sombra", e de filmes de jovens realizadores portugueses como João Salaviza, Gonçalo Tocha e Gabriel Abrantes, recentemente premiados com o Leopardo de Ouro, o Urso de Ouro e a Palma de Ouro.

Fonte: Lusa



quinta-feira, 30 de agosto de 2012

-"Os países da CPLP e os dialetos crioulos lusófonos"

Este vídeo só apresenta imagens dos países que têm o português como língua oficial, mas não nos esqueçamos que a língua portuguesa também está presente em dialetos crioulos espalhados por todo o mundo.
Em África: na Guiné Equatorial, em Casamansa, nas ilhas de Fernando Pó e Ano Bom, em Zanzibar, Mombaça e Melinde;
Na Índia: em Goa, Diu, Damão, Nagar Aveli, Bombaim, Korlai, Quilom, Mangalor, Tellichrry, Cochim, Vaipim, Bengala e na Costa de Coromandel;
No Sri-Lanka ( antigo Ceilão ): em Trincomalee, em Batticaloa, em Mannar e em Puttallam;
Na Malásia: em Malaca e Kuala Lumpur e o papiá kristang em Singapura;
Na Indonésia: nas ilhas de Java, Flores, Ternate, Ambom e Macassar;
Na China: o patuá de Macau e Hong-Kong;
Na América: em Suriname e em Curaçau, Aruba e Bonaire, nas Antilhas.


sábado, 18 de agosto de 2012

-"São Luís do Maranhão"

O meu amigo Canojones, encontrou nos seus arquivos o excelente artigo que se segue e teve a amabilidade de mo enviar com a seguinte mensagem:

"Pelo seu valor de clarividência histórica, reencaminho mensagem dum amigo brasileiro descendente de portugueses açorianos - um lutador pela reposição da Verdade Histórica, um pouco (?) arredada dos manuais brasileiros."

São Luís

O caderno Turismo da Folha de S. Paulo de 5/1/98 publica uma reportagem da Agência Folha de São Luís sobre a capital do Maranhão. No breve retrospecto histórico (6 cm de coluna), o jornalista diz que São Luís é a única capital brasileira fundada pelos  franceses, que queriam criar "a França Equinocial, um pedaço da França nos trópicos" e que "só que, para infelicidade de muitos maranhenses, os franceses foram expulsos pelos portugueses em 1615."
Em poucas linhas, o jornalista demonstra a ausência de auto-estima nacional pela nossa origem. Como, infelizmente, isso não é privilégio dele, é preciso contestar e protestar.

A presença dos franceses no Brasil, como corsários, começou no início do século XVI. Em 1555, o almirante Nicolau Durand de Villegagnon, com 600 homens, pretende fundar a França Antártica. Instala-se na baía de Guanabara, e funda o forte Coligny de onde foi expulso pelos portugueses (Estácio de Sá) em 1567, doze anos depois. (Estácio de Sá só fundou o Rio de Janeiro em 1565). Diríamos, por isso, que o Rio de Janeiro foi fundado pelos franceses?

Entre 1574 e 1585 os franceses seinstalaram na Paraíba. Expulsos, foram para o Rio Grande do Norte, de ondeforam expulsos por Jerônimo de Albuquerque em 1599. Os francesesnão desistem e vão para o Maranhão onde, em 1594, já haviam estado Charles des Vaux e Jacques Riffault.
Sua presença no Maranhão durou apenas três anos (8/9/1612—3/11/1615) e deles só ficou mesmo o nome de São Luís dado à cidade e que foi preservado pelos portugueses talvez por se referir a um santo católico, embora rei de França. Não há nada a lamentar na sua expulsão. Pelo contrário, graças ao esforço luso em manter  este enorme território é que temos hoje o Brasil íntegro. Só temos que nos orgulhar e louvar o esforço e a tenacidade de figuras como a de Jerônimo de Albuquerque Maranhão — o mameluco — de seu pai, Jerônimo de Albuquerque e de Alexandre de Moura, entre outros.
Vale a pena ler a história da época da colonização do Brasil.

                                                                      Roldão Simas Filho
                                                             Brasília, 6 de janeiro de 1998


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

-"Eu já nasci na Comunidade Europeia"

Por: Pedro Norton

E das ruínas surgiram edifícios imponentes... é cíclico, sem dúvida, é cíclico. Sendo que nada é para sempre, os resultados evolutivos saídos dos momentos de crise também não o são - mas escusavam de durar tão pouco. Geopolítica, sonhos antigos de líderes europeus, constrangimentos resultantes da guerra, ampliação do mercado? Seja o que for que levou a Europa a unir-se, o que interessa agora é que de facto aconteceu. Mas mais do que isso, importa ainda discutir se aconteceu da melhor forma. Urge perceber se não estamos a caminhar embriagados, já esquecidos do que nos trouxe até aqui. Bêbados com a crise, vemos mais depressa o fim do que o início; já ninguém se lembra, ou sequer pensa, no porquê de estarmos onde estamos Eu já nasci na comunidade europeia. Não sei, por experiência própria, como as coisas eram dantes. Só estudando história percebi o orgulho que representava fazer parte deste novo mundo. E que orgulho! Vejam só quantas nações e culturas diferentes, quantas estrelas em círculo…uma integração sem precedentes. Juntar nações tão fortes, tão próprias num mesmo projecto é de arrepiar...

Mas o tempo passa e o sonho desvanece... Sei, e agora por experiência própria, que os valores implícitos na bandeira estrelada não se cumprem. Nem mesmo em 2012, nem mesmo em Guimarães, símbolo deste ano do respeito pela diversidade cultural. Deixem que vos conte um episódio que por lá se passou, que mostra bem o estado actual (se é que não foi sempre assim) das coisas:  
…Estive numa conferência dedicada ao financiamento da cultura e das artes com a comissária europeia da cultura e educação Androulla Vassiliou. A Senhora foi presenteada - e muito bem - com auscultadores, através dos quais receberia a tradução de tudo quanto fosse dito em português. A restante mesa era constituída somente por portugueses, pelo que seria a única a necessitar do equipamento. E não é que foram parar às mãos erradas?! Foi a única, afinal, que não precisou de tradução, sendo que toda a mesa falou em inglês. Em alguns dos casos horrivelmente até - queriam falar mas não sabiam bem como. Foi tão absurdo, que houve gente a sair suspirando de indignação por não falar a língua e consequentemente não perceber nada do que se estava a passar. Mas o mais vergonhoso foi constatar que até a palavra "Guimarães" era dita com sotaque!!... Será que ao falarmos com os nossos parceiros europeus não podemos sequer manter a fonética original das palavras que são portuguesas?! Cambada de bajuladores! Nunca, que me lembre, foi requisito para o acesso às instituições europeias falar uma língua estrangeira. Já nos basta o profundo desconhecimento que há em relação à sua existência, à sua razão de ser.

Depois, temos a crise.. também não sei bem porque aconteceu, nem porque vai e vem. Em ciclos, bate-nos à porta. Depois desta confusão toda, só sei que temos uma Alemanha arrependida, agarrada de forma compulsiva aos medicamentos e uma Grécia muito doente, prestes a abater. Quem tem culpa, segundo os entendidos em saúde financeira e política é a doente, porque não controla as suas fronteiras, porque não consegue pagar as suas contas. Portanto, mais vale ponderar remove-la da cooperação e quem sabe - até porque já se discute em sede de parlamento europeu - controlar de novos as fronteiras, impedindo a emigração desmedida... Deram-nos armas que não sabemos usar. Se viesse agora uma guerra quantos de nós saberiam disparar um tiro? Esta geração, que se diz à rasca, já não sabe usar armas, mas será que sabe usar outras coisas? Ninguém nos ensinou a disparar é verdade, mas também não foi preciso. No entanto, não nos ensinaram a combater crises financeiras e ela caiu-nos no colo com uma força esmagadora. Não ensinaram também os jovens da altura a lidar com um tratado cooperativo desta envergadura, apenas se dizendo pelas ruas que vinha aí muito dinheiro...Deixamos todos de nos preocupar - que nem guerreiros que engordam de não ter nada para combater. Em vez de treinarmos para as eventualidades, ficamos gordos e pesados e agora custa-nos muito mexer. Principalmente aos mais velhos. E agora Europa? Será este o anúncio do fim?... Quanto a nós guerreiros, abramos os olhos! O inimigo está em todo o lado! Principalmente naqueles, que apesar dos dias que correm, continuam a não querer fazer nada. Continuam a brincar às empresas, continuam a brincar à cultura e à arte - hoje em dia tudo serve - continuam a saltar de fronteira invisível em fronteira invisível agarrando-se à segurança social alheia.

Há que meter ordem nisto, de facto há. Só tenho pena é que haja tantos interessados em simplesmente recuar 55 anos e começar tudo de novo. Ou provavelmente , não começar de todo.


terça-feira, 31 de julho de 2012

-"Cabo Verde e a Lusofonia"

Novo presidente de Cabo Verde apoia promoção da língua portuguesa
Por Mônica Villela Grayley
Rádio ONU em NY

O novo presidente de Cabo Verde afirmou que o português continuará sendo a língua oficial de seu país mesmo com esforços para aumentar a afirmação do crioulo, considerado língua materna pelos cabo-verdianos.
Nesta primeira entrevista à Rádio ONU, da Cidade da Praia, Jorge Carlos Fonseca disse que o português é um instrumento importante de relação com os demais integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP.
“A língua portuguesa é a nossa língua oficial portanto independentemente do futuro da língua cabo-verdiana ou do crioulo. A minha ideia é de que a língua portuguesa é uma língua nossa. Tanto nossa como é dos portugueses, dos brasileiros ou dos angolanos. Não creio que seja pensável deixarmos de ter a língua portuguesa como língua oficial. Isso é um cimento importante nas relações entre os países e povos que integram hoje a CPLP”.
Segundo o novo presidente, Cabo Verde está realizando esforços, previstos na Constituição, para afirmar ainda mais o crioulo cabo-verdiano.
O país também abriga o Instituto Internacional de Língua Portuguesa, IILP, que ajuda a coordenar dentro da CPLP ações de políticas da língua nos oito países que falam o português.

CPLP: Livre circulação

O presidente eleito de Cabo Verde afirmou ainda que está pronto para promover a livre circulação de pessoas entre os oito países que falam a língua portuguesa.
Desde a vitória nas eleições, Jorge Carlos Fonseca afirmou que apesar, de difícil, a ideia “não é uma utopia”.
“Se nós não formos capazes com vontade política e imaginação de encontrar, a prazo, condições para a livre circulação, eu creio que teremos falhado como pessoas que querem, patrocinam e desejam uma verdadeira comunidade de povos de língua portuguesa. Portanto, é preciso trabalhar neste sentido. Eu estou disponível para trabalhar. Eu sei que não é fácil. Mas se houver motivação. Há um problema também com a motivação dos Estados. Qualquer um de nós, países da CPLP, pode dar mais para a CPLP e para sua afirmação no plano internacional”, afirmou.

Criada em 1996, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, reúne atualmente as oito nações que falam o idioma. O principal objetivo do bloco é a concertação político-diplomática, além da promoção da língua portuguesa.
A comunidade lusófona reúne cerca de 245 milhões de pessoas que falam português como primeira língua das Américas à Ásia.


sábado, 28 de julho de 2012

-"Comentários a «Carta-aberta ao Brasil»

De todos os comentários feitos ao artigo « Carta-aberta ao Brasil » que antecede este, destaquei os que se seguem por serem os mais interessantes e inteligentes.

mythabons (seguir utilizador), 1 ponto , hoje às 16:54 Como brasileiro que vive em Portugal há mais de 8 anos, posso dizer que o que existe basicamente da parte dos brasileiros pelos portugueses é desconhecimento. E a recíproca é verdadeira.
Dos dois "lados" vejo ignorantes LUTANDO para serem extremamente diferentes, quando de fato há MUITO mais que nos une do que o que nos afasta. Somos muito parecidos, de fato, quer os ignorantes de um "lado" ou do outro se mordam por isso.
Quando a crónica, estritamente, tem um leve tom de ironia (que considero justo, dentro de um contexto "fechado"), mas peca quando tenta "abarcar" todos os portugueses. Infelizmente não é assim. Para comprovar isto, basta percorrer as páginas de quaquer jornal online onde seja citado o nome do Brasil, seja lá pelo que for.
Obviamente não será numa crónica, e muito menos nos comentários dela que será possível definir essa relação de "amor e ódio" entre os dois países, as duas culturas. Apenas quis dizer que sim, o Brasil/brasileiros desconhece(m) Portugal, de uma maneira geral e o mesmo se passa na via inversa.
De uma maneira geral, pude muitas vezes confirmar o que está escrito na crónica, mas em outras tantas, infelizmente não.
Pessoalmente, escolho viver focado na parte boa da vida, das coisas que me rodeiam, e sim, os portugueses não são tão caretas (nem de longe) quanto parecem. Mas, como disse o amigo acima, nós também não somos tão malandros/putas, quanto se quer fazer parecer...


cidade (seguir utilizador), 1 ponto , hoje às 17:44 Portugal, ou melhor, José Luís Peixoto, provavelmente também não vá ler estas palavras, uma vez que sou somente mais um "brazuca" que imigrou para a sua linda tera, Portugal. Terra de nossos ancestrais, terra de tantos avós, bisavós, irmãos, sobrinhos, primos, tios e muito mais.Terra que amamos e que nos deu esta linda língua portuguesa da qual tanto nos orgulhamos apesar da pequena diferença do uso dos "cês", dos "pês" e "enes", também. Não deixemos os "enes" de fora para que não fiquem "desolées".
Portugal não possui dimensões continentais, é certo, mas possui uma cara linda, praias maravilhosas, rios fantásticos, arquitetura de grande beleza, portuguesas e portugueses de belos corpos e belas caras, e culinária.... ah! nem se fala. Dona de fartos sabores.
Saiba, caro José Luís, que não os consideramos caretas e eu, particularmente, não tomo este seu texto como intempestivo, uma vez que acredito no livre pensar e na liberdade que os povos, todos os povos, deveriam ter, de expor sua forma de ver o mundo e as pessoas. E que Portugal tem, graças a Deus.
Se fossem todos padeiros, garanto que o mundo inteiro estaria muito bem servido, pois o pão português é dos melhores que conheço e já saboreei, portanto... sentido faria, sim, mas ainda bem que são um povo em nítida, clara expensão cultural, social e profissional.


segunda-feira, 23 de julho de 2012

-"Carta aberta ao Brasil"

Todos os amores são assim ! ...

Há algum tempo atrás, recebi o seguinte comentário ao texto "Felizmente nem todos os brasileiros pensam assim" que publiquei neste blogue:

"Anónimo
 -  "  Pelo amor de Deus vãi viver a vida de vocês e esqucem de nós, graças a Deus aqui no BR não se fala nada de PT, e nem de vocês porque não gostamos de vocês

Curiosamente, há dias, a revista "Visão" publicou o seguinte artigo:



"Carta Aberta ao Brasil

  José Luís Peixoto

 Brasil, eu sei que, muito provavelmente, não vais ler estas palavras. Eu não sou sequer um país pequeno, nem sequer uma região, só apenas um português, sou 1:10.000.000, mais ou menos; e tu és quase um continente, colorido com Estados de várias cores nos livros de geografia, com muito mais para fazer do que ler tudo o que qualquer indivíduo espontâneo te queira escrever. Não faz mal, eu compreendo, estas palavras breves, apesar de serem dirigidas a ti são também para mim. Ficam ditas.
Nós não somos tão caretas assim. Desculpa esta frase intempestiva, descontextualizada, mas não sabia bem como começar. Mas é isto, nós não somos tão caretas assim, garanto-te. Já te disse que sou português, é nessa qualidade que te dou esta garantia. Por exemplo, nós não somos todos padeiros. Já imaginaste um país em que todos os habitantes fossem padeiros? Se pensares um pouco, tenho a certeza de que concordarás que não é razoável, não faria qualquer espécie de sentido. Que conversas teriam essas pessoas ao jantar? Outro exemplo: nós já não estamos no tempo dos descobrimentos. Desde então, tomámos uma grande quantidade de decisões e fizemos um número impressionante de coisas, umas boas e outras más. Eu também concordo que, por um dia ou dois, seria interessante vivermos em castelos, vestidos de duques e duquesas, a caçarmos javalis, a declamarmos odes com tom grave e a escandalizarmo-nos com as intrigas da corte. Mas acredito que, ao fim de pouco tempo, havíamos de nos cansar. As comodidades do mundo moderno são hoje difíceis de prescindir.
Aproveitando esta carta, chamo-te a atenção para a consideração que mostramos para contigo. De certeza que já notaste como uma grande parte dos meus compatriotas, assim que aterram em ti, ficam doidões. No entusiasmo deles, hás-de reparar que ganhas sempre na comparação com este pedaço de península. Quando aterram em ti, falam de uma maneira que até dá a impressão que estavam aqui presos e que eram maltratados. Muitos começam logo a falar com a tua pronúncia e, claro, a tratar toda a gente por você. Até eu, que não sou um país, presenciei isto muitas vezes, por isso acredito que sabes do que estou a falar. Espero que os compreendas, querem agradar-te e, normalmente, conseguem. Brasil, tu adoras que te elogiem, mesmo que seja falar por falar, papo furado. Mas, sabes, no caso desses meus compatriotas, é quase sempre sincero. Em Portugal, sem termos sertão, temos duplas sertanejas.
Por ti, até mudámos a nossa forma de escrever. Colocámos no desemprego uma enorme quantidade de letras "c" que, noutro tempo, no tempo das escolas profissionais, se especializaram em segurar o "t". E olha que havia um grande número de indivíduos que tinham muita estima nesse "c". Mas, adiante, não se fala mais nisso. O que quero que saibas é que nós gostamos de ti, muito. Gostamos sobretudo daquilo que conhecemos através de telenovelas e de canções. Sabemos das favelas, dos sequestros, mas de forma teórica. Ao contrário de ti, Brasil, nós não nos cruzamos na rua com esses meninos a cheirarem cola ou outras drogas. Antes de chegarmos aí, não conhecemos esse olhar sem futuro que toda a gente expulsa dos pensamentos, esse corpo baixinho e sujo que toda a gente contorna nos passeios da Avenida Paulista.
Acredita, Brasil, nós não somos tão caretas assim. Talvez não saibas mas, às vezes, em certas ocasiões, até nos chamam o "Brasil da Europa". Acontece quando falam de futebol ou de praias, por exemplo. Nós gostamos quando nos chamam assim porque achamos que é uma forma de nos acharem divertidos e descontraídos. Estou a falar a sério. Acredita, por favor. Irias ficar admirado se soubesses o quanto somos considerados descontraídos pelos suecos. Brasil, proponho-te um exercício. Não precisas de responder em voz alta, guarda a resposta para ti, mas pensa: o que sentirias se alguém te chamasse o "Portugal da América do Sul"?
E, já que estou em maré de pedidos: para com essas piadas de portugueses, por favor. Não têm graça nenhuma. A sério, não têm graça. Eu, por acaso, até conheço pessoalmente as personagens dessas piadas. Tanto o Manuel, como o Joaquim, como a Maria, com ou sem bigode, são figuras que vale a pena conhecer. Quando estão inspirados, têm muito mais graça do que o Jô Soares."

Fonte: revista "Visão"
Nota:  este artigo foi alvo de comentários que só publicarei dentro de dias, para esta mensagem não ficar demasiado extensa; mas não os percam porque merecem ser lidos ! 

sexta-feira, 20 de julho de 2012

-"Morreu JOSÉ HERMANO SARAIVA"

PORTUGAL ESTÁ MAIS POBRE !

Perdeu um grande historiador, um político, um diplomata e um dos maiores comunicadores portugueses da atualidade. Partiu fisicamente mas continuará a viver na sua obra e na recordação dos belos momentos que nos proporcionou.







quinta-feira, 12 de julho de 2012

-"Mundo lusófono pode ser potência global"

Durante um jantar com empresários num hotel do Rio de  Janeiro,  o  primeiro-ministro  português  considerou  que
"o mundo lusófono tem tudo para se constituir uma potência global e afirmou haver entusiasmo dos presidentes do Brasil, Angola e Moçambique com a ideia de uma “aliança de prosperidade recíproca”.
Imaginem só o potencial humano, empresarial, político, económico, social e cultural que temos aqui em reserva. Tive, por isso, oportunidade, há alguns meses já de falar, com a presidente Dilma, com o presidente Eduardo dos Santos, com o presidente Guebuza, entre outros, e todos nós, entusiasmados, concordamos sobre as inúmeras vantagens de estabelecer uma aliança de prosperidade recíproca para os nossos empresários e cidadãos, assente numa sólida relação política, social e empresarial.
Os países de língua portuguesa têm disponibilidade de capitais, de recursos, de conhecimentos técnicos e humanos únicos em muitos setores de atividade, ou seja, têm todos os ingredientes para construírem um “grande mercado”.
Passos Coelho apontou ainda que cada país lusófono “é uma porta de entrada para uma comunidade maior” e defendeu que, tendo os portugueses sido “pioneiros da globalização”, não faz sentido que desperdicem “os maiores proveitos da atual globalização”.
Em particular quanto às relações com o Brasil, o primeiro-ministro advogou que está sendo construída “uma verdadeira aliança estratégica”, assinalando que escolheu o Brasil para a sua primeira visita fora da Europa, assim como Dilma Rousseff escolheu Portugal para a sua primeira visita fora do continente americano.".
Fonte: Lusa

terça-feira, 3 de julho de 2012

-"Unesco declara Rio como Patrimônio Cultural da Humanidade

Parabéns Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro foi escolhido no domingo, 1º de julho, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), como Patrimônio Cultural da Humanidade. Com isto, a cidade se torna a primeira do mundo a deter o título na categoria Paisagem Cultural.A escolha se deu durante a 36ª Reunião do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco (36ª WHC), que ocorreem São Petersburgo, na Rússia.
O discurso de apresentação da candidatura do Rio a Patrimônio da Humanidade foi feito, em português, pela ministra da Cultura, Ana de Hollanda, que encontra-seem São Petersburgo, acompanhada do presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Luiz Fernando de Almeida.
Compõem, atualmente, o Comitê da Unesco, as delegações da Argélia, do Camboja, da Colômbia, Estônia, Etiópia, França, Alemanha, Índia, do Iraque, Japão, da Malásia, do Mali, México, Catar, da Rússia, do Senegal, da Sérvia, África do Sul, Suíça, Tailândia e dos Emirados Árabes Unidos.A candidatura do Rio de Janeiro está inscrita na categoria Paisagem Cultural e foi entregue em setembro de 2009 à Unesco. Nela, consta um dossiê completo da candidatura, justificando sua importância e seu valor universal, que está, principalmente, na soma da beleza natural da cidade com a intervenção humana. Em janeiro do ano passado, o Centro do Patrimônio Mundial da Unesco, sediado em Paris, decidiu pela inclusão da candidatura do Rio de Janeiro na agenda da 36ª WHC.
Ao justificar a candidatura do Rio, o Iphan lembra que a cidade é reconhecida como uma das cidades mais belas do mundo e encontra na relação entre homem e natureza a âncora para a sua candidatura. O instituto também destaca os ícones da beleza natural da cidade como o Pão de Açúcar e a entrada da Baía de Guanabara.
A primeira cidade do mundo
Belezas naturais e harmonia com o homem fizeram do Rio a primeira cidade do mundo a receber o título de Patrimônio Mundial como Paisagem Cultural, concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).Por meio da assessoria de imprensa do Iphan, Ana de Hollanda declarou que “o resultado é consequência de um estudo minucioso em que se avaliou a forma criativa com que o habitante se adaptou à topografia excepcionalmente bela e irregular da cidade, inventando modos inéditos de usufruir a vida”.
De acordo com o Iphan, a partir de agora, os locais da cidade valorizados com o título da Unesco serão alvo de ações integradas visando à preservação de sua paisagem cultural. São eles o Pão de Açúcar, o Corcovado, a Floresta da Tijuca, o Aterro do Flamengo, o Jardim Botânico e a famosa Praia de Copacabana, além da entrada da Baía de Guanabara. Os bens cariocas que agora são patrimônio mundial incluem ainda o Forte e o Morro do Leme, o Forte de Copacabana e o Arpoador, o Parque do Flamengo e a Enseada de Botafogo.
Em setembro de 2009, o Iphan entregou à Unesco o dossiê completo da candidatura do Rio, justificando seu valor universal pela interação da sua beleza natural com a intervenção humana.
O conceito de paisagem cultural foi adotado pela agência das Nações Unidas em 1992 e incorporado como uma nova tipologia de reconhecimento dos bens culturais, conforme a Convenção de 1972, que instituiu a Lista do Patrimônio Mundial.
Até o momento, os sítios reconhecidos mundialmente como paisagem cultural relacionavam-se a áreas rurais, a sistemas agrícolas tradicionais, a jardins históricos e a outros locais de cunho simbólico, religioso e afetivo. “O reconhecimento do Rio de Janeiro culminará uma nova visão e abordagem sobre os bens culturais inscritos na Lista do Patrimônio Mundial”, avalia o Iphan.
O Brasil tem, além do Rio, 18 bens culturais e naturais na lista de 911 bens reconhecidos pela Unesco. Eis a lista:
Culturais
- Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Ouro Preto, Minas Gerais (1980)
- Centro Histórico de Olinda, Pernambuco (1982)
- Ruínas de São Miguel das Missões, Rio Grande do Sul (1983)
- Santuário do Bom Jesus de Matosinhos em Congonhas, Minas (1985)
- Centro Histórico de Salvador, Bahia (1985)
- Conjunto Urbanístico de Brasília, Distrito Federal (1987)
- Centro Histórico de São Luís, Maranhão (1997)
- Centro Histórico de Diamantina, Minas (1999)
- Centro Histórico de Goiás, Goiás (2001)
- Praça de São Francisco em São Cristovão, Sergipe (2010)

Naturais
- Parque Nacional do Iguaçu, Paraná (1986)
- Costa do Descobrimento, Bahia e Espírito Santo (1997)
- Parque Nacional Serra da Capivara, Piauí (1998)
- Reserva Mata Atlântica, São Paulo e Paraná (1999)
- Parque Nacional do Jaú, Amazonas (2000)
- Pantanal Mato-Grossense, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (2000)
- Reservas do Cerrado: Parque Nacional dos Veadeiros e das Emas, Goiás (2001)
- Parque Nacional de Fernando de Noronha, Pernambuco

Fonte: Mundo Lusíada (Brasil)

quinta-feira, 28 de junho de 2012

-"A ditadura do Capital"

"Austeridade a mais pode "repetir" o que se passou na Alemanha pré-nazi

Quem o diz é Ewald Nowotny, governador do Banco da Áustria e membro do conselho de governadores do BCE, que traça um paralelo com as políticas de austeridade na Alemanha no começo dos anos 30, ambiente que facilitou a chegada ao poder de Adolfo Hitler.

Surpreendentemente, um membro do conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE) alerta para os perigos de políticas de excessiva austeridade fazendo um paralelo histórico com o que se passou na Alemanha no princípio dos anos 1930, depois da eclosão da Grande Depressão nos Estados Unidos.
Numa conferência, Nowotny recordou que as políticas de austeridade excessivas seguidas pelo então chanceler Heinrich Bruning, um especialista em finanças, na parte final da República de Weimar, produziram uma situação de crise profunda, desemprego em massa, e agravamento da situação política interna que criou as condições para a subida do nazismo ao poder.
O filme desta degradação política durou pouco mais de dois anos, e pode-se resumir da seguinte forma:
Em março de 1930, o presidente Paul von Hindenburg nomeou Bruning chanceler, mesmo sem maioria parlamentar de apoio, passando a governar por decretos de emergência, nomeadamente aplicando uma receita de austeridade extrema, no meio de uma Grande Depressão então global. Desemprego em massa criando franjas de miséria, empobrecimento da classe média com radicalização política de diversos segmentos, movimentos nos grandes grupos empresariais e financeiros e grande turbulência política levaram à queda de Bruning em maio de 1932.
A partir dessa altura sucederam-se vários governos e duas eleições legislativas nesse ano, em julho e novembro, em que o partido de Hitler se afirma como principal força política, com mais de 30% de votos. A 30 de janeiro de 1933, Hitler é nomeado chanceler."

COMENTÁRIO DO EDITOR

As consequências centrais (sem considerarmos as colaterais) do que acima foi descrito já todos conhecemos: o Holocausto, o uso de armas nucleares em combate e cerca de CEM MILHÕES de mortos. no que foi considerado o conflito mais letal da história da humanidade!
Na Alemanha, depois do período de hiperinflação de 1921 a 1924, seguiu-se um período de crescimento até 1929, que ficou conhecido como "goldener Zwanziger" (os dourados anos vinte), após o que a bolha rebentou e o povo ficou sujeito às condições humilhantes da austeridade que lhes foi imposta. Com austeridade que os arrastava para a miséria e recordando o sofrimento da década anterior, em que houve pessoas que morreram à fome e que os afortunados que podiam ir às compras tinham de levar o dinheiro numa mala de viagem (tal era a inflação), não admira que tenham apoiado uma "marioneta" psicótica como Hitler.
Será bom que os europeus estudem melhor a história ! ... Que aprendam com o passado e que tenham sempre presente que podem cair numa situação idêntica à dos alemães nos dourados anos vinte. E os alemães também ! ...

ANorton





domingo, 17 de junho de 2012

-"O assassinato dos idiomas"

A UNESCO, departamento da ONU para a Educação, Ciência e Cultura, num estudo que realizou, aponta a pressão exercida naturalmente pelas línguas dominantes e a repressão política como principais responsáveis pelo possível extermínio de cerca da metade dos 6.500 idiomas falados em todo o mundo.
Alerta, também, para o facto de o desaparecimento de uma língua acarretar a perda definitiva de uma parte insubstituível do conhecimento humano pois  quando uma língua morre leva consigo a cultura do povo que a falava.

Na Austrália, nos últimos 100 anos, foram extintas centenas de línguas aborígenes e outras tantas estão em processo de desaparecimento devido às políticas de assimilação cultural.
No continente asiático, as 2.200 línguas lá faladas correm, igualmente, sério risco de desaparecerem.
Na região do Pacífico, onde se concentra um terço de todas as línguas faladas no mundo, o fenómeno é idêntico
Nos Estados Unidos, pelo menos 150 línguas indígenas, que conseguiram sobreviver à chegada dos europeus, estão agora ameaçadas de extinção.
No Brasil, acontece o mesmo com muitas línguas ainda faladas pelos índios que resistem à assimilação.
Na África, 550 línguas das 1.400 existentes poderão desaparecer em breve.
As 230 línguas faladas na Europa ou estão em processo de diluição ou travam uma luta tenaz contra os que as querem extinguir.
Mas não são apenas as línguas minoritárias que estão ameaçadas de desaparecimento.
O dialeto, modalidade regional de uma língua caracterizada por certas peculiaridades fonéticas, gramaticais ou léxicas, também segue o mesmo rumo em muitos países.

Na Europa Central, riquíssima em dialetos, poucos são os que ainda são usados.

Os idiomas francês, espanhol, chinês e russo sufocaram as línguas minoritárias em seus países sem, contudo, terem conseguido fazê-las desaparecer.
Das lutas pela preservação do seu idioma e da sua identidade são dignas de destaque a que os irlandeses travaram após a selvagem ocupação inglesa que proibiu o uso do galês e a que os povos de Espanha vêm travando contra a criminosa tentativa de anulação ou adulteração dos seus idiomas pela dissimulada infiltração da língua castelhana.  
 

domingo, 10 de junho de 2012

-"DIA DE PORTUGAL"

Neste DIA DE PORTUGAL e, principalmente, neste momento, parece-me muito adequado recordar o que foi e é Portugal

(clicar na imagem para ampliar)
Zona Azul:
principais explorações marítimas, rotas e áreas de influência; Vermelho: territórios do Império; Cinza: explorações e áreas de influência económica; Laranja: áreas de influência e comércio ; Rosa: reivindicações de soberania; Verde: feitorias;

Nos séculos XV e XVII, como resultado de pioneirismo na Era dos Descobrimentos, Portugal expandiu a influência ocidental e estabeleceu um Império que incluía possessões na África, Ásia, Oceania e América do Sul, tornando-se a potência económica, política e militar mais global e importante de todo o mundo. O Império Português foi o primeiro império global da história e também o mais duradouro dos impérios europeus, abrangendo quase 600 anos de existência, desde a conquista de Ceuta em 1415, até à transferência de soberania de Macau para a China em 1999.
Portugal é, atualmente, um país desenvolvido com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) considerado como muito elevado. O país é considerado como tendo boa qualidade de vida, tem um dos melhores sistemas de saúde do planeta e é também uma das nações mais globalizadas e pacíficas do mundo.
É membro-fundador da ONU, da União Europeia, da NATO, da OCDE e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Portugal também participa em missões de paz da ONU.