ALTERAÇÃO DO ENDEREÇO

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

- "Conheça o Instituto Internacional da Língua Portuguesa"

(Leitores: 1.915)

A história do Instituto Internacional da Língua Portuguesa - IILP começa, oficialmente, em 1989, quando os países de expressão portuguesa se reúnem, em São Luís do Maranhão, para pensar as bases de uma comunidade lusófona. Naquela ocasião, a ideia de se criar um instituto partiu do então Presidente da República do Brasil, José Sarney e de outros dignatários presentes.
Contudo, o Instituto só se tornaria realidade dez anos depois, em 1999, na VI Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa - CPLP, que já havia se constituído em 1996. Na reunião, realizada em São Tomé e Príncipe, foram definidas as orientações para a implementação do IILP enquanto organismo promotor da língua portuguesa, aprovados os estatutos que o regem e escolhido o país de acolhida de sua sede nos primeiros anos de existência: a República de Cabo Verde. A primeira Assembleia Geral realizou-se em abril de 2002, na cidade da Praia, capital daquele país.
Os objetivos fundamentais do IILP são "a promoção, a defesa, o enriquecimento e a difusão da língua portuguesa como veículo de cultura, educação, informação e acesso ao conhecimento científico, tecnológico e de utilização oficial em fóruns internacionais".
Conforme o princípio da rotatividade estabelecido quanto ao exercício da Direção Executiva do Instituto, assumiram este mandato várias personalidades, sendo que para o biénio 2010-2012 foi eleito Gilvan Müller de Oliveira, doutor em linguística, professor universitário brasileiro, que assumiu o posto no dia 20 de outubro de 2010..
A entrada em funcionamento, recentemente, de todas as Comissões Nacionais do IILP permitiu a amplificação dos trabalhos do Instituto, e uma melhor relação com os governos dos Estados Membros da CPLP. A descentralização das atividades e a presença do IILP nos diversos países é uma estratégia interessante para o cumprimento das metas do Instituto.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

"O porquê do português ser a nova língua dos negócios"


Imagem que ilustra a capa desta edição da revista Monocle dedicada à 'Geração Lusofonia'

A revista internacional 'Monocle' dedica a edição de Outubro ao mundo lusófono e, passando por todos os países de língua portuguesa, propõe-se mostrar «o porquê de o português ser a nova língua do poder e dos negócios». Com o título 'Geração Lusofonia' e mais de dez artigos sobre política, economia, cultura e design em português, a última edição da revista mensal «diz 'olá' ao mundo», foca uma comunidade que «faz negócios com um ritmo único» e questiona se não será este o momento de «libertar o [seu] enorme potencial». «Sentimos que o mundo lusófono é muitas vezes ignorado pelos outros (...) e era altura de alguém reparar», disse à Lusa o editor de internacional da revista, Steve Bloomfield, que assina o artigo de abertura da edição de Outubro. Uma entrevista com o ministro das Relações Exteriores brasileiro, António Patriota, uma reportagem no atelier de Álvaro Siza Vieira no Porto, um artigo sobre os portugueses que estão a trocar Lisboa por Luanda e outro sobre a arquitectura portuguesa de Maputo são apenas alguns dos temas em destaque. Nas páginas da revista há ainda espaço para questionar se não será tempo de reconhecer o potencial dos Açores, já que «Portugal não sabe o que fazer com ele», e para contar como a «melhor cortiça do mundo» fornece produtores de vinho «icónicos», designers de moda e até a NASA. Descreve a rivalidade entre Rio de Janeiro e São Paulo nas telenovelas, enumera as 20 melhores estrelas de língua portuguesa, revela o segredo dos centros comerciais de São Paulo e descreve negócios que vão das antigas conservas de peixe portuguesas às brasileiras ‘Havaianas’. «Não fomos a todos, mas escrevemos sobre cada um dos países lusófonos e ainda sobre comunidades» na diáspora, como as de Goa, Macau e França, explicou Bloomfield. Embora Portugal tenha «problemas económicos sérios» neste momento, a comunidade lusófona inclui «países que estão a crescer economicamente e onde estão a acontecer coisas fantásticas», lembrou. O jornalista, que esteve em Lisboa e visitou a sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), reconheceu que já há tentativas de juntar os países para trabalharem juntos e que «algum do trabalho da CPLP é fascinante e incrivelmente ambicioso», mas defendeu que ainda há oportunidades a explorar. «A maior vantagem que vocês têm é que toda a gente adora os brasileiros e os portugueses. Têm muita empatia [soft power], são populares em todo o mundo e podem mesmo tirar partido dessa boa vontade», afirmou. Antecipando que a comunidade poderá vir a ser muito influente no mundo, o editor aguarda com expectativa os próximos desenvolvimentos. «Vamos ver o que acontece no Brasil com o mundial e os Jogos Olímpicos - isso será uma enorme oportunidade para os outros países lusófonos se promoverem -; vamos ver o que acontece com a recuperação económica portuguesa (...) e vamos ver se Angola se torna uma verdadeira democracia aberta». No artigo de abertura, Bloomfield citou o chefe da diplomacia brasileira quando diz que «há muitas histórias positivas a sair do mundo lusófono» e deixou um desafio: «É hora de o resto do mundo começar a aprender um pouco de português».

Lusa/SOL

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

-" O « melhor recanto de Espanha » é português ! ..."

( Leitores: 1.245 )

"O Melhor Recanto de Espanha 2012" é um monumento português. A Igreja de Santa Maria Madalena, em Olivença, arrebatou o 1.º lugar numa votação online, mas a distinção reacende as dúvidas sobre a perda do território.



A igreja de Santa Maria Madalena, em Olivença, monumento do séc.XVI em estilo manuelino

















A Igreja de Santa Maria Madalena, em Olivença, único lugar de culto espanhol de estilo manuelino, foi eleita "O Melhor Recanto de Espanha 2012" num passatempo promovido pela Repsol. A votação decorreu na Internet e os resultados da final foram divulgados ontem à noite.
Datada do início do século XVI, a igreja destronou a Lagoa da Cigana (Castilla La Mancha), que ficou em 2.º lugar, e o Forau de Aiguallut (Aragão), o terceiro mais votado.
Rica em azulejos e em motivos decorativos marítimos que remetem para a época dos Descobrimentos portugueses, a Igreja de Santa Maria Madalena (Extremadura) é visitada diariamente por centenas de turistas.
A votação volta a trazer à atualidade uma questão antiga em relação a Olivença. A localidade foi anexada por Espanha em 1801, mas Portugal não aceitou de bom grado a perda do território, o que ainda se mantém. A eleição foi hoje considerada pelo presidente da Associação Amigos de Olivença "um paradoxo" que deve levar à devolução da região ao território português.
"Eu, como presidente da Associação Amigos de Olivença, considero que o desenrolar deste concurso repousa sobre um grande paradoxo inicial: que a Estremadura espanhola tenha como símbolo seu a Igreja de Olivença, uma igreja tipicamente portuguesa, uma jóia da arquitetura portuguesa do século XVI que é a segunda igreja mais representativa do estilo manuelino a seguir ao mosteiro dos Jerónimos", afirmou à Lusa Fernando Castanhinha.

Vitória graças "ao esforço da população oliventina"

"Depois de 200 anos de ocupação espanhola de Olivença, de alienação cultural, de tentativa de apagar a língua portuguesa, é paradoxal que o representante deste concurso espanhol seja uma obra tipicamente portuguesa, que não tem absolutamente nada de espanhol", disse.
A vitória no concurso é atribuída pelo presidente desta associação ao "esforço da população oliventina" como forma de "reforçar a sua visibilidade dentro do Estado espanhol", mas Fernando Castanhinha acha que isso deve provocar uma reação do Estado português.
"Mais do que ficarmos todos contentes por a Igreja de Olivença se tornar símbolo de Espanha, o que temos de exigir é que, já que o território de Olivença é considerado pelo Estado português e por uma parte da opinião pública como um território ilegalmente ocupado por Espanha, que seja devolvido.
Ainda na fase em que decorriam as votações, o presidente do Ayuntamineto de Olivenza, Bernardino Píriz, mostrou-se satisfeito com a projeção que Olivença estava a conquistar, por considerar que , em caso de vitória, a distinção valer uma referência a Olivença no "Guia Repsol", situação que Bernardino Píriz considerou "equivaler a uma estrela do Guia Michellin".
Lusa

sábado, 8 de setembro de 2012

-"AQUELE ABRAÇO": Ano Portugal - Brasil / Brasil - Portugal

( Leitores: 1.935 )

Até Junho, aquele abraço: É ano de Portugal no Brasil e ano do Brasil em Portugal


Um concerto com estrelas dos dois lados do Atlântico, Mariza e Roberta Sá, em Brasília, abre oficialmente, esta sexta-feira, um “abraço” que vai prolongar-se até Junho de 2013. Celebra-se o Ano de Portugal no Brasil e o Ano do Brasil em Portugal com eventos mil.

O Ano de Portugal no Brasil, arranca já esta sexta-feira, Dia da Independência brasileira, com uma cerimónia oficial em Brasília (no Teatro Nacional Cláudio Santoro), em que participa o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, e um espectáculo que junta estrelas dos dois lados do Atlântico, Mariza e Roberta Sá, acompanhadas pela Orquestra Sinfónica Nacional.
As programações culturais vão decorrer em simultâneo nos dois países, estando prevista a apresentação de eventos em mais de 30 cidades brasileiras, cobrindo todas as regiões do país. Quando Miguel Horta e Costa, comissário-geral das comemorações do Ano de Portugal no Brasil, apresentou o evento, em linhas gerais, em Lisboa, em Julho, anunciou que o lema da representação nacional é "Portugal Agora", centrando-se na modernidade e na inovação, nas áreas da cultura, economia e desenvolvimento empresarial, na tecnologia, ciência, educação e desporto.

Já a organização do Ano do Brasil em Portugal - numa programação repleta de música, teatro, exposições ou gastronomia - quer levar o público a uma viagem pelas diversas manifestações da cultura brasileira, e para além das grandes cidades. O ano verde e amarelo por terras lusas terá o seu primeiro grande momento popular nos espectáculos de abertura, dias 22 e 23 de Setembro, no Terreiro do Paço, em Lisboa: o primeiro dia será marcado pelos concertos de Ney Matogrosso e do Monobloco. O "abraço" musical prossegue dia 23 com os portugueses Carminho, Paulo Gonzo e BOSS AC e os brasileiros Martinho da Vila, Zeca Baleiro e Zé Ricardo, que cantarão o repertório próprio e algumas músicas em conjunto.

Portugal @ Brasil

O Portugal contemporâneo vai dar-se a conhecer através de centenas de artistas das áreas da música, artes plásticas, dança, cinema, artes performativas, fotografia, arquitectura e design. Lema do projecto: "Portugal Agora".
Depois de Brasília, outras cidades receberão espectáculos de abertura nos próximos dias: a 9, em Belo Horizonte, Mariza junta-se a Milton Nascimento; no Rio, dia 12, o "show" repete-se, seguindo-se apresentações cariocas dos The Gift dias 14 e 15.
O programa cultural luso inclui ainda digressões da orquestra da Gulbenkian pelo Brasil (São Paulo e Rio de Janeiro) ou da Companhia Nacional de Bailado (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador).
Nas artes plásticas, serão realizadas exposições de pintura de Maria Helena Vieira da Silva e de escultura de Rui Chafes, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e uma exposição de pintura, desenho e obra cerâmica dos irmãos Columbano e Rafael Bordalo Pinheiro, no Museu Nacional de Belas Artes, na mesma cidade. Vão também realizar-se exposições de Vasco Araújo e Joana Vasconcelos e, na área do design, uma dedicada ao trabalho de Fernando Brízio.
No Festival de Cinema do Rio de Janeiro, serão exibidos o filme "Tabu", de Miguel Gomes, uma retrospectiva de João Pedro Rodrigues e um programa de curtas-metragens de Manoel de Oliveira. Na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo será a vez da exibição do novo filme de Manoel de Oliveira, "O Gebo e a Sombra", e de filmes de jovens realizadores portugueses como João Salaviza, Gonçalo Tocha e Gabriel Abrantes, recentemente premiados com o Leopardo de Ouro, o Urso de Ouro e a Palma de Ouro.

Fonte: Lusa



quinta-feira, 30 de agosto de 2012

-"Os países da CPLP e os dialetos crioulos lusófonos"

Este vídeo só apresenta imagens dos países que têm o português como língua oficial, mas não nos esqueçamos que a língua portuguesa também está presente em dialetos crioulos espalhados por todo o mundo.
Em África: na Guiné Equatorial, em Casamansa, nas ilhas de Fernando Pó e Ano Bom, em Zanzibar, Mombaça e Melinde;
Na Índia: em Goa, Diu, Damão, Nagar Aveli, Bombaim, Korlai, Quilom, Mangalor, Tellichrry, Cochim, Vaipim, Bengala e na Costa de Coromandel;
No Sri-Lanka ( antigo Ceilão ): em Trincomalee, em Batticaloa, em Mannar e em Puttallam;
Na Malásia: em Malaca e Kuala Lumpur e o papiá kristang em Singapura;
Na Indonésia: nas ilhas de Java, Flores, Ternate, Ambom e Macassar;
Na China: o patuá de Macau e Hong-Kong;
Na América: em Suriname e em Curaçau, Aruba e Bonaire, nas Antilhas.


sábado, 18 de agosto de 2012

-"São Luís do Maranhão"

O meu amigo Canojones, encontrou nos seus arquivos o excelente artigo que se segue e teve a amabilidade de mo enviar com a seguinte mensagem:

"Pelo seu valor de clarividência histórica, reencaminho mensagem dum amigo brasileiro descendente de portugueses açorianos - um lutador pela reposição da Verdade Histórica, um pouco (?) arredada dos manuais brasileiros."

São Luís

O caderno Turismo da Folha de S. Paulo de 5/1/98 publica uma reportagem da Agência Folha de São Luís sobre a capital do Maranhão. No breve retrospecto histórico (6 cm de coluna), o jornalista diz que São Luís é a única capital brasileira fundada pelos  franceses, que queriam criar "a França Equinocial, um pedaço da França nos trópicos" e que "só que, para infelicidade de muitos maranhenses, os franceses foram expulsos pelos portugueses em 1615."
Em poucas linhas, o jornalista demonstra a ausência de auto-estima nacional pela nossa origem. Como, infelizmente, isso não é privilégio dele, é preciso contestar e protestar.

A presença dos franceses no Brasil, como corsários, começou no início do século XVI. Em 1555, o almirante Nicolau Durand de Villegagnon, com 600 homens, pretende fundar a França Antártica. Instala-se na baía de Guanabara, e funda o forte Coligny de onde foi expulso pelos portugueses (Estácio de Sá) em 1567, doze anos depois. (Estácio de Sá só fundou o Rio de Janeiro em 1565). Diríamos, por isso, que o Rio de Janeiro foi fundado pelos franceses?

Entre 1574 e 1585 os franceses seinstalaram na Paraíba. Expulsos, foram para o Rio Grande do Norte, de ondeforam expulsos por Jerônimo de Albuquerque em 1599. Os francesesnão desistem e vão para o Maranhão onde, em 1594, já haviam estado Charles des Vaux e Jacques Riffault.
Sua presença no Maranhão durou apenas três anos (8/9/1612—3/11/1615) e deles só ficou mesmo o nome de São Luís dado à cidade e que foi preservado pelos portugueses talvez por se referir a um santo católico, embora rei de França. Não há nada a lamentar na sua expulsão. Pelo contrário, graças ao esforço luso em manter  este enorme território é que temos hoje o Brasil íntegro. Só temos que nos orgulhar e louvar o esforço e a tenacidade de figuras como a de Jerônimo de Albuquerque Maranhão — o mameluco — de seu pai, Jerônimo de Albuquerque e de Alexandre de Moura, entre outros.
Vale a pena ler a história da época da colonização do Brasil.

                                                                      Roldão Simas Filho
                                                             Brasília, 6 de janeiro de 1998


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

-"Eu já nasci na Comunidade Europeia"

Por: Pedro Norton

E das ruínas surgiram edifícios imponentes... é cíclico, sem dúvida, é cíclico. Sendo que nada é para sempre, os resultados evolutivos saídos dos momentos de crise também não o são - mas escusavam de durar tão pouco. Geopolítica, sonhos antigos de líderes europeus, constrangimentos resultantes da guerra, ampliação do mercado? Seja o que for que levou a Europa a unir-se, o que interessa agora é que de facto aconteceu. Mas mais do que isso, importa ainda discutir se aconteceu da melhor forma. Urge perceber se não estamos a caminhar embriagados, já esquecidos do que nos trouxe até aqui. Bêbados com a crise, vemos mais depressa o fim do que o início; já ninguém se lembra, ou sequer pensa, no porquê de estarmos onde estamos Eu já nasci na comunidade europeia. Não sei, por experiência própria, como as coisas eram dantes. Só estudando história percebi o orgulho que representava fazer parte deste novo mundo. E que orgulho! Vejam só quantas nações e culturas diferentes, quantas estrelas em círculo…uma integração sem precedentes. Juntar nações tão fortes, tão próprias num mesmo projecto é de arrepiar...

Mas o tempo passa e o sonho desvanece... Sei, e agora por experiência própria, que os valores implícitos na bandeira estrelada não se cumprem. Nem mesmo em 2012, nem mesmo em Guimarães, símbolo deste ano do respeito pela diversidade cultural. Deixem que vos conte um episódio que por lá se passou, que mostra bem o estado actual (se é que não foi sempre assim) das coisas:  
…Estive numa conferência dedicada ao financiamento da cultura e das artes com a comissária europeia da cultura e educação Androulla Vassiliou. A Senhora foi presenteada - e muito bem - com auscultadores, através dos quais receberia a tradução de tudo quanto fosse dito em português. A restante mesa era constituída somente por portugueses, pelo que seria a única a necessitar do equipamento. E não é que foram parar às mãos erradas?! Foi a única, afinal, que não precisou de tradução, sendo que toda a mesa falou em inglês. Em alguns dos casos horrivelmente até - queriam falar mas não sabiam bem como. Foi tão absurdo, que houve gente a sair suspirando de indignação por não falar a língua e consequentemente não perceber nada do que se estava a passar. Mas o mais vergonhoso foi constatar que até a palavra "Guimarães" era dita com sotaque!!... Será que ao falarmos com os nossos parceiros europeus não podemos sequer manter a fonética original das palavras que são portuguesas?! Cambada de bajuladores! Nunca, que me lembre, foi requisito para o acesso às instituições europeias falar uma língua estrangeira. Já nos basta o profundo desconhecimento que há em relação à sua existência, à sua razão de ser.

Depois, temos a crise.. também não sei bem porque aconteceu, nem porque vai e vem. Em ciclos, bate-nos à porta. Depois desta confusão toda, só sei que temos uma Alemanha arrependida, agarrada de forma compulsiva aos medicamentos e uma Grécia muito doente, prestes a abater. Quem tem culpa, segundo os entendidos em saúde financeira e política é a doente, porque não controla as suas fronteiras, porque não consegue pagar as suas contas. Portanto, mais vale ponderar remove-la da cooperação e quem sabe - até porque já se discute em sede de parlamento europeu - controlar de novos as fronteiras, impedindo a emigração desmedida... Deram-nos armas que não sabemos usar. Se viesse agora uma guerra quantos de nós saberiam disparar um tiro? Esta geração, que se diz à rasca, já não sabe usar armas, mas será que sabe usar outras coisas? Ninguém nos ensinou a disparar é verdade, mas também não foi preciso. No entanto, não nos ensinaram a combater crises financeiras e ela caiu-nos no colo com uma força esmagadora. Não ensinaram também os jovens da altura a lidar com um tratado cooperativo desta envergadura, apenas se dizendo pelas ruas que vinha aí muito dinheiro...Deixamos todos de nos preocupar - que nem guerreiros que engordam de não ter nada para combater. Em vez de treinarmos para as eventualidades, ficamos gordos e pesados e agora custa-nos muito mexer. Principalmente aos mais velhos. E agora Europa? Será este o anúncio do fim?... Quanto a nós guerreiros, abramos os olhos! O inimigo está em todo o lado! Principalmente naqueles, que apesar dos dias que correm, continuam a não querer fazer nada. Continuam a brincar às empresas, continuam a brincar à cultura e à arte - hoje em dia tudo serve - continuam a saltar de fronteira invisível em fronteira invisível agarrando-se à segurança social alheia.

Há que meter ordem nisto, de facto há. Só tenho pena é que haja tantos interessados em simplesmente recuar 55 anos e começar tudo de novo. Ou provavelmente , não começar de todo.