ALTERAÇÃO DO ENDEREÇO

domingo, 2 de junho de 2013

-"O comércio mundial do petróleo também será em lingua portuguesa"



Plataforma de alto-mar em Angola: a Língua Portuguesa será uma das principais do comércio internacional de petróleo.


A Lusofonia conquistou um novo reposicionamento estratégico mundial, induzido pelas grandes descobertas de petróleo e gás natural. Brasil, Angola e Moçambique representam hoje mais de 50% das descobertas petrolíferas realizadas nos últimos sete anos.

“Isto traz uma especial responsabilidade ao espaço lusófono. Posso dizer-lhes, inequivocamente, que essas descobertas agregadas à sustentabilidade dos sucessos passados, que Angola transforma o espaço lusófono, reposicionam, em termos geopolíticos, o espaço lusófono na economia global. Não tenho dúvida nenhuma sobre isso”, declarou o presidente executivo da Galp Energia, Manuel Ferreira de Oliveira.Para ele, tal constitui um desafio para o qual os lusófonos se devem preparar, “ocupando no mundo o papel que a geologia chama a desempenhar”. “Só falta Portugal encontrar petróleo”, complementou Ferreira de Oliveira.
                           ––  Um instituto pan-lusófono para o petróleo e gás ––


Refinaria de Sines, cidade litorânea do Baixo Alentejo: Galp Energia e seis universidades portuguesas criaram instituto lusófono para o petróleo e gás.
A Galp Energia e as seis maiores universidades portuguesas criaram recentemente o Instituto do Petróleo e Gás (ISPG), com o objetivo de promover a competitividade das indústrias de energia nos países lusófonos através da formação avançada de quadros técnicos e da criação de uma rede de cooperação entre empresas, universidades e centros de investigação.
Fazem parte da iniciativa a Universidade de Aveiro, a Universidade do Porto, a Universidade do Minho, a Universidade Nova de Lisboa, o Instituto Superior Técnico de Lisboa, a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
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–– Extraído da Agência Lusa e dos jornais Expresso e Diário Económico (Portugal) ––


sexta-feira, 31 de maio de 2013

-"Eles são muito, muito estúpidos "


Eis o vídeo a que se refere o artigo publicado ontem. 








quinta-feira, 30 de maio de 2013

-"Programa brasileiro “C Q C” investigado pela policia por piadas racistas sobre portugueses"

A notícia
O Conselho da Comunidade Portuguesa está a processar o programa “CQC.


O programa  ‘CQC’ está a ser alvo de uma investigação pelo Departamento de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância de São Paulo depois de um episódio, ocorrido durante o campeonato da Europa de 2012, em que são feitas algumas piadas de mau gosto com os portugueses. Os apresentadores pediram, entretanto, desculpa mas de forma irónica, lembrando que fazem piadas sobre portugueses desde “1500 e só agora começaram a perceber”.
O programa brasileiro CQC, cujos moldes são muito semelhantes ao “CQC” que já esteve no ar na televisão portuguesa, ‘Caia Quem Caia’, está a ser alvo de uma investigação pelas autoridades do país. Em causa estão queixas de racismo que chegaram ao Conselho da Comunidade Luso-Brasileira de São Paulo depois de uma reportagem feita durante o jogo Portugal-República Checa, no Euro2012., e que desencadeou uma onda de protestos através da Comunidade Portuguesa e até de varios outras nacionalidades, face à falta de respeito. A  nossa associação recebeu muitas queixas, não só de portugueses mas [também] de luso-brasileiros que ficaram chocados com o tom extremamente debochado da matéria”, justifica o presidente António de Almeida e Silva, em declarações ao Diário de Notícias (DN).
No vídeo, um dos humoristas e apresentadores do programa pergunta a uma cidadã portuguesa se pode fazer um teste que consiste em verificar se a jovem tem “bigode”. Na mesma reportagem, o indivíduo refere-se aos portugueses como “burros”.
As conclusões da investigação ainda são desconhecidas mas, ainda no ano passado, os apresentadores do CQC pediram ironicamente desculpa no programa, justificando que “nós fazemos piadas de vocês [portugueses] desde 1500 e só agora vocês começaram a entender”.

O comentário
                          Embora eu considere que a “anedota de português”, tão frequente no Brasil,  é um tipo de piada que é um “tiro no pé” de quem a faz e defenda a máxima popular de que “a ignorância é muito atrevida”, sou de opinião que já era tempo de haver uma reação oficial  a esta manifestação que querendo parecer fruto de um complexo de superioridade nada mais é do que o oposto.
Já tenho ouvido muitas "piadas de português", mas a  forma como os apresentadores do programa pediram desculpa consegue ultrapassar todos os limtes tornando-se um hino à estupidez que em nada prestigia a comunicação social brasileira.





sexta-feira, 10 de maio de 2013

-"Português tem 430 restaurantes no Brasil ! "



Ele é médico, mas a verdadeira vocação de Alberto Saraiva é saber desvendar os desejos dos clientesEle é médico, mas a verdadeira vocação de Alberto Saraiva é saber desvendar os desejos dos clientes
O grupo Alsaraiva, presidido pelo português Alberto Saraiva, natural da Guarda, detém 430 lojas no Brasil, das quais se destacam os restaurantes de comida árabe Habib’s. No total, o grupo emprega 22 mil funcionários e um faturamento superior a um bilhão de reais.
 A cadeia Habib’s é a maior rede de restaurantes ‘fast food’ de comida árabe do mundo. Alberto Saraiva – que conhecemos desde São Paulo, depois da padaria deixada pelo pai, arrancou inicialmente com pizza e teve grande sucesso com o famoso rodisio, copiado logo a seguir por todos. O primeiro Habib´s surgiu em SP, em 1988 e estivemos presentes à inauguração. O produto principal eram as esfihas (um petisco da culinária árabe semelhante à pizza). Hoje a Habib´s  vende 680 milhões de unidades por ano e deverá ampliar bastante o mercado neste e no proximo ano.
Segundo Alberto Saraiva, a sua vida comercial começou quando – após a morte do pai – teve de tomar conta do negócio da família, uma padaria que tinham aberto em São Paulo. Foi aí que surgiu a sua filosofia para os negócios: “associar qualidade a preços mesmo muito, muito acessíveis”.

Aposta no ’franchising’

Em 1988, Alberto Saraiva abriu o primeiro restaurante Habib´s, em São Paulo, na altura com 20 funcionários. Mais tarde, depois de abrir 18 lojas, o empresário começou a implementar o ‘franchising’ no seu negócio, o que possibilitou a expansão da rede de ‘fast food’ de comida árabe por todo o Brasil. “Hoje, 60% dos restaurantes são próprios e 40% são franchising”, esclareceu Alberto Saraiva. 
Na área da restauração, e conforme “Portugal Sem Passaporte” já anteriormente divulgou,  o grupo Alsaraiva  possui várias outras  redes de ‘fast food’, destacando-se uma de comida italiana, chamada Ragazzo, e outra de comida variada, chamada Box30. E não falta produção dos famosos “Pasteis de Nata” bem portugueses.
Além disso, o grupo é detentor de fábricas próprias de laticínios, panificação e sorvetes, de um contact center, uma agência de viagens, uma agência de publicidade, um escritório de arquitetura, uma consultora de franquias e uma consultora imobiliária.

Mais 50 lojas ainda este ano

Para Alberto Saraiva, neste momento, a sua prioridade é a  expansão do grupo no Brasil, onde prevê abrir cerca de 50 lojas, ainda este ano, “aproveitando a boa fase económica do país”. 
No entanto, o empresário não descartou a hipótese de uma possível internacionalização do grupo, mas sublinhou que precisa de parceiros sólidos nos países estrangeiros para expandir o seu negócio. 
Quanto a Portugal – país com o qual o empresário mantém fortes relações familiares e de afeto – Alberto Saraiva contou que já houve portugueses interessados nos restaurantes, mas o negócio não chegou a concretizar-se, o que não impede que haja negociações futuras, sublinhou.

Fonte: lusa

terça-feira, 12 de março de 2013

-" Uma jóia com 500 anos: a Biblioteca da Universidade de Coimbra"



A Biblioteca da Universidade de Coimbra comemorou 500 anos. É a herdeira da “Casa da Livraria” da qual já há referências datadas de 12 de Fevereiro de 1513, quando a universidade funcionava em Lisboa.
Com um acervo de 1,5 milhões de livros, disponíveis em 28 quilómetros de estantes, distribuído por sete pisos, a Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra é a maior e a mais rica biblioteca de todo o mundo lusófono.
A parte mais apelativa é a Biblioteca Joanina, acabada em 1728 e mandada construir por D.João V, monumento nacional cuja riqueza arquitetónica e decorativa muito se deve ao ouro do Brasil que chegava a Portugal no séc.XVII.
A Universidade de Coimbra é a que tem mais estudantes brasileiros fora do Brasil.

segunda-feira, 4 de março de 2013

-" Universidade de Coimbra: uma das mais antigas do mundo"


A Universidade de Coimbra é uma das mais antigas universidades da Europa, criada em Lisboa, em 1290, e transferida definitivamente para Coimbra em 1537.
Nela estudaram, praticamente, todas as pessoas que fizeram a construção do Brasil . É o caso de José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838), que, tendo frequentado a Faculdade de Filosofia, seria um dos seus mais destacados professores, após a Reforma Pombalina da Universidade, no século XVIII.


De regresso ao Brasil, o futuro “Patriarca da Independência” acabaria por assumir papel determinante na emancipação do Brasil face à coroa portuguesa, em 1822.

O primeiro presidente de Angola, Agostinho Neto (1922-1979), também estudou em Coimbra, na Faculdade de Medicina, em meados do século passado, antes de se envolver, em Lisboa, nas atividades anticoloniais.
Vários presidentes do Brasil foram distinguidos com o título de doutor honoris causa pela Universidade de Coimbra, os últimos dos quais foram Lula da Silva (em 2011) e Fernando Henrique Cardoso (em 1995).
O ex-presidente e atual primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, foi outro dos estadistas de países lusófonos agraciados com esse grau académico, em 2011.

A Universidade de Coimbra é a que tem mais estudantes brasileiros fora do Brasil”. No último ano letivo (2011-2012), os brasileiros constituíram o grupo mais numeroso dos alunos estrangeiros da Universidade
totalizando 1.806 inscritos nas diferentes faculdades.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

-" CPLP, We Have a Problem"



22/02/2013

Um petroleiro foi assaltado, no Golfo da Guiné, no início deste mês, por gangs terroristas nigerianos. O assalto, inédito na zona, coloca à vista de todos aquilo que até agora era passado em silêncio: um imenso problema de segurança na zona em que se insere a Guiné-Bissau, S. Tomé e Príncipe e também a sua vizinha Guiné Equatorial… Dois pequenos Estados membros da CPLP e um pequeno Estado candidato, todos três ricos em hidrocarbonetos e com posições geográficas privilegiadas numa zona da mais alta importância para o abastecimento energético da Europa.

Há cerca de uma dúzia de anos que um alto responsável político de S. Tomé alertou Lisboa para o cenário da “invasão das pirogas” vindas da Nigéria. Este político sugeria um apoio português que funcionasse como dissuasão para tal cenário. Por exemplo, que ao abrigo de um acordo especial uma companhia de comandos portugueses estivesse uns tempos “em instrução” em S. Tomé e fosse, no fim da sua temporada, substituída por outra, num sistema rotativo que nunca deixaria o pequeno país lusófono desamparado. A sugestão ainda aguarda a concretização da resposta portuguesa…

A Guiné Equatorial, situada na mesma zona e partilhando ameaças comuns com S. Tomé (por razões comuns: a imensa riqueza em hidrocarbonetos…) tem insistentemente procurado, fazendo valer os séculos em que integrou o império português, ser admitida na CPLP, para quebrar algum isolamento na zona e sentir-se mais ‘confortável’. Também há anos que espera… Lisboa tem ignorado em absoluto o estado calamitoso da segurança no Golfo da Guiné e muito menos foi capaz de compreender os riscos e ameaças na zona e, sobretudo, ignora as oportunidades que tal situação lhe pode oferecer.

Mais atenta (como vem sendo hábito), Madrid tem aproveitado e tem, procurando ganhar influência na zona, sido pró-activa. Basta ler com alguma atenção esta recente notícia: “El destacamento de Infantería de Marina enviado a la costa oeste de Guinea para formar a militares de varios países en materia antipiratería ya ha finalizado su misión y prepara su regreso a España (…) representantes de la U.S.Navy, impulsora y principal sustento de la misión ‘Africa Partnership Station’, como se denomina a esta iniciativa internacional, ha trasmitido recientemente a mandos de la Armada su satisfacción por la labor de los representantes de la Marina española”.

Lisboa nunca mostrou a capacidade de ter uma “intelligence” da importância e da situação estratégicas da zona do Golfo da Guiné e nem dos “trunfos” que tem e detém para a zona e nem como usá-los para se afirmar, projectar influência e ajudar a resolver problemas regionais de segurança. A realidade, porém, acaba frequentemente por se meter pelos olhos dentro, mesmo dos que não querem ver. E, depois de assim terem de ver, é conveniente que deixem de fazer como se não vissem…

O assalto ao tanker Le Gascogne, no dia 2 Fevereiro, em águas da Costa do Marfim, fez a demonstração de que o cenário da “invasão das pirogas” não é fruto de imaginações febris mas de uma acertada leitura da situação na região. Ficou claro, desde 2 Fevereiro, que os ‘gangs’ do Delta do Niger têm capacidade para realizar operações em qualquer ponto deste Golfo. E que, se não têm apoios no aparelho de estado da Nigéria, contam pelo menos com a passividade do Estado nigeriano que, em terra não desarticula estes gangs e, no mar, se mostra incapaz de garantir a segurança da navegação e permite o assalto a petroleiros.

E, a acrescentar a isto, há agora mais isto: Nigeria: An al Qaeda-linked Group Kidnaps Foreign Workers… E isto: The Rise of a New Nigerian Militant Group

CPLP, “we have a problem” !



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

-"A maioria dos alemães apoia Portugal"

Tradução da carta que a cidadã alemã Ute Pferdhirt enviou à redação do Jornal “O Público” no dia 11 do mês passado


Exmos.Senhores !

Esta carta vai escrita em alemão porque, embora eu possa ler, não consigo falar ou escrever português.
Ontem, li o excelente artigo de Manuel Carvalho “Foi Você que pediu o FMI ?” publicado no Vosso jornal  http://www.publico.pt/economia/noticia/foi-voce-que-pediu-o-fmi-1580105 .
e hoje recebi da “Central Federal Alemã para Formação Política” uma Newsletter com um artigo versando o mesmo tema http://www.nachdenkseiten.de/?p=15789#top .
Levo isto ao Vosso conhecimento para que, caso assim o entendam, possam facultar aos Vossos leitores o link para o referido artigo, porque pretendo que, pelo menos eles, fiquem a saber que a maioria dos alemães

- considera um enorme erro as medidas de austeridade que o MFI impôs à população portuguesa;
- espera que o seu apoio possa ser mais um argumento para uma próxima manifestação de protesto;
- deseja que o governo português abrande as medidas de austeridade

e, por último, mas não menos importante, que se saiba que os alemães não são a Angela Merkel e que na sua grande maioria repudiam as medidas que estão a ser impostas a países como Portugal .


Nota:
tradução e publicação com o acordo da autora


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Futebol de Cabo Verde: entrevistas, só em Português

Uma decisão que deveria envergonhar grande parte dos responsáveis portugueses
A equipa nacional de futebol de Cabo Verde diz que está a fazer a sua parte para promover a Língua Portuguesa, ao recusar-se a dar entrevistas em qualquer outra língua na Copa Africana das Nações, disputada na África do Sul.
“Uma das razões que levam a que o português não seja tão conhecido internacionalmente é o facto de sermos tão educados com os estrangeiros e de falarmos com eles em suas línguas”, disse o porta-voz da equipa nacional Gerson de Matos ao diário desportivo português A Bola nesta quarta-feira.
A determinação de dar entrevistas em Língua Portuguesa no torneio na África do Sul segue instruções dadas pelo presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca.
“Somos mais de 200 milhões de falantes do português no mundo. Se fizermos questão de falar português, talvez mais pessoas encarem a nossa Língua de outra forma”, disse Gerson de Matos.
A seleção estreante de Cabo Verde tem sido a grande surpresa na Copa Africana das Nações, ao atingir os oito pontos após dois empates e uma vitória aflitiva de 2 golos a 1 sobre a nação-irmã lusofalante Angola. Assim, passou pela primeira vez às quartas-de-final da competição.
“Cabo Verde pode não ter o peso internacional do Brasil, de Angola e de Portugal, mas pelo menos está a fazer a sua parte”, acrescentou o porta-voz.
Cabo Verde, o país mais pequeno desde sempre a competir nas finais da Copa Africana das Nações, obteve a independência de Portugal em 1975 e filiou-se à FIFA [Federação Internacional de Futebol], órgão que regula o futebol mundial, em 1986.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

-" BRASIL: somos um país sério ? "

Artigo assinado pelo jornalista e escritor Arnaldo Niskier, ex-presidente da Academia Brasile de Letras entre 1998 e 1999. Niskier também é acadêmico correspondente no Brasil da Academia de Ciências de Lisboa.
O artigo foi publicado no jornal Folha de S. Paulo em 14 de janeiro de 2013 tendo sido
extraído do sítio da Academia Brasileira de Letras.

"SOMOS UM PAÍS SÉRIO ? ...

A história do marechal Charles de Gaulle tornou-se clássica. Num dado momento, lançou a dúvida: “O Brasil é um país sério?”. Muitos de nós ficamos chocados. Isso feriu o orgulho nacional. Agora, a frase voltou à tona, a propósito da decisão do governo de adiar para 2016 a entrada em vigor do decreto assinado em agosto de 2008, pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a propósito do Acordo Ortográfico de Unificação da Língua Portuguesa. Mais três anos, para nada.
Houve uma adesão quase unânime do lado brasileiro.
Os nossos irmãos portugueses e algumas nações luso-africanas, como Angola e Moçambique, por interesses variados, resistiram à adoção, que tem por finalidade essencial a simplificação da escrita do nosso idioma. Nada mais do que isso. E com um claro objetivo estratégico: postular assim a oficialização do português como Língua de trabalho da Organização das Nações Unidas (ONU), o que eleva o nosso status internacional.
Também aqui há os recalcitrantes, que só agora se manifestam. Silenciaram em 1990, quando o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi assinado, e em 2008, quando se estabeleceu o prazo fatal para a unificação pretendida.
Somos obrigados a ler até alguns absurdos, como o comentário de que isso se fez de forma burocrática, sem audiências públicas, ou por “reformadores de plantão”. Aqui, uma clara agressão à memória de um dos grandes brasileiros que se debruçaram sobre o assunto, como é o caso do acadêmico Antonio Houaiss (1915-1999).
Antes de ser cassado, por motivos políticos, dedicou parte ponderável da sua vida, como filólogo consagrado, à discussão interna e externa dessa problemática. Só colheu aplausos. O Brasil aderiu com entusiasmo ao Acordo. Livros, jornais e revistas passaram a ser escritos com as novas normas. Centenas de concursos públicos, como é o caso do Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM (4 milhões de jovens), foram realizados com essa marca, aparentemente irreversível.
São quase 200 milhões de brasileiros que hoje escrevem de forma simplificada. Mudar esse quadro não foi desrespeitoso?
Numa prova eloquente da sua modernidade, o nosso país aceitou as recomendações da Academia Brasileira de Letras (ABL), no que tange às suas 200 mil escolas. Mesmo as do interior, como se atesta na Olimpíada de Língua Portuguesa, deixaram para trás os tempos de “voo” e “enjoo” com acento circunflexo.
De mais a mais, o que muitos desconhecem, há um decreto presidencial em pleno vigor, datado de 1972, que dá à Academia Brasileira de Letras as prerrogativas de ser a última palavra em matéria de grafia. Os mal informados ou mesmo os ignorantes desconhecem isso e aí só nos resta lamentar esse retrocesso."

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

-"Alemanha: a austeridade é um boomerang"


 

 Berlim tinha anunciado um crescimento de 1% para 2013. Agora, reduziu esse crescimento a… 0,4%. Ou seja, fez um corte de 60% na sua previsão! A previsão agora avançada pelo governo Merkel não anuncia realmente qualquer crescimento mas sim uma estagnação da economia alemã, neste ano. A auto-proclamada “locomotiva da economia europeia” tem vindo, no últimos anos a perder força de ano para ano: o crescimento em 2010 foi de 4,2%, em 2011 foi 3%, em 2012 só 0,7% (com o último trimestre do ano no ‘vermelho’…). Se este primeiro trimestre 2013 também correr no ‘vermelho’, a economia alemã entrará oficialmente em recessão, tal como a zona euro no seu conjunto já é considerada em recessão desde o terceiro trimestre do ano passado. Com uma economia dominada por uma estratégia mercantilista que faz das exportações o principal pilar, a Alemanha começa a sofrer as consequências da ‘austeridade’ que tem imposto aos seus parceiros europeus. Lançada pela Alemanha contra os Estados da periferia marítima, a austeridade surpreende Merkel ao comportar-se como um boomerang.

Fonte: "Inteligência Económica"

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

- "CPLP é um mar de oportunidades"


"O secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, o embaixador moçambicano Murade Murargy, escreveu artigo recente em que elogiou as iniciativas desempenhadas nas mais diversas áreas para a integração e a cooperação mútua entre os países do mundo lusófono.
Murargy sublinhou o facto de a Comunidade estar bem distribuída geograficamente no mundo, o que constitui para os países lusófonos uma vantagem na inserção no cenário mundial. “O que pode parecer um entrave, não é: os nossos Países tornam-se portas privilegiadas entre regiões e sub-regiões à escala planetária, fortalecendo-nos no plano internacional.”
O secretário-executivo também destacou que a entidade lusófona, unida pela Língua Portuguesa e por aspirações comuns de solidariedade e desenvolvimento, representa um “mar de liberdades e de oportunidades” que aproxima em vez de separar."
(Extrato do artigo publicado no dia 29 de dezembro no Diário de Notícias, de Lisboa ). :::

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

-" Uma comunidade indonésia que canta em português "

Os indonésios da comunidade Tugu vivem em uma zona que nunca foi colonizada por portugueses, mas tentam viver de acordo com os costumes lusos e promovem Portugal em um estilo de música popularizado.
A família Michiels é umas das 150 que compõem a comunidade de Tugu, próxima a Jacarta, e que conserva a cultura portuguesa através da música.
Não é fácil chegar a Tugu, a nordeste de Jacarta, capital da Indonésia. Mesmo ao fim de semana, o trânsito que liga à aldeia é caótico, devido à proximidade do porto de Tanjung Priok, o principal do país, com cerca de 430 hectares. Apesar dos inúmeros camiões que entopem a estrada principal, sente-se uma tranquilidade ao chegar a Tugu, um ex-líbris de Portugal. Junto ao cemitério e à igreja branca datada do século XVII, há um espaço aberto e arvoredo que lembra o centro de algumas aldeias portuguesas, até pelos idosos que por ali vão deixando cair o tempo. Os ancestrais dos tugu estão ligados aos escravos dos portugueses na Índia que foram levados para a Batávia (a antiga Jacarta) por holandeses. Ainda no século XVII, após o fim do império colonial português no Sudeste Asiático, chegaram àquela zona comerciantes, artesãos e aventureiros oriundos de Malaca, Ceilão, Cochim e Calecute. O cruzamento entre os dois grupos fez nascer os chamados “Portugueses Negros”, que tinham em comum a Língua Portuguesa e a religião cristã. Os holandeses esforçaram-se por apagar as marcas portuguesas, alterando nomes e impondo o calvinismo, mas a língua papiá tugu resistiu. O último falante deste crioulo morreu em 1978. Agora, o idioma é apenas usado na música. Há ainda uma biblioteca, construída com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, onde a comunidade pode ler em português. A zona é organizada, limpa e agradável e é comum ouvirem-se latidos, ao contrário do que acontece em Jacarta, já que, para a maioria dos muçulmanos, os cães são animais sujos. –– Amor nunca consumado –– Arthur, Lisa e Andre são três dos sete irmãos da família Michiels, uma das 150 famílias habitantes de Tugu, embora existam outros elementos da comunidade espalhados pelo país e também na Holanda. Arthur, o porta-voz da comunidade, é o único que já visitou Portugal. Mas o país está no coração dos restantes, que provavelmente nunca terão oportunidade de pisar terras lusas. A entrevista decorre numa sala que serve para os ensaios do grupo de música Keroncong Tugu e também para exibir prémios e fotografias. Há uma bandeira portuguesa a ocupar boa parte de uma parede, debaixo da fotografia dos pais da família Michiels, prémios e fotografias com altas personalidades do país, incluindo o atual Presidente da República, Susilo Bambang Yudhoyono. Apesar de já terem passado 11 gerações desde a chegada dos portugueses a Batávia, alguns deles ainda têm características físicas europeias, como uma senhora com cabelos ruivos encaracolados. Andre tem os olhos castanhos e não pretos, contrariando a fisionomia predominante na Indonésia, e também o nariz do irmão Arthur é diferente do da maioria. O porta-voz da comunidade diz que carrega “muitos sentimentos no coração”, porque quando viajou até Portugal não se sentiu português, e na Indonésia distancia-se dos restantes por ter um nome europeu. “Quem sou eu?”, questiona, mostrando-se “orgulhoso, mas também triste”. Até à geração dos pais de Lisa, os tugu tentavam casar entre si, mas agora a situação é diferente, pelo que as características físicas europeias deixarão de se notar, diz. Os tugu ainda conservam algumas tradições portuguesas, como “beber algum vinho no Natal e no Ano Novo”, mas “a comida é totalmente diferente”, refere Lisa. –– Música popular e Cristiano Ronaldo –– O estilo de música popular keroncong começou a ser tocado com a chegada dos portugueses e do cavaquinho à Indonésia no século XVI. Hoje existem vários músicos de keroncong no país, mas o Keroncong Tugu, que nasceu em 1998 – embora na comunidade já existisse outro grupo –, é muito famoso porque os indonésios sabem que o estilo nasceu naquela aldeia. O keroncong alia elementos ocidentais e orientais, algo que também é visível nas vestes usadas pelo grupo. Segundo Lisa Michiels, “ultimamente os jovens estão a gostar mais do keroncong“. “Nós tentamos apresentar o estilo nas escolas e na comunidade jovem”, acrescenta. Através da música, os tugu têm aparecido várias vezes na televisão, viajaram pelo país e até para o estrangeiro, como Holanda, Singapura e Malásia. “Queremos mesmo muito, um dia, tocar esta música em Portugal”, confessa Lisa. Em 2008, foi criado o grupo de dança tradicional portuguesa Romeiros de Tugu, com a ajuda do Instituto Camões. Há ainda um grupo de música para os mais novos, a maioria deles da família Michiels, sendo que, durante o encontro com o Público, há uma criança que canta Três pombinhas a voar. Além disso, os tugu participam em eventos e organizam o festival Mandi-Mandi na primeira semana de janeiro na aldeia, que desperta a curiosidade dos visitantes. Arthur, que se diz orgulhoso de a comunidade tugu ser portuguesa, afiança que os indonésios gostam de Portugal não só porque os portugueses não tiveram uma atitude “expansiva” na Indonésia como os holandeses, mas também por causa do futebol. “O Cristiano Ronaldo é como um deus”, diz, rematando com um riso aberto. –– A música como suporte da cultura tugu –– A comunidade faz questão de convidar as pessoas de fora para visitarem Tugu e aprenderem mais sobre a cultura, cujo maior sustentáculo é a música. O Instituto Camões, que neste momento não tem leitor na Indonésia, ofereceu aulas de português à comunidade tugu, e Lisa e Arthur aproveitam a entrevista para ir recordando palavras e até pratos da gastronomia lusa. Os irmãos falam com nostalgia também do tempo em que aprenderam a cozinhar e a fazer renda, e do carinho e atenção que dizem ter recebido do último embaixador português, Carlos Frota, que se reformou este ano. Atualmente, não há embaixador português na Indonésia. Agora apenas podem treinar o português quando contactam com “alguns amigos portugueses” nas redes sociais. Mas os irmãos estão muito gratos pelas aulas, porque antes disso cantavam as músicas sem saberem o significado das letras. “O meu pai apresentou-nos a cultura quando ainda éramos crianças. É por isso que nós amamos a nossa cultura e queremos que a nossa próxima geração também goste da cultura e a proteja”, vinca Lisa.




Andreia. NOGUEIRA, . Extraído do jornal Público (Portugal). Publicado em: 27 nov. 2012.


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

-"Patuá: dialeto de Macau"

Leitores: 625

Também chamado Crioulo Macaense, Papia Cristam di Macau, ou Doci Papiaçam di Macau, é um dialeto crioulo português formado em Macau a partir do século XVI. A maioria do vocabulário do Patuá é derivado do português e também do malaio e de crioulos de base portuguesa formados na Malásia, ( nomeadamente o kristang ), da língua sinala, de crioulos indo-portugueses e do cantonês. O Patuá era dominado e falado por um grande número de macaenses, por alguns chineses e, principalmente, pelas esposas chinesas de portugueses. A tentativa de, no final do século XIX, uniformizar a língua em todo o Império Português, fez com que macaenses da classe social alta deixassem de usar o Patuá e adotassem o português-padrão ensinado nas escolas, tendo passado o crioulo a ser considerado próprio das classes baixas.
O vídeo que se segue ridiculariza essa tentativa de ignorar o Patuá e mostra como a saudade consegue manter o dialeto vivo. É um vídeo altamente recomendável !




quinta-feira, 15 de novembro de 2012

-" Machado de Assis traduzido na China "

Leitores: 2.280
L

Politécnico de Macau quer formar tradutores de literatura
Por Hélder Beja do jornal Ponto Final (Macau, China) 6 de novembro de 2012.
O presidente do Instituto Politécnico de Macau (IPM), Lei Heong Iok, admitiu que faltam mais tradutores capazes de verter textos literários entre as línguas chinesa e portuguesa, e espera que a instituição de ensino que dirige possa ajudar a colmatar essa lacuna. [...]
Ler mais deste artigo: http://ventosdalusofonia.wordpress.com/2012/11/11/politecnico-de-macau-quer-formar-tradutores-de-literatura/
Seminário em Lisboa sobre Macau e as relações entre Portugal, China e Brasil
Do sítio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa 14 de novembro de 2012.
O secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Murade Murargy, estará presente no IV Seminário Internacional "O Papel de Macau no Intercâmbio Sino-Luso-Brasileiro", que terá lugar neste dia 14 de novembro, pelas 18 horas, no Palácio da Independência, ao [...]
Ler mais deste artigo: l/http://ventosdalusofonia.wordpress.com/2012/11/14/seminario-em-lisboa-sobre-macau-e-as-relacoes-entre-portugal-china-e-brasil/