ALTERAÇÃO DO ENDEREÇO

segunda-feira, 24 de junho de 2013

-"No Brasil continua a usar-se a terrível Talidomida"



Autoria de
: Ute Pferdehirt

Tradução e adaptação : Arnaldo Norton

Na edição “online” do jornal alemão “Die Zeit”, de 24 do corrente, encontrei uma notícia sobre as vítimas da talidomida, aquele terrível medicamento que provocou malformações em milhares de bebés por todo o Mundo.
http://www.zeit.de/2013/24/contergan-opfer).
Procurando saber mais, encontrei o Blogue de Klaus Hart, um alemão radicado no Brasil, que publicou em 6.12.2012 uma entrevista com Cláudia Maximino, uma das vítimas http://www.hart-brasilientexte.de/2012/12/06/brasiliens-endloser-conterganskandal-neuer-dokumentarfilm-uber-thalidomidfolgen-bis-heute/ ).


Cláudia, de 45 anos, não tem pernas, só tem um braço deformado, é licenciada em administração de empresas e dirige a Associação Brasileira das Vítimas da Talidomida.

Passo a transcrever um excerto da entrevista :


"A Organização Mundial de Saúde calcula que no Brasil há mais de mil vítimas da talidomida; nós estamos convencidos que o número de vítimas é muito maior visto a talidomina ser prescrita e tomada no Brasil há mais de 50 anos.Mas o mais inacreditável neste caso é que, ainda hoje, há médicos a receitarem a talidomida a mulheres sem fazerem o teste de gravidez e sem as informarem dos riscos que correm ao tomarem aquele medicamento.Parece absurdo mas existe uma nova geração de médicos que desconhece os efeitos da talidomida e nunca ouviu falar nos escândalos e debates à volta deste medicamento. Em todo o Mundo foi debatido o caso da talidomida ; no meu país, devido à má qualidade da comunicação social e ao baixo nível cultural há pessoas que nunca ouviram falar nisso, inclusive no seio da classe médica.Dá mesmo vontade de chorar ! ..."

Eu posso acrescentar que os direitos de produção da talidomida foram comprados, em 1957, ao laboratório alemão Grünenthal, por três empresas farmacêuticas brasileiras que a lançaram no mercado com as designações comercias de SEDALIS, SEDIM e SLEEPY.


"
talidomida (C13H10N2O4) é uma substância usualmente utilizada como medicamento sedativoanti-inflamatório e hipnótico. Devido a seus efeitos teratogénicos, tal substância deve ser evitada durante a gravidez e em mulheres que podem engravidar, pois causa má-formação ou ausência de membros no feto.
(Wikipédia) 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Talidomida

sábado, 15 de junho de 2013

-" A origem da BUNDA ?..."

Um amigo meu, brasileiro, creio eu que depois de aturadas investigações e gostosos estudos no terreno, teve a gentileza de me enviar o resultado duma pesquisa efetuada sobre a origem do termo “BUNDA”.
Pela fluência e humor do texto e pela importância de que tal pesquisa se reveste e considerando o princípio segundo o qual devemos estar identificados com tudo aquilo com que lidamos, não posso deixar de o partilhar com os meus amigos, certo de que irei contribuir para enriquecer o seu conhecimento acerca de tão importante atributo feminino.


CAROS AMIGOS, VOCÊS TODOS SABEM QUE NO BRASIL BUNDA É UMA PAIXÃO NACIONAL.
A GATA PASSA E LOGO SE OLHA PARA ELA, A BUNDA.

MAS VOCÊS SABEM A ORIGEM DO TERMO  BUNDA ???

Os responsáveis pela bunda, como é conhecida na atualidade, referindo-me ao conceito contemporâneo de bunda, ou seja,a bunda como ela é, são os africanos.
Mais especificamente, os angolanos.
Para ser ainda mais preciso, as angolanas.
Foram elas, angolanas que, ao chegarem ao Brasil, durante as trevas da escravatura, revolucionaram tudo o que se sabia sobre bunda até então.

Foi assim !...

Naquela época, a palavra bunda não existia.
Os portugueses, quando queriam falar a respeito das nádegas de uma mulher, diziam exatamente isso, nádegas. Ou região glútea, tanto faz.

Aí, os escravos angolanos chegaram ao Brasil. Só que eles não eram conhecidos como angolanos. Eram os bantos, chamados bundos, que falavam o idioma "ambundo". Ou "quimbundo". A língua bunda, enfim.
Os bundos, esses, em especial as mulheres bundas, possuíam a tal região glútea muito mais sólida, avantajada, globosa.

Os portugueses, que não eram tolos, logo deitaram os olhares para as nádegas das bundas. Quando alguma delas passava diante de um grupo de portugueses, vinham logo os comentários:   -“Que bunda ! ...”

Em pouco tempo, a palavra bunda, antes designação de uma língua e de um povo, passou a ser sinónimo de nádegas.

E assim nasceu a Bunda tal como a conhecemos hoje .....
Fonte: "Águias da Estrada"



terça-feira, 11 de junho de 2013

-"A melhor Língua é o Português - mas sem fronteiras"


:::  A Língua Portuguesa foi escolhida como a melhor para se aprender por uma publicação internacional. Mas falta ainda, de dentro da Lusofonia, devolver a ela uma visão internacional.  :::

Hoje – acima de todo nacionalismo ou de um imperialismo vindo de um país sobre toda a Língua –, faz falta uma política de ensino para uma Língua Portuguesa que não seja só brasileira ou só portuguesa, mas que seja internacional, seja lusófona.
A Língua Portuguesa vive mais um momento de grande projeção no mundo. Porém, ainda é preciso desfazer as divisões que se tentam ideologicamente criar dentro da Língua. Faz falta uma política de ensino para uma Língua Portuguesa internacional, de convergência mundial. Que não seja só brasileira ou só portuguesa, mas que – acima de todo nacionalismo – seja internacional, seja lusófona.
No português, tanto em um lado como em outro do Atlântico, a gramática é praticamente a mesma. Os modelos de ortografia, de flexões e de ordem sintática são os mesmos, só havendo a natural variação nas pronúncias. Há variações nas formas da fala do português no Brasil, o paulista, o mineiro, o carioca, o gaúcho, o nordestino; assim como nas formas do português em Portugal, o lisboeta, o portuense, o alentejano, o beirão, o açoriano; isso sem falar na África, em Macau, em Goa, em Timor-Leste.
Portanto, há uma unidade gramatical, e são muito poucas entre si as diferenças no léxico. As palavras essenciais do português falado em todo o mundo são as mesmas, e de longe há no conjunto do léxico muito mais coincidências do que diferenças. Assim como normalmente há algumas diferenças de léxico e de pronúncias entre o inglês britânico e o inglês americano, mas aí também trata-se de uma só língua.
A própria autora reconhece que, ao aprender a Língua Portuguesa no Brasil, pode-se dominar o português internacional “com uma pronúncia nova e com umas poucas palavras novas”.
O enfoque do texto recai sobre a força económica da Língua, sobretudo a de sua variante brasileira – não se pode falar em “português do Brasil” como uma Língua própria pelas razões citadas acima e que permitem uma intercompreensão perfeita entre seus falantes e seus leitores de qualquer parte do mundo. Em um mundo de comunicação em escala mundial, dar o caráter da Língua Portuguesa como se fosse de um só país é tirar dela o caráter que historicamente teve de uma Língua global.
Condenam-se hoje em dia os isolacionismos e o imperialismo vindo de um país sobre toda a Língua. Aquele sentimento de divisão que faz as empresas exigirem de profissionais um “‘português brasileiro fluente’ em seus currículos” – ou mesmo, tão simples, de um fluente “brasileiro”…
Mas essa Língua é a portuguesa. E trata-se de uma só Língua, da “filha ilustre do Latim”. O português é uma Língua do mundo, e deve ser-lhe dado um enfoque universalizante, internacional – razão de existência da Lusofonia.


domingo, 2 de junho de 2013

-"O comércio mundial do petróleo também será em lingua portuguesa"



Plataforma de alto-mar em Angola: a Língua Portuguesa será uma das principais do comércio internacional de petróleo.


A Lusofonia conquistou um novo reposicionamento estratégico mundial, induzido pelas grandes descobertas de petróleo e gás natural. Brasil, Angola e Moçambique representam hoje mais de 50% das descobertas petrolíferas realizadas nos últimos sete anos.

“Isto traz uma especial responsabilidade ao espaço lusófono. Posso dizer-lhes, inequivocamente, que essas descobertas agregadas à sustentabilidade dos sucessos passados, que Angola transforma o espaço lusófono, reposicionam, em termos geopolíticos, o espaço lusófono na economia global. Não tenho dúvida nenhuma sobre isso”, declarou o presidente executivo da Galp Energia, Manuel Ferreira de Oliveira.Para ele, tal constitui um desafio para o qual os lusófonos se devem preparar, “ocupando no mundo o papel que a geologia chama a desempenhar”. “Só falta Portugal encontrar petróleo”, complementou Ferreira de Oliveira.
                           ––  Um instituto pan-lusófono para o petróleo e gás ––


Refinaria de Sines, cidade litorânea do Baixo Alentejo: Galp Energia e seis universidades portuguesas criaram instituto lusófono para o petróleo e gás.
A Galp Energia e as seis maiores universidades portuguesas criaram recentemente o Instituto do Petróleo e Gás (ISPG), com o objetivo de promover a competitividade das indústrias de energia nos países lusófonos através da formação avançada de quadros técnicos e da criação de uma rede de cooperação entre empresas, universidades e centros de investigação.
Fazem parte da iniciativa a Universidade de Aveiro, a Universidade do Porto, a Universidade do Minho, a Universidade Nova de Lisboa, o Instituto Superior Técnico de Lisboa, a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
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–– Extraído da Agência Lusa e dos jornais Expresso e Diário Económico (Portugal) ––


sexta-feira, 31 de maio de 2013

-"Eles são muito, muito estúpidos "


Eis o vídeo a que se refere o artigo publicado ontem. 








quinta-feira, 30 de maio de 2013

-"Programa brasileiro “C Q C” investigado pela policia por piadas racistas sobre portugueses"

A notícia
O Conselho da Comunidade Portuguesa está a processar o programa “CQC.


O programa  ‘CQC’ está a ser alvo de uma investigação pelo Departamento de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância de São Paulo depois de um episódio, ocorrido durante o campeonato da Europa de 2012, em que são feitas algumas piadas de mau gosto com os portugueses. Os apresentadores pediram, entretanto, desculpa mas de forma irónica, lembrando que fazem piadas sobre portugueses desde “1500 e só agora começaram a perceber”.
O programa brasileiro CQC, cujos moldes são muito semelhantes ao “CQC” que já esteve no ar na televisão portuguesa, ‘Caia Quem Caia’, está a ser alvo de uma investigação pelas autoridades do país. Em causa estão queixas de racismo que chegaram ao Conselho da Comunidade Luso-Brasileira de São Paulo depois de uma reportagem feita durante o jogo Portugal-República Checa, no Euro2012., e que desencadeou uma onda de protestos através da Comunidade Portuguesa e até de varios outras nacionalidades, face à falta de respeito. A  nossa associação recebeu muitas queixas, não só de portugueses mas [também] de luso-brasileiros que ficaram chocados com o tom extremamente debochado da matéria”, justifica o presidente António de Almeida e Silva, em declarações ao Diário de Notícias (DN).
No vídeo, um dos humoristas e apresentadores do programa pergunta a uma cidadã portuguesa se pode fazer um teste que consiste em verificar se a jovem tem “bigode”. Na mesma reportagem, o indivíduo refere-se aos portugueses como “burros”.
As conclusões da investigação ainda são desconhecidas mas, ainda no ano passado, os apresentadores do CQC pediram ironicamente desculpa no programa, justificando que “nós fazemos piadas de vocês [portugueses] desde 1500 e só agora vocês começaram a entender”.

O comentário
                          Embora eu considere que a “anedota de português”, tão frequente no Brasil,  é um tipo de piada que é um “tiro no pé” de quem a faz e defenda a máxima popular de que “a ignorância é muito atrevida”, sou de opinião que já era tempo de haver uma reação oficial  a esta manifestação que querendo parecer fruto de um complexo de superioridade nada mais é do que o oposto.
Já tenho ouvido muitas "piadas de português", mas a  forma como os apresentadores do programa pediram desculpa consegue ultrapassar todos os limtes tornando-se um hino à estupidez que em nada prestigia a comunicação social brasileira.





sexta-feira, 10 de maio de 2013

-"Português tem 430 restaurantes no Brasil ! "



Ele é médico, mas a verdadeira vocação de Alberto Saraiva é saber desvendar os desejos dos clientesEle é médico, mas a verdadeira vocação de Alberto Saraiva é saber desvendar os desejos dos clientes
O grupo Alsaraiva, presidido pelo português Alberto Saraiva, natural da Guarda, detém 430 lojas no Brasil, das quais se destacam os restaurantes de comida árabe Habib’s. No total, o grupo emprega 22 mil funcionários e um faturamento superior a um bilhão de reais.
 A cadeia Habib’s é a maior rede de restaurantes ‘fast food’ de comida árabe do mundo. Alberto Saraiva – que conhecemos desde São Paulo, depois da padaria deixada pelo pai, arrancou inicialmente com pizza e teve grande sucesso com o famoso rodisio, copiado logo a seguir por todos. O primeiro Habib´s surgiu em SP, em 1988 e estivemos presentes à inauguração. O produto principal eram as esfihas (um petisco da culinária árabe semelhante à pizza). Hoje a Habib´s  vende 680 milhões de unidades por ano e deverá ampliar bastante o mercado neste e no proximo ano.
Segundo Alberto Saraiva, a sua vida comercial começou quando – após a morte do pai – teve de tomar conta do negócio da família, uma padaria que tinham aberto em São Paulo. Foi aí que surgiu a sua filosofia para os negócios: “associar qualidade a preços mesmo muito, muito acessíveis”.

Aposta no ’franchising’

Em 1988, Alberto Saraiva abriu o primeiro restaurante Habib´s, em São Paulo, na altura com 20 funcionários. Mais tarde, depois de abrir 18 lojas, o empresário começou a implementar o ‘franchising’ no seu negócio, o que possibilitou a expansão da rede de ‘fast food’ de comida árabe por todo o Brasil. “Hoje, 60% dos restaurantes são próprios e 40% são franchising”, esclareceu Alberto Saraiva. 
Na área da restauração, e conforme “Portugal Sem Passaporte” já anteriormente divulgou,  o grupo Alsaraiva  possui várias outras  redes de ‘fast food’, destacando-se uma de comida italiana, chamada Ragazzo, e outra de comida variada, chamada Box30. E não falta produção dos famosos “Pasteis de Nata” bem portugueses.
Além disso, o grupo é detentor de fábricas próprias de laticínios, panificação e sorvetes, de um contact center, uma agência de viagens, uma agência de publicidade, um escritório de arquitetura, uma consultora de franquias e uma consultora imobiliária.

Mais 50 lojas ainda este ano

Para Alberto Saraiva, neste momento, a sua prioridade é a  expansão do grupo no Brasil, onde prevê abrir cerca de 50 lojas, ainda este ano, “aproveitando a boa fase económica do país”. 
No entanto, o empresário não descartou a hipótese de uma possível internacionalização do grupo, mas sublinhou que precisa de parceiros sólidos nos países estrangeiros para expandir o seu negócio. 
Quanto a Portugal – país com o qual o empresário mantém fortes relações familiares e de afeto – Alberto Saraiva contou que já houve portugueses interessados nos restaurantes, mas o negócio não chegou a concretizar-se, o que não impede que haja negociações futuras, sublinhou.

Fonte: lusa

terça-feira, 12 de março de 2013

-" Uma jóia com 500 anos: a Biblioteca da Universidade de Coimbra"



A Biblioteca da Universidade de Coimbra comemorou 500 anos. É a herdeira da “Casa da Livraria” da qual já há referências datadas de 12 de Fevereiro de 1513, quando a universidade funcionava em Lisboa.
Com um acervo de 1,5 milhões de livros, disponíveis em 28 quilómetros de estantes, distribuído por sete pisos, a Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra é a maior e a mais rica biblioteca de todo o mundo lusófono.
A parte mais apelativa é a Biblioteca Joanina, acabada em 1728 e mandada construir por D.João V, monumento nacional cuja riqueza arquitetónica e decorativa muito se deve ao ouro do Brasil que chegava a Portugal no séc.XVII.
A Universidade de Coimbra é a que tem mais estudantes brasileiros fora do Brasil.

segunda-feira, 4 de março de 2013

-" Universidade de Coimbra: uma das mais antigas do mundo"


A Universidade de Coimbra é uma das mais antigas universidades da Europa, criada em Lisboa, em 1290, e transferida definitivamente para Coimbra em 1537.
Nela estudaram, praticamente, todas as pessoas que fizeram a construção do Brasil . É o caso de José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838), que, tendo frequentado a Faculdade de Filosofia, seria um dos seus mais destacados professores, após a Reforma Pombalina da Universidade, no século XVIII.


De regresso ao Brasil, o futuro “Patriarca da Independência” acabaria por assumir papel determinante na emancipação do Brasil face à coroa portuguesa, em 1822.

O primeiro presidente de Angola, Agostinho Neto (1922-1979), também estudou em Coimbra, na Faculdade de Medicina, em meados do século passado, antes de se envolver, em Lisboa, nas atividades anticoloniais.
Vários presidentes do Brasil foram distinguidos com o título de doutor honoris causa pela Universidade de Coimbra, os últimos dos quais foram Lula da Silva (em 2011) e Fernando Henrique Cardoso (em 1995).
O ex-presidente e atual primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, foi outro dos estadistas de países lusófonos agraciados com esse grau académico, em 2011.

A Universidade de Coimbra é a que tem mais estudantes brasileiros fora do Brasil”. No último ano letivo (2011-2012), os brasileiros constituíram o grupo mais numeroso dos alunos estrangeiros da Universidade
totalizando 1.806 inscritos nas diferentes faculdades.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

-" CPLP, We Have a Problem"



22/02/2013

Um petroleiro foi assaltado, no Golfo da Guiné, no início deste mês, por gangs terroristas nigerianos. O assalto, inédito na zona, coloca à vista de todos aquilo que até agora era passado em silêncio: um imenso problema de segurança na zona em que se insere a Guiné-Bissau, S. Tomé e Príncipe e também a sua vizinha Guiné Equatorial… Dois pequenos Estados membros da CPLP e um pequeno Estado candidato, todos três ricos em hidrocarbonetos e com posições geográficas privilegiadas numa zona da mais alta importância para o abastecimento energético da Europa.

Há cerca de uma dúzia de anos que um alto responsável político de S. Tomé alertou Lisboa para o cenário da “invasão das pirogas” vindas da Nigéria. Este político sugeria um apoio português que funcionasse como dissuasão para tal cenário. Por exemplo, que ao abrigo de um acordo especial uma companhia de comandos portugueses estivesse uns tempos “em instrução” em S. Tomé e fosse, no fim da sua temporada, substituída por outra, num sistema rotativo que nunca deixaria o pequeno país lusófono desamparado. A sugestão ainda aguarda a concretização da resposta portuguesa…

A Guiné Equatorial, situada na mesma zona e partilhando ameaças comuns com S. Tomé (por razões comuns: a imensa riqueza em hidrocarbonetos…) tem insistentemente procurado, fazendo valer os séculos em que integrou o império português, ser admitida na CPLP, para quebrar algum isolamento na zona e sentir-se mais ‘confortável’. Também há anos que espera… Lisboa tem ignorado em absoluto o estado calamitoso da segurança no Golfo da Guiné e muito menos foi capaz de compreender os riscos e ameaças na zona e, sobretudo, ignora as oportunidades que tal situação lhe pode oferecer.

Mais atenta (como vem sendo hábito), Madrid tem aproveitado e tem, procurando ganhar influência na zona, sido pró-activa. Basta ler com alguma atenção esta recente notícia: “El destacamento de Infantería de Marina enviado a la costa oeste de Guinea para formar a militares de varios países en materia antipiratería ya ha finalizado su misión y prepara su regreso a España (…) representantes de la U.S.Navy, impulsora y principal sustento de la misión ‘Africa Partnership Station’, como se denomina a esta iniciativa internacional, ha trasmitido recientemente a mandos de la Armada su satisfacción por la labor de los representantes de la Marina española”.

Lisboa nunca mostrou a capacidade de ter uma “intelligence” da importância e da situação estratégicas da zona do Golfo da Guiné e nem dos “trunfos” que tem e detém para a zona e nem como usá-los para se afirmar, projectar influência e ajudar a resolver problemas regionais de segurança. A realidade, porém, acaba frequentemente por se meter pelos olhos dentro, mesmo dos que não querem ver. E, depois de assim terem de ver, é conveniente que deixem de fazer como se não vissem…

O assalto ao tanker Le Gascogne, no dia 2 Fevereiro, em águas da Costa do Marfim, fez a demonstração de que o cenário da “invasão das pirogas” não é fruto de imaginações febris mas de uma acertada leitura da situação na região. Ficou claro, desde 2 Fevereiro, que os ‘gangs’ do Delta do Niger têm capacidade para realizar operações em qualquer ponto deste Golfo. E que, se não têm apoios no aparelho de estado da Nigéria, contam pelo menos com a passividade do Estado nigeriano que, em terra não desarticula estes gangs e, no mar, se mostra incapaz de garantir a segurança da navegação e permite o assalto a petroleiros.

E, a acrescentar a isto, há agora mais isto: Nigeria: An al Qaeda-linked Group Kidnaps Foreign Workers… E isto: The Rise of a New Nigerian Militant Group

CPLP, “we have a problem” !



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

-"A maioria dos alemães apoia Portugal"

Tradução da carta que a cidadã alemã Ute Pferdhirt enviou à redação do Jornal “O Público” no dia 11 do mês passado


Exmos.Senhores !

Esta carta vai escrita em alemão porque, embora eu possa ler, não consigo falar ou escrever português.
Ontem, li o excelente artigo de Manuel Carvalho “Foi Você que pediu o FMI ?” publicado no Vosso jornal  http://www.publico.pt/economia/noticia/foi-voce-que-pediu-o-fmi-1580105 .
e hoje recebi da “Central Federal Alemã para Formação Política” uma Newsletter com um artigo versando o mesmo tema http://www.nachdenkseiten.de/?p=15789#top .
Levo isto ao Vosso conhecimento para que, caso assim o entendam, possam facultar aos Vossos leitores o link para o referido artigo, porque pretendo que, pelo menos eles, fiquem a saber que a maioria dos alemães

- considera um enorme erro as medidas de austeridade que o MFI impôs à população portuguesa;
- espera que o seu apoio possa ser mais um argumento para uma próxima manifestação de protesto;
- deseja que o governo português abrande as medidas de austeridade

e, por último, mas não menos importante, que se saiba que os alemães não são a Angela Merkel e que na sua grande maioria repudiam as medidas que estão a ser impostas a países como Portugal .


Nota:
tradução e publicação com o acordo da autora


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Futebol de Cabo Verde: entrevistas, só em Português

Uma decisão que deveria envergonhar grande parte dos responsáveis portugueses
A equipa nacional de futebol de Cabo Verde diz que está a fazer a sua parte para promover a Língua Portuguesa, ao recusar-se a dar entrevistas em qualquer outra língua na Copa Africana das Nações, disputada na África do Sul.
“Uma das razões que levam a que o português não seja tão conhecido internacionalmente é o facto de sermos tão educados com os estrangeiros e de falarmos com eles em suas línguas”, disse o porta-voz da equipa nacional Gerson de Matos ao diário desportivo português A Bola nesta quarta-feira.
A determinação de dar entrevistas em Língua Portuguesa no torneio na África do Sul segue instruções dadas pelo presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca.
“Somos mais de 200 milhões de falantes do português no mundo. Se fizermos questão de falar português, talvez mais pessoas encarem a nossa Língua de outra forma”, disse Gerson de Matos.
A seleção estreante de Cabo Verde tem sido a grande surpresa na Copa Africana das Nações, ao atingir os oito pontos após dois empates e uma vitória aflitiva de 2 golos a 1 sobre a nação-irmã lusofalante Angola. Assim, passou pela primeira vez às quartas-de-final da competição.
“Cabo Verde pode não ter o peso internacional do Brasil, de Angola e de Portugal, mas pelo menos está a fazer a sua parte”, acrescentou o porta-voz.
Cabo Verde, o país mais pequeno desde sempre a competir nas finais da Copa Africana das Nações, obteve a independência de Portugal em 1975 e filiou-se à FIFA [Federação Internacional de Futebol], órgão que regula o futebol mundial, em 1986.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

-" BRASIL: somos um país sério ? "

Artigo assinado pelo jornalista e escritor Arnaldo Niskier, ex-presidente da Academia Brasile de Letras entre 1998 e 1999. Niskier também é acadêmico correspondente no Brasil da Academia de Ciências de Lisboa.
O artigo foi publicado no jornal Folha de S. Paulo em 14 de janeiro de 2013 tendo sido
extraído do sítio da Academia Brasileira de Letras.

"SOMOS UM PAÍS SÉRIO ? ...

A história do marechal Charles de Gaulle tornou-se clássica. Num dado momento, lançou a dúvida: “O Brasil é um país sério?”. Muitos de nós ficamos chocados. Isso feriu o orgulho nacional. Agora, a frase voltou à tona, a propósito da decisão do governo de adiar para 2016 a entrada em vigor do decreto assinado em agosto de 2008, pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a propósito do Acordo Ortográfico de Unificação da Língua Portuguesa. Mais três anos, para nada.
Houve uma adesão quase unânime do lado brasileiro.
Os nossos irmãos portugueses e algumas nações luso-africanas, como Angola e Moçambique, por interesses variados, resistiram à adoção, que tem por finalidade essencial a simplificação da escrita do nosso idioma. Nada mais do que isso. E com um claro objetivo estratégico: postular assim a oficialização do português como Língua de trabalho da Organização das Nações Unidas (ONU), o que eleva o nosso status internacional.
Também aqui há os recalcitrantes, que só agora se manifestam. Silenciaram em 1990, quando o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi assinado, e em 2008, quando se estabeleceu o prazo fatal para a unificação pretendida.
Somos obrigados a ler até alguns absurdos, como o comentário de que isso se fez de forma burocrática, sem audiências públicas, ou por “reformadores de plantão”. Aqui, uma clara agressão à memória de um dos grandes brasileiros que se debruçaram sobre o assunto, como é o caso do acadêmico Antonio Houaiss (1915-1999).
Antes de ser cassado, por motivos políticos, dedicou parte ponderável da sua vida, como filólogo consagrado, à discussão interna e externa dessa problemática. Só colheu aplausos. O Brasil aderiu com entusiasmo ao Acordo. Livros, jornais e revistas passaram a ser escritos com as novas normas. Centenas de concursos públicos, como é o caso do Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM (4 milhões de jovens), foram realizados com essa marca, aparentemente irreversível.
São quase 200 milhões de brasileiros que hoje escrevem de forma simplificada. Mudar esse quadro não foi desrespeitoso?
Numa prova eloquente da sua modernidade, o nosso país aceitou as recomendações da Academia Brasileira de Letras (ABL), no que tange às suas 200 mil escolas. Mesmo as do interior, como se atesta na Olimpíada de Língua Portuguesa, deixaram para trás os tempos de “voo” e “enjoo” com acento circunflexo.
De mais a mais, o que muitos desconhecem, há um decreto presidencial em pleno vigor, datado de 1972, que dá à Academia Brasileira de Letras as prerrogativas de ser a última palavra em matéria de grafia. Os mal informados ou mesmo os ignorantes desconhecem isso e aí só nos resta lamentar esse retrocesso."

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

-"Alemanha: a austeridade é um boomerang"


 

 Berlim tinha anunciado um crescimento de 1% para 2013. Agora, reduziu esse crescimento a… 0,4%. Ou seja, fez um corte de 60% na sua previsão! A previsão agora avançada pelo governo Merkel não anuncia realmente qualquer crescimento mas sim uma estagnação da economia alemã, neste ano. A auto-proclamada “locomotiva da economia europeia” tem vindo, no últimos anos a perder força de ano para ano: o crescimento em 2010 foi de 4,2%, em 2011 foi 3%, em 2012 só 0,7% (com o último trimestre do ano no ‘vermelho’…). Se este primeiro trimestre 2013 também correr no ‘vermelho’, a economia alemã entrará oficialmente em recessão, tal como a zona euro no seu conjunto já é considerada em recessão desde o terceiro trimestre do ano passado. Com uma economia dominada por uma estratégia mercantilista que faz das exportações o principal pilar, a Alemanha começa a sofrer as consequências da ‘austeridade’ que tem imposto aos seus parceiros europeus. Lançada pela Alemanha contra os Estados da periferia marítima, a austeridade surpreende Merkel ao comportar-se como um boomerang.

Fonte: "Inteligência Económica"

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

- "CPLP é um mar de oportunidades"


"O secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, o embaixador moçambicano Murade Murargy, escreveu artigo recente em que elogiou as iniciativas desempenhadas nas mais diversas áreas para a integração e a cooperação mútua entre os países do mundo lusófono.
Murargy sublinhou o facto de a Comunidade estar bem distribuída geograficamente no mundo, o que constitui para os países lusófonos uma vantagem na inserção no cenário mundial. “O que pode parecer um entrave, não é: os nossos Países tornam-se portas privilegiadas entre regiões e sub-regiões à escala planetária, fortalecendo-nos no plano internacional.”
O secretário-executivo também destacou que a entidade lusófona, unida pela Língua Portuguesa e por aspirações comuns de solidariedade e desenvolvimento, representa um “mar de liberdades e de oportunidades” que aproxima em vez de separar."
(Extrato do artigo publicado no dia 29 de dezembro no Diário de Notícias, de Lisboa ). :::