ALTERAÇÃO DO ENDEREÇO

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

-" O estudante que processou o "Facebook "

Vejam este vídeo atentamente e tenham cuidado com o que escrevem  e com as fotos e vídeos que publicam !

sábado, 26 de novembro de 2011

- " Ficha Limpa na Lusofonia "

A Ética na Política e na Administração -  Uma Proposta Urgente -
                                                                                                                                                José Jorge Peralta


1. Não há novidade, para ninguém, dizer que a corrupção anda à solta, em muitos países do Ocidente. De uns poucos anos para cá, a corrupção vai virando moda. O patrimônio público vai sendo dilapidado. O nosso maior patrimônio é a ética, a moral e a dignidade que vão sendo espezinhados, por alguns néscios e entreguistas.
Os impostos que a população paga, nunca dão para cobrir os rombos do assalto aos cofres públicos. Os países estão afogados em dívidas; sem saída. Infelizmente, no Brasil, em Portugal e em alguns outros países Lusófonos, a situação vai sendo calamitosa e vergonhosa. Não foge à “moda”.A malbaratação do erário público deixou muitos países na mão do sistema bancário, dependente dos credores. Jogaram fora a soberania nacional e o bem-estar da nação. Deixaram o país de chapéu na mão, humilhado.
Recentemente, uma digna Juíza do Supremo Tribunal Federal, de Brasília, Eliana Calmon, declarou que há “bandidos escondidos atrás da toga”. Isto é: há juízes que são bandidos, acobertados pela toga, negociando sentenças....

Na política de Portugal também parece que não é diferente. Lógico que há exceções...  Ou os bandidos são exceção. Mas eles estão aí, atuantes. A sociedade está perplexa e atônita... em alguns setores.
Este é um caso em que a minoria esperta vence a maioria omissa e acomodada.Não podemos continuar a filosofia dos quatro macaquinhos: não vejo, não ouço, não falo e não faço: a Teoria da Omissão.
Está na hora das nações fazerem a lição de casa e aprenderem a se precaver para que a bandalheira não se repita, e a nação não mais passe por semelhante vexame. Precisa ser garantida a ética na política. A ética já é um bem básico que está em falta. Por outro lado, a demanda da ética é cada vez mais acentuada... 
Fonte
: http://politicologia.blogs.sapo.pt/1443.html

domingo, 20 de novembro de 2011

-" Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada "

Em memória dos mortos nas estradas de todo o Mundo um vídeo chocante mas que espelha a triste realidade ! 


sábado, 12 de novembro de 2011

- " 20 anos após o massacre"

Esquecer é desprezar as vítimas e aceitar os assassinos !  Enquanto a Indonésia não assumir todas as culpas e colaborar na denúncia dos acontecimentos, não merece ter lugar entre as nações civilizadas.

-" 20 anos do massacre de Santa Cruz, em Timor "


 Faz hoje 20 anos que ocorreu o massacre no cemitério de Santa Cruz, em Díli, capital de Timor-Leste. No dia 12 de Novembro de 1991, o exército indonésio envergonhava a humanidade assassinando dezenas de pessoas inocentes.  
Recordar, transc
revendo
o relato dessa atrocidade cometida pelo exército da Indonésia contra um do redutos da Lusofonia no Extremo-Oriente, é o mínimo que nós, lusófonos, podemos fazer.


“ À chegada às portas do cemitério...alguns dos manifestantes subiram para cima do muro, exibiram os cartazes aos jornalistas e depois ficaram ali todos , quase sem saber o que fazer.

...Um camião do exército apareceu ao fundo da rua...Do interior começaram a saltar soldados vestidos de verde e com tiras vermelhas no capacete.

... Do lado direito apareceram mais soldados, estes com uniformes castanho--escuros e com as M16 em posição de fogo.

... Começaram as rajadas cerradas. Os timorenses das primeiras filas tombaram logo ali, os outros voltaram as costas num pânico de fuga e começaram igualmente a cair.

...Os corpos rolavam na rua... As armas calaram-se ao fim de um bom bocado...

No ar ergeu-se o coro da multidão refugiada no cemitério, a rezar Avé Maria em português."

In: “A Ilha das Trevas” de José Rodrigues dos Santos

Ainda hoje, os timorenses continuam a aguardar que o Governo indonésio lhes indique os locais onde o exército indonésio sepultou os seus mortos. Os portugueses, bem como os timorenses, nunca se calarão, ato que deveria ser seguido por todos os países da CPLP .

sábado, 5 de novembro de 2011

-" O Bairro Português de Malaca (Malásia) "

Malaca foi a porta da Europa para o Oriente e um centro mercantil onde os portugueses criaram um importante entreposto comercial nos séculos XVI e XVII. Pelo estreito de Malaca cruzavam-se todas as rotas entre a Índia e o Sudeste Asiático.
Malaca ocupou um lugar de relevo na história ultramarina portuguesa a par de Goa e Ormuz desde a sua conquista em 1511 por Afonso Albuquerque. Foi um importante elo do Império em Rede português (um chokepoint, em linguagem moderna) de onde partiram várias expedições, entre elas a que chegou à ilha de Samatra, no arquipélago das Molucas, hoje Indonésia.Além da feitoria, os portugueses construiram uma fortaleza tão imponente que ficou conhecida como “A Famosa”, da qual ainda resta a porta (fotografia abaixo; fazer clique na foto para ampliar).


Malaca era uma cidade cobiçada e os holandeses (com o apoio dos, ao tempo, seus aliados ingleses)  aproveitando o estado de guerra em que se encontravam com o rei de Espanha que, por azar, também era o rei de Portugal, conquistaram-na em 1641.

Os portugueses perderam Malaca mas deixaram lá uma herança tão forte que, apesar da presença holandesa e mais tarde inglesa, perdura até hoje.
No Bairro Português de Malaca os “Portugueses de Malaca” falam o Papiá Kristang, o dialecto nativo onde abundam palavras do “português antigo”. A comunidade teima em resistir ao esquecimento, debatendo-se pela conservação dos costumes, das tradições e das festas religiosas como San Juang e San Pedro. Porém, a preservação destas memórias está em vias de desaparecer. O pouco “do falar português” tem os dias contados. A geração mais nova limita-se a aceitar os apelidos de origem portuguesa mas não fala o português nem o Papiá Kristang. É com pesar que os mais velhos testemunham o diluir das histórias que os seus antepassados deixaram, assim como, o diluir de um idioma incapaz de resistir à supremacia da língua Inglesa.
Apesar de tudo, tem sido extraordinária a forma carinhosa como o Governo da Malásia tem tratado esta comunidade e a memória da presença dos portugueses, do qual pequenas provas são as fotos que se juntam. 

( Réplica de Nau portuguesa onde se encontra instalado um museu recordando a presença dos portugueses )

terça-feira, 1 de novembro de 2011

-" Aniversário da descoberta da Baía de Todos-os-Santos "

Há 510 anos atrás, no dia 1 de Novembro, os portugueses descobriram a Baía de Todos-os-Santos, no litoral brasileiro.

sábado, 29 de outubro de 2011

-" O Brasil acordou ..."

O Brasil é um dos cinco países emergentes aos quais se aplica a sigla "BRIC", que deriva das iniciais dos nomes dos países: Brasil,Rússia, Índia e China. Espera-se que eles, em breve,sejam motores da economia mundial.
É uma designação honrosa mas que não pode esconder o muito que ainda falta fazer nesses países para que as populações possam viver numa situação que dignifique o ser humano.
Como está, nesses países, a assistência médica ?... e a medicamentosa ?... toda a gente beneficia de água canalizada ? ... o saneamento básico existe ?...as condições de trabalho são humanas?
Ser BRIC só pode ser motivo de orgulho se a par da melhoria das condições económicas se melhorarem, também, as condições de vida.
Espero que o vídeo que se segue desperte as consciências para isso. Apesar de ser patrocinado por uma bebida a ideia não é uma alucinação.
  

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

-"O astronauta da Catedral de Salamanca"

Circula pela Internet uma mensagem com a figura de um astronauta no pórtico da catedral de Salamanca, transformando-a numa figura misteriosa. Ela, afinal, nada tem de misterioso e a sua presença tem uma explicação muito simples.
Durante o restauro da Porta de Ramos da Catedral Nova de Salamanca realizado em 1992, foram integrados motivos contemporâneos e modernos, entre os quais uma figura esculpida de um astronauta. A inserção deste motivo deve-se à tradição dos antigos restauradores e construtores de catedrais que consistia em utilizar um motivo contemporâneo, dissimulado entre os motivos mais antigos, com o intuito de assinar as suas obras. O responsável pelo restauro, Jerónimo Garcia, escolheu um astronauta como símbolo do século XX.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

-" Um exemplo a seguir "

Cabo Verde perto de atingir um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio

O arquipélago baixou o índice da pobreza para metade em 10 anos



Dados revelados no Dia Mundial de Erradicação da Pobreza pelo Coordenador do Programa Nacional de Luta contra a Pobreza, mostram que Cabo verde está a apenas 2% de atingir as metas traçadas pela ONU.

Para a redução da pobreza contribuíram, nos últimos dez anos, a construção e reabilitação de cerca de mil casas, o acesso a água potável e a saneamento básico dado a cerca de 80 mil pessoas, mais de 10 mil pessoas alfabetizadas e perto de 30 mil euros investidos na melhoria de vida das populações mais pobres.


O vídeo que se segue é uma homenagem ao meu amigo Lima, um extraordinário enfermeiro cabo-verdiano, infelizmente já desaparecido, que conheci em Angola, como testemunho da minha admiração.
Admiração extensiva a todo o povo de Cabo Verde.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

-" A infantilidade de Àngela Merkel "


No dia 25 do mês passado, à noite, a Senhora Merkel deu uma entrevista à estação de televisão pública alemã, na qual defendeu a perda de soberania e o julgamento no Tribunal Europeu de Justiça  dos países que não cumpram os critérios de estabilidade.
Logo, no dia seguinte, a eurodeputada portuguesa Edite Estrela comentou da seguinte forma as afirmações de Ângela Merkel:

«Acho que há aqui uma falta de visão estratégica e até alguma infantilidade na análise dos problemas com que estamos confrontados».

«Acho lamentável que no actual contexto difícil que a união europeia atravessa que Angela Merkel só pense em multas, sanções, castigos e só faça ameaças em vez de serem tomadas as decisões que se impõem».

«A senhora Merkel está a acordar tarde e mal para a crise das dívidas soberanas e já deveria ter percebido que se tivessem sido tomadas, em Fevereiro de 2010, as medidas de ajuda à Grécia, medidas essas que depois acabaram por ter de tomar por força dos acontecimentos e a reboque das pressões dos mercados, provavelmente estaríamos todos agora em melhores condições»

«No que diz respeito ao desrespeito dos critérios do Pacto de Estabilidade e Crescimento, a Alemanha e a França foram precisamente os primeiros países a desrespeitar».
“Os alemães são dos principais beneficiados da moeda única e do mercado interno e não devem esquecer que nos momentos difíceis da Alemanha, a Europa foi solidária principalmente quando pagou a reunificação alemã.

«Sou a favor da disciplina orçamental, sou a favor do cumprimento dos critérios do pacto de estabilidade e crescimento, mas estamos agora a viver momentos excepcionais. Ou seja há uma crise global que não havia até 2008 quando a Alemanha e a França desrespeitaram o PEC»

Concordo, inteiramente, com os comentários de Edite Estrela e embora haja mais a dizer o princípal foi dito.




segunda-feira, 19 de setembro de 2011

-" Contra o Acordo Ortográfico "

Defenda-nos Deus de tamanha ignorância !...


«São mudas mas “falam”» [Nuno Pacheco, Público]


«Valha-nos, ao menos, a insistência da iniciativa legislativa de cidadãos contra o acordo (http://ilcao.cedilha.net/). Deviam assiná-la todos os que ainda não perderam a coragem.»
Nuno Pacheco

"Agora que às criancinhas começa a ser servida nas escolas a nova e indigesta papa ortográfica (que muito trabalho há-de dar a pais e professores, sobretudo a explicar incongruências), eis que surge na revista Ler deste mês um extenso e magnífico artigo onde se dá conta da evolução da monumental farsa a que convencionou chamar-se Acordo Ortográfico ou AO90. Assinado e muito bem escrito por Fernando Venâncio, justifica por si só a compra da revista. Ao lê-lo, os que não sabiam ficarão a saber que, na fúria revolucionária dos primórdios da coisa, chegou a propor-se a abolição total da acentuação nas esdrúxulas: escrevia-se “polemico” e quem quisesse leria polémico, caso de Portugal, ou polêmico, caso do Brasil. E o “nosso” Malaca sugeriu até a supressão total dos hífens, o que daria coisas fantásticas como “bemestar” para “bem-estar” e “malingua” para má-língua.
Tudo à roda, como já perceberam, das temíveis contradições entre o que se diz e o que se escreve. Daí que os génios do AO tenham descoberto aquela que ficará como uma das afirmações mais idiotas deste jovem século: “Não se pronuncia, não se escreve.” É isso que dita, no AO, a morte das consoantes mudas. Mas serão assim tão mudas? Um exemplo curioso e brasileiro: no infinitivo impessoal dos verbos terminados em –er ou –ar, nunca o “r” é pronunciado. Comer, correr, bater, dever, diz-se naturalmente “comê”, “corrê”, “batê”, “devê”; tal como nadar, comprar, voar, andar, se diz “nadá”, “comprá”, “voá”, “andá”. Para lá da etimologia, não é difícil perceber que a vogal final é aberta por causa do “r” que fecha a palavra. Sem “r”, teríamos de ler “come”, “corre”, “bate”, “nada”, “compra”, “voa” e por aí fora. Por isso, a consoante aparentemente muda de tais palavras, afinal, “fala”. E acentua as vogais. Mas, como “não se pronuncia, não se escreve”, ainda um dia esse “r” fi nal será abatido.
Ora com as consoantes suprimidas em Portugal passa-se o mesmo. Por isso, aqui, espectáculo sem “c” só pode ler-se esp’táculo. Não há volta a dar a isto. No artigo já citado, Fernando Venâncio resume da melhor forma o problema (pág. 89): “O nosso magnífico idioma tem duas ortografias diferentes porque tem sistemas vocálicos divergentes. O fosso entre os dois vai-se, mesmo, alargando. Mil acordos ortográficos não conseguiriam uma reaproximação dos dois sistemas. Importa aceitá-lo com naturalidade e não interiorizá-lo como um drama.” Mas a isto o AO nada diz, cego na sua fúria de “unificar” que na verdade não unifica. O artigo lembra também este disparate: na entrada dos hotéis portugueses vai passar a escrever-se “receção”, por imposição do AO, enquanto no Brasil se continuará a escrever, e bem, “recepção”. Tão unificados que estamos…
Estranho é que, mesmo publicando artigo tão clarificador, a Ler passe a partir deste número a aplicar já o AO. É tipicamente português: mesmo aquilo que não faz sentido, aceitamo-lo com um encolher de ombros, esse sim, perigosamente mudo. Valha-nos, ao menos, a insistência da iniciativa legislativa de cidadãos contra o acordo (http://ilcao.cedilha.net/). Deviam assiná-la todos os que ainda não perderam a coragem.
Nuno Pacheco
[Transcrição integral de crónica da autoria de Nuno Pacheco publicada no jornal Público de 19.09.11. Link disponível apenas para assinantes.]"

domingo, 28 de agosto de 2011

-" Casa de Macau em São Paulo "



CASA  DE  MACAU  DE  SÃO  PAULO  CELEBRA  A  SOLIDARIEDADE  LUSÓFONA



José JPeralta
Convidado, participei, em  31 de julho de 2011, da festa do 22º Aniversário da Casa de Macau, em São Paulo, Interlagos. Situa-se em um amplo e belíssimo recanto, ao lado da Represa Guarapiranga.
Foi a terceira vez que estivemos nesta bela instituição. Ela está sediada em dois amplos casarões contíguos  muito bem equipados e ornados.
1. A Casa de Macau é uma Instituição Sociocultural, formada pelos emigrantes de Macau, sediados em São Paulo e arredores.
A Casa foi fundada em 31 de julho de 1989.
O seu Salão de Festas estava cheio, com mais de 200 pessoas. Gente alegre e participativa. Vieram sócios até do Rio de Janeiro.  Festejaram em clima muito alegre e participativo. Cantaram e dançaram e até brincaram.  Faz bem estar com eles. São gente de nossa gente, com valores muito característicos: um misto de chinês e português, no sangue e na cultura.
Uma aliança viva entre duas grandes culturas, criando uma identidade própria. Um povo miscigenado como os brasileiros.
Os Macauenses cultivam suas raízes portuguesas e chinesas, com muito orgulho. Orgulham-se muito do Brasil, país de adoção. É gente que soma, gente criativa: gente de nossa gente.
2. A Comunidade Macauense aí se reúne para, compartilhar  almoços dominicais e datas festivas, sem muitas formalidades.
O carinho dos macauenses, por Portugal e pelo Brasil, está gravado em sua bandeira: a cor verde-amarelo, o mapa do Brasil e o Escudo Português. Falam bem em português, como em chinês.
Vê-se aqui a tendência, natural do português, à miscigenação sem discriminação.  Assim foi no Brasil, na África, em Macau, em Timor... Assim foi consolidada a primeira globalização da história. Assim foi consolidada a grande aliança  multirracial, pelo sangue e pelas culturas, abrindo caminhos para a prosperidade e paz universal... Para saber mais, clique: 
http://tribunalusofona.blogspot.com/2011/08/casa-de-macau.html

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

-" O discurso de um ladrão 500 anos depois "

O jornalista César Príncipe, num excelente artigo, corporiza o inglês Francis Drake, ladrão dos mares e de cidades costeiras, para explicar as causas dos recentes motins e roubos em Inglaterra.
De facto, ninguém mais apropriado para analisar as causas dos roubos do que um pirata especialista em  assassínios, violações e roubos, credenciado pelo governo do seu país, e para acentuar a inevitabilidade de um país que institucionalizou o roubo sentir o efeito disso no seu próprio seio.

Antes da análise do pirata Francis Drake, um vídeo com os acontecimentos a que ele se refere.




Discurso de Francis Drake
por César Príncipe [*]

Sou Francis Drake. Nasci robusto e prometedor no ano de 1540, em Devon. Faleci de gloriosa disenteria em 1596, no Panamá. Fui vice-almirante de Isabel I, que me concedeu Carta de Corso e me alçou à Dignidade de Cavaleiro. Sou Sir Francis Drake. Assaltei, saqueei, incendiei, matei e violei, com gula predatória e talante diplomático, desde a Europa às Américas, da África à Ásia. Não poupei Portugal, o mais velho aliado: investi da Metrópole às Colónias. Por esse mundo de realezas e tribos, aterrorizei cidades, vilas e aldeias. Vasculhei e pilhei barcos e portos, palácios e templos, celeiros e plantações. Dediquei-me ao nobilitante tráfico de escravos. Enchi a Coroa de tesouros e ornei a cabeça de louros. Sou um dos nomes fundadores e inspiradores do Império Britânico, um referente da Nova Globalização: o corso de porta-avião e assalto humanitário. Vim, hoje, ao Palácio de Westminster, ao Parlamento, para enaltecer a epopeia dos mares e esclarecer a crise que grassa em terra. É idêntico o desígnio que nos move. Mudou a estilística. Antes exibia-se a Carta de Corso. Agora brande-se a Carta dos Direitos Humanos sempre que se aborda um petroleiro ou um fundo soberano. Há que atender, contudo, à presente circunstância: somos uma colónia de uma antiga colónia. Também mudou a rainha. Reina outra Isabel, a II. God Save the Queen. Sou Francis Drake. Não pedi a palavra ao speaker, ao presidente, a John Bercow. Até onde sabemos, eu, a rainha e o povo britânico, a Excelentíssima e Gentil Esposa do Presidente, Sally Bercow, também não pediu autorização para irromper nua (velada por um lençol) à janela do apartamento (pago pelos cidadãos), defronte do Palácio de Westminster, deixando-se entrever a um tablóide londrino e à comunidade internacional. [1] Também anunciou a firme disposição de participar no Celebrity Big Brother. Não será Francis Drake, uma legenda eterna da Grã-Bretanha, a submeter-se ao regimento da Câmara dos Comuns.

Senhores Políticos, Senhores Polícias, Senhores Juízes, Senhores Jornalistas, súbditos de Isabel,

Ocorreram, em diversas cidades reais, actos que os negociantes da comunicação e as autoridades governamentais e policiais prontamente qualificaram como tumultos, distúrbios, delitos, actos criminosos, vandalismo, gangsterismo. Ora, o que se passou constitui, para além do óbvio, uma bênção dos céus. Poucas sociedades se poderão orgulhar de ter uma juventude tão brava e com tanta iniciativa, crianças tão audazes e auto-determinadas. Não desperdicemos esta geração combatente. A estranheza e o sobressalto apenas se explicam por desconhecimento da nossa conduta secular e pelo facto de estarmos habituados a manter a paz em casa e a guerra no estrangeiro. De supetão, legiões de ingleses saltaram para as ruas e, durante alguns dias, paralisaram o braço da Lei porque se sentiram iraquianos, afegãos, somalis, líbios. V. Excias. não compreendem o que custa ser iraquiano em Londres, afegão em Manchester, somali em Bristol, líbio em Salford. Eu, Francis Drake, entendo todos os roubos, todos os incêndios, todos os desacatos dos angry young men / das angry young women. [2] Nada de relevante relativamente às pilhagens, destruições e massacres que, dentro das melhores tradições e basilares princípios, levamos a cabo pela esfera terráquea. Não passam de danos colaterais face aos saques e aos escombros que provocamos no Mapa das Matérias-Primas e nos Pontos de Mira Estratégicos. Neste preciso instante. No momento da rebelião caseira. Mas como reagimos entre paredes? Prendemos infantes de 11 anos. Condenamos a quatro anos meros incitadores. Duplicamos as penas. Abarrotamos os cárceres de incriminados e suspeitos. Proclamamos que os desordeiros jamais ocuparão a Praça de Trasfalgar-Tahrir nem pisarão os corredores do Ceptro e os redutos da Libra.

Excelências,

Eles, os filhos da Albion e da Commonwealth, limitam-se a seguir, com espontaneidade, o profissionalismo de Tony Blair e David Cameron. Respondem com a mesma linguagem mas com pobreza de meios. Com uma desculpa. Somente aspiram a uma modesta parte do PIB planetário. Quem sabe: apenas ambicionarão de forma injusta e arbitrária o que é seu, o que é justo e lógico. Porventura um emprego. Talvez uma morada. Por certo boa saúde fora das clínicas de sangue azul e boa educação fora de Oxford e Cambridge. Dêem-lhes as armas de Terra, Mar e Ar e sereis vós os julgados. Não se iludam os estadistas do provisório e os cientistas do acessório: a sublevação não se deve ao BlackBerry Messenger nem ao Twitter. Já no séc. XI havia tumultos em Londres e se ergueu a Torre que foi Casa Real e Centro de Execuções. Sou Francis Drake. Ouçam-me. A ira dos amotinados não se contém com canhões de água, bombas de gás, balas de borracha, gradeamentos e bastões, estigmas de manchettes. Não chegam 16 mil agentes da Scotland Yard em Londres nem tropas de prevenção em Glasgow. A intifada inglesa revelou a fúria acumulada, o fracasso das instituições, a perversão do modelo. Resolver-se-á a crise económico-financeira, a crise social, educacional e familiar com a reposição dos contentores de lixo, dos vidros das montras, o reabastecimento das lojas, uma série de purgas de bairro, uma campanha de placards com os rostos dos suspeitos? Sou Francis Drake. Conheço as águas. A tormenta apaziguou. É assim no Atlântico, no Índico, no Pacífico. É assim até à próxima.

Senhores Deputados, Senhoras Deputadas,

Por enquanto, podereis dormir sem sedativos e sem gorilas à cabeceira. A ordem regressou aos televisores. Repousai nos privilégios de casta e de castelo. Tranquilizai a City , o lugar da Terra onde se concentra mais dinheiro sujo, cofre-forte da guerra, da especulação, da corrupção, da escravidão, do tráfico. God Save the Queen . A NATO e as Monarquias do Golfo não armaram os rebeldes. Os insurrectos não assaltaram a Bastilha do Tamisa, a Tower, onde esteve clausurada Isabel, a I, antes de reinar 45 anos e me confiar missões de mar alto e investidas de litoral. Espero que Isabel II, reinante há 58 anos, não passe pela descortesia de assistir das varandas de Buckingham ao clamor das turbas, ao avanço dos operários- chips , dos estudantes- chats , dos polícias humilhados pelos governantes, dos loiros tornados negros, da embaixadora dos Jogos Olímpicos denunciada pela mãe. É que os brigadistas de Tottenham desconfiam de Cameron, embora este, em jovem, se divertisse a escacar lojas e restaurantes ao lado de Boris Johnson, colega, actual mayor . Cameron só admite que se estilhacem vitrinas e se lese o património por graça, por praxe, como exuberância de pedigree. Jamais por desespero, protesto, repúdio, rompimento dos limites psico-emocionais, alarme de sobrevivência. Boris, esse que respeitabilidade colherá no seio dos jovens irritados? Dirá aos ingleses em polvorosa o que disse aos gregos em transe: a melhor ajuda é deixá-los sozinhos. [2] Que esperança tendes para dar a tanta descrença?

Meritíssimos Juízes,

Os governantes entregam os vândalos ao vosso cuidado, exortando as instâncias de fim de linha a ditar sentenças céleres, implacáveis, memoráveis, que não se enredem em jurisprudências. Até concordaria se não fosse levado a algumas reservas, no sentido de poupar o ido Império à desmoralização geral ou ao perigoso culto da anti-violência. É indispensável o mínimo de moral para impor o máximo de imoralidade. Que vemos nos casos em que o Estado e os seus protegidos cometem crimes de alta parada? A Justiça é lenta, vacilante, persuadida a conter-se. Recordemos David Kelly, biólogo, ligado ao Ministério da Defesa, perito em desarmamento da ONU. Pôs em causa o fabrico e o armazenamento de armas de destruição em massa por parte do Iraque. Foi ostracizado e vítima de aparente suicídio . Que tem feito a Justiça para apurar esta suposta interrupção voluntária da existência? Norman Baker, deputado sem temor, empreendeu uma investigação por conta própria e concluiu: Um suicídio pode ser encenado para esconder as pistas dos assassinos. Todos os indícios me levam a crer que foi isso que aconteceu no caso do Dr. Kelly. [3] E como actuou Tony Blair, uma das criaturas mais sinistras da última década, no caso da super-corrupção, envolvendo a BAE Systems, a maior empresa europeia de equipamentos militares e de segurança e a família real saudita? O Serious Fraud Office/SFO foi aconselhado a congelar a investigação em 2006 e a Câmara dos Lordes, Corte Suprema da Justiça, desautorizou vários tribunais que se pronunciaram pelo andamento do processo. Havia biliões em jogo. Um ano depois, o rei saudita desembarcou em Londres com a comitiva, acomodada em seis aviões e 84 limusinas, deslocou-se de carruagem puxada a cavalos brancos, recebeu as honras da Guarda Real, brindou com a rainha, saudado por Gordon Brown e David Cameron.

Meritíssimos,

A Corte Suprema foi célere a abortar a Justiça. Foi implacável para com a Verdade. Foi memorável a rever a História dos Gangues Aristocráticos.

Só mais um reparo à morosidade da Justiça no que toca aos Grandes Burocratas e aos Grandes Magnatas: há semanas fomos notificados de outro aparente suicídio. [4] Desta vez, coube morrer misteriosamente a Sean Hoare, jornalista da News Corporation, de Rubert Murdock, que havia denunciado a prática de escutas ilegais e subornos policiais, que arrastaram o News of the World para o encerramento. David Cameron sempre manteve íntimas relações com quadros deste universo. Cameron não instiga os magistrados a redobrar diligências e a atropelar jurisprudências?

Senhores Jornalistas e Senhores Comentadores,

Reservo o final da oração aos chiens de garde do sistema. Sem dúvida que os bandos juvenis não foram cavalheiros de coco nem cavaleiros de penacho. Excederam-se. Provocaram danos no espaço cívico e na fazenda privada. São reprováveis tais desmandos. Mas não serão reprováveis os desmandos nacionais e internacionais de Blair, Cameron e Murdock? Que força vos impede de chamar criminosos e vândalos a estas e outras entidades? O que vos solta a língua e a pen para diabolizar os gangues periféricos? A Polícia abateu um cidadão. As arruaças causaram quatro mortes. Breivik, o terrorista norueguês, averbou 77 vítimas (69 mortais). Muitos de vós tratam o carrasco neo-nazi com complacência e prudência: assassino fotogénico, lobo solitário, autor confesso do ataque, fanático, islamofóbico, perturbado mental. Muitos de vós, demasiados, quase todos, tratam Kadhafi e Assad como ditadores e Mubarak como ex-presidente e ex-faraó e Abbdullah ibn Abdul Aziz Al Saud como Sua Majestade e guardião de dois lugares sagrados. [5]

A Ti, Isabel I, já não a bordo do Golden Hinal e do Elizabeth, que capitaneei ao Teu Serviço, mas das bancadas verdes de Isabel II, renovo o juramento de lealdade e frontalidade. Sei que não eras mulher de um só homem, que, por amor da grandeza anglo-saxónica, expuseste os frutos do Éden, não à janela como a esposa do speaker, mas no sigiloso e tumultuoso leito, conciliando as prazeres de uma estadia com os deveres de Estado. No entanto, viveste em aparente suicídio da volúpia, fabricando uma imagem de rainha santa, blindada por tecidos preciosos, ajaezada de rendas e cintilações. Os povos apreciam devassos com resplendor. Não descuraste sequer a pedra sepulcral:

AQUI JAZ ISABEL, QUE VIVEU E MORREU VIRGEM.

Saberás, pela própria experiência, que a Tua auréola de castidade serviu para atenuar a carga dos meus deboches e estupros e a sobrecarga dos veneráveis cortesãos e dos bispos de Cantuária. Nunca tive pejo em identificar-me Fui pirata a sério. Reconheço, pelo menos, 70 filhos em locais com indicadores estatísticos. Mas quantos marinheiros e missionários fabriquei e abandonei em povoações exóticas, mercê de cobrições furtivas? Deus os terá numerado com o ferrete da compaixão. São milhares os meus descendentes. Alguns terão organizado as manifestações de Agosto. Alguns terão organizado a repressão. Quem sabe se David Cameron nasceu de uma rixa de alcova com uma camareira da rainha? Tenho uma virtude: continuo pirata. Desprezo quem me incensa ou branqueia. Há dias surpreendi um site de História a arrebatar-me o título de Sir do Corso e da Armada Invencível, emprestando-me uma aura de cartógrafo curioso:

DEDICOU-SE À EXPLORAÇÃO GEOGRÁFICA.

Senhores Deputados, Senhoras Deputadas,


Sois indignos de Francis Drake.
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1. Pose para o Evening Standard (05/02/2011). Sally Bercow argumentou com a necessidade de pôr na agenda o erotismo do poder. Celebrity Big Brother / programa voyeur / TVFive.
2. Angry young men / angry young women /jovens irritados. Grupo literário, que se evidenciou a partir de 1950, com o denominador comum da indignação sociocultural/cólera criativa e que incluiu, entre outros, Alan Sillitoe, Bill Hopkins, John Wain, John Osborne, John Braine, Kingsley Amis, Shelagh Delaney, Doris Lessing.
3. Declaração de Boris Johnson, The Daily Telegraph (19/06/2011).
4. Norman Baker, deputado liberal-democrata, Daily Mail (20/09/2007).
5. Sean Hoare, encontrado morto na residência (18/07/2011).
6. Meca e Medina.

[*] Escritor/Jornalista. Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

Fonte: esta matéria foi enviada pelo nosso amigo Canojones




quarta-feira, 17 de agosto de 2011

-" Em defesa da Meritocracia "

Um vídeo que vai magoar muita gente ! ...