ALTERAÇÃO DO ENDEREÇO

quarta-feira, 21 de março de 2012

-" O PORTUGUÊS, moeda de ouro ”

   
                                                                                      ( Réplica da moeda original )

Da mesma forma que o “dollar” o tem sido nas últimas décadas, o Português de ouro foi, durante quase um século, a moeda universal.
Foi a moeda portuguesa de maior circulação mundial, refletindo o poderio do País no apogeu da sua glória. Com o peso de, aproximadamente, 35 gramas em ouro quase puro, comemorava, em suas legendas, as descobertas, as conquistas e o comércio de Portugal.
Foi uma das moedas que Vasco da Gama levou nas naus para a Índia e foi cunhada em Lisboa, Porto, Goa, Malaca e Coxim, por mais de quatro décadas.
Foi aceite por toda aparte como meio de pagamento. Muito depois de ter deixado de ser cunhada em Portugal, o seu prestígio era tal que, entre 1570 e 1640, várias cidades europeias, entre as quais as da Liga Hanseática, bateram moeda de ouro de 10 cruzados, tal como o Português, com a cruz de Cristo no anverso, dando origem aos célebres “Portugalöser” que, por vezes, exibiam a legenda “Ad valorem Emanvel reg Portugal” e “de acordo com o justo peso e liga do Português”.
Até ao século XVIII foi a maior moeda cunhada no País.
Constitui, hoje, uma valiosa raridade numismática.

AN
Fontes: Banco Millennium e Arquivo Pessoal.


domingo, 11 de março de 2012

- " O CARNAVAL E A INDIGNAÇÂO DE UMA BRASILEIRA"

O vídeo que se segue transmite a indignação de uma comentadora brasileira na TV de Paraíba. O texto, complementa a informação que ela deu sobre a origem do Carnaval.


O Carnaval é uma festa que teve origem na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C. Através dessa festa os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção. Passou a ser uma comemoração adotada pela Igreja Católica em 590 d.C.
O período do carnaval era marcado pelo "adeus à carne" (em latim "carne vale") dando origem ao termo "carnaval". Durante o período do carnaval havia uma grande concentração de festejos populares e cada cidade brincava a seu modo, de acordo com seus costumes.
O costume de se brincar no período do Carnaval foi introduzido no Brasil pelos portugueses, no século XVI, com o nome de Entrudo, seguindo o hábito de há séculos em Portugal.
O carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias,  apareceu no século XIX, sendo a cidade de Paris o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo.
AN

sexta-feira, 2 de março de 2012

- "Um Dia Isto Tinha Que Acontecer",

Por: Mia Couto
Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
 

sábado, 18 de fevereiro de 2012

-" UM ASSALTO MUITO BEM ORQUESTRADO "

Um vídeo com muito humor, muito bem realizado e muito bem interpretado. A não perder ! 


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

-" No frigir dos ovos "

O português é uma língua mesmo rica! Se não, vejam este exercício maravilhoso ! ....

Não é à toa que os estrangeiros acham nossa língua tão difícil!
Como a língua portuguesa é rica em expressões!
Achei interessante, porque demonstra o quanto o vocabulário "alimentar" está presente nas nossas metáforas do dia-a-dia. Aí vai.
Pergunta: Alguém sabe me explicar, num português claro e direto, sem figuras de linguagem, o que quer dizer a expressão "no frigir dos ovos"?
Resposta: Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem ideias e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa. E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas.
Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.
Contudo, é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher linguiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal, não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos.
Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote. Mas como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha, são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão.
Há também aqueles que são arroz de festa; com a faca e o queijo nas mãos, eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese... etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam no tomate, enfiam o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o leitor, que sai com cara de quem comeu e não gostou.
O importante é não cuspir no prato em que se come, pois os leitores não são farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente.
Por outro lado, se você tiver os olhos maiores que a barriga, o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado, porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha, não. O pepino é só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana, afinal pimenta nos olhos dos outros é
refresco...
A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca, e depois, quando se junta a fome com a vontade de comer, as coisas mudam da água pro vinho.
Embananar-se, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir, mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa pra sua sardinha, que no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda.
Entendeu o que significa “no frigir dos ovos”?

Fonte: Internet, autor desconhecido

sábado, 14 de janeiro de 2012

-" O Glaciar Perito Moreno "

O Glaciar Perito Moreno localiza-se na Argentina, entre a fronteira argentino-chilena e o braço sul do Lago Argentino. Tem cinco quilómetros de largura e 60 metros de altura. O seu nome é uma homenagem a Francisco Pascasio Moreno, fundador da Sociedade Científica Argentina e grande pesquisador da região austral daquele país. O glaciar é considerado uma das reservas de água doce mais importantes do mundo.

Em diversos pontos de sua extensão, represa as águas do Lago Argentino, fazendo com que esse atinja uma altura de até 30 metros. Neste ponto a água começa a fazer pressão sobre o gelo. Essa pressão cria um túnel com uma abertura de mais de 50 metros, por onde as águas do Rio Braço acabam descendo até o Lago Argentino. A pressão da água provoca um desabamento na borda da geleira, formando um espetáculo incrível. Esse processo se repete ao longo de intervalos irregulares: o último desabamento ocorreu em 9 de julho de 2008. Os anteriores em 13 de Março de 2006, dois anos após o desabamento ocorrido em 2004, sendo que o anterior ocorreu somente 16 anos antes, em Fevereiro de 1988. Os turistas podem observar o fenómeno a 200 metros de distância, em instalações especialmente construídas para este fim.
Fonte: Wikipedia

O vídeo que se segue mostra o fenómeno em todo o seu esplendor.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

-" 500 anos depois a China retribui a visita "

Não quero deixar 2011 acabar sem registar o acontecimento mais importante do ano para Portugal, para a Europa e para a China e que terá, certamente, repercussão em todo o Mundo.
Hoje, a China fechou o Circulo da Globalização iniciado em 1498 com a chegada de Vasco da Gama à Índia e com a chegada à China de Tomé Pires em 1517.
Hoje, ao adquirir 21% do capital da empresa portuguesa EDP, uma das maiores no setor da energia a nível mundial, a China chegou à Europa e escolheu Portugal como porta de entrada, retribuindo a visita que lhe foi feita 500 anos atrás.  
Os chineses foram sempre conhecidos pelas suas sábias decisões e a conservação de Macau como uma plataforma estratégica de cooperação com Portugal está a começar a dar os seus frutos. Os chineses sabem que podem beneficiar muito da posição da Lusofonia e não deixarão de a aproveitar. Oxalá os portugueses saibam aproveitar a colaboração da maior potência económica e financeira mundial.
Face à avidez dos financeiros alemães e à falta de solidariedade dos restantes europeus, Portugal, ao abrir as portas à China, deu um sério aviso à Europa de que é europeu mas não só ! …   

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

-" O Ouro de Viana do Castelo "


Viana do Castelo é uma cidade com cerca de 38 mil habitantes situada na Província do Minho, no litoral do Norte de Portugal.
Existem vestígios arqueológicos do Mesolítico e recebeu Foral em 1258. Foi, desde cedo, próspero entreposto comercial com preponderância na exportação de vinhos, frutas e sal.
Está integrada numa região de fortes e inigualáveis raízes culturais.   


Na ligação abaixo encontram um vídeo que é um belo documentário sobre o uso do ouro nesta região e sobre o processo de fabrico de peças extraordináriamente delicadas.
  

http://lugardoreal.com/video/ouro-tradicional-de-viana-do-castelo/

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

-" Dê voz pela DPOC "

Quando menos se esperava, 4 cantores líricos juntaram-se na Gare do Oriente (em Lisboa) e alto e bom som deram voz à DPOC ( Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica). Uma acção que surpreendeu e marcou o dia mundial da DPOC, a 16 de Novembro. O momento, que durou alguns minutos, foi da responsabilidade da Sociedade Portuguesa de Pneumologia e da Fundação Portuguesa do Pulmão.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

-" O estudante que processou o "Facebook "

Vejam este vídeo atentamente e tenham cuidado com o que escrevem  e com as fotos e vídeos que publicam !

sábado, 26 de novembro de 2011

- " Ficha Limpa na Lusofonia "

A Ética na Política e na Administração -  Uma Proposta Urgente -
                                                                                                                                                José Jorge Peralta


1. Não há novidade, para ninguém, dizer que a corrupção anda à solta, em muitos países do Ocidente. De uns poucos anos para cá, a corrupção vai virando moda. O patrimônio público vai sendo dilapidado. O nosso maior patrimônio é a ética, a moral e a dignidade que vão sendo espezinhados, por alguns néscios e entreguistas.
Os impostos que a população paga, nunca dão para cobrir os rombos do assalto aos cofres públicos. Os países estão afogados em dívidas; sem saída. Infelizmente, no Brasil, em Portugal e em alguns outros países Lusófonos, a situação vai sendo calamitosa e vergonhosa. Não foge à “moda”.A malbaratação do erário público deixou muitos países na mão do sistema bancário, dependente dos credores. Jogaram fora a soberania nacional e o bem-estar da nação. Deixaram o país de chapéu na mão, humilhado.
Recentemente, uma digna Juíza do Supremo Tribunal Federal, de Brasília, Eliana Calmon, declarou que há “bandidos escondidos atrás da toga”. Isto é: há juízes que são bandidos, acobertados pela toga, negociando sentenças....

Na política de Portugal também parece que não é diferente. Lógico que há exceções...  Ou os bandidos são exceção. Mas eles estão aí, atuantes. A sociedade está perplexa e atônita... em alguns setores.
Este é um caso em que a minoria esperta vence a maioria omissa e acomodada.Não podemos continuar a filosofia dos quatro macaquinhos: não vejo, não ouço, não falo e não faço: a Teoria da Omissão.
Está na hora das nações fazerem a lição de casa e aprenderem a se precaver para que a bandalheira não se repita, e a nação não mais passe por semelhante vexame. Precisa ser garantida a ética na política. A ética já é um bem básico que está em falta. Por outro lado, a demanda da ética é cada vez mais acentuada... 
Fonte
: http://politicologia.blogs.sapo.pt/1443.html

domingo, 20 de novembro de 2011

-" Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada "

Em memória dos mortos nas estradas de todo o Mundo um vídeo chocante mas que espelha a triste realidade ! 


sábado, 12 de novembro de 2011

- " 20 anos após o massacre"

Esquecer é desprezar as vítimas e aceitar os assassinos !  Enquanto a Indonésia não assumir todas as culpas e colaborar na denúncia dos acontecimentos, não merece ter lugar entre as nações civilizadas.

-" 20 anos do massacre de Santa Cruz, em Timor "


 Faz hoje 20 anos que ocorreu o massacre no cemitério de Santa Cruz, em Díli, capital de Timor-Leste. No dia 12 de Novembro de 1991, o exército indonésio envergonhava a humanidade assassinando dezenas de pessoas inocentes.  
Recordar, transc
revendo
o relato dessa atrocidade cometida pelo exército da Indonésia contra um do redutos da Lusofonia no Extremo-Oriente, é o mínimo que nós, lusófonos, podemos fazer.


“ À chegada às portas do cemitério...alguns dos manifestantes subiram para cima do muro, exibiram os cartazes aos jornalistas e depois ficaram ali todos , quase sem saber o que fazer.

...Um camião do exército apareceu ao fundo da rua...Do interior começaram a saltar soldados vestidos de verde e com tiras vermelhas no capacete.

... Do lado direito apareceram mais soldados, estes com uniformes castanho--escuros e com as M16 em posição de fogo.

... Começaram as rajadas cerradas. Os timorenses das primeiras filas tombaram logo ali, os outros voltaram as costas num pânico de fuga e começaram igualmente a cair.

...Os corpos rolavam na rua... As armas calaram-se ao fim de um bom bocado...

No ar ergeu-se o coro da multidão refugiada no cemitério, a rezar Avé Maria em português."

In: “A Ilha das Trevas” de José Rodrigues dos Santos

Ainda hoje, os timorenses continuam a aguardar que o Governo indonésio lhes indique os locais onde o exército indonésio sepultou os seus mortos. Os portugueses, bem como os timorenses, nunca se calarão, ato que deveria ser seguido por todos os países da CPLP .

sábado, 5 de novembro de 2011

-" O Bairro Português de Malaca (Malásia) "

Malaca foi a porta da Europa para o Oriente e um centro mercantil onde os portugueses criaram um importante entreposto comercial nos séculos XVI e XVII. Pelo estreito de Malaca cruzavam-se todas as rotas entre a Índia e o Sudeste Asiático.
Malaca ocupou um lugar de relevo na história ultramarina portuguesa a par de Goa e Ormuz desde a sua conquista em 1511 por Afonso Albuquerque. Foi um importante elo do Império em Rede português (um chokepoint, em linguagem moderna) de onde partiram várias expedições, entre elas a que chegou à ilha de Samatra, no arquipélago das Molucas, hoje Indonésia.Além da feitoria, os portugueses construiram uma fortaleza tão imponente que ficou conhecida como “A Famosa”, da qual ainda resta a porta (fotografia abaixo; fazer clique na foto para ampliar).


Malaca era uma cidade cobiçada e os holandeses (com o apoio dos, ao tempo, seus aliados ingleses)  aproveitando o estado de guerra em que se encontravam com o rei de Espanha que, por azar, também era o rei de Portugal, conquistaram-na em 1641.

Os portugueses perderam Malaca mas deixaram lá uma herança tão forte que, apesar da presença holandesa e mais tarde inglesa, perdura até hoje.
No Bairro Português de Malaca os “Portugueses de Malaca” falam o Papiá Kristang, o dialecto nativo onde abundam palavras do “português antigo”. A comunidade teima em resistir ao esquecimento, debatendo-se pela conservação dos costumes, das tradições e das festas religiosas como San Juang e San Pedro. Porém, a preservação destas memórias está em vias de desaparecer. O pouco “do falar português” tem os dias contados. A geração mais nova limita-se a aceitar os apelidos de origem portuguesa mas não fala o português nem o Papiá Kristang. É com pesar que os mais velhos testemunham o diluir das histórias que os seus antepassados deixaram, assim como, o diluir de um idioma incapaz de resistir à supremacia da língua Inglesa.
Apesar de tudo, tem sido extraordinária a forma carinhosa como o Governo da Malásia tem tratado esta comunidade e a memória da presença dos portugueses, do qual pequenas provas são as fotos que se juntam. 

( Réplica de Nau portuguesa onde se encontra instalado um museu recordando a presença dos portugueses )